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31.12.04
pronto pro outro
nem dá pra ser hoje. a cabeça estoura e a postura não tá lá essas coisas. amanhã eu compenso. satisfaction guaranteed.
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Posted by cacoishak at 1:52
29.12.04
indanão?
peixe pulou fora do aquário. morreu. fica o outro.
não?
tremendão. vai dar enjôo. tá penso.
nada?
mar de sangue. fudeu.
...
tomar no cu, então, porra.
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Posted by cacoishak at 15:07
casting all fears aside
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
guaraná globo
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
dá essas ligas
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
já experimentastes?
iv convenção dos lambe-lambes de morrinhos says:
hahaahahhahahahahahaahah
iv convenção dos lambe-lambes de morrinhos says:
tem um ainda melhor
iv convenção dos lambe-lambes de morrinhos says:
jesus
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
égua, esse eu nem me atrevo
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
é muito poderoso
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
já ouvi falar de pessoas que tiveram uma overdose só de sentir o odor de tal produto.
olá amigos, eu sou o frejat says:
já ouvi dizerem que pode ser a cura para os males do mundo
olá amigos, eu sou o frejat says:
devido a seus efeitos que tornam as pessoas modorrentamente estáticas, a paz reina na vida destas
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
nossa
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
uma droga de efeito retardante
olá amigos, eu sou o frejat says:
há cientistas que defendem o uso de jesus para uma melhor recuperação do trauma causado pelo tsunemoto ( ? )
olá amigos, eu sou o frejat says:
tu viu? a nóia do mundo foi tão grande que saiu dos eixos!
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
achei isso tão poético, sabia?
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
sabes que esses desastres naturais são medidas de contençao demográfica naturais, né?
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
e que pro planeta o que importa não é ter coisas vivendo nele, mas apenas ele existir
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
sei lá, é bonito pensar no planeta não como uma coisa somente.
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
mas como um ser
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
ele se revoltou
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
como eu me revoltei um dia
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
lindo, lindo.
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
ah, sei lá
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
é bonito e tal.
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
costumas jogar videogame?
olá amigos, eu sou o frejat says:
: x
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
só perguntando, oras.
olá amigos, eu sou o frejat says:
cara, sei não.. mas acho que o planeta não deveria se revoltar contra quem não faz nada contra ele, pelo contrário, só leva pau dos mesmos que realmente dão em todo mundo
olá amigos, eu sou o frejat says:
o careta não foi pelo videogame
olá amigos, eu sou o frejat says:
bicho, nunca fui de jogar, não. videogame requer uma certa coordenação motora, o que eu não tenho
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
tipo, tu preferias que a terra engolisse o bush do que um maremoto desviasse o eixo do planeta?
olá amigos, eu sou o frejat says:
mas acho do caralho ver
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
cara, coordenação motora é questão de treino.
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
talvez tu não estejas acostumado com a rapidez dos jogos.
olá amigos, eu sou o frejat says:
é mais ou menos assim: há um tirano infernizando a vida de todos num condado. não satisfeito em estuprar as mulheres dos plebeus e camponeses, resolveu promover bailes na floresta. verdadeiras orgias. daí, as fadinhas da floresta se revoltaram. mas, ao invés de irem contra o rei, tamparam a panela com todos os fodidos dentro
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
isso é compreensível.
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
é uma atitude pragmática.
olá amigos, eu sou o frejat says:
pode-se tirar poesia daí, sei lá, dizer que as fadas e duendes atacaram os aldeões por representar a renovação saída das profundezas da mata a purificar o ambiente de quem a verdadeiramente possui, vez que são eles quem devem enfrentar o mal pessoalmente e precisam de forças pra isso
olá amigos, eu sou o frejat says:
hehehe
olá amigos, eu sou o frejat says:
mas isso é uma outra história...
olá amigos, eu sou o frejat says:
agora, não há treino que resolva minha falta de coordenação motora.. fiquei quatro anos levando bolada na cabeça pra ver se andava numa linha reta e nada
olá amigos, eu sou o frejat says:
e já enfrentei coisas bem mais rápidas que um videogame
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
talvez o treinamento não tenha sido o adequado ao seu tipo psicológico
anta galactica multicolorida com asas de borracha e calças de lycra says:
ou algo assim. o mart saberia explicar.
olá amigos, eu sou o frejat says:
dda, meu velho
olá amigos, eu sou o frejat says:
nada de condicionamentos
olá amigos, eu sou o frejat says:
zé paulo explica
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Posted by cacoishak at 1:43
28.12.04
white meat phor anastasio
entre mortos e feridos, sempre sobra uma axilla pra se cheirar...
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Posted by cacoishak at 18:11
27.12.04
já os peão...
é por causa de toscos genuínos como este e este que não consigo deixar de fora do meu seleto círculo de amizades este cara.
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Posted by cacoishak at 1:46
26.12.04
mandinga pra ficar careta
"Pra ficar careta não tem segredo, basta querer...ou não?
Aqui vai uma mandinga pra ficar careta, ou pelo menos tentar.
vc vai precisar de :
1 garrafa de cerveja
3 beatas, daquelas bem gordinhas
1 saca , pode ser de dez .
1 carro, pra dar o balão na cidade e começar o ritual.
Vá em direção à boca mais próxima, na madrugada de sexta pra sábado, às duas da madrugada. No caminho acenda uma das beatas, beba um gole de cerveja e dê um tiro. O resto, coloque tudo dentro da garrafa e jogue na frente da boca dizendo, com muita fé:
Universo da strikinagem
livra-me dessa ansiedade, sem sacanagem.
Deus e senhor dos bares
Livrai-me desses lugares.
Rafaela Paulo, nunca mais vai pra são paulo.
Somos Amigos do capeta, mas por favor, meu sonho é ser careta.
Amém.
Depois volte pra sua casa e durma com os anjos..
Agora se vc matou a saca , juntou as três beatas e bolou o final feliz... e tomou a gelada pra destravar...
Muitos anos de loucura pra todo mundo".
uma pérola dessas só podia ter saído da mente criminosa de orlando arouck, mais conhecido como narizinho d´ouro ou o homem do macacada. mais informações a respeito de seu bando podem ser encontradas em meu sonho é ser careta.
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Posted by cacoishak at 13:32
24.12.04
e, também, a vida e a morte de presidente elvis

serei breve, até porque o que está a seguir dispensa qualquer bosta enaltecedora que eu diga. eles saíram um pouco da rota, decidiram acordar mais cedo e vão perturbar sua madrugada de natal qual um cão chupando manga. nas picapes, papai noel distribuindo cookies pra criançada. e, como nada nesse mundo é caridade, muito menos em dezembro, haverá uma caixinha na entrada do recinto, uma vaquinha pra darmos uma puta de natal pro animador da festa. o rapaz conta com sua contribuição pra esvaziar seu saco, colabore.
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Posted by cacoishak at 1:12
23.12.04
bingorrento
cantarolava o refrão de the beauty of the day na esperança de encontrar a feira da ponte do galo ainda de portas abertas e poder escutar cigarettes de verdade, direto do som que então recuperaria em troca de um terço do valor pelo qual o levara da primeira vez, na caixa. um mínimo de segurança, no caso mui provável de ninguém se lembrar de mim. não foi dessa vez. a empolgação se mandou com a adrenalina, a malandragem saiu pra trabalhar mais cedo. mas não desiste, maninho, que o mormaço te engole vivo. compra uma pipoca e aprende a falar português de nazaré. havia chovido fazia pouco, as árvores ainda choravam um pôr-do-sol de morrinha. hoje, brinquei de videogame com os pingos d´água que caiam das folhas, depois da chuva. tinha dez vidas e deveria fazer o percurso do estacionamento ao cinema tentando me desviar das gotas mais pesadas, dez chances. três fora e, já na segunda fase, uma velhinha com sua criança tentou convencer-me do contrário. porém, bem sabia que seria o último da fila por pouco tempo e a retaguarda ficaria excessivamente exposta em situação delicada. então, foi isso. me noiei. e fui filar uma broca na casa do turco-loco, empanturrar-me à vontade por módicos dez por cento do rival. acabou que, ao invés de comer comida, sentei no capô de um carro e apalpei minhas meias encharcadas de poças que vazaram os buracos do all-star adentro. meias encharcadas de all-star. eu que pensei não ser possível essas reminiscências. so much to drink, so much to hide. so much to get high, né mesmo. agora, os portões de casa me parecem pequeninos e as mãos do caminho já não me deixam deslizar como fazia no cimento das paredes do quarto que alugava de um espelho. foi assim que aconteceu. explodiu no escuro. e acendi um cigarro pra ajudar a iluminar.
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Posted by cacoishak at 19:10
"death is cool", says the smoking cat

taí a sugestão pro presente. kaz fucking rules, santa. aceito o comprovante de pagamento.
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Posted by cacoishak at 1:47
20.12.04
aos simpatizantes do pstu da ufpa
nego adora engordurar a comida dos outros. assumo o risco e ronco o capô. a história é o seguinte, senta aí. belo dia, caminhava tranqüilo pela passarela, sem pretensão nenhuma, nem lugar pra chegar, quando me tomaram de surpresa com a notícia, em meio a palmas e gritinhos, de que, parabéns, eu tenho um pai. nasci com 4,5 kg, 52 cm e com a alcunha já escolhida pelos progenitores num momento de inspiração influenciada ainda pelo mar de rosas que surge antes do maremoto no casamento. desde então, tentei de tudo. deixei que amante aqüariana me desse nome de manteiga de amendoim, subtrai o prenome, assumi tudo em crise, até que dei ouvidos à irmã de seis anos e hoje escuto caê forçado, arranhado e repetindo o inferno de sempre. tudo graças a ele. bezouros, bob charles, ritalina, foi com ele que aprendi. e a dar umas dedilhadas também. já fez o diabo nessa vida - que não me deixem mentir os primos - e, agora, encasquetou que quer ser reitor. então, quem costuma dar um rolé na federal de quando em vez, faz aquela força pra acordar no dia dezenove e marcar presença nas redondezas do vadião. o cara sabe das coisas. no nessecita la garantia. la garantia soy jo.
