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31.07.05
filosofia de graça, quase barata
não há quem não se renda ante os formalismos baixo-auto-estimados irredutíveis do próximo... cansei... não sou mais adolescente querendo fugir do entorpecimento desta cidade como se fugisse de casa... que se matem, os putos... impressionante como hoje em dia fica cada vez mais difícil de se viver em sociedade, altruisticamente... a que ponto o dualismo nos fez chegar... cães de nós mesmos... que se matem...
ooOoOoo
um ano de cretinices on-line. nunca pensei que pudesse durar tanto essa brincadeira. estão abertas as comemorações, semana de luto, essas coisas. tão logo acabe de fazer a digestão da churrascada.

Posted by cacoishak at 14:49
brona´parq
ah, essa filha da glória
que de tanto que do amor fala
zoando primogênitos e/ou caçulas
dando pegas em mães de amigos meus
me fez te imaginar de loira
o cinza do sovaco nas dobras caindo dos braços
voz de macho enrouquecido de marlboro e gabriela
grelo esturricado e sem maquilagem no rosto
pra depois ir embora
num arrasta saia maroto
levando os guardanapos
sussurrados ao pé da mesa
enquanto ainda éramos somente dois desconhecidos
e tudo era mera coreografia
entreolhada por detrás dos panos
no intervalo entre uma talagada
e a impressão deixada num tablete de margarina
Posted by cacoishak at 2:50
30.07.05
"profissões mais promissoras do momento"
jornalista no zimbábue
guia turístico na terra santa
enfermeiro em nova iorque
escritor em brunei darussalam
ooOoOoo
ai, beibe, quando te conheci estavas com a mesma expressão que portas nessa fotografia, praticamente de uma efígie tumular. tive uma ênclise forte.
não! pare, não me olhe assim! amanhã será um novo dia.
abraços metonímicos e pleonásticos de incitações.
Posted by cacoishak at 0:16
sacanagem em porta de banheiro público masculino
Fabio: Teoria do vovô 7/28/2005 8:27 PM
Se vc volta no passado e mata seu avô,seu pai não nasce.Se seu pai não nasce,vc não nasce!Se vc não nasce...quem volta no passado para matar seu avô?
Danilo: Ninguém 7/28/2005 8:50 PM
Ninguém, pois, ele não existe mais apartir do momento em que ele volta e mata um antepassado dele. Então, ele provavelmente irá para onde todos os mortos vão: (mistério)!
João Carlos: Paradoxo do Avô 7/29/2005 6:05 AM
Paradoxo do avô: seria impossivel matar seu avo no passado, pois se vc o matassse, vc não teria existido, não voltaria no tempo e não o teria matado.
É impossivel mudar um fato no passado que interfirisse no seu presente e o impediria de faze-lo.
Pesquise sobre o paradoxo do avô, que encontrara sobre esse assunto...
ABRAÇOS...
Francisco: Saida 7/29/2005 5:45 AM
Uma saída é a teoria dos muitos mundos de Everett.
Fábio: 7/29/2005 8:28 AM
se pensarmos o tempo-espaço como unidades discretas independentes entre si, isso seria possível? O avô assassinado, náo seria o avô reprodutor. vou pesquisar o Everett.
Thiago: 7/30/2005 1:18 AM
Isso é oc harme pow, assim como nos filems as amadas que vão ser resgatadas no passado são invivivéis, os velhos erão imortais :PPP, pq a viagem so aconteceu por causa do velho, pra q ele tenha morrido ngm pode ter viajo no tempo!
Mônica: 7/30/2005 1:46 AM
São as ditas linhas do tempo...
Consideradas por alguns planos...
Fabinho: Thiago 7/29/2005 7:03 PM
Do you speak portuguese?
Diego: varias teorias sobre isso 7/30/2005 4:29 AM
que explique esse paradoxo, uma delas eh que é impossivel vc matar qualquer antepassado seu, impossivel mudar o passa, outra teoria, é a teoria de Everett, a teoria de varios mundo, que diz que: qdo vc volta ao passa, vc volta em outro mundo, neste mundo vc mata seu avô e neste mesmo mundo vc nao existira, e no mundo em que você vive nao muda nada!!!
Fernando: e onde fica esse outro mundo? 7/30/2005 4:54 AM
e onde fica esse outro mundo?
Posted by cacoishak at 0:02
28.07.05
carambolas & prevaricações (cabíveis de veto)
despelado qual um hamster
saído da alcova
não obstante os carrapatos
acumulados pelo caminho
fora três casas endireitado
degrau abaixo
despejado na mesa fria
preparada para minha chegada
num festival de teratismos
como coadjuvante da atenção central sem panis aparente
recebo as alfinetadas
cabeças de baixa-temente
refletindo o brio dos teus olhos semi-cerrados
fosforeço porém nossos constrastes
de nada adiantam tuas rugas forçadas
nem se sustentam
se tanto te deslumbram
e põem a perder o há muito de cada experimento
perdoa os impropérios
só não posso mais ser
o azul de metileno que
ora fascina ora
consente com a morte de bastardos em nome ou falta de causas maiores
baforadas entre precauções e desgostos em meu cangote
não posso conceber um deus que não saiba dançar
beegees
ou
darkness
nem tente
los cios de madre helena
e os dois ou dez outros bagos que lhe acompanham dentro e fora da verdade
Posted by cacoishak at 22:21
e o puto do demóstenes? ou porque gostamos dos clichês
lembram-se disso aqui?
