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31.10.04
moda retrô
É, acabou acontecendo o pior das duas possibilidades. Mas, como disse o avô materno da Malu - de longe, a pessoa mais lúcida naquela casa -, a luta continua. Que, da próxima vez, arrumemos um meia-boca melhorzinho, então. E que o diabo carregue o remorso convosco.
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Posted by cacoishak at 23:59
30.10.04
marley my ass... WDW at ´em!
Ningu�m merece um poodle obeso no calcanhar. Ningu�m merece donos de poodles obesos que n�o fazem nada enquanto seus filhinhos avan�am contra calcanhares alheios. Ningu�m merece o fato de n�o poder chegar perto de sua pr�pria filha porque, sen�o, um maldito de um poodle obeso avan�a contra seu calcanhar e rasga suas roupas, enquanto os malditos donos do quase cachorro n�o fazem nada. Ningu�m merece que os donos do maldito poodle obeso sejam a m�e de sua filha e a m�e dela. Ovelhas j� voam. Para poodles obesos aprenderem a t�cnica, � s� uma quest�o de boa vontade e um empurr�ozinho janela afora.
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Posted by cacoishak at 19:44
29.10.04
EXTRA: indústria de sacos de papel comemoram a vitória de Dudu!

Vamos fazer o seguinte. Estou vestindo uma bela camisa de cor amarela. Passei o dia inteiro com ela. Inicialmente, de maneira irônica. Não que eu vá com a cara da Ana Júlia, embora pensasse em votar nela, sim. Concordemos que, se o estupro é inevitável... pelo menos que o estuprador não seja assim, tão dotado. Então, que o voto fosse pra Ana Júlia mesmo, que tem uma mais pequenininha. Mentes que não as poluídas saberiam que estou falando das fichas criminais dos candidatos e não de outra coisa. Então, se dependesse de mim, daria Juju na cabeça. Mas, depois de uma conversa que tive com a Olívia, enfermeira da Malu, mudei de idéia. Sim. Vou votar no Dudu. Com culpa. Que eu sirva de exemplo. Que votem, sim, no Dudu. Mas, como eu, não consigam dormir um dia apenas a partir de domingo. Com o tempo, aviso logo, as coisas só vão piorar. A noite vai virar dia e o dia vai virar noite, profetizo qual Conselheiro. Cobras e lagartos voarão por sobre nossas cabeças e, o que antes era cocô de pombo, vai aconchegar cabeça de mendigo. Preparemo-nos para o autêntico faroeste "caboco", e, se avançar, meto um balaço na fuça de quem seja. Só faz aumentar a culpa, mas agüentarei - agüentaremos - firmes, com bravura. Suportamos uma ditadura de 20 anos, suportamos massacres, suportamos planos mirabolantes. Agüentamos até mesmo o Jader e o Papudinho! Nosso querido candidato, futuro prefeito, vai ser fichinha... nem sentiremos! - pra variar. Vamos "amarelar" Belém, com a "cor do sol do amanhã"! Então, votem no Dudu, mas, por favor, com culpa. E aproveitem. É sua penúltima noite de sono. Mas... se mudarem de idéia também, companheiros amarelinhos, a Ana Julia e o povo - este, mesmo sem ter muita noção disso ou nenhuma - agradecem. Pensem nisso quando acordarem no domingo.
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Posted by cacoishak at 23:48
- a... a... nietzsche! - god bless you...
§296
"A reputação firmada era outrora uma questão de extrema utilidade: e onde quer que a sociedade seja dominada pelo instinto de rebanho, ainda agora, para todo indivíduo, o mais conveniente é dar seu caráter e sua ocupação como inalteráveis - mesmo se no fundo não o são. ‘Pode-se contar com ele, ele pemanece igual a si mesmo' - tal é, em todas as situações perigosas da sociedade, o elogio que tem a maior significação. A sociedade sente com satisfação que tem um instrumento de confiança, pronto a todo tempo, na virtude deste, na ambição daquele, na meditação e na paixão do terceiro - ela honra essa natureza de instrumento, esse permanecer-fiel-a-si-mesmo, essa imutabilidade de pontos de vista, esforços, e até mesmo de vícios, com suas honras mais altas. Uma tal estimativa, que por toda parte floresce e floresceu ao mesmo tempo que a eticidade de costume, educa ‘caracteres' e atribui a todo mudar, reaprender, tranformar-se, uma má reputação. E isto, em todo caso, por maior que seja de resto a vantagem dessa maneira de pensar, é, para o conhecimento, a mais perniciosa de todas as espécies de juízo geral - pois precisamente a boa vontade do conhecedor em declarar-se a todo tempo, sem esmorecimento, contra a opinião que teve até agora e em geral ser desconfiado em relação a tudo o que em nós quer firmar-se - é aqui condenada e adquire má reputação. A intenção do conhecedor, estando em contradição com a ‘reputação firmada', passa por desonrosa, enquanto a petrificação dos pontos de vista fica com toda a honra para si - sob o anátema de tal valoração temos ainda hoje de viver! Como é difícil viver, quando se sente o juízo de muitos milênios contra si e em torno de si! É provável que por muitos milênios o conhecimento esteve impregnado de má consciência e que muito desprezo próprio e secreta miséria há de ter entrado na história dos maiores espíritos".
(Friedrich Wilhelm Nietzsche - Livro IV, A Gaia Ciência)
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Posted by cacoishak at 14:56
mm
"agenda cheia no feriado!
(...)
pra quem assiste TV:- minha incursão no mundo dos roteiros para TV: Especial Círio de Nazaré passa na TV Bandeirantes, no sábado 30/10, de 23h30 às 00h30. Direção do _zen_te boa Daniel Augusto.
(...)
bom descanso!
abs.
Rodrigo Lariú".
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Posted by cacoishak at 10:30
27.10.04
Ponta de Lança -- Dia do Juizo
"O Homem Que Tinha os olhos pretos e vivos no rosto avelhantado, rasgou em dois o seu frágil título de eleitor.