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Posted by cacoishak at 16:18
19.12.04
- desligue a tv e vá ler um livro.
- que ler livro o quê, rapá! tô querendo é escrever o meu, sossega. deixa essa porra ligada, que é pra relaxar o ambiente. se não quiser passar nada, pior. mudo de canal e me lixo pra família lima, que dá no mesmo.
- cara, não leva pra esse lado. só estou querendo te dizer que envelhecer bem consigo mesmo, não deixando nunca de ter um espírito jovem, isso faz bem! se tu conseguir fazer isso e tentar ler algumas coisas legais na internet de vez em quando, espetacular! estávamos falando sobre isso ainda há pouco e...
- alto lá, cara-pálida! nós quem?
- não disse nós.
- disse, sim.
- não. eu e outro. outra, outros. nós, não.
- égua, tu é inteligente pra caralho, né? fala bonito que ninguém entende.
- ih, vai começar?
- começar que nada, porra. era só olhar em volta, tava me sentindo no dance o clipe com a ciccarelli.
- cara, deixa de ser assim tão eufórico. relaxa, que a noite podia ter sido tua. vai saber? naquela porra, tu tem que dar uma de poser, senão eles te mastigam e cospem fora. arrumar uma briga, vomitar nos peitos de uma debutante, se agarrar com um viado, pelo menos uma coisa dessas.
- o problema é que vocês dois estão sempre se noiando com alguma coisa. ah, são os caras que vão tocar. ah, aquele povo também vai estar lá. ah, mulher fala tudo uma pra outra. sefuder, caralho! eu lá vou deixar de pirar o cabeção por causa dessa merda? os afoitos que se fodam! acaba todo mundo batendo palma pra qualquer bosta que passa e o cu apita.
- e o cara que se cagou todo quase chegando na pista, hein?
- tu viu, bicho?!
- ver, não vi, mas quem é que não tá sabendo?
- então, tá. a rodada já começou, meu bota precisa de mim. falou!
- viu, só? ele gosta de futebol.
- é mesmo, né, cara.
- e só tu que não via.
- ...
- abre teus olhos, fernandinho, que essa farsa indie um dia acaba fudendo com tua vida! ficar nessa de plantar impingem...
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Posted by cacoishak at 15:35
18.12.04
sacode essa porra e entorna
sabadão, nada pra fazer até a vista se encher de publicitários indies e sem saco pra escrever non-sense profético, navegar sem compromisso é a melhor pedida. coffee fuck ultra gonzo butterfly jesus. e olha o puta bar de 2 que me aparece pela frente. 482 receitas, QUATROCENTAS E OITENTA E DUAS, tin-tin por tin-tin, pra fazer suco gástrico sair queimando o esôfago com os carái... el blue curacao. entornar e ser feliz.
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Posted by cacoishak at 20:23
16.12.04
Mnemozine
o capitu está hospedando a revista Mnemozine, com produção gráfica do pipol e editoria dos poetas marcelo tápia e edson cruz. vai lá. carpinejar, glauco mattoso, leminski e mais um monte de gente legal. essa, é da pontinha da orelha.
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Posted by cacoishak at 16:55
errata
já tinha percebido que faltava uma goma nesse tacacá.
"mas ACARRETA problemas na vida real. entre prazos estourados e pautas por fazer, clicar em três ícones equivocados até o word esbranquiçado se posicionar na mira".
veja só como ficou: clique aqui.
ou seja. não mudou nada.
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Posted by cacoishak at 16:43
festinha, porra!

meu début nos happenings do concorrente. cabaços fora. nas pistas, uma amiga em comum que tenho com o pavel, luciana menescal, parando por aí, e seu irmão, companheiro e advogado, leozinho, menescal também. de lambuja, carrego o berço nas costas pra alegria dos descontentes. minha senhora irá pendendo a meu bíceps por fazer. beberei. e, prometo, descobrirei o que quer dizer euterpia. tom, pato, preparem o glossário. será uma experiência... como é mesmo que esse pessoal do roque chama? sim, do caralho. bem sabia. e talvez nem precise pagar por isso. que calendários chovam em minha horta, então. deixo de engraxar vista escura pro resto da vida e caio na fuzarca da renda capitalizada mensalmente. será o início do caos, regado a absinto.
by the way... conturbada a arte do flyer, não? eu também já falei pro leo, o lá de cima, publicar os refúgios artísticos dele por aí, só que ele nem me empresta ouvidos. façam o favor, dêem-lhe algumas cutucadas no sábado. quem sabe, com a empolgação estimulada, ele acabe por seguir os conselhos de si mesmo.
informações válidas sobre a festa, lá no sítio da se rasgum
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Posted by cacoishak at 1:31
15.12.04
ditados de um tio em crise
não à toa, nunca alguém me chamou para tocar bateria em sua banda. não toco bateria. nem sei fazer manobras no carro. não ando em linha reta, não tenho pressa em enfiar uma chave no buraco, não danço que nem o caetano. daí a fama de ser um animal na cama. com essa minha falta de coordenação motora, a loucura come solta e minha mulher gosta. mas acarreta problemas na vida real. entre prazos estourados e pautas por fazer, clicar em três ícones equivocados até o word esbranquiçado se posicionar na mira. acaba sendo como meu tio dizia: esse não sabe nem por onde o cu anda.
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Posted by cacoishak at 14:45
14.12.04
lançamento na tábua
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Posted by cacoishak at 16:38
minhas toalhas de renda vermelha
libanesada tem dessas coisas. come-se o quibe, aguenta-se o cu. quem tem tia que se diz tia que de tia nada tem, senão as primas, dona daquelas lojas de artigo a chinesa onde de tudo se encontra, desde a camisa oficial do ricardo rocha até um abajur de tomada com o formato de um cacete, começa o natal assim, levando uma colher de sorvete cujo cabo foi esculpido sobrepondo-se três bolas de futebol - branca, prata, dourada, nessa ordem, de baixo pra cima - de presente. o primeiro da temporada 2004, de vera promissor. enfim... o reconhecimento. fui um bom menino. e nada como uma tia libanesa para compensar o tempo perdido.
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Posted by cacoishak at 1:16
13.12.04
espelhos lisérgicos
aê, moçada, graças a meu companheiro hudson, estou com a posse do mind mirror, software que o timothy leary menciona no flashbacks. roda tranquilamente - nem tanto, dependendo do computador - em dos. quem confia no papai, sabe o que digo: vale muito a pena viajar com esse brinquedinho. querendo, é só mandar um e-mail para cacoishak arroba gmail ponto com, dizendo o porquê do interesse em participar da brincadeira conosco, ou deixar o e-mail aí embaixo mesmo. mando assim que puder.
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Posted by cacoishak at 14:48
12.12.04
essa mesma

- tu virou estrela e não vai mais publicar direto, é isso?
- não, cara, só que hoje é domingo, dia de ficar com a família e toda aquela baboseira...
- ah, tá... essa aí é tua filha?
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Posted by cacoishak at 19:39
11.12.04
alô, alô, cariocas, prestenção
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Posted by cacoishak at 2:26
desmantelando mainardi de volta
dia desses, estava discutindo com o cunhado o que era diogo. fofoca? doido de rua atirando pedra em rei? comediante? insights à parte, mais correto talvez fosse afirmar que ele é tão apenas um cara que simplesmente abomina o maniqueísmo predominante e, pra tornar as coisas um pouco mais centradas, equivalentes ou naturais, escolheu ficar no lado dos malhados, e não ao, que era pro barco demorar um pouquinho mais pra afundar com os bons garotos e todo o resto. anarquista da porra. e ainda dizem tão. afinal, nem tudo que presta sai boiando.
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Posted by cacoishak at 1:34
9.12.04
sobre um conto novo
Abaixo, um conto novo. ALUGA-SE M增RTIRES. Divirta-se. E all rights continuam reserved.
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Posted by cacoishak at 3:14
ALUGA-SE MíRTIRES
Mas quem é esse garoto, de onde ele veio? É impressionante o estrago que ele está fazendo na zaga do time adversário! E, olha só, pegou a bola de novo... lá vem ele, veloz pela lateral esquerda, dois contra cinco, o companheiro pedindo a bola, mas o menino não parece estar disposto a dividi-la com ninguém, já passou por um, vem se aproximando da grande área, marcado por três jogadores... agora seu companheiro de equipe está em posição de impedimento, chega um quarto jogador para marcá-lo, o quinto que ficou para trás chegando, mas o menino não larga a bola, faz gracinhas, deixou dois no chão, fingiu que iria por um lado, foi pelo outro, meteu por entre as canelas do zagueiro, está atravessando a grande área, deu um chapéu no último jogador do outro time, matou no peito, chutou e gol! Goooool!!! Mas que golaço! Mas que go-laço! O goleiro não conseguiu nem ver a bola, ficou totalmente paralisado em seu canto! Todo o time corre para abraçar sua mais nova revelação, o salvador da pátria, quem fez o gol que pode dar ao clube o título de campeão estadual pela primeira vez em sua história, faltando apenas três minutos para o fim do jogo! Mas ele não quer saber de abraços, sai correndo sozinho pelo campo, em direção à torcida, esse garoto ainda, de apenas dezesseis anos de idade, uma promessa para o futebol brasileiro! E, olha lá, que bonito! É isso aí, menino, comemora, faz tuas graças! Parece mais malabarismo, de tanta cambalhota que ele está dando - acrobacias, né! E a torcida vibra! Que beleza, esse é o futebol brasileiro! E ele não pára, vai pulando de um lado pro outr... opa, a queda foi feia! A queda foi feia, hein! Acho que ele se desequilibrou na hora de cair e bateu com a cabeça no chão de mau jeito... está caído, imóvel, sem se mexer, todo mundo corre para ver o que aconteceu... momentos de apreensão... ninguém sabe o que de fato aconteceu, a equipe médica vai toda em direção do jogador, parece que a coisa foi feia, a situação é grave! Os médicos fazem sinais, a torcida em total silêncio, todos se perguntando o que aconteceu com o artilheiro de seu time... estão imobilizando o pescoço dele, vão colocá-lo numa maca, acho que ele será retirado do campo... é nessas horas que eu me pergunto, por que será que... clic.