pois bem. através da análise nada sistemática dos fatos, onde compêndios metodológicos encontraram finalmente uma vocação no embrulho de postas magras de peixe d´água doce no mercado municipal, transcrevo em linhas breves a conclusão chegada sobre o episódio do mensalão até o presente momento, sem aprofundar-me no assunto nem em outros pormenores de questões adjacentes, direta ou indiretamente ligadas à pendenga. esquema bandejão pop, um real mais o suco: juros altos, beirando a casa dos vinte por cento ao mês. empresários fulos da vida, dispostos a tomar medidas enérgicas – mais vago, impossível – para rever seus altos índices de faturamento. roberto jefferson, de bobeira, prestes a ser evacuado tubulação abaixo, ameaçando levar consigo quantos conseguisse, garantido, assim, os votos necessários para o bom andamento do resto de sua carreira política. levando uma bela ponta por isso, melhor ainda. mas como? armações na mesa e chumbinho num, noutro e vai tomando. contanto que, a priori, seja "preservada" a imagem do presidente. no meio de tanta confusão maquinada, há, sim, uma meta a ser atingida. porém, por ora, desestabilizar o partido, atirando na fogueira as principais peças do jogo, parece ser de bom tamanho: petê, nunca mais. aí entra como uma luva a imprensa, especializada em preparar a lenha. não importam mais os porquês. tudo orquestrado por trás da máscara da liberdade de expressão, onde os fatos, por mais esdrúxulos e despropositados que sejam, valem como o panis básico para que o circenses tenha o efeito esperado. todas as transações bancárias são de suma importância para provar para a população acostumada a contar suas moedas na boca do caixa que, se passou de cinco mil, tem treta. não importa quem tenha sacado, nem com que fim o fez. se foi ao banco – esses juros estão muito altos, afinal - tem culpa no cartório. de repente, o petê passa a ser o único partido a possuir caixa dois em campanhas eleitorais e deve ser exemplarmente punido por seus delitos, abrindo caminho para o retorno de partidos cujas histórias são de uma retidão inquestionável. mas, espera aí. por acaso estaria defendendo os vermelhinhos ou quá? que não contem com os ovos no cu da galinha, é o que posso dizer. e nem entro no mérito, conforme introduzido acima. questiono, sim, o papel da imprensa. que bosta de compromisso com a verdade é esse que se limita a apurar apenas fatos atrás de fatos, deixando um amontoado de dúvidas e lacunas nas cabeças pouco esclarecidas da população – motoristas de táxi, principalmente? por que não ser investigativa, elucidativa, séria deveras em sua proposta de “combate à corrupção”? que se foda a imparcialidade, mas até que ponto essa imprensa que se diz imparcial leva à cabo sua parcialidade por baixo dos panos? e ainda tem gente que perde tempo discutindo isso – pior são os que lêem. entretanto, bem ou mal, começam a aparecer novos nomes de outros partidos como o peessedebê ligados ao senhor marcos valério no esquema do caixa dois, a coisa aparentemente está saindo do controle. nem precisava. está no inconsciente coletivo, de tão velha que é essa história. o papel da imprensa é justamente garantir que continue lá. cedo ou tarde, que feda um tico que seja contra o vento e abafam o caso. não acredito no mensalão – não do jeito que o pintam –, tampouco na ilibada reputação do petê. nem de nenhum outro partido. mas mensalão... é um nome forte demais. forçado, sabe. imagino a cúpula tucana/peefelista reunida com empresários paulistas e mais meia dúzia de publicitários e marinhos, chegando à designação da criatura. jefferson é o tal. e caldo quente neles, que não sobre pedra sobre pedra. o que inclui aí uma figurinha até então mantida distante do foco das câmeras de tevê: el grand ministro de la economia, pallocci. nem digo o próximo, mas logo roda. quanto mais frio for o prato, maior o choque térmico quando exposto ao calor que tá pegando do lado de fora. e dão um jeito de colocar um outro fantoche por lá. essa é a meta principal, daí o alvoroço todo antes de concretizá-la. tudo muito bem orquestrado, no intuito de garantir, num golpe só, o sepultamento do partido dito dos trabalhadores e a retomada da economia – duas ou três facetas do jeito que o diabo gosta, há de ter sempre uma que agrade mais o paladar do freguês. por sinal. se falei muita besteira? bem, é o meu papel, não? pelo menos, acredito exercê-lo de maneira satisfatória – e sem levar um trocado sequer por isso. certo mesmo é em doil mil e seis. se em dois mil e quatro não tive bagos pra tanto, ano que vem, bote fé: nulo no lombo deles tudo. e que a anarquia se instaure de vez na esplanada – há-há. com ou sem racha no patê. vegetarianos de um lado e carnificinas do outro, ou não. espuma ou pão pingado. ou não. pagar pra ver. tudo continuar na mesma.
Posted by cacoishak at 16:28
27.07.05
gepeinaoanos transeiros
clantin des gulaes vuil beixe-crette
feidans gonade
dun putre galvin
lerdre finale
elia suirso sienrsin des bagues
les tré kedrietchmel chanteaux
domme ceinguard
nuelistvel
en
escancrot
.:.
trasva dor
pesdu badão
vedres pia
nuncia tridon
projoco dencioalho
capra
déia raxptê
anusladinassouto
opu mapa
pindago
jacamos petriega
potrea ôguisas
merch dém vilgcen carbádor primas captox
sen pregga caonciana
priqueteta nilica
basdaitla misabra
surtein wutch der sinhô
Posted by cacoishak at 8:29
26.07.05
Café Sangria
(conto do grande jornalista e amigo MARCELO DAMASO - que deve urgentemente dar ouvidos ao clamor público e pôr logo um blog de menininha no ar. tá faltando o quê, mcdamaso?)
Primeiro era a pressa, vontade de sair correndo dali, passar por todas as avenidas com sinal vermelho, atropelar gato, cachorro, pedestre e o que aparecesse pelo caminho. Foi quando consegui sair da avenida e pegar uma transversal que me levou para a auto-estrada. O porta-malas fazia muito barulho, estava carregando um corpo pesado. Ana tinha mais de 100 quilos. Depois veio o desespero, a mão molhada de sangue, frio, vidros embaçados e o grito da sirene, bem distante. Parei o carro dentro de um estacionamento que dava visão para a avenida. Passou um caminhão de bombeiros às pressas. Neurose semelhante à síndrome do pânico, dessa vez eu tinha do que fugir. Segui adiante, e adentrei auto-estrada. Onde somente a lua iluminava, eu via árvores distantes da pista. Eram árvores enormes, apenas as penumbras negras que remetia a mais desespero ainda. Chorei, assassinos choram com a noite. O carro que eu dirigia era veloz e não despertava muita desconfiança. O carro era a minha cara. Pensei em como me desfazer do corpo, tirar as manchas de sangue e dar rumo pra minha vida. Não a matei porque quis. Estava apenas querendo fugir urgentemente daquela situação que o demônio havia me metido. Medo. Senti medo de atirar nela. Foi difícil. Minha primeira vez com arma de fogo. Primeira morte causada por mim. Eu nunca quis o mesmo que Ana, e ela parecia se importar com finais românticos. Eu a amava.
