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29.10.04
- a... a... nietzsche! - god bless you...
§296
"A reputação firmada era outrora uma questão de extrema utilidade: e onde quer que a sociedade seja dominada pelo instinto de rebanho, ainda agora, para todo indivíduo, o mais conveniente é dar seu caráter e sua ocupação como inalteráveis - mesmo se no fundo não o são. ‘Pode-se contar com ele, ele pemanece igual a si mesmo' - tal é, em todas as situações perigosas da sociedade, o elogio que tem a maior significação. A sociedade sente com satisfação que tem um instrumento de confiança, pronto a todo tempo, na virtude deste, na ambição daquele, na meditação e na paixão do terceiro - ela honra essa natureza de instrumento, esse permanecer-fiel-a-si-mesmo, essa imutabilidade de pontos de vista, esforços, e até mesmo de vícios, com suas honras mais altas. Uma tal estimativa, que por toda parte floresce e floresceu ao mesmo tempo que a eticidade de costume, educa ‘caracteres' e atribui a todo mudar, reaprender, tranformar-se, uma má reputação. E isto, em todo caso, por maior que seja de resto a vantagem dessa maneira de pensar, é, para o conhecimento, a mais perniciosa de todas as espécies de juízo geral - pois precisamente a boa vontade do conhecedor em declarar-se a todo tempo, sem esmorecimento, contra a opinião que teve até agora e em geral ser desconfiado em relação a tudo o que em nós quer firmar-se - é aqui condenada e adquire má reputação. A intenção do conhecedor, estando em contradição com a ‘reputação firmada', passa por desonrosa, enquanto a petrificação dos pontos de vista fica com toda a honra para si - sob o anátema de tal valoração temos ainda hoje de viver! Como é difícil viver, quando se sente o juízo de muitos milênios contra si e em torno de si! É provável que por muitos milênios o conhecimento esteve impregnado de má consciência e que muito desprezo próprio e secreta miséria há de ter entrado na história dos maiores espíritos".
(Friedrich Wilhelm Nietzsche - Livro IV, A Gaia Ciência)
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Posted by cacoishak at 29.10.04 14:56