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30.06.05

vita brevis

um pequeno contratempo. da feita que os cabelos fazem doce para quedarem sem maiores conluios com minha boa vontade, acabou instaurando-se uma colônia de pulgas no couro e, de dois dias para cá, tornou-se impossível a mera suposição de me ver livre delas. o que vem me causando uma dor de cabeça tremenda, já que ninguém gosta de pulgas assim, de graça. e não tenho lugar para pousar. triste condição, essa minha. então, de tanto me atirarem de um canto para o outro, resolvi revoltar o espírito de vez e, agora, quem não quer pouso sou eu. viva a vida errante de um timoneiro sem navio. não faço a menor idéia de até quando devo ficar em são paulo. a previsão inicial era partir no domingo. talvez antes. quem sabe, amanhã. o que parece certa é a dificuldade de encontrar um local onde possa acessar a rede em meio a essa turbulência toda. portanto, se não lerem de mim, não se afobem. estarei no trianon ou em qualquer outro ponto entre rio e são paulo, realizando um espetáculo com meus novos inquilinos, que é para garantir pelo menos o do almoço. e digo mais: ripa na chulipa e rosebud pr´ocês, zastrás.

Posted by cacoishak at 11:27

29.06.05

ou as inteligentes. também rola. melhor que qualquer saia justa por aí.


por mauricio pierro

não é que eu não ande levando uma vida saudável e tudo mais. ando sim, depende da pessoa com quem eu esteja falando. não tomo meus sorvetes, nem quase todas as profilaxias que me recomendam. em compensação, estou perto de estar ativamente comandando a máquina full time como nos tempos abstêmios da viola em casa. se beber, me advertiram ontem, dá-lhe a gastrite que nem quatro. infecção. folhas bem verdinhas e frutas coloridas, é só o que eu devo comer. meus leucócitos estão baixos. tô tomando uma medicação de cinco mil caretas – pra eu me vingar de alguma forma do governo, paralelo a isso, armo a treta pro plano pagar o tratamento. nunca precisei dessa bosta. agora que preciso, quero cada centavo de volta. não são empresários? que fiquem com os juros e seus dividendos que vieram de toda a bufunfa aplicada durante esses anos todos. o resto, quero no meu bolso como de direito em quarenta e oito horas – complicação que só me trará mais queimação, consumindo o quadro de inflamação estomacal. infecção, leucócitos baixos. nem quero ver no que isso pode dar. acontece que, no meu caso, nem sempre tudo que o cabra não vê é aquilo que não vai acabar sentindo, como na máxima popular. ou seja: transar, só se for de camisinha. estou praticamente com aids, apenas não é transmissível. isso é que é ser uma perua adventured voltada para o público feminino. e sou um perfeito cavalheiro, ora bolas. adrenalina pura ou seu dinheiro em resposta. uma pena não estar disponível. domingos existem. e meus paus de borracha.


texto escrito para a inscrição na oficina literária da flip. tô dentro, mané!

Posted by cacoishak at 15:28

28.06.05

clac & bang

então. tava de bobeira ontem, engolindo a seco as expectativas da segunda sessão – tudo conforme o nem tão esperado, jato rubro e chiclé metálico e chega – e lendo a décima quarta noite do lobbo. a tevê era ligada no mudo, pra espantar o mau olhado do prédio em frente – outra história, ainda não bateu a liga –, e eis que me aparece o gabeira sendo entrevistado pelo senhor jô soares. podia-se ver nos olhos do gordo o brilho de hoje o programa é mais meu que de costume, mas vá lá, pelo gabeira valia. e valeu. a vida andava atribulada, daí não ter lido a entrevista que a tanga mais famosa do país deu à veja. correrei atrás. porém, o que interessa mesmo é que, meu, o cara me imbuiu de um puta espírito cívico, tá ligado, mano? política no blog? é, política no blog. voltemos aos tempos do velho macacada. mas nunca teve, teve? não, não tinha, nada que vingasse. ah, não tinha e agora tem? agora tem, quer comer ou quer que embrulhe? dá pra dois? até pra três, vai levar? dá uma pré, aê. tô com cara de boqueiro, por acaso, mané? não fode e dá isso logo de uma vez. pois não. pois sim por que não? manda uma cartinha pro pasquale. nem sei. vai ou não? manda. enfim. no que toca ao mensalão, limitara-me a dar ligeiros pitacos em comentários de blogs alheios e sustento minha opinião. não encontrarão prova alguma de que o jefferson está dizendo a verdade – sigilo bancário, fiscal, telefônico... grandes bostas. hoje em dia, fora eu e o jaiminho, ninguém mais usa o velho método discado, só banda larga – e, fora os arranhões que o governo já vem sofrendo, nada mais acontecerá. um ou dois gatos pingados irão parar numa cela especial e só. e quanto ao roberto jefferson? esse garantiu sua cadeira no congresso pro resto da vida, o novo herói das tiazinhas pasteleiras e taxistas aviõezinhos. se apostou todas as suas fichas – se é que não tem mais algum guardado na manga –, é porque tem sujeira debaixo do tapete. claro que não deve ser todo o lamaçal que vem bradando, mas que aí tem, tem. por isso, continuo não acreditando nem em deus, nem no diabo. todo mundo tem rabo preso ali, enganou-se quem pensou que fossem apenas as línguas. e, yup, i know, é duro se enganar com uma coisa dessas. praticamente descobrir pela segunda vez que papai noel não existe – para alguns, a descabação original, já que natal era coisa de pequeno-burguês e de trissomíase vinte e um. gabeira protestava: “eu e os outros cinqüenta e três milhões que votaram no lula estão se sentindo traídos pelo governo!”... pior do que pegar a mulher na cama com outro é ter de ficar escutando o marido tucano da prima reaça dizer, em meio a sorrisos sarcásticos, que, ah, eu já sabia. qual argumento pode ser usado numa hora dessas, senão o consentimento indignado de uma cabeça baixa? ultrajante, pra dizer o mínimo. e tem remédio pra isso? pra tudo, babe. nem camisinha precisa mais – não me responsabilizo pelo pau dos outros. mas pensa só. tá todo mundo dizendo que o lula não tem nada a ver com a história, não tá? pois eu estou disposto a fingir que acredito. contanto que. foram vinte milhões e novecentos mil gastos no esquemão, não foram? sem problema. o lula não é o novo pai dos pobres? pai não dá mesada? mensalão neles, que seja. vinte e um milhões das verdinhas mensalmente destinados a uma determinada finalidade social. e que isso não passe de um ponta-pé inicial, só pra limpar a barra do chapa por ora. vi não sei onde que uma lei aí foi aprovada em prol dos pacientes de hemodiálise. “são sessenta mil beneficiados, é uma vitória de todos”, disse um deles. porra, se isso não for democracia, não sei mais o que pode sê-la. e olha que eu não acredito em democracia. mas vou acreditar, como já disse, pra tirar a bronca. que comecem pelos pacientes de hemodiálise, vai no embalo, então. os próximos, em homenagem ao dirceu, podem ser as casas de saúde mental, as de situação mais crítica. o gabeira já havia denominado o mineiro rebaixado de autista político – é foda, esse tal fernando, não dá ponto sem nó. entretantis, não barrou a velha: “quem foi que o gabeira disse que era o cabeça?”, acordou do nada, no meio da entrevista. “o dirceu, mãe”. “pra mim, ele tá é doido” e voltou a dormir. o pior é que ela está certa. o homem pirou geral ao longo de vinte anos de obsessões frustradas. e como de um tudo pode-se esperar de um louco... esse, pra mim, já é morto.