- Espero há sete anos este dia de opinar. E vejo nos jornais os nomes dos candidatos à Câmara. Não posso votar em nenhum nome isolado ou independente. Só nas chapas dos partidos. E para isso prefiro não votar, ser preso, o diabo!
De fato, quem for cardíaco não deve abusar lendo as listas dos candidatos à deputação e ao Conselho que os jornais desfiam por aí. É síncope na certa!
Os invernos que congelaram a democracia prometiam um saneamento melhor nos porões políticos de nossa terra. Ao sopro primaveril das eleições, não houve jacaré de jardim, caranguejeira de morgue ou corvo de cemitério que não tivesse acordado mexendo as patinhas e grasnando efusivamente na direção das urnas livres e honestas de Dezembro.
Em São Paulo, há oitocentos e doze defuntos querendo ressuscitar em trinta e cinco assentos da Câmara Federal. Para o Congresso do Estado deve haver o dobro. Não conheço salafrário de estirpe da múmia sabida que não fosse buscar qualquer sordidez efetiva em que tivesse tomado parte no passado para reclamar o abono eleitoral a seus serviços prestados.
- Eu persegui a liberdade! Eu matei! Eu sempre me curvei! Eu escrevi quilos de asneiras! Eu menti! Eu explorei os consumidores e os operários. Realizei num ano cinco vezes o meu capital! Agora, quero ser deputado!
E a grossa manada de usufrutuários do povo prepara-se para gozar as imunidades da besteira, sacudindo as alvas cabeças enxovalhadas pela habitual servidão, diante do que der e vier. É como se nada tivesse acontecido no panorama convulso do mundo nestes sete anos. É como se não tivesse havido Munique e a batalha de Londres, a invasão da URSS até Stalingrado, o revide de Mac Arthur, El-Almein...Nada. Nada. Nem Teerã, nem Dumbarlon Oacks nem Bretton Woods. É como se o povo não tivesse mostrado a sua força nas montanhas de Atenas como nas ruas de Buenos Aires.
- Eu quero ser deputado! Quero e quero! As urnas de Dezembro não serão evidentemente as urnas sacras destinadas a conter a água lustral dos romanos e sim, a expor a cinza dos filisteus. Urnas funerárias em que o povo é obrigado a decidir entre esqueletos de quatrocentos anos e ratazanas gordas de dez".
Oswald de Andrade ( 20 de outubro de 1945)
.::.
Domingo não tarda a chegar, dia do senhor, deus nos livre dos mortos-vivos. Valeu, dona Lygia Maria.
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Posted by cacoishak at 14:24
26.10.04
Aguardem, senhores
A décima nona edição está a caminho.
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Posted by cacoishak at 16:23
a quatro mãos
From: Programa_de_Pos_Graduacao_em_Filosofia
To: Caco Ishak
Date: Mon, 25 Oct 2004 16:33:27 -0300
Subject: Re: documentos para mestrado
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Ricardo,
Recebemos hoje, dia 25/10, sua documentação.
Está tudo certo.
Atenciosamente,
Sonia / Dina
Secretaria do PPGF
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Posted by cacoishak at 1:20
25.10.04
the new yorker cartoon of the week
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Posted by cacoishak at 1:43
24.10.04
suddenly i felt something weird

"Big Man"
Escultura de silicone, do australiano Ron Mueck. É como o Bina perguntou (foi lá que encontrei a imagem), quem nunca se sentiu assim? Três metros de puro enfado...
Aqui, dá para se ter uma idéia de como o colosso amuado foi feito.
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Posted by cacoishak at 17:17
m8m
Há muito estava com a vontade de publicar esse conto aqui. Hoje me pareceu o dia ideal para fazê-lo. O "Qualquer Cidade" será um dos encontrados no Aluga-se Mártires (sic), sem previsão nenhuma para ser publicado, até porque nem escrito foi ainda. Por enquanto, é um monte de contos pela metade. Começo a escrever um, páro, parto para outro, depois volto para o primeiro, e assim a vida rasteja. Esperando por uma trégua a dois, eu e a palavra.
Por sinal, esse conto foi escrito em... 2000? especialmente para o Concurso Binacional de Contos Brasil - México, promovido pela Cult e por uma revista chicana. Ficou entre os cinco finalistas.
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Posted by cacoishak at 13:46
qualquer cidade
- Deus lhe pague...
Não, não caminho, teimo em subsistir. Aos tropeços, solavancos causados por ondas eletromagnéticas que invadem meu espaço territorial, campo astral - enfim, meu canto da calçada -, sem a delicadeza, ou empatia que seja, de pedir permissão para tanto, empurrando-me como se não passasse de mais um estorvo em suas vidas a impedir-lhes que estejam (delicada questão semântica/idiomática), deslocando-me de meu eixo central, despojando-me de minhas vestimentas, para que, nu, todos possam ver, observar o quão impotente e estéril estou perante a madre vulva futura, próxima convenção, civilidade. Nem complexo de Édipo comparado, tampouco mera fobia.
Ondas eletromagnéticas... a despeito de teorias meta-científicas tercerizadas, não digo como estas, mas há de sempre existir algo aquém de nossos valores para o qual, pensamos, creditam demasiada importância em vão, simplesmente para tentarmos entender o que devem estar os demais transeuntes mancomunando, introspectivos, com seus respectivos egos e ids, certamente fazendo tanto caso de minha nudez quanto faço de suas. Nenhum. Ou pouco, raras exceções. Que me esqueçam em meu centro bambo, suburbano e inconstante, com minha própria existência iniludível, diriam com o léxico em mãos. Eu digo. Eis como lhes retalio. Retalhos de satisfação.