- Acabou?
- É, foi... acabou. Vai pro quarto descansar, vai, tia. Daqui a pouco tem mais jogo... da Seleção.
- í, mas que beleza! Quem foi escalado dessa vez?
- Não sei, tia, não sei, não. A gente vê isso na hora... vai dormir um pouco, vai.
- Tudo bem, mas me acorda antes de começar, viu? Não posso perder esse jogo por nada nesta vida!
Pode deixar, eu aviso. Amanhã de manhã, bem cedinho, tão logo eu acorde, na hora do almoço. Com o remédio que tomou, não vai querer saber de jogo nenhum mesmo. Além do mais, oportunidades não faltarão de assistir a todas as partidas de todas as seleções do mundo, está tudo gravado, um armário cheio de fitas de jogos de futebol, vai poder se esbaldar à vontade com pernas e sabe Deus o que mais ela consegue enxergar nesses noventa minutos de chutes e palavrões vindos de tudo quanto é lado, sem rumo certo, atingindo o primeiro que se sentir no direito de acolhê-los e multiplicá-los. É a maior paixão da velha, coitada. Jogos de futebol. Não digo a única, pois além do poodle sem dentes, obeso e centenário que se mudou com ela pra cá, bem sei que a pobre me ama também, aquela baboseira toda de o filho que nunca teve, nem tanto por incompetência própria, como pela falta de homem paciente o bastante para aturar as esquisitices que desde cedo a acompanham nesses oitenta e poucos anos de loucura e dribles na solidão. Dizendo minha mãe, que Deus a tenha, titia - na verdade, irmã de minha avó - já tinha sido muito garbosa na juventude, mas, ninguém sabe ao certo o porquê, endoideceu ainda moça, não dando chances às aproximações dos pretendentes que meu bisavô lhe arrumava. Foi envelhecendo, com o tempo a esclerosando ainda mais, coitada, de mão em mão passando pelos familiares até aterrissar na monotonia diária do cidadão desocupado aqui, à incompreensão de todos. Como é fácil de se lidar com a velha - é só colocar uma gravação de um jogo qualquer no vídeo e torcer para que ela seja feliz em seu sono forçado -, preferi não arrumar confusão com os parentes, resolvendo aceitar os surtos de campeonatos mundiais por ela testemunhados em delírio e a ajuda de custo oferecida pelos primos em cuja casa estava antes da mudança. O cachorro estava dando muitos problemas, afirmaram desta vez, avançando em tudo quanto era convidado da casa, chegando até a morder o calcanhar da filha de não sei quem boulhosa. Bons tempos que com os dentes se foram. Já que titia não conseguiria viver sem seu precioso, pensaram que talvez eu, sozinho na vida e simpático a animais, pudesse acolhê-los sem problemas. Sem muito pensar, acabei então por concluir que, depositando mensalmente em minha conta o dinheiro para a ração do bicho, tudo bem, sem problemas mesmo. Não me importaria em ir ao mercado comprá-la, já que, com essa vida de jornalista desempregado e escritor virtuose ainda não reconhecido pela crítica nem pelo público, o que não falta em meu dia é tempo pra ir ali na esquina de quando em quando. Problemas, teria no dia em que esse projeto de cão morresse, aí sim, minha vida se tornaria um calvário. Não bastassem os traumas que já possuo quanto ao assunto - há alguns meses, ainda só e provavelmente por isso, comprei um vira-lata, baratinho, com direito a uns tantos vermes de brinde, os quais motivaram a visita do miserável a um veterinário recém-formado, cheirando a leite, baratinho também, que acabou receitando ao animal uma quantidade de medicamentos tal, que não só matou todo tipo de organismo vivo dentro do intestino do cachorro, como inclusive o próprio, de overdose no meio da madrugada, e eu lá, sem saber o que fazer e, cansado de me sentir um completo inútil a observar aquela criatura estrebuchando no chão do meu quarto, de olhos esbugalhados e arfando de língua pra fora, decidi ler um livro qualquer até o momento em que ele, enfim, quebrou o pescoço, tamanha fora a violência de suas convulsões, para que, então, já o dia amanhecendo, eu o depositasse numa caixa de sapatos e deixasse o resto por conta do caminhão de lixo que logo passaria - não bastassem meus traumas, seria obrigado a consolar titia por um bom tempo, assistindo com ela a todas as finais dos campeonatos brasileiros que temos aqui em casa, não poucas. Isto, se ela durar até a final de 95. Do jeito que as coisas vão, perigava o consolado acabar sendo o banguela do poodle dela mesmo. Coitada - não encontro outra palavra para referir-me a ela, coitada. O que, parando para pensar um tiquinho melhor, não lhe soa tão bem assim. Antes fosse descoitada, já que pela experiência do coito, até onde me consta, nunca passou. Que não me julguem mal pelo trocadilho, mas, ai, os trocadilhos, diria com meus dedos lambuzados de brigadeiro, como os adoro, principalmente se são para confundir a cabeça de titia. Se, nos tempos de redação, eram meu passatempo preferido, na hora em que tinha de elaborar as manchetes do dia, imaginem quanta não é minha satisfação ao oferecer uma dedada à titia, uma delícia, bem docinho. Não, não me tomem por um monstro. No fundo, até gosto dela, gosto sim. Depois que meu vira-lata se foi, é bom ter um certo movimento em casa, constante e que forneça algo próximo a uma espécie de segurança ao equilíbrio mental que tento manter em sábados como este, dias em que tudo parece ser um pouco menos do que realmente é. Acredito que seja isto mesmo. Não permitir que eu perceba estar a situação bem pior do que venho imaginando, eis o papel de titia em minha vida.
Que continue a dormir, então. É quase noite e já tive minha cota de realismo fantástico por hoje. Nada mais de rezadeiras aos quarenta e seis do segundo tempo, nem de beijos salivosos enquanto o cão fica alucinado com a gritaria e começa a esfregar-se em minha perna com cara de quem acabou de sair duma cirurgia plástica. Quero mais é arriar as calças e fazer chover. O cachorro, titia? Sim, sim, foi dar um passeio com Seu Douglas, o zelador, já deve estar voltando, daqui a pouco está por aí novamente, feliz da vida, mordendo o pé da mesa e arrastando o saco pelo chão frio. Não se preocupe, titia, está tudo bem, vá dormir. Não dizem que cachorro sempre volta pra casa do dono? Ou são os gatos que voltam? Percebe a diferença? Nem eu, nem ela. No fim, dá no mesmo e acabo dando um gato de presente pra titia. Certo que a embocadura é um tanto menor e o que latia era desdentado, mas hei de arrumar um jeito para que as coisas fluam naturais e titia há de aprender a ronronar seus prazeres, tão bem quanto os rosnava. Tomara que o cachorro volte, novatos são sempre um problema. Um dia a menos não deve ter a importância toda que lhe atribuem e, sem querer, na toada de uma bisca em vias de lordose crônica que lhe apavora a cauda e faz cantar o serelepe, termina por adiar um pouco mais a hora e esticar as patas rumo ao sul estreito. Eu me martirizar assim e por causa disso, é que não vou. De irracionalidade e chapa quente muitos morrem no comboio da madrugada, não seria uma fechadura trancada que impediria o cajado de cair na cabeça de alguém. Se pisou no asfalto e se mandou, não tenho nada a ver com isso. A velha, coitada, que se entenda com as ratazanas do vizinho. Já tenho muito com o que me preocupar, fique sabendo. Acabaram de me bipar lá da operadora, não se esqueça de, por favor, pagar em dia e dinheiro sua fatura que vence no dezoito próximo, evitando futuras complicações, vez passadas de acordo com o histórico de sua conta conosco. Quinhentos e cinqüenta e nove paus de celular foi o valor da lascívia deste mês. As brincadeiras estão começando a ficar caras demais para quem ainda tem de encher as bexigas da festa. Mas, com a contaminação que o ar desta casa vem sofrendo, sentar e escrever são duas palavras que, juntas, não hesitam em misturar barbitúricos com aguardente e logo se excitam com a probabilidade dos urros e uivos que vêm da sala convidarem um nome da caderneta vermelha para um mamãe-eu-quero dos sacode. Assim, não há sangue que sobre para que os dedos fiquem rijos e a narrativa flua gostosa. Nem vale a pena relembrar o quanto já me estrepei por conta da pendenga, abrindo mão da genialidade enfim reconhecida por um punhado de sinais de ocupado ou pedidos de desculpa ofegantes. O resultado dispensa a reiteração do óbvio: debilitado, só me restam forças para uma maior angulação das pernas e um assobio dengoso. Ao tempo em que limpam o trabalho sujo, fico divagando sobre as idéias para contos perdidas por entre gemidos e as excreções literárias que defecava nos intervalos das ejaculações. É esse o presente da literatura, exatamente como nós a desconhecemos. Titia que o diga, coitada, de olhos no futuro. É uma santa e nem se dá conta disso. Numa hora dessas, já deve estar toda encharcada, disputando a bola com três zagueiros baianos. Ainda escrevo sobre ela. O difícil será arrumar um assunto a respeito do qual tratar e calmaria para fazê-lo. Titia me parece ser bastante fuzarqueira e, fecundação, ali, desocupou o imóvel faz tempo. Ando muito desconfiando, ultimamente, das coisas que me fazem pensar de certa maneira. Acho que sou retardado. Não tenho uma história e desaprendi a escrever. Não sei porque ainda perco meu tempo tentando. Antes estivesse no quarto, batendo uma bela duma punheta pra qualquer putinha de novela. O que me atordoa é que já fiz isso, coisa de hora e meia atrás. Portanto, não me resta opção. É isso aí mesmo. Não há opção. Sem história, não sei escrever e com a cueca suja de porra seca. Isso que é não ter mais nada para fazer na vida, ser escritor. Escritor... escritor é o caralho. Quero mais é virar publicitário, eleger presidente e encher o cu de grana.