Posted by cacoishak at 18:11

27.06.05

hi-ban

texto escrito na madrugada após ter assistido à tevê, não publicado na ocasião pelo cansaço que me impediu de pegar o elevador e pagar os dez reais cobrados pela hora da internet disponibilizada onde estou alojado. ânimos recuperados, faço-o agora, ao custo de três notas de um. dormi bastante.

ooOoOoo

se não for de câncer, é essa maratona que me mata. trinta e sete horas sem dormir, passando de atendente em atendente, sobedesce ladeira, passa-e-repassa cartão de papel, plástico, plastificado e quibe cru. pelo menos morro presença, com as olheiras que pedi a deus. tem mulher que gosta. eu as gosto em mulheres. tanto quanto - talvez um pouco menos, não mais - das axilas - que, aliás, fui reparar só agora, estão mui bem representadas nas curvas mezzo tesas mezzo pelancudas da heloísa perissé. que mulherão, hein. que sovacos, por marianossamãesantíssima. coisa de doido. me acabaria fácil dentro daquela caixa semi-oval perfeita, chafurdando as narinas e toda a aspereza que uma língua pode oferecer em cada um dos poros que, então, exalariam o pecado banhado em desodorante importado e saliva espessa. fora as olheiras, um caso à parte. a maquiagem não engana. tem olheiras divinas, a pequena. típicas desse povo aí metido a ser artista. dois itens fundamentais a todo e qualquer meio artístico, por sinal. olheiras e ponta-dupla. não que a perissé seja apreciadora das leituras de safo - também, nem sei. ulálá se o fosse - mas é que, falando nela, veio à mente o sob nova direção, programa ao qual dei a devida atenção também apenas no episódio deste domingo - não sei se é tão bom assim (se passou ileso à comemoração dos quarenta, deve ser), hoje foi. e o casting masculino de lá, sejamos sutis, até o jatobá veria. imagino a pouca vergonha que não deve ser o meio em que essas duas andam. e logo me excito. é da sabedoria popular universal - como todo bom preconceito - que, onde tem viado, tem mulher gostosa. e dada. daí apreciar tanto a amizade de meus queridos bambis - que ficam doidinhos com minha verve politicamente incorreta e lamentam o fato de eu ter nascido straight. o que eles nunca testemunharão, no entanto, é que não é tão straight assim. não chega a ser uma abóbada, mas tem lá seu encanto arqueado. e acabei perdendo o fio da meada. me excitava. sim. heloísa perissé e a ingrid guimarães, uma dando o sovaco pra outra num lambe-lambe recíproco. já pensou? o ibope ia subir com os caralhos nesse dia. mas também não era sobre isso que eu queria falar. era sobre outra coisa esse texto. era sobre meu vício em nicotina. eu, fumando na sacada do apartamento, no intervalo do programa da perissé. dois cigarros, um em cada mão. mas, ah, perdi a vontade de escrever.

Posted by cacoishak at 15:14

26.06.05

adjetivos se fazem acompanhar de preconceitos

ultimas horas por essas bandas. levo uma mala esvaziada dos abarrotos que me recolherão pelo meio do caminho. tardarei, mas agosto periga em aberto. sem posição definitiva pros abraços não dados e esquecidos, cana neles se possível – a lei do bom-senso reverbera. e quero, ainda, deixar registrado o apreço por quem quer que tenha abandonado a edição de fevereiro da playboy numa das gavetas do quarto. it´s delightful, it´s delicious, it´s de-lovely. a lésbica que há dentro de mim agradece, chorosa e com remorsos apaziguados por reaver a chance de se retratar perante uma paixão outrora substituída por outros meses e rolos de fita. au revoir.