Eu já dirigia a auto-estrada em direção ao Estado de Minas Gerais há 4 horas, iria até a casa da Lurdes no interior do Tocantins, eram 3 estados para atravessar pensando em Ana. Ela estava comigo, não da forma que eu queria, mas estava lá. E eu concentrado na estrada, o frio ajudou a manter seu corpo no meu porta-malas. Estava indo à casa de Lurdes, pois ela seria única pessoa a me ajudar. A única que poderia me tirar dessa obsessão. Ela foi quem falou que o demônio entraria em nossas vidas. Ela era a única com explicações para meu transtorno.
Ana e eu nos conhecemos na inauguração do pátio central de prédio em que eu trabalhava. Ela foi a arquiteta responsável pelo projeto. Era enorme de gorda, mas com alguma beleza que não pude perceber de imediato, e nem agora consigo explicar. Já era madrugada na estrada e eu dirigia sem parar. Tanque cheio. Pararia em menos de 20 minutos. Ainda havia muito tempo para refletir sobre aquilo. Lurdes era vidente, colocava cartas e fazia despachos. Me disse para procura-la em Gurupi. Eu nunca havia ido ao Tocantins, mas sabia como chegar lá. Coloquei a fita de John Lee Rooker no carro, ele era a trilha sonora para casos de intervenções do demônio, encontra-lo numa encruzilhada não seria nada autêntico. Ele não iria aparecer mais, já tinha cumprido com seu papel.
Parei o carro no posto e pedi para o frentista completar o tanque. Eu fiquei por perto, esperando que ele não percebesse nada. Meu rosto demonstrava algum nervosismo, mas o frentista em nenhum momento desconfiou de alguma coisa. Entrei na lanchonete do posto, comprei mais cigarros e uma garrafa térmica, na qual enchi de café. Voltei à estrada e comecei a pensar nos minutos que antecederam os tiros que dei em Ana. Nós vínhamos brigando há três meses, Ana andava nervosa demais comigo, devido seus problemas do escritório e minhas consecutivas puladas de cerca. Não sei porque ainda estava com ela. Eu tinha medo de a perder, a amava muito, mas não conseguia mais estar ao seu lado. Seu corpo nunca me atraiu, e eu saia com prostitutas de luxo. O dinheiro que eu ganhava no escritório era empregado no aluguel de meu apartamento, nas prestações do carro e nas trepadas com Scott Girls. E ainda assim sobrava dinheiro. Ana não sabia de nada, se sentia infeliz por eu não fazer mais amor com ela. No fatídico dia, estávamos jantando e contei a ela que eu iria deixa-la. Ela se desesperou e me jogou o prato no rosto. Eu perdi o controle e saquei a arma. Ela tentou me acovardar com palavras de baixo calão, mas eu estava disposto a mata-la ali, naquele momento. Nada na minha cabeça funcionava, apenas a ânsia em apertar o gatilho. E o jeito com que ela me olhava fazia acelerar meu impulso. Eu sempre fui um covarde, e ela sempre me colocou pra baixo ao afirmar isso continuamente. Nesse dia eu atirei, apenas atirei em seu corpo gordo. Seu rosto demonstrava surpresa ao ver as balas saindo. O chão de sua cozinha ficava mais vermelho a medida em que eu descarregava minha covardia em sua direção. Depois de ter parado de atirar. Tomei, de uma talagada só, meu café que estava sob a mesa. Me queimou a garganta. A taça de vinho com pedaços de laranja que ela tomava (sangria), foi a única a me olhar e ficar intacta. Sangria me flagrou, o café me queimou. Volto pra estrada e percebo que o sono agora me acompanha. John Lee Rooker no toca-fitas. Mais um dia e meio de estrada para decidir o que fazer com minha vida, e com o corpo de Ana.
Uma tarde nublada na estrada é um excelente elixir para pessoas em crises fortes. Eu ainda não estava com crises fortes, sofro de síndrome do pânico, mas agora estou calmo. Quando eu parava na pista pra mijar, a sensação era incrivelmente boa. Tiveram momentos em que esquecia do mundo, mijando ali, debaixo da árvore. Esquecia do meu emprego de merda, da minha doença e do corpo morto e quase podre de Ana.
Não senti fome em nenhum momento, por isso a viagem se tornou menor do que deveria ser. Não parei pra almoçar e cheguei a casa de Lurdes ainda de dia. Gurupi é uma cidade de beira de estrada. A casa de Dona Lurdes ficava bem afastada, todos ali a conheciam, foi bem fácil.
- Oi dona Lurdes.
- Oi meu filho, você veio...
- A senhora deve imaginar o que estou fazendo aqui.
- Imagino não, eu já vi, você a matou.
- Sim, não era a minha intenção.-Pela segunda vez eu chorei.
- Eu sei. Entra e coloca seu carro lá atrás.
- O que nós vamos fazer?
- Primeiro vamos nos desfazer do corpo da sua senhora.
- Ela não era minha senhora.
- Era sim.
Dona Lurdes nunca me intimidou, apesar de toda minha covardia eu confiava naquela mulher satânica. Ana me intimidava, sem nunca ter sido uma mulher ruim, ela me intimidava com seu ar de mulher sofrida e mal amada. Dona Lurdes queimou o corpo de Ana. Pedi para não ver. Ela contou com a ajuda de duas mulheres negras que dividiam aquela chácara com ela. Elas queimaram o corpo, eu fiquei na frente de sua casa fumando meus últimos cigarros. Gritos, cantorias e fumaça vinham do terreiro em que elas estavam. O cheiro da fumaça do corpo de Ana me tranqüilizou. Meu carro ainda fedia a sangue. Peguei um balde com água e uma escova na casa de Dona Lurdes e fui lavar o carro. Sem vestígios. Sem cheiro, sem corpo e sem o demônio.
Dona Lurdes colocou cartas pra mim antes de eu ir embora. Paguei-a, me despedi e fui para um hotel na cidade. No dia seguinte eu tratei de vender o carro e saquei todo meu dinheiro no banco. Pedi para minha secretária enviar o passaporte e disse que estava indo a França passar uns dias com Ana. Assim, uma viagem repentina. Ela "nos" desejou boa viagem e se despediu. Fui até Brasília e comprei uma passagem para Caracas, na Venezuela. Dois dias em Brasília não me fizeram refletir nem me arrepender de nada que havia feito. Estes dois dias me deixaram apto a exorcizar todos os meus medos e seguir com minha vida.