Sim, ele disse, Deus me pague... algum dia, quem sabe? Infelizmente, não levo o menor jeito para ser agiota ou coisa que o valha, azar o meu. Poderia terminar em vantagem, sair com algum lucro no final das contas. Mais provável, entretanto, seria que viesse a tornar-me um outro indigente, contabilizando em ônus a arrecadação fiscal caso resolvesse entregar-me de bolso e alma aos coletivismos panfletários de ambientalistas, humanistas e beneficiários a cada esquina em que dobrasse.
Foram tantas as vezes que fiz a curva e segui em frente, atravessando ruas, subindo escadarias e contornando quarteirões, observando esquivo a movimentação que se dava em minha volta, atencioso voltando-me para o interior de meus órgãos, seu funcionamento e suas funções, suas subdivisões multifaceteadas, sem ter ao certo consciência de onde pretendia chegar com tudo isso, com toda essa andança. Aliás, já ouvi história parecida em outro filme, vários outros. Paciência. A carruagem não pode parar, a caminhada é longa; vão-se os dedos, ficam os anéis; em terra de cego, quem tem olho é solitário. Solhiotário desdenhado. Deus lhe pague - a nós todos que aqui nascemos, crescemos, roubamos, sofremos, apanhamos e matamos, pelos séculos e séculos.
Por mais um dia de agonia para suportar e assistir, pelo rangido dos dentes pela cidade a zunir e pelo grito demente que nos ajuda a fugir, por São Francisco de Holanda que não nos deixa mentir, há de ter em algum lugar uma oportunidade de escapatória real e imediata de nossas vidas de concreto, blindex e aço, desta armadura milimetricamente ajustada em nosso corpo, que nos torna prisioneiros de nós mesmos.
Não obstante, sinto-me vulnerável, como se, a qualquer momento, pudesse aparecer alguém, abordando-me com perguntas irrespondíveis e, não se contentando com minhas dúvidas e pós-questionamentos, viesse a ficar, de forma gradual, impaciente, agressivo, movimentando-se freneticamente de um lado para o outro, rodeando-me e a impedir minha passagem. Tentaria acalmá-lo, o que somente iria deixá-lo ainda mais atordoado. Debalde seriam meus esforços. Chegaria, por fim, o momento em que o possesso começaria a desferir-me uma seqüência de golpes e desacordado eu permaneceria por alguns pares de horas, decerto bastante injuriado, mas nada que o tempo não tratasse de curar. É então que me interrogo sobre o por quê destes medos exteriores que sustento enquanto surge, em contrapartida, dentro de meu próprio íntimo o grande perigo capaz de ruir os alicerces de meu templo, de minha alma. Minha de direito, mesmo que temporariamente alugada.
Os rostos que me perseguem não são rostos cotidianos, não é o simples reflexo que estuda minuciosamente meus traços e manchas todas as manhãs e noites antes de retornar ao terreno torpe porquanto livre de minha cama. Ecos de um oco tilintar se propagam no âmago de meu ser, anunciando a presença de seres, de fantasmas vagando impunemente por entre as paredes dos tecidos internos de meu organismo, alienando-me de meu corpo e do resto do mundo. Não há mais lugar para divagações patrocinadas por gurus de almanaque ou empreiteiros de plantão que dizem respeito às eternas buscas de algo distante anos-luz de nossa realidade e compreensão, devaneios sobre a Atlântida que nunca encontraremos, a utopia nossa de cada dia encarnada nos seriados de televisão.
Não há mais tempo ou espaço para a fuga corriqueira e momentânea da qual nos utilizamos para tão somente convertermos o que vemos e sentimos nas pontes e avenidas em um ambiente tridimensional sintético. Neste sentido, a cidade perdida é para mim uma grande barra gordurosa de chocolate, liberando serotonina em minhas células cada vez que ingerida para suprir nestas a carência do prazeroso neurotransmissor. Em suma, minhas células são neuroprostitutas dopadas, reféns inertes do rufianismo doentio de meu cérebro. E eu sou seu cúmplice, assim como todos os rostos que por esta cidade perambulam, sem nome, nem personalidade, trombando-me indiferentes e às pressas.
Até quando darei continuidade a esta trama de apáticos fios entrecruzados, sem que se dêem conta disto, ao menos? Minhas pernas doem, meus pés estão inchados. Sinto que é próximo o desfecho da peregrinação, agonizante em seus passos errantes. Começo a constatar que não chegarei a lugar algum, nunca poderei reverter a situação na qual estou, espectador e coadjuvante à procura do ator principal que ainda desconheço. Quais seriam suas palavras, sua reação para comigo? Reconhecer-me-ia quando de nosso encontro, agindo de um modo que me levaria a contemplá-lo ou cairia de joelhos, reconhecendo o fato de ser eu a razão de sua importância, vez que existe apenas enquanto anseio irrefutável de meus medos?
Afinal, o que penso ser e por onde ando? Será que não passo de um pêndulo dissonante em meio à antagônica historieta deste mundinho maniqueísta, cego por livre arbítrio, trotando afora por estradas tortas? Um estorvo retalhado lucrando com o grito demente de um prisioneiro no vício alimentado por um rufião doentio do qual sou cúmplice! E quem há de, espontâneo, dividir comigo esta cumplicidade? Digam-me? Sim, o senhor é culpado, tanto quanto esta velhota sentada no banco da praça dando o que de comer aos pombos! Culpa que já carrega consigo a criança ainda no ventre de sua mãe, por qual razão, Deus meu? Que cidade é esta, onde seguimos caminhos traçados aleatoriamente com grafite em papel reciclado, os quais voltaremos a seguir infinitamente num eterno retorno do pó ao pó? Não haverá culpa se reconhecermo-nos em nossos irmãos... mas como o faremos? Não conhecemos a nós mesmos, esta imensa metrópole banhada por rios de sangue inocente! Como, então, abrir a boca contra o outro?, dar o tal exemplo de sociabilidade a quem?, e seguir o exemplo de quem? Cada qual que siga o exemplo de si próprio, na espera de que Deus nos pague, a todos nós errabundos sem face.
