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        <title>brigatti</title>
        <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/</link>
        <description>Eu sei que deixei aqui em algum lugar...</description>
        <language>pt</language>
        <copyright>Copyright 2009</copyright>
        <lastBuildDate>Wed, 01 Jul 2009 22:12:23 -0300</lastBuildDate>
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            <title>Só pra constar, saudosismo fora</title>
            <description><![CDATA[<p>Minha geração, a galera nascida entre o final da década de 70 e começo de 80, conheceu Elvis como o sujeito rechonchudo, trajando macacão cravejado de brilhantes, cantando em cassinos pra velhinhas histéricas. Decadência pura. Aquele garotão rebolando com um violão na altura do peito ou vestindo couro da cabeça ao pés rodeado de franguinhas era outro cara, um ser alienígena, uma relíquia de um tempo remoto.</p>

<p>Tivemos outros. </p>

<p>Os Doces Bárbaros nos foram apresentados como um bando de chatos auto-referentes/reverentes. Nada da turma bonita, irreverente, ousada, que desafiou todo tipo de ditadura, da Bossa Nova aos milicos.</p>

<p>Roberto Carlos era brega até o pena que usava na orelha, cantando babas pra coroas, gordas e _ bom, ele teve sua parcela de culpa _ mulheres que usam óculos.</p>

<p>Ney Matogrosso era só uma bicha lôca.</p>

<p>Tim Maia e Jorge Ben Jor foram passados na farinha do pop para fritar nas FMs e programas de auditório.</p>

<p>Ninguém da minha geração reconhecia a importância real desses e de outros sujeitos. Seu passado era completamente ignorado, em parte por falta de acesso, em parte por falta de divulgação, mas também por falta de interesse mesmo. Não havia razão para sequer acreditar que um dia eles tinham feito algo que prestasse.</p>

<p>Hoje, vejo o mesmo se repetir. Meu primo mais novo tem 18 anos. Ele é exatamente da geração seguinte a minha. Nasceu no começo dos 90. Pra ele, Michael Jackson era um freak, uma aberração cujo único talento foi criar factóides fantásticos (no pior significado do termo), Neverland, pedofilia, máscaras cirúrgicas, filho balançando na sacada. Nenhuma pista de um dos artistas mais completos da indústria pop, cantor de verdade, compositor, produtor, dançarino, marqueteiro dos melhores.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="michael-jackson-wallpaper4.jpg" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/michael-jackson-wallpaper4.jpg" class="mt-image-center" style="margin: 0pt auto 20px; text-align: center; display: block;" width="527" height="394" /></span>

<p>Tivemos, eu e minha geração, de correr atrás sozinhos para descobrir que já houve vida inteligente na música feita no Brasil por brasileiros. E não tenho dúvidas de que a geração do meu primo vai descobrir o que Michael Jackson fez de melhor um dia. E vai pagar pau, é certo.</p>

<p>Pena ele precisar morrer pra isso.</p>

<p>Mas de que outro jeito?</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/07/so_pra_constar_saudosismo_fora.html</link>
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            <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 22:12:23 -0300</pubDate>
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        <item>
            <title>Respira fundo e segura</title>
            <description><![CDATA[<p>Existem coisas em que a vida mata a pau, não tem jeito. Não há ficção capaz de ser tão surreal, supreendente e incrível quanto certas notícias que o cotidiano traz. A morte do ator David Carradine, por exemplo, é uma das que me tiraram do pino. Não a passagem desta para uma outra em si, mas o modo como se deu.</p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/1790114641_429c4d5054.jpg" class="mt-image-right" style="margin: 0pt 0pt 20px 20px; float: right;" width="239" height="158" /></span>


<p>O sujeito foi encontrado nu, enforcado, dentro de um guarda-roupas. Logo que soube da notícia, saquei que só podia se tratar de uma mal sucedida _ e, no caso, fatal _ tentativa de aplicar a técnica do estrangulamento durante um ato sexual, conhecida como hipoxifilia. Afinal, ninguém tira a roupa pra se matar, começa por aí.</p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"></span><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"></span>

<p>Mas o <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1184163-7086,00-DAVID+CARRADINE+TERIA+MORRIDO+EM+ACIDENTE+DE+MASTURBACAO.html">caso</a> do <a href="http://www.imdb.com/character/ch0001806/">Bill</a> não é isolado. Ele é até mais <a href="http://www.medicinenet.com/script/main/art.asp?articlekey=51776">comum</a> do que parece. Quem já falou dele _ e de uma maneira bem peculiar _ foi o escritor Chuck Palahniuk (<i>Clube da Luta</i>, <i>Choke</i>), no aterrorizante conto <i>Guts</i>. Abaixo, o trecho específico:</p>

<p><em>Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer... melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.</em></p>

<p>A história, <a href="http://chuckpalahniuk.net/books/haunted/haunted-guts">que o autor disponibiliza na íntegra no seu site oficial</a>, foi publicada na coletânea <i>Haunted</i>.</p>