Cheguei em Caracas e tomei um táxi no aeroporto. Pedi para o motorista me levar a um hotel, mas antes o convidei para tomar alguma coisa num bar comigo. Ele não aceitou.
Parei no bar e sentei no balcão. Em vez de café pedi sangria. Uma chicana sentada ao meu lado perguntou de onde eu era. Falei que era brasileiro e ela sentou mais perto. Uma venezuelana linda demais. Sentiria prazer em dormir com ela, não me apaixonaria em nenhuma ocasião. Paixões me trazem muitos problemas. O barman me serviu a bebida e brindei com ela.
- Quiero hacer un brindis a una persona que partiò.
- Quien?
- Ana.
- Sí.
- A Ana.
- A Ana.
FIM
Posted by cacoishak at 13:03
24.07.05
boloito dovo
se me permitem, pois, contarei como tudo aconteceu. corria o ano de mil e novecentos e noventa e dois e, no meio de uma roda formada por tios e primos e elencos e o escambal, jazia em contração sob os pés da segunda voz de uma dupla sertaneja das batutas, segundo diziam. ao pé do ouvido, de um mullets pixaim-pinha chegava-me o estridor das menores emitidas sofregamente pela principal, ajoelhada. papaipapai, o moço cantava, cada vez mais alto. impossível de se aguentar. papaipapai, e não acabava nunca aquele refrão, agora chorado. a visão foi escurecendo até que tudo em volta fosse um breu danado e o sujeito, então, passou a esgoelar-se ininterrupto. era fome. e, num pulo, levantei-me da cama, apressando-me no auxílio a malu, duas e meia da madrugada. preparei-lhe a mamada que me valeriam os selinhos de bom dia pares de hora mais tarde, ainda cedo da manhã que me cumpririam as sempre parcas despedidas, devolvendo-lhe em seguida ao que quer que estivesse sonhando, por sua vez. finda a serenata, fui ao banheiro compensar o cansaço e, no espelho, quem me dera um mullets que fosse. a situação capilar, sustentada à base de mui boa vontade e oba-oba no cocuruto, havia se tornado por demais esburacada de uma semana pra cá. não tinha mais como negar, nem porquê. nem esperar por mais uma semana pra que o resto fosse tinindo ralo abaixo. que se acostumassem logo com a nova paisagem sem aviso prévio, portanto, inclusive ela antes de partir. considerações demais a essa altura. melhor seria se o fizesse rápido, poltronaria à vista. lancei mão do barbeador elétrico e tasquei-lhe as lâminas no couro, a mesma expressão no rosto, dali em breve igualmente tosquiado. nem ficou de todo ruim, caso console um coração em fúria necessária. no chão, a contraparte: até que tinha bastante cabelo por aí. sou um cínico de fato, pensei. mas, pensando bem, que nada. ensaiei uma pedalada e voltei pro travesseiro. o frederico tinha razão. e foi assim.
Posted by cacoishak at 15:14
look who´s typing

Posted by cacoishak at 4:17
21.07.05
demóstenes
confesso que pouco tenho acompanhado os noticiários sobre as cepeís da vida e a crise eleito-conjugal pela qual o petê do governo passa. ando com muito sono ultimamente. durmo demais. sonho demais. no tempo que me sobra, vivo. demais ou demenas, importante é não deixar a peteca cair. já temos o william bonner trabalhando pra isso, gastura garantida e seu dinheiro em reservas. nada a ver com dar uma de estudante de ciências sociais de federal – que, aliás, já fui (por um dia – o bastante para que abandonasse o curso –, mas fui) – ou, mais pior de grave, uma de professor de ciências sociais de federal ou particular ou cursinho clandestino pré-vestibular que seja ou coisa que o valha daí pra baixo, pra quem tudo de ruim e catastrófico que acontece no mundo é culpa do jornal nacional, do allan greenspan, do papa e da xuxa. não é nem que eles estejam de todo errados, mas onde entram os escritores de rua nessa tese?, é o que me pergunto. assunto a ser tratado em ocasião futura, assim como todo o resto desta croniqueta política – yes, nós temos bananas –, que tinha por escopo o mensalão. não o faço agora, pois cronistas políticos também têm filhos e a minha, recém-chegada de viagem, acaba de acordar. aguardem as cenas dos próximos capítulos, caso não matem, à guisa de poetisas da gema, o narrador antes do final.
Posted by cacoishak at 13:20
fwd: monstrinho
From: bb
Date: Mar 24, 2005 9:44 AM
Subject: monstrinho
To: af
cuidado com o caco ishak. ele é maluco. mesmo.
ooOoOoo
agora sim, está explicado. gargalhadas estridentes na madrugada.
Posted by cacoishak at 2:36
20.07.05
conversa causal
quem vive um purgatório diário, não se esquece nunca do dia em que desejou a beatificação, beibe. fly high, shall we?
Posted by cacoishak at 18:54
19.07.05
– são uns estóicos, esses paulistas.
carpinejar, no diálogo que travávamos, noite passada, na sala de estar de sua residência, enquanto as crianças brincavam de cabra-cega. num sonho, obviamente. acredito que o bardo gaúcho, ao contrário de alguns de seus pares da paulicéia enflaparada, não chegaria a tanto. como se chovesse no molhado.
- e suas muletas parafusadas, ratifico imaturo.
Posted by cacoishak at 17:47
no tranco, acaba indo

não desistam de mim.
Posted by cacoishak at 3:19
18.07.05
playback sessions # 8
- como assim, parou no meio?
- pois é, parei.
- não vai mais escrever?
- nem vou. bateu a descrença.
- cê tá caidaço, hein.
- percebe-se?
- nó...
- me alcança aquele vidrinho ali.
- mas cê tem certeza disso?
- disso, do que vai ser?
- do que mais?
- de qual das três, é isso?
- agora são três? desde quando?
- e não eram desde o começo?
- não eram.
- não eram? passa o vidrinho.
- não eram.
- e quem disse que eram? o vidrinho, por favor.
- faz-me rir. vai morrer assim, mesmo?
- com a pá de terra numa mão e a cachola polida na outra, dando uma de equilibrista.
- já pensou em ir comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar?
- isso é clichê barato. eu mereço mais que isso, eu acho.