Ai de mim, como minhas pernas doem... mas não, não posso parar. A vastidão da cidade é ainda inexplorada, não há nada mais a fazer senão persistir na luta contra as ondas eletromagnéticas, resistindo aos solavancos, subsistindo em minha teimosia, à procura de uma identidade.
Deus me pague...
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Posted by cacoishak at 1:39
23.10.04
babies, babbling & babushka
Quebro a promessa de me dar férias das palavras por dois dias, justo motivo nobre portanto capenga e piegas para compartilhar, novamente, o APRAZIMENTO de estar velando três das minhas seis mulheres numa noite em que mi hermanos chacoalham os quadris por ninguém. O momento pede, como antes, Glenn Gould na vitrola. Variações Goldberg e porronca, meu senhor. Se não for pedir além da conta. É bom, muito bom ter o controle da situação.
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Quem nunca o fez, não imagina a dificuldade de dar xarope para uma criança de seis anos adormecida. No entanto, por vezes, só pedem um beijo no pai para conseguirem adormecer... que o diga um sorriso no berço ao ranger a porta. Derruba QUALQUER um.
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Posted by cacoishak at 23:21
22.10.04
epistemologia quântica: um novo método transdisciplinar como solução para os paradoxos hipermodernos
Enfim, a masturbação intelectual chegou ao fim... pré-projeto acabado. Queria agradecer a ajuda do Atahualpa Fernandez e do Olavo de Carvalho, não saberia o que fazer não fossem as orientações desses caras. Agora, só me resta esperar por um veredicto.
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Posted by cacoishak at 14:17
19.10.04
sabino is back to bala

Sem maiores pretensões, escrevi o texto, apenas uma homenagem ao cara que praticamente me iniciou na literatura, ao lado de Rubem Fonseca e outros. Não é que numa noite de porre, em memória justamente dele, me deu na telha de enviar o post pra Kamille. No outro dia, pensei, "que doidera". E não é que foi publicado! Está lá, na bala. Ou melhor, aqui.
Minimalista, do jeito como ele gostava.
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Posted by cacoishak at 15:26
pré-projeto mestrado - versão final
Assim sendo, deparamo-nos com a urgente necessidade de uma convergência dos diferentes modos de pensar, para que se torne possível, através de uma ação conjunta de estudiosos de áreas diversas como a medicina, psicologia, economia, física, direito, entre outras, uma retomada aos caminhos que levam à sabedoria, a um novo método de conhecimento.
BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d´ígua, 1991.
BOCHENSKI, Innocentius Marie. A filosofia contemporânea ocidental. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1975.
CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. 24ª ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2003.
CAPRA, Fritjof. O tao da física. 20ª ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2000.
CHAUí, Marilena de Souza. Convite à filosofia. 13ª ed. São Paulo: Editora ítica, 2003.
GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente. 4ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2001.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio. Lisboa: Relógio d´ígua, 1990.
LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Editora Barcarolla, 2004.
MORIN, Edgar. O pensar complexo. 3ª ed. São Paulo: Garamond, 1999.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 8ª ed. Porto: Edições Afrontamento, 1996.
SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Obras escolhidas. São Paulo: Abril Cultural, 1979. (Os Pensadores).
SHOPENHAUER, Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razão: em 38 estratagemas: (dialética erística). Introdução, notas e comentários por Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Top Books, 2003.
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Posted by cacoishak at 1:30
18.10.04
everything starts at the seam
Voltei ao computador, feliz da vida por ter, finalmente, encontrado uma saída pra minha tese, uma razão dela ser, uma reconciliação entre antigos inimigos, opostos que se afetavam com artifícios mil, após assistir ao Full Frontal (bem, a estória toda começou com os boatos de que a Julia Roberts ia fazer uma cena totalmente de acordo e condizente com o título do filme, todos ficamos alegres, é claro, e esperamos ansiosos por isso, por muito tempo diga-se, pois se nem entra em cartaz por estas bandas, quando chega na locadora é um fuzuê do escambal, tem de ser muito nerd pra conseguir logo nas primeiras semanas, mesmo meses, ter aquela paciência toda de ficar ligando pra locadora pedindo pra reservar o dvd, mas não desistimos porque, afinal, era muito bom pra ser verdade, a espera valeria, e de repente, toda aquela demora em vão, não aparece nada, graças a deus, tudo embaçado por entre uma fresta na porta, eu acho, o filme é realmente bom, que hitler era aquele, meu deus!), e me aparece na tela uma janela de conversa, era o he-man:
Tiago Trindade says:
THE POLYPHONIC SPREE

Tiago Trindade says:
baixa essa banda
Tiago Trindade says:
é a tua cara
Tiago Trindade says:
é hipponga e megalomaniaca
Tiago Trindade says:
sao 22 pessoas que acham que a era de aquarius esta chegando
Tiago Trindade says:
sim, a banda é uma big band de 22 pessoas com direito a coral e uma pequena orquestra
Tiago Trindade says:
vc vai gostaer
Tiago Trindade says:
agora to indo dormir
Tiago Trindade says:
fui
CAR-ALHO!!! Que Pí‚NDEGA é essa?! Era justamente disso! que eu estava falando!
Pelo visto, sentiram tua falta ontem, na discotecagem. Esse menino vai longe.
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Posted by cacoishak at 2:27
17.10.04
quanto mais eu rezo, mais dead-line me aparece

Oh, senhor, dai-me forças para escrever esse pré-projeto. Faltam menos de cinco dias e tudo o que fiz até agora foi empilhar um monte de livros ao lado da cama. Filosofia, psiquiatria, quântica, neurologia, é tanta coisa! E minha mente bloqueada... se ir embora, deixo minha filha. Bosta de mundo cartesiano de merda! Bootstrap, não é mesmo? Então, que assim seja! I dare you, suckling!
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Posted by cacoishak at 17:40
Dava uma olhada no homem quando vi


Pinturas de Naoto Hattori.
