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18.09.04
"sometimes i feel very sad... i guess i just wasn´t made for this time"
Prezada Desconhecida,
Hoje, n�o sei se vai dar pra te encontrar. As pistas de hot wheels me chamam e o barulho pode ser ensurdecedor. N�o ouvirei palavra alguma de teus chamados e o que tenho a dizer n�o � assim t�o importante; n�o mais do que n�o tens a me dizer. Vou levar fotos minhas para serem distribu��das a teus amigos, caso queiras me identificar pelos olhos. S� n�o apare�a. N�o leve o guarda-chuva e nem tuas chinelas de ab�bora. J� me corta o cora��o o suficiente saber que n�o tens nada a me oferecer sen�o o interesse de te fazer conhecida pelos meus. Nem isso. Levo, tamb�m, em minha sacola as gotas de chuva que colhi nesta manh� para enfeitar teus cabelos. Talvez teus amigos gostem e queiram te dar. S� n�o apare�a me ofertando um beijo. Ofertas deste tipo n�o me agradam, s�o do tipo que me fariam pagar mais caro do que se houvesse comprado na rua. Acabaria querendo tudo e n�o poderia ter nem o resto. Vai l�, s� n�o me encontra. Diz pros teus amigos procurarem meus amigos e eu lhes darei o que queres. S� te pe�o que n�o apare�as na minha frente. Sejamos assim sempre. Desconhecidos. Tu, conhecendo-me t�o somente pelos olhos. Eu, nem isso. Apenas pela palavra que me dispensaste na semana passada. Um obrigado pelos flocos de neve. Estava fazendo bastante calor, de fato. E s� dividi o que tinha com algu�m que n�o conhecia. N�o conhe�o. E, se depender de ti, nunca vou conhecer. Hoje o clima tamb�m est� muito quente. Mas n�o precisa olhar debaixo da porta. N�o h� presentes. Nem pra ti, nem pra mim. No entanto, se quiseres, � s� me falar. Deixo de ir pra noite, pra ficar contigo em casa. De costas um para o outro, do jeito como tem de ser. Pelo menos, at� me pedires um beijo. O resto, eu te dou de gra�a. N�o precisas pedir, nem desdenhar. J� sou teu mesmo. S� n�o te conhe�o. Mas isso, tamb�m, n�o importa. Pendura as meias na tua porta, que � pra eu saber se posso entrar. Amanh�, eu te encontro, deitado em tua sola. V� se me espera com um aperto no rosto e charutos nas m�os. S� n�o deixa de aparecer e esquece tudo o que eu j� te disse antes.
Beijos em teus dez dedos e boa noite.
Dos olhos que te cegam.
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Posted by cacoishak at 18.09.04 18:24