- merece é um caralho na bunda. quantas vezes eu já não te disse?
- nunca nada que tenha valido, vai desculpando. não vai dar mesmo?
- é nisso que dá ser complacente. tinha era que sair rasgando o ego logo de uma vez, que é pra aprender a não fazer cara torta pra quem só te quis alforria.
- nossa mãe, hein. e agora, entro na fila ou como é que eu faço? pra quem só te quis alforria. bonito isso.
- não eram três.
- eu disse que não eram. me arruma um desses, então.
- disse sim, sempre disse, disse ainda há pouco. tem lá na dispensa, vai pegar.
- dispenso. e não disse não.
- há-há, trocadilhos infames. tá mals, hein.
- hein?
- mas será possível? o que tá acontecendo c´ocê, hein? vai, levanta a cara e olha pra mim, seu babaca, escroto de merda. tá querendo aparecer pra quem, hein? não tem mais platéia, não, seu bosta, já foi todo mundo embora, inclusive você que nem mais tá se dando conta disso. não tem mais banquinho nem violão, bateu o cansaço faz tempo, gira o pião que a véia vem quente. pensou que ia ficar nessa pro resto da vida? descrença nessas horas é uma maravilha, muito fácil isso. então, quer dizer que só porque não foi do jeitinho que cê imaginou nesse mundinho megalomaníaco que cê sempre construiu em torno d´ocê com umas pretensões que sabe deus de onde tirou a custo de nada, só porque de repente o cavalo saiu tropeçando por cima da sua cabeça mas também só porque foi você mesmo quem quis inverter a lógica do jogo, que agora de nada mais vale mais nada que cê tá vivendo?
- nossa, que nó, hein.
- cê tá achando tudo muito engraçado, não é mesmo?
- tô não, cara. tô não. mas...
- mas o quê?
- mas porra. até que tô.
- se fuder, caralho.
- não, sério. presta atenção. cê faz idéia de quantos dias eu não dirijo um carro?
- e isso lá importa?
- porra, pára um pouco e me escuta, é sério. claro que importa. eu quero, eu preciso dirigir um carro, pegar num volante e sair por aí. faz não sei quantos dias que é a mesma merda de vai andando até ali e sobe aquela escadinha, faz o contorno, passa pela passarela, pega o elevador e pronto. senão, caminha dois quarteirões e já tá no metrô, que maravilha. mais cinco estações e tudo que você sempre quis estará ao seu alcance, na maior comodidade. que coisa mais estapafúrdia é essa, vou te contar.
- cara, acorda. cê vem me falar de carro agora que tudo tá indo pelo ralo? comodidade? comodidade é exatamente isso que cê tá querendo, de preferência parcelado em cinco sem juros.
- cê não tá me entendendo...
- tô sim. e, sinceramente, isso já tá me soando peça teatral de universitário paulista, faça-me o favor.
- tá não. me entendendo, eu digo. pensa que tá, mas não tá. e não é de hoje, só fazendo pose, só pagando na mente dos outros, punhetando com a vida de todo mundo, fazendo pressão que é pra ver se sai gosminha.
- e saiu gosminha?
- tcha-tcha-tcha!
- ei, acorda! me dá isso que não tá te fazendo bem.
- é, pr´ocê tá que é uma beleza, melhor apagar. mas, então, como eu dizia. faz falta um carro, cara, não é brincadeira, não. cê pode até pensar, nossa, que impaciência, nossa, que sofreguidão desnecessária, nossa, que inocuidade pré-orçamentária de la cocha bamba dos caralho a quatro, mas qual o quê que nada. não se trata disso, absolutamente. eu tô a zero, às mínguas, nem traça quer mais me comer. sem combustível nenhum, tá ligado? e, não sei se deu pra perceber, nem é só do carro que eu tô falando...
- e nem de nada com nada, porra, se liga você.
- ai, meu caráleo. eu quero, preciso, necessito, sos, urgente, mayday.
- antes era de qualquer coisa.
- sim, antes. não agora, não mais. agora é na classe, abusando do absurdo de uma consignação infeliz e descomedida que eu nunca quis pra mim.
- antes eu pelo menos podia fazer alguma coisa pra ajudar.
- não quer nem pegar a parada pra mim na dispensa, caramba, e fica nessa agora? dá um tempo que não é pra hoje que eu tô matando, não.
- cê nem sabe o quer da vida, cara. como sou eu quem não quero pegar a parada? já perguntei, qual das três? me respondeu? nada. ficou enrolando, e são três e não são três, seriam quantas, talvez mais quatro. não tô aqui pra isso não, disso pode ter certeza, nem pelo caralho.
- tá bom, meu amor, nunca esteve não. e nunca foram três, como eu já disse ou sei lá quem foi e só você não quis escutar.
- e quem é que tá falando agora?
- como quem é que tá falando agora? não tá vendo, não? tá abusando mesmo, hein.
- cê sabe do que eu tô falando.
- eu sei? não faço idéia, honey. cê, por acaso, tem alguma idéia pra me emprestar?
- sei que cê tá falando como se tivesse falando com quem nunca falou antes de falar tanta merda despropositada de quinze minutos pra cá.
- ah, é? minha vez agora, então: levanta bem essa cara e escuta bem o que você vai me ver sentindo: sempre foi, nunca diferente, e sempre será: uma só:
- e depois dos dois pontos, vem o quê?
- amanhã eu resolvo.
- só porque você quer. toma essa chave e cai fora.
- olha que eu vou, hein.
- vai mesmo.
- tô indo.
- desaparece.
- vejam só, o gato voltou. corre atrás dele, pega logo, vai, não deixa fugir de novo, não.
- pode levar, é todo seu. só toma vergonha na cara e passa na dispensa antes e pega uma das três ou as três juntas ou nenhuma ou cê quem sabe e não se esquece do que ele come também e some logo pra nunca mais voltar.
- relaxa, beibe. não tá vendo? já passou.
Posted by cacoishak at 17:36
16.07.05
power and glory

por ray caesar
porque a idéia que fazem da felicidade há de estar em alguma lembrança de uma história por mim ainda não presenciada, bamboleando à beira de um rio os contornos de seu corpo desnudo. deus do céu, como ando brega ultimamente. um café, plis. sem açúcar. e pede bis lá pro carrasco.