Posted by cacoishak at 1:51

24.06.05

sandálias da humildade

“há um provérbio chinês que diz, por alto, que um peixe nunca sabe quando urina. isso se aplica perfeitamente aos intelectuais. o intelectual está persuadido de que é inteligente, porque se serve do seu cérebro. o pedreiro se serve das suas mãos, mas tem um cérebro que pode lhe dizer: ‘ei! essa parede não está reta, e, além disso, você se esqueceu de pôr cimento entre os tijolos.’ há um vaivém entre o seu trabalho e a sua razão. o intelectual, ao trabalhar com a sua razão, não possui esse vai-e-vem, as suas mãos não se animam a dizer-lhe: ‘ei, meu caro, você está enganado! a terra é redonda.’ falta ao intelectual esse retorno, razão por que ele se julga capaz de ter um parecer esclarecido a respeito de todos os assuntos. o intelectual é como um pianista que, por utilizar as mãos com virtuosidade, pensa ter aptidão para ser, naturalmente, jogador de pôquer, boxeador, neurocirurgião e pintor”.

martin page, em como me tornei estúpido

Posted by cacoishak at 17:21

ninja

ninguém mais vê espaço pra se comentar aqui, vê? eu não vejo. minha irmã também não. nem quase todo mundo que eu conheço. só pra contrariar, tem nego disciplinado no bushido que consegue e comenta. dá até pra ter medo de uns caras assim.

Posted by cacoishak at 12:45

quer saber

é sempre a mesma rotina. nas madrugadas, reescrevo as linhas da tarde anterior e anuvio as que serão escritas na seguinte.

ou, simplesmente, posso torná-las poesia.

é sempre a mesma rotina

nas madrugadas
reescrevo as linhas
da tarde anterior

e anuvio as que serão escritas na seguinte

e que se foda.

Posted by cacoishak at 2:02

23.06.05

sem dúvida

Maíra: Eu até ia deixar um sacrap, só que já tô falando contigo no MSN. Foi transmimento de pensação. Eu hein...

a qualidade dos scraps vem melhorando bastante ultimamente.

Posted by cacoishak at 23:31

haikai de mãe

- aquele escritor que é jurado de morte pelo islã vai pra essa flip, não vai?
- vai, por quê?
- e não é perigoso tu ficar perto dele?

Posted by cacoishak at 15:41

corujices ato iii

dia desses, a luty levou o calvin pra brincar lá na casa da malu – só dá alcunha escolhida a dedo nesses núcleos familiares muderrrnos, inclusive as dos pais, bina e caco, vê se pode. praticamente um melrose place equatoriano. porém, como não é nome que vai sustentar ninguém em pé na hora do rango, atitude é o que conta na delicatésse do momento. e bota atitude nisso. tão logo chegaram e, pelo meio das minhas pernas, o moleque já foi se engraçando, dom juan que só ele, pro lado da minha menina. eu junto, claro, de olho nos dois o tempo todo. vista grossa e carão feio pro figurinha. como se alguém me respeitasse dentro daquela casa. nasci mané e trocaram a etiquetinha de identificação na maternidade. da feita que, fora dela, também ninguém me respeita, não muda tanto a paisagem e a gente acaba se reconfortando na frente do espelho, refúgio seguro e sem expressão alguma. tem a minha. mas, então, é que nem eu disse. não vale, ninguém respeita. e fizeram estrago profissa, os dois, deu perda total do imóvel. a luty, coitada, saiu de lá com a promessa de notas fiscais chegando pelos correios e uma lordose fudida de boa. em compensação, levou a máquina fotográfica high-tech cheinha de enquadramentos crássicos – calvin e malu se espremendo dentro de um baú de plástico, calvin destroçando o pescoço da malu, calvin apontando o dedo pra luty numa crise de caretice repentina (será o benedito? “homem não usa brinco”), caco mostrando pro calvin o piercing de sua verruga na batata da perna, calvin mostrando pra malu o sucesso que foi sua fimose, malu com uma baqueta numa das mãos e as calças do calvin na outra, calvin e malu erguidos cada qual por uma das mãos do enfurecido caco, caco aos prantos e aos cacos sendo consolado por luty, calvin e malu (automático) – e dezoito segundos de uma gargalhada feminina gostosa que se desencadeava à ordem paramilitar de sentido – já faz uma semana, hein, dona luciana, tá dando teia de aranha na caixa de entrada. e é por essa e por outras que eu não tenho dado tanta atenção a este logradouro desde minha chegada a belém. dez dias era tudo o que me restava na praça – agora, só mais dois – dedicação exclusiva a uma só passageira. que tomou conta direitinho do papai dodói, substituindo as pancadas de palma pesada pelo afago carinhoso toda vez que aparecia um estranho na área. aê, esse é meu véio, sou eu quem tô cuidando dele, tá todo bichado, tadinho, quer ver? e puxava minha camisa, mostrando a cicatriz da operação. devo ser um bom pai, afinal. ontem, por exemplo, fiz minha filha de um ano e quase três meses se mijar de rir nas fraldas com a leitura de trechos dos – hã-han – lusíadas. tá certo que ninguém me respeita (aff...), nem me leva a sério, nem nada - o que acaba amaciando a carne um tanto. mas que é do caralho quando esse ninguém é aquele troço que a gente inventou de dar à vida, me desculpem os puristas, mas ah, é. dá até vontade de viver mais um pouquinho, só pra mandar ela tomar no cu quando tiver seus quatorze anos. um acumuladão, inclusive pela poeira que deixa quando passa.

Posted by cacoishak at 13:23

today's fortune:

you are contemplative and analytical by nature.

um oferecimento do orkut.