Tenho de economizar nas conversas por telefone. Falar menos e foder mais, sabe como é. Continuar nessa de passar o dia tomando um não dá mensagem abaixo, aquele papo nasalado de me erra, garoto, vê se me erra, enquanto me estico um pouco para coçar o rabo suado de ficar sentado no sofá limpando o umbigo, já está deprimindo a paisagem. Pensar no trabalho que tive para completar essa lista. Anotava tudo quanto era combinação de números que conseguisse fazer com o que a sacana articulasse depois de alguns minutos de declamações ao pé do ouvido. Geralmente, as dúvidas que me impediam de concluir a elaboração de sua ficha na caderneta eram tiradas logo em seguida, ao tempo em que enfiava besteiras em sua cabeça e chupava gelo redondo com chiclete durinho, para, daí então, nunca mais. Outro truque que aprendi nas redações, ao contrário do que imaginavam as focas, doidas que estavam para que alguém as amestrasse num pau-de-arara. E assim vou levando. Nego-me a reconhecer que minto quando digo não fazer idéia do porquê do quadro ter se revertido. Bem mais simples seria provocar a confissão como se fosse em prol do prazer do detrator, como fazia. É o que digo, qualquer um fica mareado do alto de uma construção dessas. Se parasse com a embromação, talvez minha cama estivesse mais atulhada de gente e cheirando a peixe com sol na nuca. Não preciso que me toquem num dos ombros, sei reconhecer quando cada palavra está necessitando de uma entonação específica e o caldo engrossa antes do tempo. Hora da pílula cantante. Tenho de me recompor se quiser dar seguimento à dança. Tomei. Minha caderneta vermelha. Após as perguntas, os dados todos iam parar lá. Basicamente nome, telefone e o período da menstruação de cada uma, quero me salpicar todo com o bafo quente do teu paquete - será que agora entendem de onde as bailarinas saem? A conveniência ditava as regras e, como disse, dúvidas nunca mais. Não me importava com os traumas da infância nas mãos dos vizinhos que carregavam entre as pernas, nem com o que as vizinhas falassem do movimento; um ruído e enchia a boca delas também, lambendo os beiços. Só me esforçava para que acreditassem no que lhes dizia o momento, teso que nem pedra. Memórias de uma mulher quase sempre desagradam, tem de socar bem forte para que permaneçam lá no fundo e não violem nenhuma regra de conduta. Foi quando titia chegou com o poodle e me deparei com o outro lado da força. De repente, quarto vazio, tornou-se mais cômodo trocar pequenos mimos por favores especiais a ter de gastar com motel ou convencer que valeria demais a pena se ela gastasse e acabei relaxando. Certa vez, quando mais moço, saí com a puta que ficava ao lado de minha janela, aqui na esquina de casa. Devia ter seus trinta e cinco ou sete anos e me chamou de gostoso quando passei por sua frente. Parei, ela deu dois passos e pegou no meu pau. Fiquei apaixonado e viemos pra cá. Ela se casaria comigo, contanto que eu pagasse adiantado. Paguei e, nos quarenta e cinco minutos seguintes, fiquei planejando os detalhes da cerimônia. Ao perguntar o que ela achava, disse, desabotoando minhas calças, que já era casada, masturbou-me e, serviço feito, foi procurar um ponto novo. Quase um conto de fadas, não tivesse me sentido um pouco indisposto por ter lambuzado de esperma a mão da única pessoa que conhecera que realmente fazia sentido no meio de tanta aberração marginal por aí. No entanto, dos tais pequenos mimos não reclamava até o dia em que o cão mordeu doído e saiu correndo pela porta. Hoje. E me abandonou nesta modorra. Sem quarto, nem cachorro, a derrocada de um homem não tarda em chegar. Tenho de economizar. Mas é quase impossível resistir ao apelo de um mistério por se revelar e a possibilidade que me avoluma, uma questão de sobrevivência no meio em voga. Vamos ver, então. Alice... é daquelas que quase vomitam, tamanho é o gosto que tem por um cacete na goela, essas coisas de encarar a morte de perto enquanto treina para ser maratonista. Uma vez me disse que sonhava em ser triatleta e a convidei para ir ao cinema. Não apareceu e, ingressos comprados, entrei sozinho. O dela, troquei por jujubas. Não posso dizer que me incomodei com o fato de todos estarem acompanhados, o som das cadeiras rangendo até me agradava, trilha sonora em harmonia com as cenas de ação. O problema foi o sujeito ao lado ter me apalpado para aliviar a dor. O lanterna disse que nada podia fazer, relaxei e acendi um cigarro. Era proibido fumar, a bichinha começou a se contorcer e gemia por socorro. Não me restou opção, senão validar a impressão e apagar o cigarro em seu rabo, indo embora sob o protesto de seus companheiros, que me ameaçavam com giletes e preservativos por eles empanturrados. Alice nunca ligou. Acabei descobrindo que, de tanta seiva, petrificou e parou de correr. Soraia, menstruada. Escritor bom, para ela, tinha de escrever sobre a miséria bucólica de pequenas cidades de países sul-americanos ou duendes que fabricam suas próprias calças a partir do resto que sobrou do almoço. Talvez, Jaqueline... vem cá meu tuiuiú, ao que lhe indaguei meu o quê, mulher? Ela. Meu tuiuiú, meu tuiuiúzinho, nunca viu um tuiuiú, não? Eu. Não. Ela. É aquela ave do pantanal, que tem um papão enorme, que, quando dois machos brigam, infla, fica que nem uma bolsa escrotal bem grandona e aquele bicão no meio e eu aqui, com meu tuiuiúzinho. Jaqueline tinha essa mania de ler revistas científicas e assistir a documentários, destacar os assuntos que mais lhe interessavam e colocá-los no cotidiano do dia seguinte, na cama principalmente. Quinhentos e cinqüenta e nove reais. Dá quase pra enrabar apresentadora de televisão com essa grana. Dizem que pagar por sexo tem suas vantagens, como se fossem dois os comandos do corpo de uma mulher. Profere um, a devassidão solta o verbo e envergonha até seminarista. Profere o outro e ela simplesmente cala a boca, meu estilo preferido. Cansei de orgasmo ultra-realista-high-techno-pop. O bom e velho rasga as costas com os dentes cravados na orelha deve ter seu valor ainda preservado na tabela de uma profissional. Nada de divagações a respeito de intrigas familiares ou do preço do açúcar. Uma transa crua e mormacenta, sem cremes hidratantes, posições que dão nó na coluna ou preliminares. A imagem do meu esperma naquela mão não deveria ser um bloqueio. Amanhã, sabe deus, sou castrado, e aí? Vai doer o acumulado pro resto da vida. Não entendo o porquê de querer ser santo numa hora dessas, se até com carola no pé do altar eu já buli. Vamos parar com essa frescura, então. Ela brinca comigo e, caso eu queira dar uma de doido, sai mais barato do que deitar num divã e discutir futebol com o psicanalista. Simples assim. Pagou, levou. Quantas putas não foram dilaceradas nos clássicos? Nem quero tanto. Sorrindo pra mim, já ganho o dia. Como, despacho, viro pro lado e durmo. Eis a fórmula da satisfação. Era o que o cachorro proporcionava à titia, nada mais do que uma relação saudável em que as partes se entendiam sem pronunciar uma só palavra. Não existia um coitado, nem um pobrezinho, as vítimas todas da história ficavam do outro lado da tv. Exploração seria se ela enfiasse o dedo no bicho; ainda assim, sem ele querer. Acho que devo uma à titia. As pessoas têm uma certa necessidade de escolherem alguém à margem da sociedade que lhes sirva, por uma cesta básica ao mês ou duas páginas numa revista, de consolo para a degradação moral em que acreditam estar, um cordeiro imolado que todos redimiria perante os olhos de seu deus ou do público, todo poderoso. E ai de quem não participe do espetáculo. Titia não participou, não ativamente, e deu no dado. Isolado aqui e sem perspectiva nenhuma, senão abanar o rabo em troca de afagos e gratificações, não me aguarda outro destino. Cansei de ser mais um fracassado, ficar mendigando uma chance para quem só quer me enrabar, acenando para a platéia. Que se dane a ajuda de custo que os imbecis dos primos dão; que comecem a dar coisas mais folgadas em outro lugar, que titia não precisará mais de gorjetas. Será minha secretária particular. Se é um desventurado que eles querem, para que possam dormir em paz debaixo de suas cobertas de seda emporcalhadas com a cortesia que golfaram nos ouvidos da baixada, terei o maior agrado em lhes saciar a fome de miséria. Amanhã, bem cedinho, tão logo titia nos acorde, penduro a placa na porta de casa. "ALUGA-SE MíRTIRES", assim, errado mesmo, que é para não duvidarem de minhas boas intenções. Ganho eu, ganham eles. Já estou até vendo a turba de prostitutas, mendigos, cobradores e pivetes, fazendo fila para preencherem a ficha de cadastro. Agora, sim, uma assessoria bem feita na vida de um jornalista. Pode ser que dê certo, pode ser que não. O que não poderão dizer é que não tentei, que não fiz minha parte. Mas, também, o que me importa o que digam? Não são eles os bandidos? Pois bem, nem tentar eu vou, então. Espalharei a notícia da inauguração do negócio, colocarei todos os ditos clientes numa lista de espera e, depois, falarei que desisti, assim de repente, nem quis arriscar. Quero ver a expressão de frustração nas caras dos putos, vamos ver o que falarão. Servirá, até mesmo, para que eu avalie se realmente não confiro a mínima importância a tudo o que disse, disseram e dirão a meu respeito. Pronto, está decidido, será um teste! Se bem que, vejamos... já estou sendo testado. E só eu que não sabia. Deixarei a porta aberta, talvez o cachorro volte enquanto assisto a uma partida de futebol.