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Posted by cacoishak at 2:33
16.10.04
A Nuvem de Calças

Agitprop Poster of Mayakovsky, German Wikipedia
Coincidências são absolutamente terríveis, mexem com a segurança e a lucidez da mente de uma forma tal, que já não se sabe mais o que de fato ocorrera. Estava ontem na redação, bisbilhotando os livros de outros, espalhados em cima da mesa. Hum, Maiakovsky. Uma edição em cuja capa se encontrava uma estrofe do prólogo de "A Nuvem de Calças", talvez o mais conhecido e admirado poema do escritor russo. Abri o livro. Justamente na página onde a Nuvem começava. E daí? Não sei, foi estranho. Venha a mim, meu jovem. Não, não havia nada que contribuísse para que quem abrisse o livro desse de cara com a poesia. Coincidência mesmo. Tentei abrir o livro na mesma página diversas vezes depois, mas nada. Conversa pra boi dormir. É que eu não tenho assunto mesmo. E o fato chamou minha atenção. Realmente, minha vida anda muito sem graça. Fora o fato de ter tido de caminhar uns seis quilômetros hoje - uma maratona, sedentário que sou -, no meio da madrugada, depois de uma discussão que me deixou sem carro, nada que fugisse da rotina aconteceu. E ainda não comecei a escrever o pré-projeto. E estou aqui, expondo demais minha vida a pessoas que mal conheço. Se é que pelo menos conheço. Humpft. Fica aí o prólogo de "A Cloud in Trousers", só encontrei em inglês mesmo. Na íntegra, pode ser encontrado aqui.
Your thought,
musing on a sodden brain
like a bloated lackey on a greasy couch.
I'll taunt with a bloody morsel of heart;
and satiate my insolent, caustic contempt.
No grey hairs streak my soul,
no grandfatherly fondness there!
I shake the world with the might of my voice,
and walk - handsome,
twentytwoyearold.
Tender souls!
You play your love on a fiddle,
and the crude club their love on a drum.
But you cannot turn yourself inside out,
like me, and be just bare lips!
Come and be lessoned -
prim officiates of the angelic league,
lisping in drawing-room cambric.
You, too, who leaf your lips like a cook
turns the pages of a cookery book.
If you wish,
I shall rage on raw meat;
or, as the sky changes its hue,
if you wish,
I shall grow irreproachably tender:
not a man, but a cloud in trousers!
I deny the existence of blossoming Nice!
Again in song I glorify
men as crumpled as hospital beds,
and women as battered as proverbs.
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Posted by cacoishak at 15:58
14.10.04
Cockado-odle-doo
Faltando oito dias para encerrar o prazo de inscrições para a seleção do mestrado, nem comecei a pensar em como desenrolar minha proposta ao longo do pré-projeto. Um novo amigo, a quem venho conhecendo um pouco mais a cada dia, conversando comigo por e-mail, fez surgir uma idéia na cachola, me fez lembrar de um cara que li há algum tempo e do qual estava, imperdoavelmente, esquecendo. Maldito Sennett, podes salvar minha vida, filho da puta! Por enquanto, fica aqui a resenha que fiz do livro dele, Autoridade, há uns dois anos e meio, pro capitu.
A viagem de Sennett
Imaginem um seqüestro, assunto tão em voga nos noticiários hoje em dia. Quanto poderia uma pessoa suportar, persistindo na luta contra as cordas que lhe atam os punhos, até vislumbrar-se livre das amarras opressoras a ela impostas por um algoz de mediana altura, concreto e assumido como tal? Como se estabeleceriam os vínculos entre o condenado, frágil e dependente, e o carrasco, onipotente? E a consciência desta fragilidade, quão entorpecente seria, decomposta num sentimento de vergonha e medo crescente? Dêem, agora, a essa situação uma natureza que esteja de acordo com os ditames da sociedade, substituindo o seqüestro por uma relação legal entre desiguais, onde o agente opressor não tenha esta identidade ostentada, e nem ao menos aja como se o fosse, e o oprimido usufrua plena liberdade de locomoção e, de certo modo, de expressão. As indagações permanecem em sua essência. As respostas nos são dadas pelo sociólogo americano Richard Sennett, em seu livro "Autoridade", publicado pela Editora Record.
Em uma época em que as relações humanas são o alvo, cada vez mais, das atenções de estudiosos das mais diversas áreas na tentativa de compreender como as mesmas se dão em aspectos e circunstâncias tão complexas quanto o indivíduo em si, num mundo onde a descrença quanto ao capitalismo é progressiva e a frustração a respeito ao socialismo é consumada, Sennett procura desvendar a multiplicidade dos compromissos afetivos estabelecidos entre as pessoas, voluntária ou involuntariamente, e suas formas sociais, em um conjunto de quatro ensaios inter-relacionados, dedicando o primeiro à autoridade, "uma tentativa de interpretar as condições de poder, de dar sentido às condições de controle e influência, definindo uma imagem de força", na busca de "uma força sólida, garantida e estável". Em seguida, virão os ensaios sobre a solidão, a fraternidade e os rituais, nesta ordem.
Interessante é constatar, antes de qualquer coisa, que o mérito de Sennett encontra-se menos em sua capacidade de criação e elaboração de teses com base em estudos empíricos, do que em sua sensibilidade e destreza para organizar pormenores de escritos da psicologia, sociologia e literatura, atribuindo-lhes uma interpretação que, embora ambivalente, desemboca num mesmo rio consistente em seu teor. Apoiando-se nessa técnica, arquiteta pensamentos acerca do "processo pelo qual se faz sentir um vínculo com a autoridade e por que existem dissonâncias entre uma pessoa e outra na experiência dele", principiando de vivências íntimas, como por exemplo, a ligação entre pai e filho, para, então, criar uma ponte entre estas e a estrutura das instituições de grande porte, frisando sempre o caráter geral de suas idéias, que, no entanto, são livres de generalizações.