Posted by cacoishak at 12:50

22.06.05

prioridade número um

ornamentar minhas técnicas culinárias.

primeira ação nesse sentido:

bife sujo.

segredos do chef:

5

meu coração
marinheiro
e
sertanejo
quer rimar amor com barco
cheiro de mar
e
cheiro de mato
com moda de viola
e garrafão de vinho
ser pirata
no farol
e
na roça
pra dentro
pra fora
duma moça prendada.

ooOoOoo

Summary Form

fui num padogue
na saca do ga
go
estragação

xis

tudo com sorvete
pão com manteiga pipo
ca coca-cola e um chi
clé de bó
la Ploc.


(bruna beber & os diabos juninos)

Posted by cacoishak at 16:27

woollen willy warmer

From: tatiana salles
To: caco ishak
Date: Jun 22, 2005 12:19 AM
Subject: tá muuuito frio aqui!

Oi meu querido!
Nunca mais te encontrei no msn, então resolvi escrever p/ vc.
Bem, vou p/ Sampa na segunda ou na terça, dependendo de qual dia for melhor p/ vc. Meu ônibus deve chegar depois do almoço, lá pelas duas da tarde, vc vai estar no hospital ou em outro lugar?
Ah, mais uma coisa: traz roupa de frio, que aqui está um gelo.
Beijão,
Tati

estão na mala.

Posted by cacoishak at 13:00

bumpershoot


by david drew longey

Posted by cacoishak at 4:46

21.06.05

à tona

largar mão da pasmaceira e agir um pouco pra variar. o retorno à rotina duma pressa sem porquê nos pedágios e vagarosa nas curvas que acabou enrolando o meio de campo, liquefez os fonemas das extremidades do corpo e não deu mais margem a situações espúrias diante de uma tela de computador. saudades do cotidiano cavernoso das consultas ao cockadoo-odle-doo, servido pela prima distante da cleo pires numa bandeja de plástico, gotejando pupilas. quando não se é conhecido a cada esquina pelos seus, cada esquina se torna o avesso do procurado, inside & outside the barberclub. nostalgia temporã de um passado ainda por viver nos quadrinhos de um gibi em aramaico, bloco por bloco. enquanto não chega o momento, lapido os heróis d´ocasião.

em tempo: novos condôminos na área. el grand zadig e o caruncho biajoni já invadiram o estabelecimento chutando os portões do edifício, dedos em riste ao síndico e telecos na zanfa do rei. segundo testemunha, pronunciaram-se a favor dos transgênicos em experimentos de cunho fisio-cultural, desde que as famílias dos participantes sejam notificadas antecipadamente. outro que estreou na rede deixando madrecitas em polvorosa foi o companheiro de capitu.com claudinei vieira, num dinamismo paulista de dar inveja ao resto da bagaça.

Posted by cacoishak at 14:02

19.06.05

fuck forever

queria muito tratar de muitas outras coisas sobre as quais hei de me pronunciar em ocasião fortuita e breve, mas, enquanto ainda os possuo, achei de melhor tom tornar público – e isto não é e nunca foi uma pegadinha – que as pontas dos meus dedos (o que aponta e o dedão, de ambas as mãos), faz umas quatro horas ou um pouco menos que, desde então, começaram a ficar adormecidas andgoon. se piorar, eu ajo.

memento. a ver com raízes judaicas, dramalhões mexicanos em família no rio de janeiro, dissociações fonéticas, pasta de queijo, mais mofo, produção de como ser um herdeiro, poças d´água retidas em poros cinco mil gramas mais pesados de quatro dias pra cá e expectativas de gratidão coagida em parcelas de retorno ao estar-em-pé - inclusive, pelas lembranças das bronhas ensaiadas de outrora que passaram a andar ligeiras como nunca desde a tenra infância. filminhos do fim-de-semana também. e brócolis.

Posted by cacoishak at 1:30

17.06.05

trem pagão

pôde não ter parecido tanto
mas retirei todo o mofo da casa
que se acumulava fazia anos
em jarras de barro e pentes de madeira
dependurados dos vãos entre um tijolo e outro
a aliviar as queimaduras do corpo

incendiei as paredes
preservando as polaroids da oficina
para quem mais quisesse rasgar o peito
e postergar o juízo alquebrado
de quem já não tem mais um álibi à disposição

e transita incandescente de uma estação a outra

ooOoOoo

saldão de estoque.

Posted by cacoishak at 3:44

16.06.05

no pukes, no glory

oito horas de viagem. três e quarenta de atraso em terra, quatro e vinte no ar. embora o rego peça arrego e os pés já nem, irei embalar quem por mim chora e de madruga eu volto pra acertar as contas com a sofreguidão.

Posted by cacoishak at 17:36

14.06.05

zapeando

não ando gostando nada do que ando dizendo rastejado pelos corredores em momentos de transe causados por sedações diárias acompanhadas por completos estranhos que depois fazem questão de, em atitudes quase sádicas, parrotarem em ombros alheios o que lhes fora confidenciado por terceiros que não eu. fora isso, fazem cócegas agradáveis em áreas sensíveis do corpo, estouram bolhinhas no pensamento e dão liga branca – efeito guerra nas estrelas, todo mundo está passando por isso, nem mino carta escapou de um golpe branco na manchete. maniqueísmo chupeta pra foca mimir, o batido bem ou mal na disputa pelo ibope entre programas infantis dos anos oitenta. passei pela primeira sessão de quimioterapia hoje, sem sedativos. zero a zero aos flancos, mijei vermelho e estou em alto-mar. ensaio um câmbio final. marajoaras, prontificai-vos. paulistas, não há razão para choramingues, às vésperas do vinte e oito estoy de volta. cariocas, a primeira quinzena de julho é vossa, de malas prontas pra flip. goianada, só deus sabe e nem é pra tanto. dito tudo, hasta e inté. vou bem ali vomitar rapidinho e já dou as caras.

