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28.07.05
e o puto do demóstenes? ou porque gostamos dos clichês
lembram-se disso aqui?
pois bem. através da análise nada sistemática dos fatos, onde compêndios metodológicos encontraram finalmente uma vocação no embrulho de postas magras de peixe d´água doce no mercado municipal, transcrevo em linhas breves a conclusão chegada sobre o episódio do mensalão até o presente momento, sem aprofundar-me no assunto nem em outros pormenores de questões adjacentes, direta ou indiretamente ligadas à pendenga. esquema bandejão pop, um real mais o suco: juros altos, beirando a casa dos vinte por cento ao mês. empresários fulos da vida, dispostos a tomar medidas enérgicas – mais vago, impossível – para rever seus altos índices de faturamento. roberto jefferson, de bobeira, prestes a ser evacuado tubulação abaixo, ameaçando levar consigo quantos conseguisse, garantido, assim, os votos necessários para o bom andamento do resto de sua carreira política. levando uma bela ponta por isso, melhor ainda. mas como? armações na mesa e chumbinho num, noutro e vai tomando. contanto que, a priori, seja "preservada" a imagem do presidente. no meio de tanta confusão maquinada, há, sim, uma meta a ser atingida. porém, por ora, desestabilizar o partido, atirando na fogueira as principais peças do jogo, parece ser de bom tamanho: petê, nunca mais. aí entra como uma luva a imprensa, especializada em preparar a lenha. não importam mais os porquês. tudo orquestrado por trás da máscara da liberdade de expressão, onde os fatos, por mais esdrúxulos e despropositados que sejam, valem como o panis básico para que o circenses tenha o efeito esperado. todas as transações bancárias são de suma importância para provar para a população acostumada a contar suas moedas na boca do caixa que, se passou de cinco mil, tem treta. não importa quem tenha sacado, nem com que fim o fez. se foi ao banco – esses juros estão muito altos, afinal - tem culpa no cartório. de repente, o petê passa a ser o único partido a possuir caixa dois em campanhas eleitorais e deve ser exemplarmente punido por seus delitos, abrindo caminho para o retorno de partidos cujas histórias são de uma retidão inquestionável. mas, espera aí. por acaso estaria defendendo os vermelhinhos ou quá? que não contem com os ovos no cu da galinha, é o que posso dizer. e nem entro no mérito, conforme introduzido acima. questiono, sim, o papel da imprensa. que bosta de compromisso com a verdade é esse que se limita a apurar apenas fatos atrás de fatos, deixando um amontoado de dúvidas e lacunas nas cabeças pouco esclarecidas da população – motoristas de táxi, principalmente? por que não ser investigativa, elucidativa, séria deveras em sua proposta de “combate à corrupção”? que se foda a imparcialidade, mas até que ponto essa imprensa que se diz imparcial leva à cabo sua parcialidade por baixo dos panos? e ainda tem gente que perde tempo discutindo isso – pior são os que lêem. entretanto, bem ou mal, começam a aparecer novos nomes de outros partidos como o peessedebê ligados ao senhor marcos valério no esquema do caixa dois, a coisa aparentemente está saindo do controle. nem precisava. está no inconsciente coletivo, de tão velha que é essa história. o papel da imprensa é justamente garantir que continue lá. cedo ou tarde, que feda um tico que seja contra o vento e abafam o caso. não acredito no mensalão – não do jeito que o pintam –, tampouco na ilibada reputação do petê. nem de nenhum outro partido. mas mensalão... é um nome forte demais. forçado, sabe. imagino a cúpula tucana/peefelista reunida com empresários paulistas e mais meia dúzia de publicitários e marinhos, chegando à designação da criatura. jefferson é o tal. e caldo quente neles, que não sobre pedra sobre pedra. o que inclui aí uma figurinha até então mantida distante do foco das câmeras de tevê: el grand ministro de la economia, pallocci. nem digo o próximo, mas logo roda. quanto mais frio for o prato, maior o choque térmico quando exposto ao calor que tá pegando do lado de fora. e dão um jeito de colocar um outro fantoche por lá. essa é a meta principal, daí o alvoroço todo antes de concretizá-la. tudo muito bem orquestrado, no intuito de garantir, num golpe só, o sepultamento do partido dito dos trabalhadores e a retomada da economia – duas ou três facetas do jeito que o diabo gosta, há de ter sempre uma que agrade mais o paladar do freguês. por sinal. se falei muita besteira? bem, é o meu papel, não? pelo menos, acredito exercê-lo de maneira satisfatória – e sem levar um trocado sequer por isso. certo mesmo é em doil mil e seis. se em dois mil e quatro não tive bagos pra tanto, ano que vem, bote fé: nulo no lombo deles tudo. e que a anarquia se instaure de vez na esplanada – há-há. com ou sem racha no patê. vegetarianos de um lado e carnificinas do outro, ou não. espuma ou pão pingado. ou não. pagar pra ver. tudo continuar na mesma.
Posted by cacoishak at 28.07.05 16:28