O exemplo mais claro desta sua metodologia - e, diga-se, o ponto fundamental de sua teoria - é a viagem de Hegel em busca do reconhecimento, exposta no livro deste, "Fenomenologia do espírito". Em suma, o texto discursa, na visão de Sennett, sobre "como a experiência da autoridade poderia tornar-se menos humilhante e mais livre na vida cotidiana", cabendo aos oprimidos o dever de criar as condições dessa liberdade na sociedade. Para tanto, Hegel estabeleceu quatro "estágios de liberdade", sendo que a passagem de um para o outro se daria através da negação daquilo em que antes se acreditou.
Os dois primeiros estágios da viagem são o estoicismo, no qual o oprimido se retira "do mundo para seus próprios pensamentos - uma liberdade primitiva, voltada para dentro", e o ceticismo, quando há uma volta para o mundo, onde "o escravo, ainda um servo obediente, descrê do papel que desempenha e da superioridade moral do senhor". De acordo com Sennett, essa metade do trajeto já fora perfeita pela sociedade, através do que ele chama de vínculos de rejeição, ou seja, "a maneira de admitirmos a necessidade de autoridades que não nos é seguro aceitar", questionando não a sua função, mas a sua própria integridade.
São eles: a dependência desobediente (ligada ao medo da força de uma autoridade, "dentro" da qual a pessoa se rebela, e não "contra" a qual), a substituição idealizada ("a impressão de uma imagem positiva e ideal da autoridade a partir da imagem negativa existente", devido à sensação da pessoa de que a autoridade em sua vida não é tão forte quanto deveria ser) e a fantasia do desaparecimento (como o próprio nome sugere, uma "fantasia a respeito do desaparecimento da autoridade", com o que todos os problemas se resolveriam).
E não é difícil de se descobrir a razão pela qual esses vínculos se estabelecem: a necessidade de uma autoridade que tenha força e a use para "guiar os outros, disciplinando-os e modificando seu modo de agir, através da referência de um padrão superior" é fundamental. Não termos essa força por trás de nossos frágeis corpos, amparando-nos e nos proporcionando o mínimo de segurança para nossas vidas, é uma imagem que nos amedronta, de fato. Não obstante, o medo também se faz presente ao refletirmos sobre a possibilidade do que o "superior seria capaz de fazer com esse poder". E esse temor pode dar-se tanto numa relação entre um casal de namorados, quanto entre o diretor de uma multinacional e seu subordinado. Tanto numa relação entre médico e paciente, quanto entre um industrial paternalista e seu empregado. Assim, com o passar do tempo e a não obtenção de resultados, o sujeito da negação se acaba por frustrar-se. Nos termos de Octavio Paz, "a negação já não é criativa".
A solução encontrada por Sennett é justamente retomar a viagem imaginada por Hegel, com a pessoa passando para os dois próximos estágios, a consciência infeliz e a consciência racional.
A consciência infeliz internalizaria o "conhecimento cético sobre uma relação social: existem um senhor e um escravo em todo ser humano". í€s claras, há uma desvinculação da influência da autoridade, para, então, ter-se a noção de como ela agia sobre o indivíduo, empregando para a obtenção deste resultado o método do redobramento, ou seja, a "identificação parcial do sujeito com outra pessoa, imaginando o que ela experimentaria, mas conservando os atributos de seu próprio corpo, sua idade e sua força", implicando "mais a empatia do que a simpatia". Tal procedimento acarretaria na ciência dos oprimidos de que seus senhores "são tão prisioneiros das convenções sociais e das ficções imperativas da dominação quanto os que caem sob seu domínio".
É nesse instante em que, para Sennett, "o sujeito pode perceber e agir com os outros de acordo com objetivos comuns; já não há necessidade de lutar contra os outros pelo reconhecimento, pois a própria consciência desenvolveu-se a ponto de o sujeito saber que suas divisões internas são divisões que existem em toda a humanidade". Eis a consciência racional, quando a pessoa consegue ver também nos outros a cisão que sentia em si.
A viagem é completa, a transformação da autoridade através do conflito. Isso, no âmbito íntimo. O que não impede que o mesmo aconteça no sistema do poder público, à medida que as figuras deste sejam legíveis, "mostrem com clareza o que podem e o que não podem fazer", e visíveis, "como se poderia produzir essa afirmação franca", o que se tornaria possível com o rompimento da cadeia de comando, da arquitetura do poder, mediante certas estratégias libertárias. Seria o que Sennett batizou de anarquismo moderno, "concebido como uma desordem deliberada, introduzida na casa do poder", ou seja, a transformação da autoridade num processo, envolvendo a criação, a desarticulação e a reformulação de significados.
Cumprida a jornada, podemos até erguer os olhos aos céus e questionarmo-nos sobre a validade de uma teoria que reza senão a igualdade, a desigualdade entre desiguais. Após tantas derrocadas no decorrer de uma história viciosa em sua iniqüidade, não seria tanto pessimismo afirma-la mera utopia. Entretanto, penso - não sendo o único - que a condição a, no caso, ser assumida não diferiria em muito de nossa atual "postura". Afinal, "uma estrutura de poder receptiva aos que lhe estiverem submetidos, a discussão e a reformulação dos elos da cadeia de poder nos momentos de tensão, e pessoas fortes que despertem uma confiança limitada, tudo isso pode ser um sonho impossível e utópico, mas não é nada além de levar a sério os ideais que, da boca pra fora, a maioria das sociedades do Ocidente afirma alimentar". A democracia, segundo Sennett. Ou, como melhor lhes aprouver, "a viagem de Sennett".