Posted by cacoishak at 18:43

13.06.05

axólatra & raspadinhas

fica assim, então. quando o assunto é raspagem dos pêlos do corpo, sou praticamente uma testemunha de jeová. cultivo uma mata na região pélvica, intocável desde a eclosão do primeiro pentelho – lá se vão quinze anos – graças a minha porção ativista do greenpeace. os que cobrem o resto do corpo seguem a mesma cartilha, com exceção da rala juba que resiste teimosa no cocuruto e, no máximo duas vezes ao mês – pele sensível, entende? empola toda se diariamente –, o que alguns acreditam ser uma barba talhada com maestria. pois hoje inventaram de raspar os cabelos do peito, os putos. praxe necessária para a cirurgia, no caso, de implante de um cateter, fizeram-me crer. e nem a boa vontade de prontificarem uma enfermeira de mãos delicadas e longos cabelos que me roçassem o umbigo tiveram. lá me veio um negão de metro e noventa com o barbeador elétrico. desculpem-me a pasmaceira do texto, ainda estou grogue em razão dos sedativos. retornando à prosa. minha mãe, só de olho no procedimento. preocupada com o fato dos mamilos terem se contraído. nem me dei ao trabalho de explicar que era o frio, nada a ver com o peso da navalha. cê quer que eu raspe do outro lado também, pra ficar igual? não há necessidade, agradecido. olha que vai demorar pra crescer de novo, hein. relaxa, mano. não quero perder a chance de poder agradar tanto palmeirenses quanto corinthianas nas preliminares. tem biquinho pra todos os gostos, agora. tony ramos no canto direito, xuxa no esquerdo. deste, aliás, só sobraram os do sovaco, um desperdício. poucos sabem, na verdade, mas sou um fervoroso amante de sovacos. quando cruzo com uma espécime do sexo oposto, é batata, fala mais alto o fetiche. pode saber. não dou atenção imediata às nádegas, aos seios, nem a qualquer outro de seus atributos secundários, como o intelecto não necessariamente dinâmico. miro certeiro nas axilas da moça e me apaixono de cara pelas bem tratadas – não há padrão estabelecido. piro numa peluda, por exemplo, minhas preferidas. a madonna perdeu muito de sua graça depois que se livrou das moitas que carregava embaixo dos braços. mas as lisinhas também me fazem a cabeça, assim como as que possuem discretas dobrinhas com umas casquinhas de feridas bem sequinhas da podagem religiosa debaixo das chuveiradas. são inúmeras as variações que me concentram as hemácias, só não curto as com barba por fazer há quatro dias, vai longe os quatorze e a entresafra junto. nesse ponto, é o velho papo do gênesis, eu acho: sê quente ou sê frio; não sejas morno, senão te vomito. náuseas mesmo, corta-liga braba. se tiver se protegido com aqueles desodorantes que deixam a bicha toda branca, então, na melhor das hipóteses, só com um banhão quente pra tirar o excesso. sou mil vezes mais o bodum abstêmio do que aquele cal todo escorrendo por costelas esquálidas - pior: panquecudas da semana anterior. vai saber. tem gente que gosta de pé; sujo, limpo ou canhoto. já eu, gosto é dum belo dum sovaco. bem cuidado, desde que seja.

Posted by cacoishak at 23:28

11.06.05

só dá careta

no horóscopo:

“tranqüilidade só depois que você colocar as cartas na mesa e parar com o círculo vicioso de pegadinhas doloridas com seus parceiros de vida e de trabalho. cuidado, pois só na segunda-feira o perigo de ruptura irá embora! sol e plutão pressionam por mais claridade e honestidade”.

no metrô:

– meu, cê fala português?
– (lá vem treta) hã-han.
– e cê sabe ler português?
– (tá com uma veja na mão. deve ser analfabeto, coitado. ou lá vem treta) hã-han.
– então faz o favor de apagar o cigarro, que aqui não pode fumar.
– (pff, não fode) ah, não pode? não sabia (tomar no cu, caralho).
– pois deveria. com licença. e cuidado.

Posted by cacoishak at 11:54

muderrrno


l’enfance retrouvée
de serge murer

"o homem moderno anda deprimido e não sabe. mais preocupadinho com a estética e objetos que poderão lhe dar algum tipo de status social, ele vive numa busca constante e inconsciente daquilo que mais lhe faz falta: sua identidade. do som reproduzido pelo seu ipod vermelho, pouco sabe a respeito. está mais preocupado em adquirir o próximo modelo. é o típico psicopata americano. já a mulher moderna, é independente profissionalmente e dependente emocionalmente. não sabe o quanto precisa de amor em sua vida. tão segura quanto um pote de gelatina mal passada, seu gosto musical nunca foi difícil de ser identificado... durante sua infância...".

andré nervoso, cantor - outracoisa nº 10.