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Posted by cacoishak at 2:38
8.12.04
aê, moçada, a sabotagem é grátis

"Conhecimento não se compra, se toma!", é o que proclamam. Há a questão dos royalties, mas eles não parecem estar preocupados com isso. E já que está lá, de qualquer jeito, besta de quem não der uma conferida na biblioteca dos caras. Tudo em PDF, obras como Laranja Mecânica, 1984, Fausto, Contos Libertinos, Fahrenheit 451, Copyright e Maremoto, Fup, entre alguns outros tão interessantes quanto, além de firulas da contra-cultura. Está dada a dica.
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Posted by cacoishak at 21:25
CPAPAPPSL

"Meus caros amigos, companheiros e colegas de infortúnio, ou melhor,camaradas escritores (ou pretendentes a), olás!se preparem, porque eu vou ajudar a ajuda, o apoio e o auxílio de vocês!seguinte, eu estou encaminhando a publicação do meu livro de contos.Já faz um tempo que tenho rodado com ele (há anos), mandado paraeditoras, discutido com pessoas, etc e tal, tudo aquilo que nósfazemos (e temos que fazer mesmo) e até aí nada de diferente. mesmoquando fui premiado e publicado no Estadão não adiantou. Alguns amigosnão se conformavam com essa situação e me fizeram uma espécie depressão amigável para conseguir um meio de conseguir a publicação dolivro. Então, fui apresentado para o dono de uma pequena editora daquide são paulo, chamada rgeditora, e vou bancar a publicação. Estou emnegociações, mas o cara é camarada, vai parcelar, fazer váriosesquemas.Para ajudar nos custos, nós bolamos uma idéia a qual chamamos deCartão Literário (e que, eu pessoalmente chamo de Campanha Para Ajudarum Pobre Autor Pobre a Publicar Seu Livro) e que consiste no seguinte:o Wilson Neves, que é um artista plástico, músico, designer eilustrador de livros, pegou dois contos curtos meus, vai fazer umarranjo artístico e vamos publicá-los no formato de cartões (no estilodaqueles que ficam pendurados em arames nos unibancos da vida fazendodivulgação de eventos, etc).Vão ser vendidos a 12 reais e o dinheiro vai ser para custear pelomenos a primeira impressão do livro.Mas o grande Detalhe é o seguinte: o valor do cartão vai ser debitadona compra do livro. Isto é, quem comprar um Cartão, vai terautomaticamente desconto de 12 reais no valor do livro quando lançado.Espero estar com os Cartões prontos no começo do mês que vem, mas odia oficial de lançamento vai ser no dia 15 de DEZEMBRO. Vai ser umevento. Vai ter leitura dramática de contos meus pela Yara Camillo,atriz e diretora de teatro e escritora, e da Fernanda Sposito,(leitura dramática ou dramatização dos textos, sei lá como elas vãoprovavelmente vai ter degustação de cachaça também... Enfim, uma festa\artística em todos os sentidos, no qual espero que todos vcs possam\participar, independente da compra do cartão. O local vai ser na mesma\livraria onde costumo realizar saraus, eles estão me dando a maior\força. Chama-se Livraria da Esquina,(Rua Caetés 489 (esquina rua\Caiubí) (11) 3873.9331 / 0075 - São Paulo / SP)É isso. Mais pra frente, mando os convites mais formalizados, o wilson\vai fazer uns convites legais, e faço a confirmação de tudo. Mas, vcs\já ficam avisados, então.Valeu, pessoas.Bjseabraços\"
CLAUDINEI VIEIRA, meu chapa de capitu.com
vamos dar uma força, aê, pessoas.
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Posted by cacoishak at 13:53
parcelamento em 3x sem juros
"Norte-americana anuncia fantasma de seu pai no site de leilões eBay"
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Posted by cacoishak at 2:18
7.12.04
sem querer querendo
o plano era perfeito, pedroca, só isso que posso dizer. mas tudo bem, deste uma de cascão e fizeste o favor de estragar tudo, tens de estudar pro teu NEF na quinta. depois, o CHATO sou eu. era só levar a coisa por mais alguns dias, que o clima ia ficar carregado, todo mundo tenso tomando lexotan. isso aí, meninos, não se preocupem. não passou de uma brincadeirinha, podem voltar pra televisão. depois, não digam que não tentei. fiz o possível pra sacudir as coisas nesta cidade. não deu. pelo menos, valeu o dia de anarquia. voltemos, então, a nossa programação normal.
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Posted by cacoishak at 14:16
the new york times vs. googlezon

a paranóia dá a liga peso, mas é aquela coisa de doido na rua que te pára e fala um non-sense qualquer... alguma verdade existe ali... enquanto o mundo for mundo, há de sempre ter uma teoria de conspiração atrapalhando os quinze primeiros minutos do sono... no caso desta, dá até pra se levar a sério... epic, 2014.
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Posted by cacoishak at 1:35
é o que acontece com estudantes de direito
"VEJAM O QUE EU FIZ NA FACULDADE !!!!!!!!!!!!!!!!!! 11/24/2004 4:53 PMUm dia desses estava viajando na aula de Direito Romano quando de repente me deu vontade de fazer algo engraçado. Após imaginar algumas alternativas, pensei em fazer cocô em algum recipiente e deixá-lo exposto no corredor da faculdade...Fui então ao banheiro e olhei todas as privadas. Ao lado de uma delas encontrei um pano de chão, um balde com um pouco de água sanitária e um par de luvas amarelas (daquelas usadas pelos trabalhadores da limpeza). Não tive dúvida: joguei a água sanitária na privada e defequei no balde. Ocorreu que, enquanto eu cagava, tive uma idéia sinistra:"- E se eu desse um jeito de jogar cocô na cara de algumas pessoas? Seria realmente engraçado!"Comecei a pensar em como fazer isso de forma anônima. Cogitei, então, tirar a camisa, colocá-la sobre a cabeça (como um ninja) e partir para a empreitada. Foi o que eu fiz. Cheguei na porta da minha turma como um ninja bizarro - com as luvas, o meu barrigão à mostra e o balde na mão esquerda. Sem que ninguém descobrisse a minha identidade, peguei pedaços do meu cocô com a mão direita e joguei na cara de algumas pessoas que estava sentadas nas primeiras fileiras. Tomei o cuidado de não jogar em nenhum colega (para não ficar com a consciência pesada). Como eu tinha sido reprovado nessa cadeira e estava pagando-a pela segunda vez, conhecia pouca gente da turma. Então, joguei merda só em pessoas com quem eu nunca tinha conversado.Nesse momento, como era de se esperar, todos ficaram perplexos! Os que foram atingidos pela merda pareciam não acreditar no que estava acontecendo. Os demais, imagino, ficaram por alguns instantes sem saber o que eu tinha jogado.Imediatamente após a empreitada saí correndo da sala de aula. Devido à imensa perplexidade do pessoal, demorou um pouco até que alguns tivessem a iniciativa de correr atrás de mim. Além disso, a sala era próxima ao saguão de entrada da faculdade. Com isso, consegui chegar à rua e, sem que ninguém me visse, pulei o muro baixinho de uma casa, em cujo quintal me escondi. Cerca de 15 minutos após o ocorrido, notei que haviam desistido de procurar o "infrator". Nesse momento, já sem as luvas (que ficaram no quintal da casa) e vestindo normalmente a camisa, saí pelo portão (que não tinha cadeado) e voltei à faculdade. Quando cheguei, o saguão de entrada estava lotado. Os alunos estavam em polvorosa. Então, com a maior cara-de-pau, cheguei a alguns amigos e disse: "- Pois é... não conseguimos encontrar aquele doido". Sem levantar suspeitas, fiquei conversando com eles normalmente. Descobri que logo as turmas tinham sido avisadas do ocorrido e as aulas tinham sido encerradas.Algum tempo depois chegou a polícia, que juntou as provas e buscou o "meliante" pelas redondezas da faculdade.A repercussão acabou sendo maior do que eu imaginava, pois até a televisão e o jornal local noticiaram o fatídico acontecimento!Já faz cerca de um ano que isso aconteceu. No início fiquei com medo de que algum eventual exame de impressões digitais no interior da luva viesse a me identificar. Mas como até agora não aconteceu, estou mais tranqüilo.A minha empreitada acabou virando uma espécie de lenda. Freqüentemente o pessoal comenta sobre o acontecido. Várias teorias esdrúxulas já foram levantadas! Eu tenho que me segurar para não rir quando converso sobre isso! Só quem sabe que eu fui o autor dessa "merda" toda é a minha namorada e o meu melhor amigo. Quem sabe um dia, quando eu estiver velho, resolva contar também para os meus futuros netos?Valeu, amigos! Obrigado por lerem meu depoimento!"