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Posted by cacoishak at 1:42
12.10.04
"no fim tudo dá certo. se não deu certo ainda, é porque não chegou no fim"
*1923 +2004
Lugar comum hoje em dia, a frase guarda em si uma melancolia daquelas que, em contrapartida, te põem lá pra cima. Gosto disso. Dessas sensações que fazem o homem gritar jerônimo, mas com um aperto seco no coração, de cabeça baixa e olhos fixos no chão. Tomei a citação emprestada para por numa das edições do finado Macacada. O homem era assim mesmo, simples, não gostava de muito lari-lari, nem de elocubrações outras, não. Tinha quatorze anos quando li Fernando Sabino pela primeira vez. "O Outro Gume da Faca". Tomei gosto e não parei mais. Vieram "O Homem Nu" - quem nunca leu e nem pretende fazê-lo, pelo menos ao filme não pode deixar de assistir, com direção do sequelado Hugo Carvana -, "O Encontro Marcado", "O Grande Mentecapto", entre vários outros que ia encontrando na biblioteca de meus pais - hoje, toda minha, levei nas costas quando fui embora. No meu aniversário de dezoito anos, foram eles que me deram "Livro Aberto", reunião de textos avulsos do mestre, uma autobiografia.
Em uma entrevista, falando sobre a verdade, disse que ela "fica além dos limites da realidade, lá onde só a imaginação alcança. Como o tabuleiro de damas, que não é preto com quadrados brancos, nem branco com quadrados pretos, mas de outra cor com quadrados pretos e brancos: sob a aparência que se oferece aos nossos olhos, oculta-se outra cor: a da ambivalência, da dubiedade, no comportamento da contraditória natureza humana. Principalmente nas relações conjugais". Pois é. O homem se foi. Ontem. E eu, desligado que sou, só fui ficar sabendo hoje, dia em que ele completaria oitenta e um anos. Parabéns pra você, velho Bino, eterna criança. Morreu menino, do jeitinho como queria. Talvez, agora, a verdade para ele não seja assim tão ambígua. Ou talvez tenha descoberto, a seu modo, qual uma grande chacota cósmica, que, paciência, eles não precisam mesmo de nós. Acabou dando certo, no final das contas. Foi se juntar aos velhos amigos de guerra: Otto Lara Resende, Rubem Braga, Helio Pellegrino, Paulo Mendes Campos... enfim, saudades.
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Posted by cacoishak at 20:51
from planet earth

"Who gives up the pill? Who takes sex to outer space? Who´s the girl of the 21st century? Who nearly dies of pleasure?"
Ah, nada como um feriad�o na cama e um cl�ssico no DVD. Essa mulher me fascina, me deixa doido, babando no travesseiro. Precisava ser t�o sexy ao tirar uma roupa de astronauta em gravidade zero? Precisava ser t�o lis�rgico e d�� assim? Sim, amo muito tudo isso, diria Ronald. Jane, oh, Jane... fez-me lembrar de uma �poca boa da minha vida, quando ouvia Scott Weiland se lamuriando nas caixas de som de meu velho stereo. "Barbarella, come and save me from my misery, can't you see it's a disease?"... idos de 98, 12 Bar Blues, fino da bossa... antes do boom que ocorreu em minha volta no mesmo ano... maledita sina de querer bem aos outros. Me fodo sempre.

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Posted by cacoishak at 16:44
11.10.04
Inutilidade pública
Não queria fazer isso, acredito que não tenha um porquê, mas um pecado aqui, outro ali, não vão manchar uma trajetória que ainda posso construir, baseado no pouco que já fiz. O Paulo Autran bem que poderia se tocar disso também. Ainda mais quando a trajetória já está praticamente construída e o legado não é tão pobre assim, como penso ser o caso do ator. Que nem aqueles padres filhos de uma puta que, na hora de tentarem converter o pagão, se mostram superiores espiritual e intelectualmente, pra depois ficarem em cima de barco vendendo o rabo pro governo. Foi exatamente assim que o Paulo Autran se comportou num programinha ao qual, muito por acaso, tive o pavor de assistir. Um tal de Dois a Um, na emissora do tiozinho do carnê, apresentado pela bonequinha de luxo Mônica Waldvogel, que faz juz total ao nome do talkshow. Ela e o Paulo Autran deram uma surra no coitado do Paulinho Vilhena. Tá certo que esse menino é um retardado, que não vale um pentelho do meu saco, mas meu saco também não vale tanto assim. Não acredito que a dos outros dois valham também. Até porque nem saco ela tem, apesar do esforço que faz para parecer que tenha. Além de ser a jornalista e a apresentadora de um programa que leva seu nome e lhe faz assumir a imagem que dela fizerem do outro lado da tv. Ou seja, a imparcialidade deveria ser uma postura a se pensar seriamente. E ele... é como eu disse. A missa do padre pode ser belíssima, coisa de primeira qualidade - se bem que nem tanto - e o cara não passar de um psicopata estuprador de coroinhas. Esse seria outro extremo, oposto ao qual o Autran praticamente diz estar. Imaculado no santo suco dionisíaco. Uma merda, mesmo. Melhor ver carro passando pela rua.
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Posted by cacoishak at 1:13
10.10.04
Esperando a santa passar
"Tudo estava realmente muito entediante. A cidade toda parada, não aguentando o peso de seu patrimônio nas costas, preparando a cara boa de amanhã, e nós, em completo estado de choque. O surto veio logo depois. Foi preciso que pensássemos rápido. Então, nos saímos com esta. Dorme na sala, que eu durmo com ela. A iniciativa, de fato, não partiu de mim. Praticamente me fazia sentir obrigado a aceitar. E o pior é que eu ainda tinha uma opção. Não há no mundo quem não tenha a opção do foda-se e foi mais ou menos isso o que eu fiz. Desconectei-me e dei um viva-voz portátil pro mundo. Inclusive pra ela. Não demorou a vasculha, até eu encontrar alguém que também não tinha o espírito definido e tampouco ligava muito pra isso. Era tudo o que eu precisava no momento. Um qualquer, que não ostentasse a herança de seu povo, um amante sem a mínima noção de si e das coisas. Das coisas em si, hermeneuticamente falando, como provavelmente diria um baiano. Tudo bem, baby, mas não sem cagadas.
- oi, cara... onde é que é o banheiro?
- vamos lá... aqui, vai lá.
Não havia se passado nem sete segundos, já voltou esbaforido, de olhos baixos e se tremendo todo.