Posted by cacoishak at 12:21
305
quando meu querido amigo e belo ser humano glênio peres (no sentido de carregar dentro de si as melhores qualidades presenteadas aos bípedes implumes) levou-me à casa de luiz fernando veríssimo, em porto alegre, descobri um desses raros sujeitos que não temem sujeitos. glênio teve de dar uma saída e veríssimo passou dez minutos olhando para a minha cara sem dizer palavra. eu, de birra, também não disse nada, mas sofri muito. quando glênio voltou, continuamos o papo, isso é, eu e o glênio, pois o veríssimo apenas libertava - com muito favor - alguns dissílabos. veríssimo não é tímido. tímido somos nós, os alcoólatras, que não aguentamos outro ser humano ao nosso lado sem antes tomar três doses. graças a essas doses, sou famoso por meus discursos em qualquer celebração entre amigos. hábito europeu, faço isso para marcar uma data, para que no futuro as pessoas se lembrem de um momento que à época nos parecia importante. só não disse nada no enterro do meu irmão urbano numa tarde chuvosa. acho que a dor, quando não nos enlouquece, é extremamente silenciosa na sua eloqüência.
(fausto wolff, a milésima segunda noite)
Posted by cacoishak at 11:52
15.07.05
pra não dizer que não falei das flores
tempo de viver um pouco mais antes de voltar a escrever sobre o que ainda me resta guardado na memória. angariando fundos pra pagar o pedágio. coisas que passam. flip-flap. ou rio de janeiro? nada como a dualidade de uma ressaca não bebida. consolem-se uns aos outros. e façam bom uso das borrachudas. quando o amor não é correspondido, auto-ameaças acabam perdoando as carcaças encharcadas de aguardente pelos cantos e os vacilos esquecidos no fundo de uma garrafa lacrada em torno do pranto de quem não chegou a desfrutá-la. e que bosta é essa. engatinha engatilhada no arauto de jargões perdidos no abuso das palavras. fui eu quem disse.

Posted by cacoishak at 18:20
14.07.05
185
marko kasovof era comunista, ateu e líder da equipe búlgara de alpinismo. estavam escalando o aconcágua quando uma tempestade de neve soterrou os três companheiros de marko. ele, porém, conseguiu agarrar-se a uma raiz. jovem e forte, com uma das mãos desvencilhou-se da mochila mas perdeu a picareta. notou que a neve estava se desgrudando da raiz e logo chegaria à raiz da raiz propriamente dita. marko, em vez de apelar para marx ou lenin, fez o que qualquer ser humano já teria feito.
- deus, me salva!
em seguida, ouviu-se uma voz tonitruante que deslocou mais um pouco de neve em torno da raiz.
- mas você jamais acreditou em mim, marko. por que está apelando agora?
- perdão, eu me enganei. acredito no senhor. por favor, me salva!
- mas você acredita mesmo?
- acredito, meu deus!
- tem certeza?
- tenho, senhor.
- então larga a raiz.
(fausto wolff, a milésima segunda noite)
Posted by cacoishak at 14:02
13.07.05
paraty é uma festa - bolas fora, society & afugentados
primeira parte do lenga-lenga, aqui ou descendo alguns posts: leme, narguiladas & madalenas

ishak, mandagará & czarnobai
entorpecido - e o galo canta - pelos dois dias anteriores, dobrei a esquina, virei a página a qual retornaria ainda várias e várias vezes para recapitular os engasgos e desencontros de toda uma vida imaginada naqueles e nos cinco restantes. de repente, fagulhas de excitação provenientes de mais uma masturbação a bordo de mais um coletivo super-lux eram insuficientes para insuflar o fogo apagado pela inapetência de uma oralidade que somente então se fazia eloquente na rememoração dos fatos evaporados no calor do momento. precisava de um café. agora sim, a velhinha. na fila do restaurante em que se deu a primeira parada. você é de goiânia? a senhora é vidente? não, sou poetisa. dizem que ambos são charlatões. é assim que você pensa? afinal, como a senhora sabe que sou de goiânia, se nem lá eu moro? ah, mora onde? interessa? moro em tocantins. pará. longe. pois é. foi aquele moço quem me disse. sim, o dirceu de castro do embarque. havia esquecido-me de sua obordagem logo cortada por mim após ter respondido-lhe sobre minha origem. nesta, o motorista deu conta do recado. estão buzinando. e não nos falamos mais. deve ter passado o evento nas palestras que não fui. pra dizer a verdade, afora a oficina literária - e malmente -, não tomei conhecimento da flip. estava off demais para tanto e já havia gastado todo o dinheiro que não tinha e que terei de correr atrás doravante. frilas serão mui bem-vindos, de cartões comemorativos a propostas de lei. mas, como dizia, da flip foi só o caroço mesmo. e o paulinho da viola, que era na base do pindura. quer dizer, entre uma ida ao bar mais próximo e barato e outra, aproveitando as marisadas mais batidas. numa dessas, chamou-me a atenção um curitibano ou porto-alegrense que assistia ao jogo entre são paulo e seu time, do qual não me recordo. queria demonstrar a todo custo sua autoridade no assunto, havia duas garotas no balcão interessadas na partida e o guri não economizava barbaridades em seus comentários que, só ele não via, preocupado com a bola, congelavam as sobrancelhas erguidas das moiçolas. até então, era curioso. até um jogador de seu time marcar um gol contra e, pode-se dizer, todas as cabeças da praça matriz e arredores virarem-se em direção ao bar após o putaquepariu mais bem executado que já ouvi em toda minha experiência futebolística. o suficiente para deixar o resto dos bebuns constrangidos a ponto de abandonarem suas cachaças e cervejas e partirem. inclusive as duas e eu, de volta ao show. visivelmente entediado, cílios lutando contra as pestanas, poucas eram as razões que me mantinham ali. basicamente desinteriorizar-me um tico que fosse waiting for the sun. na viola, um samba antigo. ao flanco esquerdo, o que pensei ser uma salamandra estrangeira tentando acompanhá-lo enquanto se sufocava. mas que nada. para minha surpresa nem tão surpreendente assim, era apenas o curitibano ou porto-alegrense novamente, comemorando a derrota sofrida, pobre coitado. materializou-se