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4.01.05

descondicionando ishak

venho aperfeiçoando minha capacidade para a rápida assimilação de surpresas, obviamente inesperadas, que abarrotam o cotidiano de espera. não há esperanças de encontrar alguém, certo? entrar na sala, acomodar mochila, beber um copo d´água e escrever. simples assim. a presença de uma mulher a mim totalmente estranha, sentada ao computador enquanto fuma um cigarro, não é algo que irá me incomodar. o ritual permanece o mesmo e, tão logo entrei, esbocei um olá, acomodei, bebi e escrevo. categoricamente, desapareceu. abandonou seus peixes no vasilhame e correu atrás dos filhos que se perderam. eu, agora, também no computador. faço ovelha gritar cachaça, não, de quatro pro ar-condicionado e pastilha no rabo. desta forma, me nóio menos e nóio mais o povo. mas esperneio serás? uns minutos a mais devem dizer. por ora, vou me conformando com o fato de não poder botar nada na caixa por menos de um punhado de neuras. melhor deixar como está. sustento quantos vierem, talvez não apenas um sozinho. e nem sei como é seu rosto.

não me peçam pra rir nem pra chorar, o que vale é o baladeiro de amanhã que adentrará o sortido de emoções inválidas e tempestivas de meu divã a lhe esperar para a última canção de glória ao alvorecer de uma primavera cristã. já forcei dianteiras demais e não me sobra mais aptidão para suar-lhe esforços de transações mal arranjadas em barracos de vime estilizados na vontade de receber estranhos na ante-sala da perversão de tuas virilhas roçando em minha barba sobre as paredes de um televisor ao qual apenas assisto. sinto falta das investidas que não mais investem. pra ver. agora, até bandido voltou a ter reputação a zelar.

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Posted by cacoishak at 4.01.05 15:58