Posted by cacoishak at 11:13

9.06.05

conselhos de madrinha

nem sei se já havia comentado sobre, mas, se não o fiz, faço agora. além dos aléns todos que todos já sabem, também estava sendo alvo de uma invasão em massa de umas bactérias oportunistas pra caralho que tomam conta de estômagos sôfregos e fazem mó estrago, sem dó nem piedade, as tais das h. pyloris. como vocação pra presente de grego não tenho, tasca antibiótico peso nelas. e haja flora intestinal pra dar conta do recado. normalmente, não dá e é merda escorrendo pra tudo quanto é lado, coisa linda de se ver, altas recordações. o olfato vem se tornando um milagre cada vez mais dispensável. então. preliminares cumpridas, vamos aos fatos. dia de coletar espermatozóides pra garantir que, caso algum dia o instinto paternal peça bis, possa realizar minha vontade com quem bem entenda e aceite a missão. se é certa a possibilidade da contracepção involuntária pós-tratamento – o que tem lá suas vantagens libertinas descompromissadas –, a gente passa por isso, numa nice. aloha, bamboocha. boa tarde, como vai, seu punheteiro?, me recebeu a enfermeira na sala de espera, toda sorrisos. sim, sim, dona, prossigamos, amarelado dos pés à cabeça. toma aí. e lá fui eu preencher formulários. nome, endereço, estado civil. nada de mais. uma, duas, três laudas. e a potência sexual, qual é? da feita que apelou, não tive escolha e apelei na cola: trezentos cavalos e morreu o assunto. umbora logo pro que interessa, babe. claro, entendo sua tensão. é normal, não se sinta culpado. não estou tenso. claro – é só o que sabia dizer. por favor, me acompanhe. você pode se sentar aqui ou ficar em pé, depende do hábito. temos revistas e estes dois filmes. efervescense e grunhidos na mata escura. por aí. use o fone de ouvidos, sim. não se esqueça de fechar bem o potinho, que é pra não contaminar. nem precisa encher tanto, contanto que seja o primeiro jato. depois, coloque nesse buraquinho, que eu pego do outro lado, e, no fim, faz favor, preencha esse formulário. ali tem alguns lencinhos umedecidos, se a mira não for tão precisa. silêncio. só isso? só isso. alguma dúvida? xá comigo. então, tá, boa sorte. dizendo o médico, outro sintoma do tal linfoma é a dificuldade que o paciente sente pra ejacular, demora horrores. já tinha percebido, bastante grato, aliás. eu e as moçoilas, em duas horas ou mais de estripulias. porém, quando se trata de uma punhetinha básica, o troço desanda afoito, não haveria de se prolongar tanto. não, né? ledo engano. e haja yes, yes, fuck me harder, ya motherfucking pussy licker, turn me upside down, screw me, yes, cum into my mouth, yes, yes, oh, slap your dirty ass. e nada. o bichão, lá, despelando de mão em mão, sem acordo. vinte e sete minutos de porn-core passados, finalmente pude sentir as good vibes ensaiando um deslocamento da base ao centro. e, surprise, surprise, outras tantas do centro à base. malditas h. pyloris. decidiram colocar a escola de samba na avenida justo em dia de corrida. contração daqui, espasmos de lá, agüenta firme e dá-lhe com a chinela na macaca, que tá vindo. tão vindo. solidariedade é uma beleza... filantropia de cu é rola e não deu pra segurar. as calças já estavam arriadas mesmo, foi só o tempo de sair correndo com o pau na mão, atravessar a ante-sala retribuindo o boa tarde e me abostar no sanitário, tendo o cuidado de gozar tudinho no pote, conforme orientação. o filho não é teu, mas toma aí, dona. congela bem congelado, faz favor. e vai desculpando a sujeira no banheiro, não tinha lencinho umedecido lá. acho que ficou um tanto tensa, coitada. amanhã tem nova sessão. só pra consolidar.

Posted by cacoishak at 20:54

frios e grelhados

então, casa nova. now i´m a verbeater, fuckers. ainda não havia tido a oportunidade de me exaltar um pouco pelo feito e, certeza, em breve o farei com muito mais ênfase, tecendo impressões sobre cada um dos vizinhos. por ora, só tive tempo de bisbilhotar os largos e espaçosos apês dos síndicos tiagón e gejfin – papa fina gaúcha, sandices anárquicas e o que mais pintar. de relance, as miudezas do grande sérgio martins e as excelentes pornochanchadas dos surfistas sal, deco e kino. de minha eterna musa jojo, nem preciso dizer nada. besta de quem não dá um pega em sua mangueira diariamente. muitissimamente bem cercado, adoro quem faz festa depois das dez. gentem, valeu pelo espaço. umbora farrear!

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também nem disse nada sobre sampa. talvez porque ainda não tive tempo de andar por sampa. do aeroporto para o hotel, no domingo às seis da manhã, simplesmente não havia vivalma nas ruas e, pelo pouco que vi, meu ingênuo veredicto: uma goiânia de proporções maiores, nada mais. sou um imbecil, eis a explicação. retratar-me-ei quando possível.

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do que se depreende, nem das paulistas biscoitei soslaios – enfermeiras e médicas patrícias não contam. sangue ruim das arábias, embora me amarre em narinas avantajadas e sejam as únicas desde as trocas de fralda a pronunciarem meu nome de forma correta, de primeira. cresci corrigindo as engenhosas variações do pobre ishak, até o dia em que cansei e tratei de assumir as personalidades várias. mas, vamos lá, last chance: is-rrrrrak. no i-xak. nem ais-rak ou ai-xak ou isarraquinem – pois é. e eis que me soam doces aos ouvidos as chamadas cotidianas hospitalares e nasaladas. turcas, narigudas e paulistas... já me apaixonei por quatro de branco. artimanhas à parte, de cara, na estréia da paulicéia desvairada, ligo a tevê e “as cariocas”, de fernando de barros, walter hugo khouri e roberto santos, fazem meu dia em preto e branco. ah, as cariocas...

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fortes indícios de que alguém que bem conhecemos estará em paraty no mês de julho, dando uma escapulida de seu tratamento para ver qualé a da flip. indícios apenas.

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sinto que isso aqui não está muito nos eixos. efeitos da abstinência, só pode.

Posted by cacoishak at 1:08

7.06.05

bone boy, bone boy


by dennis larkins

estoy acabado. exame atrás de exame. e sedado amanhã o dia inteiro. prometo que, no próximo, fujo dessa rotina hospitalar.