Pra quem tem Orkut, aqui ó.
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Posted by cacoishak at 1:10
6.12.04
carabina armada
Realmente não queria que a coisa tomasse tamanha proporção, o cara era amigo meu e até que tem um blog legalzinho, mas, já que o barraco se tornou público, não vejo razão para que fique detido em comentários. Se é guerra o que ele quer, guerra terá. Tudo começou com esse post, sobre o qual fiz o favor de comentar. Meu comentário, a resposta dele e minha tréplica, abaixo. Aguardo seu próximo movimento.
"No decorrer da vida acadêmica nos sujeitamos à todo tipo de coisa, desde o escravagismo dos estágios obrigatórios ao acumulo de horas extracurriculares em palestras devidamente dormidas"...
FALA SÉRIO, PEDROCA!!! Minha monografia foi toda copiada da internet, a papelada do estágio obrigatório foi marmelada que arrumei com a mãe de um amigo meu - advogada - e as horas extracurriculares... pagar uma nota pra dormir? Tem uma maravilha aí na praça chamada xerox a laser.. com uma dessas e bons amigos, tu consegues cópias fidedignas que enrolam qualquer um, porra!
Hoje, quase um ano após ter me formado no curso de direito, passado no exame da ordem - de primeira - e os caralho, vou me dando bem como JORNALISTA.
quero mais é que, como diziamos nos tempos de escola, o direito se foda e meu pau cresça, já que, como todos nós sabemos, direito de cu é rola.
OLHA Lí, HEIN, RAPí! PROPAGANDA ENGANOSA É CRIME! TRABALHA ISSO QUE O MEU BLOG Jí Tí MELHOR QUE O TEU!
Caco Ishak Homepage 12.05.04 - 9:16 pm #
Caro Caco,
Obrigado pelo discurso emocionado e por desvalorizar o SEU curso, mas eu escolhi um tema de monografia no qual valesse a pena fazer sem burlar o sistema.
Deu trabalho, porém gerou retorno, divertiu, me exaltou e valeu um 10.
Meu estágio paga um computador (o melhor investimento que já fiz) e custeou minha viagem ao Oktoberfest, que aconteceu sob pretexto de um congresso para aumentar minhas horas extracurriculares.
Esses momentos obrigatórios podem ser ruins mas valem a pena.
Não gosto de Direito, mas não é por isso que vou desdizer todo uma faculdade que deu trabalho de cursar, nem todos conseguem passar e vai me gerar retorno financeiro e profissional.
Cada qual com seu cada qual e uma coisa não impede a outra: posso atuar no ramo jurídico e ser jornalista (ou algo na área da comunicação). Esse é meu sonho, essa é minha meta.
E por último, tu escreves muito bem, mas teu blog é chato pacas. Leio porque de vez em quando acho uma sacada genial.
Quando voltar a ter tempo livre melhoro a qualidade do meu blog.
Abraços e obrigado por comentar,
Pedrox NowhereMan Email Homepage 12.06.04 - 1:44 am #
Se preferes empunhar do formalismo... vícios jurídicos, entendo, não o culpo. E já que é assim... vamos nós. Porém...Caro Pedrox,Começo dizendo que é como disse a uma amiga há pouco. Agradecimentos são para mentiras. Verdades não necessitam de protocolos. Mas vou quebrar teu galho e te lembrar que direito ou qualquer outro curso, inclusive JORNALISMO, não vai tirar ninguém da merda. Se a dificuldade for, no mínimo, igual, qualquer outro curso, inclusive JORNALISMO, é menos chato e positivista e escroto que direito. No entanto, acredito na possibilidade de que, além de conseguir ser o desastre que ideologicamente é e ter servido como pano de fundo para inúmeros best-sellers norte-americanos que propiciaram um bom retorno financeiro a seus "criadores", direito também não põe pão na mesa. Eu te garanto que é mais fácil tu arranjares grana com qualquer outra coisa, que não direito. A não ser que tenhas um quem indique, um parente poeta ou coisa que o valha. Essa é a realidade das ruas, meu jovem Pedroca. Antes tivesse feito que nem o Gordinho, o cara que vai transar com minha irmã - respeitemos a formalidade - e nem tivesse realizado a maldita prova da OAB. Na verdade, por mim, nem voltaria na universidade para receber meu diploma. Só o fiz, porque era necessário para a prova. Infelizmente, a vida não é assim tão fácil quanto era na época em que vivia com meus pais e podia sair por aí mostrando as nádegas para um público ávido por confusão. Ando muito ocupado tentando dar condições para que minha filha possa mostrar as dela um dia. Ainda assim, foi um longo e enfadonho percurso tendo de arrumar um jeito, acabando por atacar até de professor de inglês. Teacher, teacher! Bem melhor que o direito, garanto. Menos, por assim dizer, chato. Então, prefiro deixar o legal para os publicitários, que tem de achar um jeito de vender o produto. Não quero vender nada, muito menos minhas idiossincrasias. Quando muito, meu trabalho. Saber de mim, só quando estou vomitando meu refluxo num bar com os amigos ou quando danço o tamanduá africano em bailes de formatura de parente. Viu só, mais uma vez um membro da família se torna o foco da pendenga. Não queria ter chegado a esse ponto, por nossa até então amizade, Pedroca, mas, se é pra ir por esse lado... o que não fazemos por camaradas de longas datas. Então, pronto. Agora, a rixa é pessoal. Pode começar a balançar a mão e cantarolar "ah-ah... bam-bam-bam!". Só mais uma coisa. Duas. Primeiro, não gosto de parágrafos, uma questão de estilo. E pelo que entendi de tua resposta, devo te alertar para que tomes cuidado ou serás mais uma personalidade jurídica que tem "moral" para se aventurar nos jornais. Nada como um Zeno, mas quem sabe... "Valeu um 10", "Esse é meu sonho, essa é minha meta"? Por isso que direito é chato pra caralho. Mas, vá lá, continue assim. Como é mesmo aquele advogado que escreve romance pra editora daqui? Difícil alguém se lembrar de quem ele é. Até que escreve bem, para um advogado. De resto, é puro direito. Cuidado. Bem, por ora é isso. Tenho certeza de que a qualidade de teu blog irá melhorar bastante de hoje em diante, torço por isso. Eu e a torcida do Remo, todinha. Falar nisso... tenta assistir à MTV um pouco, estás precisando. Um pouco de Bonfá te faria bem. E, prometo, uma última coisa: vê se pára de comer porcaria e começa a fumar jambu.
Caco Ishak Homepage 12.06.04 - 6:06 am #
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Posted by cacoishak at 15:11
1.12.04
sob o olhar de ferris?
nunca um primeiro de dezembro fora tão frutífero... talvez por isso não esteja me sentindo bem... minha cabeça dói, o resto do corpo também... acho que estou com febre... putaqueopariu...
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Posted by cacoishak at 22:39
O Sequestro de Pepezinha

Caralho! Cinco anos se passaram desde a primeira edição e, simplesmente, não me dei conta disso. Parabéns atrasado, então, para o finado Macacada (FASHION)! Bons e velhos tempos ao lado de grandes amigos, como o Arouck, editor e idealizador da parada junto comigo, e o Márcio Guerra, chargista oficial do pasquim. Hoje, estão por aí... tem nego até em Portugal, com uma moral do cão, né não, Thiaguito Vianna? Enfim... Hiram Damin, Leo Menescal, Nirson Neto, pra ficar nos que contribuiram mais frequentemente... pra matar as saudades, fica aí o terceiro texto que escrevi pro jornal, na segunda edição, de novembro de 1999. Contava então com 18 aninhos, uma criança praticamente. Mas vale a pena dar uma lida rápida... impressionante o quanto todos nós evoluímos!! Então, lá vai:
Em São Paulo, as notícias de mais uma rebelião na Febem prevaleciam nas manchetes dos jornais. Decerto a pior dos últimos tempos, oferecendo ao público imagens dantescas como a de um espantalho humano em chamas no terraço de um dos pavilhões do recinto. O batalhão de choque da Polícia Militar tentava reverter, em vão, a caótica situação, da qual ela própria fazia parte, enquanto o restante da cidade de concreto se afogava em um mar de violência ainda pior. Era, de fato, uma guerra civil, onde o inimigo em potencial eram a fome, o abandono, o desespero, a ansiedade... ânsia de sobreviver.
Em meio à confusão, Joselino da Silva Santos, 15 anos, preso por ter roubado uma galinha no quintal do vizinho para saciar o apetite de sua família, aproveitara a chance que o Pai havia dado-lhe na fuga de um grupo de detentos, acompanhando os companheiros de cela na aventura, indo à procura de sua mãe e de seus dois irmãos, dos quais não recebia notícias havia um bom tempo. Estava, enfim, solto no mundo e toda uma longa estrada estava a sua espera.
