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1.12.04
papo de mocinha na zuna
lá em casa, o homem do casal é a juliana. de quando em quando eu até que dou uma de "o macho da situação", mas quase nunca dá certo. pago as contas direitinho, troco as lâmpadas, abro compotas com certo suadouro - mas abro - e sei peidar que é uma maravilha. matar os bichinhos que nos fazem visitas regulares que é um problema. não guardo maiores conflitos quando o assunto é cobra, jacaré ou avestruz. taco paulada sem medo. se for preciso, agarro e mato com os dentes. meus traumas são outros. fora filmes de "terror" aos quais assistia quando criança, passei por maus bocados na infância. menino criado em terras vitorianas que fui, ao aportar por aqui já me cagava de medo dos bichos, mamãe, que vinham me picar. passado tempo suficiente para o hábito, até fiz amizades tenras com lagartixas e um louva-a-deus. não contava com o ataque que sofreria dali a um tempo. eram dezenas, quiçá centenas de baratas subindo por minhas pernas, alcançando as costas e dizendo um zumbidor oi nos ouvidos. traumatizei. se tiver mais de seis patas, boto minhas duas pra funcionar. ontem não foi diferente. uma aranha ENORME no chão da cozinha. grande mesmo, cabeluda e afoita. já estava longe quando me veio à cabeça a imagem da aranha lambendo a testa da malu. não me era permitido deixar que aquilo acontecesse. uma chinela. não encontrei. o tamanco da juliana havia de servir. aproximei-me da criatura, levantei o braço e ela deu alguns passos adiante. o tamanco já não mais me parecia uma boa idéia. fui à área de serviço, e me muni de um rodo. acabaria com a desgraçada em dois tempos e, melhor ainda, com certa distância. mirei bem no meio dos sei lá quantos olhos da aranha e desci o pau. não passou nem perto. mais uma tentativa e mais uma, até que na quarta consegui algum êxito. uma perna já tinha embarcado rumo ao inferno. faltavam apenas sete. quando mandei os pudores às favas e lancei mão de todos os artifícios a minha volta. um botijão d´água e três cocos, tudo rolando pra cima do temível monstro. de nada adiantou. a maldita perdera somente mais uma perna e continuava apavorante. até que foi encostar-se a uma parede sem quina, eu já ofegante. era minha chance. não podia falhar e, num golpe de mestre, virei o rodo ao contrário e o arrastei pelo chão, indo de encontro com a aranha. esmaguei a filha-da-puta uma, duas, três, quatro, cinco vezes. e distendi um músculo da coxa. dei uma conferida pra ver se ela estava realmente morta. pelo visto, estava. saí mancando, guardei o rodo e dei um beijo em minha filha. foi uma luta honrada, devo lhes dizer. fui um verdadeiro cavaleiro, um lorde inglês defendendo sua morada ao derrotar o terrível dragão. e a juliana nem precisou me ajudar. dormia que nem um anjo. ela se orgulharia disso, tenho certeza. precisamos urgente de uma dedetização.
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Posted by cacoishak at 1.12.04 15:47