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16.07.05
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quando meu querido amigo e belo ser humano glênio peres (no sentido de carregar dentro de si as melhores qualidades presenteadas aos bípedes implumes) levou-me à casa de luiz fernando veríssimo, em porto alegre, descobri um desses raros sujeitos que não temem sujeitos. glênio teve de dar uma saída e veríssimo passou dez minutos olhando para a minha cara sem dizer palavra. eu, de birra, também não disse nada, mas sofri muito. quando glênio voltou, continuamos o papo, isso é, eu e o glênio, pois o veríssimo apenas libertava - com muito favor - alguns dissílabos. veríssimo não é tímido. tímido somos nós, os alcoólatras, que não aguentamos outro ser humano ao nosso lado sem antes tomar três doses. graças a essas doses, sou famoso por meus discursos em qualquer celebração entre amigos. hábito europeu, faço isso para marcar uma data, para que no futuro as pessoas se lembrem de um momento que à época nos parecia importante. só não disse nada no enterro do meu irmão urbano numa tarde chuvosa. acho que a dor, quando não nos enlouquece, é extremamente silenciosa na sua eloqüência.
(fausto wolff, a milésima segunda noite)
Posted by cacoishak at 16.07.05 11:52