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9.05.05

espí­rito santo

da raspa do sono, ouvia apenas o clac-clac inoxidável das panelas de encontro ao fogão. a algazarra matinal de radinho de pilha e assobios e gargalhadas espetaculosas não mais se fazia ecoar através do corredor que dá nos dormitórios do apetê. fui averiguar a calmaria. a figura de metro e quarenta pendia do parapeito, espremendo a cuca entre as grades da janela. - o que foi que aconteceu? - meu pombo não veio hoje... - pombo? - é, eu conversava com ele... só tu vendo, menino! ele balançava a cabeça, entendia tudinho... - tu conversava com um pombo? - é, ele entrava pela janela e ficava aqui, comendo o que eu dava pra ele... - tu dava comida pro pombo? - é, ele ficava passeando por aí­... - por aí­ que tu diz, entre a comida? - é, por aí­... - e não tem perigo desse pombo fazer merda por aí­, não? - é, um dia desses ele cagou aí­ no batente, mas eu limpei rápido... acabei assustando o pobrezinho... ele se assusta fácil... - o pombo cagou na comida? - é, nem tanto... na verdade, não... eu limpei e depois fiz a comida... - tá explicada essa colônia de pus nas minhas amí­dalas... - acho que mataram ele...

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Posted by cacoishak at 9.05.05 13:42