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14.04.05
varanda
- nunca se sabe. mas por que tu diz isso?
- se eles não chegarem logo, vai esfriar.
- certo, também acho. e se formos por um outro caminho?
- qual sugeres?
- outros que fujam de maiores empecilhos.
- empecilhos? então achas que a dor é um empecilho?
- não digo a dor, mas a sensibilidade como um todo.
- não faz sentido.
- e se, depois, a vontade superar o medo?
- resolve-se.
- quem avisa pro resto?
- não precisa. eles se viram.
- não vão gostar.
- não me importo. e nem são eles quem precisam.
- melhor ser logo, então. antes que esfrie.
- certo.
- certo...
- que cara é essa?
- apenas sugeri uma possibilidade.
- andou pra trás?
- quais são as chances disso realmente dar certo e tudo ser como antes logo após o fazermos?
- tu já leu...
- não leio.
- tem uma teoria que diz serem...
- não gosto de teorias.
- o medo é uma teoria inconsciente sobre o desconhecido, baby.
- ah, nem. filosofia agora, não.
- o que exatamente tu quer, hein? será que tu pode me dar essa luz amiga?
- queria que eles chegassem logo.
- eles não vão chegar, desiste.
- somos só nós dois, então?
- isso aí.
- me passa o pote...
- vai esfriar...
- quem disse que eu quero diferente?
- mas...
- ai! que merda é essa?
- calma, pensei que tu fosse gostar!
- não disse que não?!
- pensei que fosse blefe. falta de coragem, essas coisas.
- me dá o telefone, por favor.
- ei, que escândalo todo é esse? não precisa disso tudo, não.
- poxa, eu estou sensível...
- desculpa... foi sem querer. pronto, viu? acabou.
- fácil dizer...
- não tem mais com o que se preocupar.
- mas... e amanhã?
- eles já vão estar dormindo.
- tens certeza?
- eu te protejo.
- sei não...
- alguma coisa a gente tem que fazer.
- quebra logo isso de uma vez, então!
- cêquemanda...
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Posted by cacoishak at 14.04.05 1:14