Posted by cacoishak at 23:44

6.06.05

primeira consulta

–... e, caso seja necessária uma quimioterapia mais intensa, é 100% provável que você fique estéreo. se fizermos a mais leve, entretanto, a probabilidade cai pra 15%.

ainda terei pesadelos com a notícia, batata. só o tempo de fechar os olhos – que reviraram ao recebê-la, acompanhando a contração dos lábios e a mente implorando um “vê se não vai chorar agora, seu filhodaputa, não na frente de todo mundo, que tu é macho e macho não chora, mesmo com linfoma e mesmo sabendo que linfoma é apenas uma palavra bonitinha pra enrolar o paciente na hora de dizer que ele tem um câncer fudido que, se não acabar matando ele logo de uma vez por todas, vai tolher o desgraçado do direito de ter filhos pro resto da vida”. nunca ganhei sorteio algum na vida, nem bingo das quermesses que minha mãe me obrigava a ir, nem porra nenhuma de nada. pesquisando na rede, descobri que, na faixa etária dos vinte anos, apenas quatro pessoas num grupo de cem mil contraem o tal hodgkin. ou seja, 0,004% de chance de alguém como eu acabar pegando isso. aproximadamente trezentas vezes menos possível do que eu vir a não mais ser capaz de procriar no caso de uma quimio “leve”. leve, é bom que se frise. quinze porcento é também a probabilidade de um portador de linfoma de hodgkin apresentar dores no local do tumor ao beber álcool. e bingo. já o disse e repito: malditos vietcongues. agora, querem congelar meu esperma. eles querem. não sei se eu quero. não sei o que eu quero. malditos vietcongues. que a malu foi premeditada e concebida acidentalmente por livre e espontânea vontade – uma semana depois dos primeiros sinais da doença (somente míseros gases na ocasião, “nada que um belo dum peido não resolva”) –, não é mais novidade pra ninguém. curioso é notar que nem eu sabia, mas, fincado em remorsos do passado, garantia um futuro que, então, já não poderia mais ter.

Posted by cacoishak at 23:01

5.06.05

sem prazo

From: Fabrício Carpinejar
To: Caco Ishak
Date: Jun 5, 2005 7:38 PM
Subject: Re: exageros


oi Caco, meu amigo,

fiquei interessado no livro. o título é bom, o conteúdo segue o sedutor fluxo da dissidência.
estou envolvido e emaranhado com o lançamento de meu livro. qual é o prazo?
abraços imensos
Fabrício
Leia "Para mão mudar o leitor"
em http://carpinejar.blogger.com.br

Posted by cacoishak at 23:52

4.06.05

sampimpa

novamente, cá estou apressando os últimos apreços para embarcar em mais uma ponte aérea. desta vez, entretanto, não deixo almanaque algum. fica o ciao do cretini, so long. são paulo não é mato, nem morro - pedrinho e o lobo perderam-se no inconsciente coletivo, esqueçam. era, sim, brincadeira. poucos podem ter percebido, mas era. até a parte do maldito calombo. malditos vietcongues. agora, é pra valer. quimio e radio no bicho e seja o que jah soprar nas minhas fuças. há a possibilidade do morro, mas mato jamais. yeah, yeah. mais fácil o contrário, se bem conheço a malandragem e a teimosia do caboco. pula essa. lá a gente vê. tô nervoso não. nem tenso. não estou. tranquilis. issimamente. batata. mato sempre, morro pros infernos. balastrau na moita e foda-se o que disse o nário. escrevo de lá, é certo. o que não me faltará é assunto e ócio criativo. dizem em boca miúda que até romance sai dessa viagem. acho difícil. mas, se dizem, não contrario. pra quê? vai que sai. e ainda dirão que não é meu. seu corno. chupetinha nelas, quente e softly. então. são paulo. nunca fui além dos portões do guarulhos. o cabacinho tá que tá. babando que é uma beleza. dessa vez, vai, ninguém segura. ah, se vai. vou sim. fui.

Posted by cacoishak at 23:01

3.06.05

freios abs


by anthony ausgang

esse negócio de parar de fumar, ao contrário do que possam imaginar, emagrece bragas. não escovava tanto os dentes desde meus quatorze/dezesseis anos, dependurado do balancim. quantas calorias perdemos numa escovada após a escalada em louça sanitária? coloca aí uma média de cinco polidas e desinfetadas por dia e chega-se ao resultado final. não queremos arrumar confusão em casa, queremos? e lá se vão dez anos. ao fazer as contas com meu compadre, estipulando um maço e meio por dia – de hollywood – e desconsiderando os aumentos e recuos do preço, foram oito mil duzentos e doze reais e cinqüenta centavos gastos no vício, aproximadamente. valeu a pena o investimento. se continuar no mesmo ritmo quando voltar à ativa, não devo despender mais do que o carro que a malu ganharia de presente em sua formatura, mais o meu – populares. tanto melhor. ando de bicicleta, que é pra contrapesar. quanto a ela... terá toda uma herança pra esbanjar pela frente.

Posted by cacoishak at 16:55

punk no brejo

Dia 03/06 as bandas de rock paraense vão invadir o parque dos igarapés!
Um mini festival de muito rock, com a banda gaúcha OS REPLICANTES.

Local: Parque dos Igarapés
Hora: 22:00
Ingressos: antecipados R$ 15,00 à venda na loja Ná Figueredo.

