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9.06.05
conselhos de madrinha
nem sei se já havia comentado sobre, mas, se não o fiz, faço agora. além dos aléns todos que todos já sabem, também estava sendo alvo de uma invasão em massa de umas bactérias oportunistas pra caralho que tomam conta de estômagos sôfregos e fazem mó estrago, sem dó nem piedade, as tais das h. pyloris. como vocação pra presente de grego não tenho, tasca antibiótico peso nelas. e haja flora intestinal pra dar conta do recado. normalmente, não dá e é merda escorrendo pra tudo quanto é lado, coisa linda de se ver, altas recordações. o olfato vem se tornando um milagre cada vez mais dispensável. então. preliminares cumpridas, vamos aos fatos. dia de coletar espermatozóides pra garantir que, caso algum dia o instinto paternal peça bis, possa realizar minha vontade com quem bem entenda e aceite a missão. se é certa a possibilidade da contracepção involuntária pós-tratamento – o que tem lá suas vantagens libertinas descompromissadas –, a gente passa por isso, numa nice. aloha, bamboocha. boa tarde, como vai, seu punheteiro?, me recebeu a enfermeira na sala de espera, toda sorrisos. sim, sim, dona, prossigamos, amarelado dos pés à cabeça. toma aí. e lá fui eu preencher formulários. nome, endereço, estado civil. nada de mais. uma, duas, três laudas. e a potência sexual, qual é? da feita que apelou, não tive escolha e apelei na cola: trezentos cavalos e morreu o assunto. umbora logo pro que interessa, babe. claro, entendo sua tensão. é normal, não se sinta culpado. não estou tenso. claro – é só o que sabia dizer. por favor, me acompanhe. você pode se sentar aqui ou ficar em pé, depende do hábito. temos revistas e estes dois filmes. efervescense e grunhidos na mata escura. por aí. use o fone de ouvidos, sim. não se esqueça de fechar bem o potinho, que é pra não contaminar. nem precisa encher tanto, contanto que seja o primeiro jato. depois, coloque nesse buraquinho, que eu pego do outro lado, e, no fim, faz favor, preencha esse formulário. ali tem alguns lencinhos umedecidos, se a mira não for tão precisa. silêncio. só isso? só isso. alguma dúvida? xá comigo. então, tá, boa sorte. dizendo o médico, outro sintoma do tal linfoma é a dificuldade que o paciente sente pra ejacular, demora horrores. já tinha percebido, bastante grato, aliás. eu e as moçoilas, em duas horas ou mais de estripulias. porém, quando se trata de uma punhetinha básica, o troço desanda afoito, não haveria de se prolongar tanto. não, né? ledo engano. e haja yes, yes, fuck me harder, ya motherfucking pussy licker, turn me upside down, screw me, yes, cum into my mouth, yes, yes, oh, slap your dirty ass. e nada. o bichão, lá, despelando de mão em mão, sem acordo. vinte e sete minutos de porn-core passados, finalmente pude sentir as good vibes ensaiando um deslocamento da base ao centro. e, surprise, surprise, outras tantas do centro à base. malditas h. pyloris. decidiram colocar a escola de samba na avenida justo em dia de corrida. contração daqui, espasmos de lá, agüenta firme e dá-lhe com a chinela na macaca, que tá vindo. tão vindo. solidariedade é uma beleza... filantropia de cu é rola e não deu pra segurar. as calças já estavam arriadas mesmo, foi só o tempo de sair correndo com o pau na mão, atravessar a ante-sala retribuindo o boa tarde e me abostar no sanitário, tendo o cuidado de gozar tudinho no pote, conforme orientação. o filho não é teu, mas toma aí, dona. congela bem congelado, faz favor. e vai desculpando a sujeira no banheiro, não tinha lencinho umedecido lá. acho que ficou um tanto tensa, coitada. amanhã tem nova sessão. só pra consolidar.
Posted by cacoishak at 9.06.05 20:54