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31.07.04
Perdão, nem mais é meu
Todos perdôo
Por ter sido não só
O que de mim esperavam
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Perdôo meu pai
Por todos os dias lembrar-lhe
O que em sua vida não levou adiante
Por ter sido apenas o filho
Que de seguir seus passos primeiros teve o desplante
Sem dar continuidade ao projeto de minha vida seu
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Perdôo minha mãe
Por não poder ter-lhe dado
Tudo o que de minha vida queria
Por ter escutado mais seus problemas do que seu conselhos
E destes lembrar-me já em hora tardia
Por ter eu próprio construído-me sobre a base que a mim forneceu
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Perdôo minha irmã
Por ter sido um canalha ao amar-lhe tanto
E não lhe permitir que me retribuísse com seu amor
Pela desordem em que nos fazia viver
E por não ter sido o exemplo da coragem que a si não faltou
Imputando-lhe o fardo que, reza o costume, era só meu
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Perdôo, enfim, os amigos e amantes
Por ter desaparecido sem dar explicações
E tudo pedir no exílio sem nada oferecer em troca
Senão a presença viva sempre na lembrança
De pueris fanfarras e inúmeras destroças
Quando de mim obtinham o que hoje já se esvaeceu...
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Nem mais...
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(Salinas, 25 de julho de 2004 - 01:45 AM)
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Pois é... em breve, muito em breve, devo estar finalizando meu livro de poesia. Mais três ou quatro poemas, um lapidada aqui, outra aculá e Peregrinação dos Espelho D´alma deve ficar de todo pronto... que a temporada de caça às editoras seja mui deleitável, assim espero. É de Goethe a epígrafe:
"Ah, se pudesses exprimir isso tudo! Se pudesses passar para o papel tudo o que palpita de ti com tanto calor e plenitude, de modo que essa obra se tornasse o espelho de sua alma, como sua alma é o espelho de Deus!..."
Eu tento... todos nós... nem todos... quase ninguém... nem eu.
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Posted by cacoishak at 31.07.04 21:15