AS BANDAS PARAENSES:

STEREOSCOPE
A EUTERPIA
MADAME SAATAN
ÁLIBI DE ORFEU
DELINQUENTES
SUZANA FLAG
DDT

Posted by cacoishak at 16:30

2.06.05

gyn, banana, capim & vela

desembarque direto rumo ao primeiro grande palco de ilusões. helicópteros exibicionistas dando de seus rasantes matreiros sobre o público boquiaberto, em meio a champagne, churrasquinho e bosta de vaca. comecei a entornar os rostos obtusos e o que mais viesse desde cedo, a partir das dez da matina e ao longo de todo um dia, até ser chegado o momento de desembainhar o móvel e fazer jus à noite que rosnava no cangote seus últimos suspiros de sofreguidão e enxofre – tão dramático, esse menino. bananada 2005, martim cererê, pyguá, iguá, lá pelas tantas: “liminha, rapaz, queria mesmo falar contigo”, ao que respondeu “bah, velhinho, diga lá”, grisalho desembaraçado e roliço que só ele. “liminha, liminha, liminha”, nem tão azedo não fosse miranda. nem percebeu, decerto. parte pra outra. a segunda noite já havia apresentado gratas experiências pirotécnicas pelas mãos dos abecês paulistas do ästerdon, daniel belleza e os corações em fúria sendo desprezados por heteros enrustidos – os mesmos que subiriam de três em três minutos no tablado para moshes cada vez mais glamourosos, naquele que foi o melhor e mais barulhento de todos. goianas à vista, ao tato e ao vento, chupando frenéticas a mistura de vodka, mel e corante de três sabores naturalmente artificiais. olho de esguelha, os rapazes do madame saatan se coçando em sua barraca, num revezamento martírio. “e aê, limi-nhaa!”. só na bojuda do zé. gauchada toda reunida, pernas pra que te quero em direção a mqn e rollin´ chamas num arrombo antisemita amoral e calórico, fechada a noite com os astronautas pernambucanos em gana de qualquer coisa que não cortasse a coceira. fim de festa. quatro da madruga. hoje não vai dar pra continuar, baby. dezoito horas bebendo. anda, anda, anda, que é pra curar o porre.

dorme, acorda às nove. de volta à rotina. abre a torneira às dez e carrega a mangueira pra tudo quanto é lado e hora. mulheres, mulheres, por favor, não paguem a conta. “é aí que tu tá trabalhando?”. dizque. mas ela nem deu bola pra mim, a nova vocalista da mordida. ou deu e eu nem aí. prossegue. e não foi antes o show dos meninos? pois é, foi. impossibilitei-me antecipadamente. mas fica o bom gosto de sempre. ao contrário de continentais combos do dia anterior e bravos resistentes do seguinte presente, que nem embalado agüentou. pois bem. volver, sapatos bicolores, mechanics, tudo numa boa, tudo numa nice. pra lá de bagdá, podendo a mente. de supetão, bandeiras vermelhas e azuis tomam o palco. “é o golpe”, me diz uma das portas. “que golpe?”, insisto. “todo mundo dá golpe, nós também queremos dar o nosso”. valentina – mulher-macho sim senhor – baixa o cacete. pontas catadas, faz a coleta e corre. zap, zein, bow! jup-jup, jup-jup, jup-jup, i love you, babe. amiguinho thunderbird no baixo, el recém-desospicializado júpiter maça leva ao transe de amebas a macacos, todos que ali estavam e mais uns outros que por ali passavam e mais um resto que sobrou em algum canto da órbita. frio. muito frio. eu, sozinho, no meio da rua, morrendo de frio. o show acabou? o festival acabou? acabaram-se. onde será que eu estava, que nem reparei, desgraça?

abre porteira, fecha porteira, faz uma força danada e, entre dores e delírios que interrompem o sono campal, reencontro-me, quatro dias depois. a mesma música, a mesma cara de cachorro matinal com pinta na fuça balbuciando palavras freadas aos que me rodeavam. a vida no campo pode ser bastante lúdica e engraçada. donas-de-casa morbidamente obesas, cozinhando o comê de seus peões que, após se alfinetarem a deus-dará, recolhem o matuto e se desculpam mutuamente. incestos subentendidos e a certeza do mal instaurado em olheiras fundas e negras e largas e fundas. os vinte e quatro anos logo chegariam, num amanhecer em malhas de veludo recoberto de tangerina. cacemos picolés de coco queimado, então, em ruínas de coralina. prontos para a verdade? todos, talvez. menos eu, aparentemente. não para eles. aportando na cidade, nem se encosta em casa. diagnósticos por imagem, conclave a dois. “se eu te pegar com cigarro na boca novamente, te encho de porrada e te enfio o maço goela abaixo”. psicologia antoinica. afinal, que porra é essa que me estufa o peito? linfoma, pelo que parece. feliz aniversário. ah, valeu, e isso seria...? um tumor. é, desconfiava. e qual o tamanho? de um limão grande ou de uma laranja pequena, ao gosto do freguês. maligno ou benigno? não é assim que funciona. linfoma é linfoma, sempre maligno. hum. tranqüilo. parabéns pra você, nesta data querida. e agora, o que tenho de fazer? não sei. não sei de nada ainda. não te preocupa, que nada será escondido de ti. na segunda, tu faz mais outros exames. muitas felicidades. depois, tu vai embora pra são paulo. é tão sério assim? não se sabe. enfim, sossega. muitos anos de vida.

Posted by cacoishak at 12:49

1.06.05

vade retro

era para eu estar em manaus neste momento, perambulando por suas ruelas históricas enquanto jack e meg não subissem ao palco. não deu. daria. acabou dando em outra cousa mais sinistra. que me fará viajar para são paulo no domingo. um dia depois da apresentação da dupla na cidade da garoa. obscurantismo e coelhos em excesso, pernetas ou nem, acredito. bênçãos, só indo para o final da fila. e tenho dito.
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Posted by cacoishak at 12:11