num estalo e, mal praguejei o infortúnio, foi catando uma senhora de seus cinquenta anos ou trinta e cinco que estava por perto. convidou-a para dançar e ela acreditou na proposta por quase um minuto e meio, vejam só. dispensado, nosso herói ainda se prestou a tirar uma fotografia com a santa e, depois de um silêncio matador, saiu pulando em direção ao palco qual uma gazela, sem nem ao menos se desculpar. era o bastante para a estréia. boa noite, cinderela, hora de sonhar com o tempo perdido que insistia em me despertar da dura realidade do amanhã que se atrasava em sonecas de cinco em cinco minutos agendadas pelo celular.puta-merda, meio-dia-e-meia-hora atrasado para a oficina. quinze minutos de aula e confirmo o que hermano, a mim apresentado no dia anterior pelo fred, antecipa-me do lado de fora do salão. tá uma bosta. esse teu cigarro é marlboro importado? não, hollywood. ah, pensei. e acabou chorare. figurinhas fantástias, esses gaúchos. o cardoso tava te procurando, adverte-me um fred pós-raimundo carrero. eu também estava procurando o moço. e fomos ao saboroso, onde o ruivo almoçava com paulo scott, um gigante cujo coração só não é maior, proporcionalmente, do que o de pedro mandagará a ocupar todo o seu franzino corpo. talvez daí falar pouco, entalado. falta-lhe o blog, mas perdoa-se por enquanto. bucho cheio, hora de iniciar os trabalhos no bambu´s de paraty, nome improvisado que remete ao de poa pela semelhança entre os logradouros, segundo os mais chegados. hora de conhecer a inquietação encantadora de nix, exímio tocador de gaita, a beleza cortante escondida pelos esboços orkutianos de cecília giannetti, e delfin, que chegaria logo em seguida e só não estava mais ansioso por conta do lançamento da nova coleção das edições k, que se daria naquela noite, do que o cardoso, pré-lançando seu cavernas & concubinas na mesma ocasião. aliás, o primeiro a tê-lo ganho pode ter sido o hermano e o primeiro a pagar por seu exemplar pode ter sido o fred, porém, meus amores, o primeiro a ser apresentado a esta obra-prima da novíssima literatura brasileira fui jo, ok? ninguém me tira essa. momentos antes à comemoração encalafetada, então na companhia de minha doce bárbara bb queen, a tão importante acontecimento. sobre o livro, escrevo depois, inclusive sobre seu lançamento em belém - onde, por sinal, o afudê é igualmente praticado, como o czarnobai deve ainda estar acreditando (lá vocês também falam isso? bah, diretaço, tchê!). couldn´t resist. roncos literários, vazamos rumo à salvação de um x-bacon a três reais completamente absortos no non-sense de chaves e cia. pausa para a morgação e continua a orgia etílica no quintal d´o café. cerveja preta, música boa e mulheres, tudo de graça. quanto às últimas, em especial uma, agricultora de mão cheia: vanessa bárbara, cuca por trás do e-zine a hortaliça. mas essa não era para meu humilde bico, já tinha urubu rondando a área e, é notório, sou um cavalheiro. não hesitei em abrir passagem, até por ter a certeza de que, de outra forma, seria atropelado. tudo em nome do amor. ah, o amor. faz-nos cometer loucuras cada vez mais absurdas. pena incluir as segunda e terceira pessoas do plural, personificadas em ex-comprometimentos a atordoar a primeira no meio da noite com suas mágoas que nos embrulham o estômago e nos fazem tropeçar nos paralelepípedos aleatoriamente encaixados nas ruelas da cidade histórica e nos obrigam a ensaiar acrobacias que, de tão amadoras, seguem o ritmo contrário ao das pedras e chacoalham os pensamentos que giram e giram e giram com as palavras decodificadas via satélite e desembocam num jorro de vômito a manchar a esquina e câmbio final. limpava o excesso na manga da camisa quando meus pés receberam os respingos de uma nova mão de tinta. que gosto tem o teu?, à pequena de seu dezessete anos. experimenta, agarrando-me antes que eu aceitasse a oferta. laranjada, noz moscada e vodka. tanto me aprouvera que, enfim. na minha pousada. só não faz barulho, que minha irmã mais nova está dormindo comigo e meus pais estão no quarto ao lado. é fato mais que sabido por todos que quem come quieto é mineiro - apesar de insitir em alardear serem seus quitutes como o pão-de-queijo e moça bonita. já goiano, por sua vez, é quieto até a hora de comer. depois, vira festa. e lá tive eu de fugir às carreiras, bunda e apetrechos de fora, rasgando os onze graus às cinco da madruga, sob os protestos da caçula desperta que, estou quase certo, fez o pai madrugar e encontrar na cama, recoberta e pálida, a filha nua que nunca mais vi. mas não por falta de vontade.
(continua)
Posted by cacoishak at 16:09
12.07.05
passa a bola

taí a galera do mal da off-off-flip 2005. quer mais? tem aqui. um oferecimento de bb queen.
Posted by cacoishak at 17:48
promisses broken
promessa de cu é rola. e nem prometi nada. acabo de sair da terceira sessão, portanto é isso. que não me estourem a paciência. maravilha de corticóide, te deixa uma flor de pessoa. logo hoje, minha mãe resolve desfilar com seu modelito ultra-sexy apertadinho, daquelas calças que levantam até busanfa de defunto, sabe como é. entramos num bar pra mó de comprar uma garrafa d´água necessária ao tratamento - rins pedem penico. notei que um bebum de plantão não tirava os olhos de retaguardas alheias ao deixarmos o recinto e ah. deixa estar. voltamos para o hotel. acomodei os volumes no quarto, juntamente com a progenitora de toda a confusão. vou fumar um cigarro, já volto. retornei ao bar. uma cerveja, por favor, das de 600. enchi o copo. entornei. tá frio hoje, né? é comigo? com quem mais? quer saber, não tô mais a fim de beber. posso ficar com o resto? era tudo o que eu queria ouvir, beibe. toma. o manganão ficou estirado no chão, cocoruto sangrando. tinha cerveja pra caralho ainda no casco. deve ter sido deveras punk, a pesada. já de volta ao hotel, dirigindo-me à minha mãe, com todo o respeito: e a senhora, que não me use mais essa pouca vergonha. e tenho dito. muito até.
