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23.09.04

Ficção esboçada

"Amei muito essa mulher. O problema é que entraram numa disputa comigo, contra minha vontade, e, até mesmo, sem meu conhecimento, e encasquetaram que ela era a recompensa. Pessoas que nunca lhe deram atenção, a qual ela muito sentia a falta, usaram, movidos pelos sentimentos da inveja, por nos verem felizes, e do egoí­smo, por ela os ter abandonado, de artifí­cios baixos para encantarem-na e ela caiu no jogo deles rapidinho. í€ única pessoa que a pensou como pessoa, que verdadeiramente se importou com suas necessidades, ela não deu a mí­nima importância depois que já estava nos braços de quem nunca a quis. Parece ser minha sina, alguma praga que botaram em mim. Na casa da minha mãe era a mesma coisa. O coitadinho, no final das contas, não deve mesmo ser eu. Nem minha própria mãe me dá razão. E, além de tudo, por menos crí­vel que pareça, é a primeira a incentivar o fim da relação. Assim como eu fazia com ela. O problema é justamente esse. Talvez por ela nunca ter me dado ouvidos, mas, provavelmente, um tanto mais por que um filho tem de sempre ir contra as vontades de seus pais, da feita que ela me diz uma coisa dessas, eu perco totalmente as forças para me separar. Porra. Esse não é o papel de uma mãe, afinal. Não o da minha mãe. Por que ela não deixa de me surprender um pouco e começa a agir como se fosse uma mãe como ela sempre foi, orientando-me a permanecer ao lado de meu filho e minha esposa? O careta agora sou eu? Pensei que fosse demorar um pouco mais, pelo menos até que João Carlos completasse sete anos de idade e eu não estivesse mais lá para o ser".

Trecho do romance - ou "novela", dado o aparente dramalhão - em que estou trabalhando. Nada definitivo ainda, um mero esboço. Só pra constar mesmo.

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Posted by cacoishak at 23.09.04 16:44