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14.04.05

rai explica

se de quando em quando a tormenta vem pra abalar os cafundós de xicriúma, arrastando aos sete bueiros as necessidades que alguém fez questão de se esquecer de entubar, ví­timas provavelmente exaltarão seus demônios contra os sinistros que vêm e vão sem saber qual é. tu tinhas de ser o presidente desse paí­s, rapaz; dessa porra de fim de mundo que ninguém sabe o viés de canto algum; toma tuas aspirinas em dia e vamos festejar o amanhecer de uma nova era fortuita; estão todos falando sobre a nova besta que se erguerá das dunas salinosas, revirando os olhos e pastéis na boca; compra logo, não espera passar a chuva, não, compra logo.

- êia!

qual foi, qual foi, que quê há? não façamos tempestade em banheira de vó enquanto ela apenas vem para nos salvar, a nós todos portadores de doenças crônicas e sem aspirinas pra passar a noite em claro, vendo o chão do teto que cai subir pelas paredes!

- êia!

não, não, não e não! se um dia todos formos ao mostruário dos enfermos que assolam o dia-a-dia de mandiocas frescas com sol no lombo, sem rosnar aos peixes e, desenfreados, cairmos rio adentro sem pregas e lordoses, escabioses noves fora, dicas pra um amanhã melhor em colossal taxiderme - não existe, não existe, inventei na hora da janta que esqueci de traçar por aquela ameba que me rebolava a bundinha, de olhos esbugalhados e ofegante - que nos levará rumo a sí­tios hiper-modernos de luxúria, glamour e bacon!

- êia!

sim, senhor! liguem os motores!
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Posted by cacoishak at 14.04.05 18:14