Posted by cacoishak at 17:46
11.07.05
paraty é uma festa - leme, narguiladas & madalenas
suava frio, subindo a ladeira feito burro-de-carga-quinze-quilos-nas-costas. meta número um pós-flip: nas próximas incursões, dispensar os frutos supérfluos de minha precavida megalomania, levando na bagagem tão-somente o essencial para a boa higiene diária e as borrachudas que esquecerei de usar conforme o so nice pra chuchu fantasiado em considerações mentais que terei feito qual fazia enquanto, suando frio, subia a tal ladeira rumo à estação do metrô. restava-me pouco mais de quarenta minutos para chegar à rodoviária, comprar o bilhete para o rio de janeiro certificando-me do lugar marcado ao lado, dar aquela mijada automática que encerra o cago, matar a larica que o caminho havia me catado e embarcar tranquilo. mais seis deles, puta la vida de mi bagos libertos, e eu teria conseguido. embarcar, ao menos: sentaria-me ainda por três vezes sob a barba caída antes de realizá-lo e alforriar de vez as vértebras em nome da gravidade. já acomodado, senti a falta que fazia um cobertor sobre uma mão amiga a recrear-nos todos, preparar-nos todos ao longo das horas seguintes em que tudo ali, dentro e fora, jazia na esperança de assentos nem tão gélidos e vazios como o que me acompanhava. mas, a bem da verdade, até que não era uma má idéia aquela e, na falta de um ou outro detalhe, apelar para a cara de pau - certo que rosto propriamente dito não tem, embora há os que piram com seu olho único, boquinha matreira para outras tantas ou nariz avantajado saltando da vasta juba encarapinhada; rosto portanto, ainda que isoladamente composto - não me parecia de todo absurdo. envolto pelas sombras quase apagadas do fim de tarde, um livro aberto disposto num ângulo semi-cerrado sobre as coxas haveria de resolver meu problema. complicou, posto que, best-seller, chamou a atenção de uma velhinha que se levantava ao longe e ameaçava ir em nossa direção. e não foi. porque velhinha alguma não havia. por enquanto. não naquele trecho, nem naquele ônibus. mas havia um cão. e gelei quando paramos logo após a fronteira entre os estados. polícia rodoviária revistando os pertences dos passageiros e mirou certeiro, o pastor alemão, atravessando o corredor pendendo a mesma língua frouxa com que, eu já de olhos contraídos e ensaiando um lacrimejo, passou a lamber entre gemidos minha calça na altura da braguilha toda suja de porra que acabara de ejacular. era um best-seller, caralho. não dava para simplesmente maquinar um engilho assim, que nem em revista de avião. um tanto pra me livrar do pervertido e esperando pela inevitável abordagem, levantei-me de supetão e lá fui ser revistado pelo tutor do animal. que porra é essa?, perguntaram-me as mãos sujas. a resposta, óbvia, não titubeou. a minha, é proibido? tua mochila, rapá, quero ver o que tem dentro dela, vai passando. à vontade, mas vou logo avisando que tava sozinho de casa em casa e isso significa basicamente duas coisas: amantes não lavam as cuecas de seus hóspedes. e a segunda? pois é, como eu disse. disse o quê, rapá? tu tá de sacanagem comigo? de forma alguma, a mochila tá aí. querendo, é só abrir. ou eu posso abrir pro senhor e mostrar que não há nada de mais dentro dela. terminando de limpar os dedos: isso, faz isso pra mim. melhor não prolongar os aborrecimentos, não é mesmo? é o que eu sempre digo lá em casa. é porque é tu quem tá escrevendo isso, ô mané. e o ônibus partiu. não demoraria a chegar à maravilha que a capital me reservava. os três cigarros fumados um no rabo do outro (antes de adentrar o prédio onde me esperavam) na tentativa de esfumaçar um pouco o que então para mim era claro o bastante para bambear as pernas e tudo mais que elas sustentavam: paixão à primeira vista, perda dos sentidos - forçadamente, diga-se - ao primeiro abraço e completo torpor à primeira audição dos acordes tirados à cítara pela musa eterna joana coccarelli. menino tímido que sou, de tempo em tempo pausava em vão o fluxo nervoso de palavras soltas que se sobrepunham erráticas umas às seguintes entre uma narguilada púrpura e a baforada de minha consciência na esperança de que, de uma hora para outra, sem mais nem menos, a tevê ligasse sozinha e nos levasse, eu e calvin, o gato castrado que perseguia um cio impossível, para uma dimensão segura porquanto torpe, na qual estaríamos salvos das prendas que o amor nos obriga a todos pagar. no entanto, como é plausível no mundo eletrodoméstico das tevês, ela não ligou. tarde demais. ou ficaria ali para o resto dos meus dias ou tratasse de dar o fora sem pestanejar. e jojo dormiu. e fui me afogar um pouco no mar do leme, no intuito de exterminar os pensamentos impuros. malditos putos à prova d´água. persistiram pincelados qual pintura oitentista durante a noite inteira e até a próxima - de nada adiantaram as intervenções de ivan gosminha, fred leal, bruna beber e o besteirol sui generis que antecedeu a despedida. parcialmente recuperado do baque (resignado me soa um termo mais sincero), retornaram os tremeliques e fantasias que comigo levei para paraty na manhã em que, tão logo entrara no banheiro, dei de cara com suas palavras de adeus, escritas no espelho a batom escarlate.
(continua)
Posted by cacoishak at 17:12
10.07.05
angulosos & paragofingos
das
protúberes
em
anátemas
castas
foi-se o cago
pelo ralo
e pós-ploft
veio o huf
ooOoOoo
poemitcho escrito em momento de conturbação etílica de aproximadamente quinze segundos entre um flato e outro. última noite da flip. ontem, às vinte e três horas e quarenta e poucos minutos, na esbórnia de good-bye. em breve, relato completo.
Posted by cacoishak at 23:26
8.07.05
paraty é uma festa
e viva a diversidade cultural brasileira. ao som de rêminhuei ou ré-mínhei, que seja. tinha pau pequeno, de todo jeito. mas isso também não importa.
Posted by cacoishak at 16:45
3.07.05
telegrama
macho moda antiga. iniciativa anfitriã galanteia assume investe. sarjeta não devido suposta ofensiva frustrada. cansei ser sexy. bagaço até última ordem. igualdade entre sexos? mooca não. compromisso nenhum. quisesse pulasse. antes um pc. rio amanhã. cedo.
Posted by cacoishak at 10:26