Neste mesmo período, desembarcava, no aeroporto de Cumbica, o boeing 140 da VARIG, vindo do Rio de Janeiro, transportando a ilustríssima emergente carioca Vera Loyola, acompanhada de sua não menos ilustre cadela Pepezinha, que vieram à São Paulo para participar do "I Meeting Nacional das Socialites Brasileiras".
Como de costume, Vera estava deslumbrante, envolta em seus apetrechos luminosos, espalhafatosamente chique, tendo Pepezinha, e sua áurea coleira, em seus braços. Por um breve momento, deixou a cadelinha em uma poltrona, para que pudesse ser fotografada com sua bagagem Louis Vuitton por um profissional da revista Caras, e, quando se voltou para o assento, a pequena Pepê não mais lá se encontrava. Em seu lugar, um bilhete notificando o seqüestro de Pepezinha. As Louis Vuitton escorregaram das mãos de Vera. Vera escorregou-se pelo chão...
No dia seguinte, as manchetes dos principais jornais, não somente de São Paulo, como também do Rio de Janeiro e de diversas capitais, noticiavam o cruel seqüestro da infortunada cadelinha. Restava, então, uma mísera coluna, quase que oculta, a respeito da rebelião na Febem de Joselino da Silva Santos.
Enquanto isso, Joselino, após percorrer, a pé, uma infindável distância até sua favela, finalmente deparava-se com a porta de seu barraco. E também com uma placa onde se lia, em letras escritas a giz, "VENDE-SE". Quebrantou a porta e em seu antigo lar somente encontrou solidão. Atordoado, sem encontrar respostas para suas poucas perguntas, decidiu investigar sobre o paradeiro de sua mãe e seus irmãos. Não foi difícil descobrir que seu irmão mais novo morrera havia pouco, devido a uma bala perdida, tempos depois de seu irmão mais velho ter tornado-se um travesti e desaparecer mundo afora. Sua mãe, coitada... esta, também morrera... de desgosto... Joselino estava sozinho nesta vida impiedosa, sem mãe, sem irmão, sem teto... com fome.
Do outro lado da metrópole, em frente ao Palácio do Governador, uma multidão enfurecida e indignada, liderada pelo Comitê Pró-Pêpe, este composto pelas mais caridosas emergentes, tais como Narcisa Tamborindeguy, a pseudo-aristocrata Maria Georgina Pavão de Almeida Machado - ufa! - e a própria Vera Loyola, proferiam, em voz alta, palavras de ordem, para que o governador Covas procurasse fazer justiça, que tomasse uma medida drástica a respeito do acontecimento em questão.
Coagido pelo povo, que mal sabia o que ali fazia, e pelas emergentes, o governador Covas mobilizou, então, a Polícia Militar e a Polícia Civil, para que não descansassem enquanto não achassem a tão bem amada Pepezinha. Fora elaborado todo um minucioso esquema de resgate por parte dos policiais, como nunca antes se vira em São Paulo. Enfim, os pracinhas estavam nas ruas!
E nas ruas, à mercê da sobriedade, estava também Joselino da Silva Santos, às duras penas, tendo a febre como sua coberta e a leptospirose como seu travesseiro. Vagava sem rumo pelas avenidas ao encontrar um grupo de pessoas eufóricas, e pôde escutar da conversa destes algo sobre uma "enorme e milionária moradia, onde todos estavam a habitar de graça". Tal idéia encantou o pobre menino, que resolveu seguir tal grupo àquela profética terra de Canaã. Ao longo do percurso, observou, na vitrine de uma loja, vários aparelhos de televisão com a imagem de uma cachorrinha. Tudo indicava que estavam, desesperadamente, procurando o canino. Joselino, então, seguiu adiante, acompanhando o grupelho.
No gabinete do governador, o rebuliço controlava a situação do seqüestro de Pepezinha. Além do Comitê das emergentes e dos vários jornalistas, ali também encontravam-se Lula, ACM, Ciro Gomes, Garotinho e Brizola, todos prestando solidariedade à inconsolável Vera Loyola. Não podia um repórter se aproximar da socialite, que ao lado dela já debatiam-se os candidatos 2002, buscando um meio de apareceram na TV confortando aquela dócil senhora, massacrada pelas mazelas da vida.
Joselino da Silva Santos, enfim, chegara com o grupinho no tão falado prédio. Do lado de fora, vários cartazes ocupavam as paredes da construção. Em um deles, Joselino pôde ler algo como "Os Sem-Teto comandam o TRT!". Não compreendia ao certo o que se passava, porém, entrou no imenso prédio e por lá ficou perambulando. Ainda estava com fome. Procurava algo para comer, ao encontrar em uma sala onde uns cinco ou seis homens molestavam uma cachorrinha indefesa.
Oh! Era a mesma da televisão! O que fazer agora? O menino Joselino se atormentou com suas dúvidas. Entretanto, ao encarar aqueles olhos de uma profunda melancolia da cadela, decidiu-se por avisar às autoridades sobre o paradeiro da cachorrinha.
No gabinete do governador, o telefone tocou. O silêncio, então, reinou em um clima de suspense barato. Todos se entreolhavam e eram atentamente observados pelos telespectadores do Brasil inteiro, ao vivo, via satélite. Todo o país havia parado graças ao seqüestro de Pepezinha. O ar na sala era tenso.
- Acharam a cachorra! Está na construção do TRT, foram os desgraçados dos Sem-Teto que roubaram a pobrezinha! - brandiu o governador.
Em menos de um minuto, Covas se viu sozinho em sua sala e resolveu também seguir rumo ao TRT. As ruas estavam tomadas pelo povo, todos em uma marcha sincronizada, dispostos a tudo enfrentar, caso necessário fosse, para libertar Pepezinha das garras malignas dos Sem-Teto. Não se via tamanha multidão nas ruas desde a campanha "Diretas Já!". Pouco tempo depois, o prédio do TRT estava cercado. Vera Loyola estava impaciente e nada mais lhe interessava, senão rever sua cadelinha tão amada. Invadiu o edifício e foi seguida por todos. Procuravam em todas as salas, mas não encontravam nada além de mortos de fome esparramados pelos cantos. A correria continuou, até que alguém parou, fazendo com que todos parassem. Vera se espremeu por entre a massa em silêncio e conseguiu ver o que todos viam, pasmados.
A cabecinha de Pepezinha, nesse tempo sem a coleira de ouro, estava sendo disputada por três ratazanas. O restante do corpo... bem, este estava ao fogo, sendo assado, um churrasquinho de primeira categoria! Vera, há muito, estava no chão.
Os Sem-Teto ficaram sem reação ante tanta gente e acabaram por ser quase que linchados pela multidão, porém, um dos seqüestradores conseguiu algo exclamar:
- Pelamordideus, meu! Deixa nóis falar! Nóis fomo mandado pra sequestrar o bicho! Nóis não tem culpa não! O mandante é o...
A cancerosa massa mal esperou que o Sem-Teto se esclarecesse. Tão logo pronunciou o nome do verdadeiro vilão e o motivo pelo qual havia armado o seqüestro, foi brutalmente aniquilado pela cólera coletiva. Foram, então, em busca do seqüestrador-mor.
* * *
Próximo ao Distrito Federal, uma tropa de dois mil homens da PM de Minas Gerais, comandadas pelo governador Itamar Franco, marchava rumo à Brasília, dispostos a tomar o poder e instaurar a ditadura do Topete Mineiro. Itamar era só sorrisos, falhando em sua tentativa de reprimir a ansiedade.
- Nossa Senhora! Esse trem tá bom demais da conta! Tá tudo dando tão certinho, que eu nem acredito! í”, me dá um pão-de-queijo, aí! Vamos comemorar, minha gente! Enquanto os bobão tão lá, preocupados com a cadela da Loyola, nós tamo aqui, indo pra Brasília dar um chute no traseiro do Fernando Henrique e tomar o poder! - discursava o governador mineiro - Meu plano deu certo, ninguém tá nem desconfiando!
Realmente, não havia viva alma que desconfiasse da participação de Itamar no seqüestro de Pepezinha e de suas idéias de invadir a capital brasileira. Todos, salvo raríssimas exceções, estavam então certos disso!
No Planalto Central, o presidente Fernando Henrique Cardoso se encontrava em um estado de puro desespero, após ter recebido as notícias de que Itamar Franco e sua tropa estavam a caminho de Brasília. Convocou o Exército para que este defendesse a Soberania Nacional, entretanto, não apenas o exército, mas as Forças Armadas como um todo, recusaram-se a obedecer as ordens do presidente, entrando em greve devido aos baixos salários e ao corte em seu orçamento por parte do Estado.
Fernando Henrique não acreditava que tal situação pudesse estar, de fato, acontecendo. Era de um surrealismo berrante, não podia ser verdade! O que estaria acontecendo neste país, meu Deus? Que um governador às margens da loucura trame o seqüestro da cachorra de uma emergente em um país sensacionalista por natureza, para que possa, então, instaurar uma ditadura, pode até ser concebível! Agora, o Exército entrar em greve? Tenha a santa paciência! Fernando Henrique estava só, não poderia contar com o auxílio de ninguém, já que todos estavam em São Paulo. Não havia outra escolha, senão esperar pelo pior. Chamou por Dona Ruth e os dois ficaram acompanhando os telejornais, apreensivos, com uma bacia de pipocas nas mãos.
Na marcha rumo ao Planalto, Itamar era de uma tranqüilidade inabalável, empanturrando-se de pão-de-queijo e tomando uma cachacinha de vez em quando, apenas para esquentar o clima um pouco. Restavam alguns quilômetros para que, finalmente, a tropa chegasse em Brasília, quando, do alto dos céus, surgiu uma voz em meio a um som estranho, como que de trovões:
- Itamar Franco, pare com esta farsa agora ou se arrependerá!