- cara, papel higiênico.
Porém, acho que o que realmente importou foi o cheiro que pudemos sentir se espalhando pelos cômodos da casa. A conversa toda começou, então, com considerações conhecidas do grande público sobre os anos noventa, a primeira metade. Uma pitada de individualismo, borrifada na miséria intelectual de grupelhos que hoje se dizem detentores da vaidade, logo no ritmo comum de bosques, barrados e torres em que havíamos perseverado tanto.
- enquanto ela não passa, nada precisa parar, never stop the music, pimp.
- engraçado como há ciclos que variam de trinta a cinquenta anos, fazendo do mundo uma eterna palhaçada. a coisa vai gradativamente mudando de aparência e talvez ninguém mais possa impedir que evolua o que não tem mais o que evoluir. talvez, tenhamos chegado num ponto onde não dê mais pra aguentar. quer dizer, é tudo enrolação aquele papo de pós-alguma-coisa-qualquer-e-tenha-um-bom-dia. esse tempo acabou e não pensaram muito, ainda, antes de decidirem se aceitam ou não guardá-lo na despensa até que o próximo candidato compareça. ninguém mais fala dos nossos posteres de quando éramos adolescentes. o disco que a gente estava ouvindo, é um exemplo. excelente exemplo, pra dizer a verdade, mas que nem mesmo exemplo pode ser considerado. é extremamente individualista, voltando-se para a melancolia do eu sem pedir licença pros rumores do caos urbano. é a ascensão em seu estado puro das máquinas, da tecnologia de silício que nos colocam no papel de 'ok, bill, estávamos justamente voltando para casa, pode começar a esquentar o frango'. o mercado é o próprio, intrínseco das dimensões que vem atingindo, sem paradeiro certo, no scape. resumindo, é tudo aquilo que Lipovetsky aponta como sendo o tal hipermodernismo. o disco que ouvíamos era a transição e nós, meros coadjuvantes da história, espectadores de um pedido de socorro extra-corpóreo intermitente, sempre a procura de sua localização no espaço-tempo. não, meu amigo, não fazemos parte de comunidade alguma, nosso senso de coletividade já se foi há tempo, está completamente desorientado.
- sei... mas estou com sede.
- sim, claro, vou buscar...".
simplesmente praticando.
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Posted by cacoishak at 5:48
9.10.04
Sushi tripping - part II

Quando eu digo que esses caras são doentes da cabeça... Naoto Hattori, o nome do menino.
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Posted by cacoishak at 22:29
Os deles são melhores que os nossos
Pelo menos, são, de longe, os mais freakos... o que diabos é um bukakke?!?
Esse aqui é outra viagem. Só não abusem da dose, crianças.
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Posted by cacoishak at 16:50
8.10.04
Films Incoherence 61
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Posted by cacoishak at 1:11
5.10.04
Casamento

By Jorge Sá
os dois lados não têm razão, embora discordem na certeza de que seu respectivo modo de ver o real existe independentemente do outro. o óbvio não requer maiores explicações, senão um pairar subjetivo.
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Posted by cacoishak at 1:35
3.10.04
exaustão
o he-man é o filho do fábio zimbres. e tenho dito. volta a desenhar, meu filho.
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Posted by cacoishak at 23:40
banal pra catsapasta
"ela me ama e eu amo ela
e isso não é balela
se minha mulher morrer
o que eu vou ter pra viver?"
Márcio, viciado em drogas e acusado por tentativa de homicídio contra Celiane, sob risco de vida no hospital, mostrando que a poesia marginal não é lá essas coca-cola. O sic fica por conta do Cid, que foi quem deu a notícia.
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Posted by cacoishak at 23:08
Quero ser Jack White

"...parece que alguém tirou toda minha pele e me colocou num banho morno..."
Achei muito bem descrita essa sensação da relação primeira com o sexo. Ingênua e sucinta. Lembrou-me da minha primeira vez, ao som de Pavement. Na ocasião - quer dizer, depois da ocasião - a garota me perguntou qual era minha idade. "quinze anos". Ela era mais velha uns três anos e se limitou a dar uma risadinha, a sacana. Passadas duas semanas, aparecem uns amigos lá em casa. "E aí, garanhão! Traçou a fulana, hein!", "como vocês sabem?", "ela espalhou pra cidade inteira, porra! E ainda disse que tu eras insaciável e não parava de gritar que ia deixar ela toda assada!", "ah, foi...?". Pois é, eu fiquei calado durante todo o coito, o coito inteiro. E após o coito também, indo contra a máxima de que todo homem se gaba das xotas que papou. E deu nisso. Antes eu tivesse berrado e dado uns tabefes nela. Pelo menos, pelo visto, fui aprovado. E treinei bastante depois.
Enfim. A frase faz parte do diálogo do curta "Quero ser Jack White", de Charly Braun, que concorre na Competição Oficial da Premií¨re Brasil do Festival do Rio 2004. Como vocês puderam perceber, tem a ver, sim, com White Stripes. Quem quiser, pode assistir ao curta aqui. Indo para a página principal do site, pode-se assistir aos outros concorrentes, alguns também interessantes.
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Posted by cacoishak at 19:59
2.10.04
Novo baiano, bárbaro e doce in sumpalo

"Encontrei um site que diz que a frase "Canta tua aldeia e serás universal" é, na verdade, atribuída a Tolstoi. Porém, há um poema do FernandoPessoa bem interessante sobre isso:
'O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia'".
P.S. do primeiro e-mail de meu caríssimo amigo Palmireno Neto, atualmente em Sampa, onde pretende fazer especialização em Semiótica Psicanalítica. Saudades.
P.S.: a garotinha com ele na foto é a Malu, my baby. Tirada na despedida.
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Posted by cacoishak at 18:54
dolly´s frases de impacto
"...este � o �nico lugar do mundo onde ele pode se sentir realmente livre..."
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Posted by cacoishak at 2:14


