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14.08.04
Belém, Pará, Brasil
De modo algum quis dizer, no post anterior, que a cultura paraense é pobre. Pelo contrário. No próprio filme encontramos exemplos disto. A lenda em si, como já afirmei. E a música tema do filme, composta e interpretada por Iva Rothe, moça presenteada por Deus com seus dotes. Ontem mesmo, fui ao Theatro da Paz, obra de fazer inveja ao mundo todo pela sua magnitude arquitetônica, assistir ao documentário do Ronaldo Passarinho sobre a história do próprio teatro e achei muito bom. Nunca fui com a cara do Passarinho, mas tenho de tirar o chapéu: o cara vez um trabalho de qualidade. Ao longo do filme, ele cita Waldemar Henrique, nosso grande compositor, clássico e popular. E que música rica nós temos! Os Mestres da Guitarrada, por exemplo, que influenciaram meio mundo Brasil afora e no exterior. E A Euterpia, de meus camaradas Tom e Pato? Quanto tempo não os vejo... fora a literatura, onde encontramos, entre os maiores do país, Dalcídio Jurandir e Max Martins. Filósofo? Temos, sim senhor, ou ninguém nunca ouviu de Benedito Nunes? Ou seja, aqui tem muita coisa boa, sim. Apesar de não ter nascido aqui, viajei dois mil quilômetros aos cinco anos de idade, quando cheguei nesta cidade, da qual, apesar dos problemas, gosto muito, faz parte de mim. É como o Gustavo falou, certo dia, quando discutíamos sobre o Manu Chao. O cara faz a gente sentir orgulho de ser latino, é música de altíssima qualidade, que desbanca muito americano, fácil, fácil. A mesma coisa se dá aqui. Quero sentir orgulho de morar no norte, no Pará. E "Matinta Perera" não contribui em nada pra isso. O filme, não a lenda. Longe disso, só constrange quem a ele assiste.
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Posted by cacoishak at 14.08.04 13:10