Devido aos goles de cachaça, Itamar, a princípio, imaginou que pudesse ser Deus lhe falando. Enfim, descobriu que a voz vinha de um helicóptero do Governo do Estado de São Paulo. Seus poros dilataram e sua testa começou a suar. Pensou em ignorar o helicóptero e seguir em frente, quando um dos seus subordinados veio correndo em sua direção para avisar-lhe sobre a multidão que estava a cercar a tropa por todos os lados e que, em breve, estariam ali. As pernas do governador golpista tremiam e não mais haviam pão-de-queijo, o que aumentava o pânico de Itamar.
Logo chegaram mais alguns helicópteros, inclusive os dos telejornais, que transmitiam o campo de batalha para todo o Brasil. A massa injuriada estava, então, há uns poucos metros e não havia o que se fazer, senão atacar. E assim fora feito.
Era uma luta razoavelmente justa, já que ambos os lados não possuíam as mínimas condições de combate. O povo brasileiro acompanhava atônito tal espetáculo, elevando a audiência das emissoras a níveis nunca antes alcançados na história da televisão tupiniquim. As câmeras todas focalizavam o governador das Minas Gerais, no centro da confusão, protegido por seus soldados.
Eis então que surge do meio da multidão, conseguindo passar pelos guardas do governador mineiro e, por fim, agarrando-se ao pescoço de Itamar, o menino Joselino da Silva Santos, que inicia uma batalha individual contra o mineiro, desfechando-lhe arranhões, puxões de orelha, mordidas e sacolejos. As câmeras filmavam tudo, inclusive o exato momento em que a guerra entre as multidões cessou.
Todos se voltaram para aquela cena um tanto deprimente, ao mesmo tempo cômica. Um moleque de rua no cangote do governador das Minas Gerais, Itamar Franco, estando ambos a observar, constrangidos, um topete estirado no chão. Sim, era o do governador. E sim, era, na verdade, uma peruca.
A raiva se transformou, então, em ironia. Todos gargalhavam e contavam anedotas sobre a careca de Itamar, não apenas os que estavam a seu redor, como também os telespectadores de todo o país, inclusive Fernando Henrique, que quase se molhava de tanto rir. A tropa da PM mineira se retirou, indignada, sendo alvo de chacotas do povo, humilhada pelo fato de ter aquele símbolo da decadência moral como seu líder. O constrangimento era tamanho, que o povo preferiu esquecer Itamar Franco e deixá-lo viver com sua vergonha. De fato, desde então, nunca mais ouviu-se falar no ex-governador de Minas Gerais. A paz, enfim, voltou a reinar nos Estados Unidos do Brasil.
Já de volta ao Rio de Janeiro, Vera Loyola, totalmente recuperada da traumática perda de Pepezinha, desfilava pelas festas da sociedade carioca com seu mais novo bichinho de estimação, Linozinho:
- Querida, ele é ótimo! É obediente, não late, não faz xixi nos tapetes, é perfeito! Fui obrigada a mudar seu nome, obviamente! Já imaginou sair nas revistas que eu dei uma festa de aniversário para o Joselino!? É muito brega, você não acha, querida?
E assim se deu a história de Joselino da Silva Santos, que, graças a seus heróicos atos, pôde optar entre continuar vivendo nas ruas ou ser adotado como o cãozinho de uma abençoada senhora, emergente carioca. Ora, o que você escolheria?
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Posted by cacoishak at 22:19
#53
corria intrépido pelas alamedas de Arruânia
em busca de um covil perfeito
não se foram
nem se protuberanciaram
diante de olhos que lhes aterravam
eram normais e adversos às tendências influentes
acobertaram-me em calmarias di-vagantes
e chafurdei com olinah
agora
resigno-me a sentir o odor
das vaginuladas
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Posted by cacoishak at 22:05
Aluga-se Mártires - o conto de um trecho
"Que continue a dormir, então. É quase noite e já tive minha cota de realismo fantástico por hoje. Nada mais de rezadeiras aos quarenta e seis do segundo tempo, nem de beijos salivosos enquanto o cão fica alucinado com a gritaria e começa a esfregar-se em minha perna com cara de quem acabou de sair duma cirurgia plástica. Quero mais é arriar as calças e fazer chover. O cachorro, titia? Sim, sim, foi dar um passeio com Seu Douglas, o zelador, já deve estar voltando, daqui a pouco está por aí novamente, feliz da vida, mordendo o pé da mesa e arrastando o saco pelo chão frio. Não se preocupe, titia, está tudo bem, vá dormir. Não dizem que cachorro sempre volta pra casa do dono? Ou são os gatos que voltam? Percebe a diferença? Nem eu, nem ela. No fim, dá no mesmo e acabo dando um gato de presente pra titia. Certo que a embocadura é um tanto menor e o que latia era desdentado, mas hei de arrumar um jeito para que as coisas fluam naturais e titia há de aprender a ronronar seus prazeres, tão bem quanto os rosnava. Tomara que o cachorro volte".
em breve, nas melhores livrarias.
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Posted by cacoishak at 21:49
e aê, cuméquifica?
- a música fala da...
- calma, calma! um, dois, três, lá vai!
- a música fala...
- não a música, mas o cenário brasileiro atual.
- não, a música megalo-manos...
- é uma pergunta ampla.
- a música megalo-manos fala da diferença que tem entre gente muito rica e gente muito pobre, ostentando enquanto tem gente muito mais fodida. é disso que fala a música, vem... uma...
- vamo, vamo, vamos fazer o seguinte: inserindo o rock nacional...
- oi?
- inserindo a pergunta no contexto do rock nacional…
- hã?
-… continua a mesma.
- uai, cara, o rock nacional…
- cê entendeu? é assim: megalomania. cê tem uma música que se chama, claro, megalo-manos. tudo bem. agora, monotonia no rock nacional. há megalômanos quando há a monotonia. é aquela questão...
- eu acho o seguinte...
- vocês são megalomania. quem está aqui são megalômanos...
- o rock nacional...
- têm essa visão, assim "ah, esses caras aqui, até que enfim, pelo amor de deus"...
- o rock nacional... eu acho que o que há de monotonia no rock nacional eu tô fora, nem curto. acho que o rock nacional tem muita coisa boa e que, talvez, não esteja aparecendo tanto aí, mas daqui a pouco a galera tá toda conhecendo..
- por que não toca?
- ah, porque pra tocar em rádio grande tem que pagar e a galera não tem grana, tem que entrar com uma empresa que banque...
- e esse povo aqui?
- cara, acho que é o interesse de ouvir um rock legal, diferente...
- tá certo.
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Posted by cacoishak at 18:21
papo de mocinha na zuna
lá em casa, o homem do casal é a juliana. de quando em quando eu até que dou uma de "o macho da situação", mas quase nunca dá certo. pago as contas direitinho, troco as lâmpadas, abro compotas com certo suadouro - mas abro - e sei peidar que é uma maravilha. matar os bichinhos que nos fazem visitas regulares que é um problema. não guardo maiores conflitos quando o assunto é cobra, jacaré ou avestruz. taco paulada sem medo. se for preciso, agarro e mato com os dentes. meus traumas são outros. fora filmes de "terror" aos quais assistia quando criança, passei por maus bocados na infância. menino criado em terras vitorianas que fui, ao aportar por aqui já me cagava de medo dos bichos, mamãe, que vinham me picar. passado tempo suficiente para o hábito, até fiz amizades tenras com lagartixas e um louva-a-deus. não contava com o ataque que sofreria dali a um tempo. eram dezenas, quiçá centenas de baratas subindo por minhas pernas, alcançando as costas e dizendo um zumbidor oi nos ouvidos. traumatizei. se tiver mais de seis patas, boto minhas duas pra funcionar. ontem não foi diferente. uma aranha ENORME no chão da cozinha. grande mesmo, cabeluda e afoita. já estava longe quando me veio à cabeça a imagem da aranha lambendo a testa da malu. não me era permitido deixar que aquilo acontecesse. uma chinela. não encontrei. o tamanco da juliana havia de servir. aproximei-me da criatura, levantei o braço e ela deu alguns passos adiante. o tamanco já não mais me parecia uma boa idéia. fui à área de serviço, e me muni de um rodo. acabaria com a desgraçada em dois tempos e, melhor ainda, com certa distância. mirei bem no meio dos sei lá quantos olhos da aranha e desci o pau. não passou nem perto. mais uma tentativa e mais uma, até que na quarta consegui algum êxito. uma perna já tinha embarcado rumo ao inferno. faltavam apenas sete. quando mandei os pudores às favas e lancei mão de todos os artifícios a minha volta. um botijão d´água e três cocos, tudo rolando pra cima do temível monstro. de nada adiantou. a maldita perdera somente mais uma perna e continuava apavorante. até que foi encostar-se a uma parede sem quina, eu já ofegante. era minha chance. não podia falhar e, num golpe de mestre, virei o rodo ao contrário e o arrastei pelo chão, indo de encontro com a aranha. esmaguei a filha-da-puta uma, duas, três, quatro, cinco vezes. e distendi um músculo da coxa. dei uma conferida pra ver se ela estava realmente morta. pelo visto, estava. saí mancando, guardei o rodo e dei um beijo em minha filha. foi uma luta honrada, devo lhes dizer. fui um verdadeiro cavaleiro, um lorde inglês defendendo sua morada ao derrotar o terrível dragão. e a juliana nem precisou me ajudar. dormia que nem um anjo. ela se orgulharia disso, tenho certeza. precisamos urgente de uma dedetização.
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Posted by cacoishak at 15:47

