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28.06.05
clac & bang
então. tava de bobeira ontem, engolindo a seco as expectativas da segunda sessão – tudo conforme o nem tão esperado, jato rubro e chiclé metálico e chega – e lendo a décima quarta noite do lobbo. a tevê era ligada no mudo, pra espantar o mau olhado do prédio em frente – outra história, ainda não bateu a liga –, e eis que me aparece o gabeira sendo entrevistado pelo senhor jô soares. podia-se ver nos olhos do gordo o brilho de hoje o programa é mais meu que de costume, mas vá lá, pelo gabeira valia. e valeu. a vida andava atribulada, daí não ter lido a entrevista que a tanga mais famosa do país deu à veja. correrei atrás. porém, o que interessa mesmo é que, meu, o cara me imbuiu de um puta espírito cívico, tá ligado, mano? política no blog? é, política no blog. voltemos aos tempos do velho macacada. mas nunca teve, teve? não, não tinha, nada que vingasse. ah, não tinha e agora tem? agora tem, quer comer ou quer que embrulhe? dá pra dois? até pra três, vai levar? dá uma pré, aê. tô com cara de boqueiro, por acaso, mané? não fode e dá isso logo de uma vez. pois não. pois sim por que não? manda uma cartinha pro pasquale. nem sei. vai ou não? manda. enfim. no que toca ao mensalão, limitara-me a dar ligeiros pitacos em comentários de blogs alheios e sustento minha opinião. não encontrarão prova alguma de que o jefferson está dizendo a verdade – sigilo bancário, fiscal, telefônico... grandes bostas. hoje em dia, fora eu e o jaiminho, ninguém mais usa o velho método discado, só banda larga – e, fora os arranhões que o governo já vem sofrendo, nada mais acontecerá. um ou dois gatos pingados irão parar numa cela especial e só. e quanto ao roberto jefferson? esse garantiu sua cadeira no congresso pro resto da vida, o novo herói das tiazinhas pasteleiras e taxistas aviõezinhos. se apostou todas as suas fichas – se é que não tem mais algum guardado na manga –, é porque tem sujeira debaixo do tapete. claro que não deve ser todo o lamaçal que vem bradando, mas que aí tem, tem. por isso, continuo não acreditando nem em deus, nem no diabo. todo mundo tem rabo preso ali, enganou-se quem pensou que fossem apenas as línguas. e, yup, i know, é duro se enganar com uma coisa dessas. praticamente descobrir pela segunda vez que papai noel não existe – para alguns, a descabação original, já que natal era coisa de pequeno-burguês e de trissomíase vinte e um. gabeira protestava: “eu e os outros cinqüenta e três milhões que votaram no lula estão se sentindo traídos pelo governo!”... pior do que pegar a mulher na cama com outro é ter de ficar escutando o marido tucano da prima reaça dizer, em meio a sorrisos sarcásticos, que, ah, eu já sabia. qual argumento pode ser usado numa hora dessas, senão o consentimento indignado de uma cabeça baixa? ultrajante, pra dizer o mínimo. e tem remédio pra isso? pra tudo, babe. nem camisinha precisa mais – não me responsabilizo pelo pau dos outros. mas pensa só. tá todo mundo dizendo que o lula não tem nada a ver com a história, não tá? pois eu estou disposto a fingir que acredito. contanto que. foram vinte milhões e novecentos mil gastos no esquemão, não foram? sem problema. o lula não é o novo pai dos pobres? pai não dá mesada? mensalão neles, que seja. vinte e um milhões das verdinhas mensalmente destinados a uma determinada finalidade social. e que isso não passe de um ponta-pé inicial, só pra limpar a barra do chapa por ora. vi não sei onde que uma lei aí foi aprovada em prol dos pacientes de hemodiálise. “são sessenta mil beneficiados, é uma vitória de todos”, disse um deles. porra, se isso não for democracia, não sei mais o que pode sê-la. e olha que eu não acredito em democracia. mas vou acreditar, como já disse, pra tirar a bronca. que comecem pelos pacientes de hemodiálise, vai no embalo, então. os próximos, em homenagem ao dirceu, podem ser as casas de saúde mental, as de situação mais crítica. o gabeira já havia denominado o mineiro rebaixado de autista político – é foda, esse tal fernando, não dá ponto sem nó. entretantis, não barrou a velha: “quem foi que o gabeira disse que era o cabeça?”, acordou do nada, no meio da entrevista. “o dirceu, mãe”. “pra mim, ele tá é doido” e voltou a dormir. o pior é que ela está certa. o homem pirou geral ao longo de vinte anos de obsessões frustradas. e como de um tudo pode-se esperar de um louco... esse, pra mim, já é morto.
Posted by cacoishak at 28.06.05 18:11