<p>Outro que se deu mal querendo tocar uma ao mesmo tempo que passava uma corda pelo pescoço foi o então vocalista do INXS, Michael Hutchence. O cabeludo foi encontrado morto em um hotel na Austrália, em novembro de 1997, estrangulado por um cinto.</p>

<p>Vinte anos antes do cantor errar a mão, porém, o cineasta japonês Nagisa Oshima já mostrava com delicadeza e maestria a hipoxifilia no clássico <a href="http://www.imdb.com/title/tt0074102/">O Império dos Sentidos</a>. A 1:38, uma mostra da técnica logo no trailer:</p>

<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-cA1glfeuSs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/-cA1glfeuSs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></object></p>

<p>Claro que nem sempre a coisa termina bem _ como não termina no caso da fita japonesa e como mostra mais explicitamente esse curta do diretor Alejandro Lemos:</p>

<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BrgslqrHbLk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/BrgslqrHbLk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></object></p>

<p>Não que Oshima tenha criado a prática. A asfixia auto-erótica é prática antiga e deu origem, inclusive, a expressão "afogar o ganso". Quem tem contato com o mundo rural sabe ser comum a iniciação sexual dos garotos com animais do campo, incluindo vacas, cabras, porcos e até... gansos. Neste último caso, o lance consiste em, durante a curra, enfiar a cabeça do animal dentro de um tanque, balde, ou qualquer recipiente com água. Como está se afogando, o ganso começa a se debater, contraíndo os músculos do corpo e proporcionando mais prazer ao sujeito.</p>

<p>O mesmo princípio se aplica aos seres humanos, como explica Patrícia Espírito Santo, em seu livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3142596&amp;sid=89761571011519419393622746&amp;k5=31DC4A1E&amp;uid=">O Lado Obscuro e Tentador do Sexo</a>, que pode ser degustado <a href="http://books.google.com.br/books?id=Ue9VOn0Wa2YC&amp;pg=PA136&amp;lpg=PA136&amp;dq=Michael+hutchence+hipoxifilia&amp;source=bl&amp;ots=BXSSywLx5C&amp;sig=pA9yjPHE5RxwEBCR_dmv2JfUONI&amp;hl=pt-BR&amp;ei=rsQpSsfvCKaTtgeJtJDoCQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=6#PPA136,M1">aqui</a> e do qual destaco essa parte:</p>

<p>"A falta de oxigenação é entorpecente e, para alguns, prazerosa. Até mesmo entre os praticantes do mergulho que não utilizam balões de oxigênio, é regra não passar muito tempo debaixo d´água. O prazer do torpor, alcançado pela deficiência de oxigênio, coloca a vida em risco. A hipoxifilia também pode ser fatal, porém é uma prática auto-erótica que vem sendo utilizada há vários séculos. A justificativa para essa prática, que pode ser considerada masoquista, é a busca do aumento das sensações de prazer sexual proporcionada pela privação de oxigênio por meio de asfixia (...)"</p>

<p>Na dúvida, ouça o conselho delas:</p>

<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uPpJNMuyeZ4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/uPpJNMuyeZ4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></object></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/06/segurem_seu_estomagos.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/06/segurem_seu_estomagos.html</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 05 Jun 2009 22:04:19 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Éramos freaks e não sabíamos</title>
            <description><![CDATA[<p>Não vamos discutir quem era fã de qual grupo de sujeitos vestindo malhas coloridas combatendo monstros com zíperes nas costas enquanto destruíam maquetes de papelão, ok? Todo mundo tem saudade, todo mundo lembra, era mais feliz naquela época, tá, tá, mas o lance aqui é outro.</p>

<p>Os Cybercops.</p>

<p>Não há patota do arco-íris capaz de fazer frente, no quesito demência, a esse seriado. Se os clássicos heróis japoneses enfrentavam alienígenas espaciais, eles tretavam com ninguém menos que um supercomputador chamado Führer. Entre os aliados da máquina inspirada, assim, meio sem querer, no líder nazista, estava um cientista chamado Doutor Einshtein. O pior capanga enfrentado por eles? Lúcifer.</p>

<p>E tem mais. Quando não estavam vestindo suas armaduras, boa parte dos heróis de seriado japonês nada fazia que não perambular por algum tipo de sala de controle a espera do próximo chamado. Mas os Cybercops, não. Além de serem uma unidade de elite da polícia japonesa, eles formavam uma banda. E tocavam o tema do seriado no encerramento de cada episódio!</p>

<p>Outra diferença era no uso de armas. Enquanto seus conterrâneos tiravam canhões e espadas de sabe-se-lá de onde (ã-ham...), os Cybercops valiam-se de um amplo sistema de dispositivos de atendimento, tipo caixas eletrônicos _ só que funcionavam e eram encontrados até embaixo de lixeiras _ com os quais podiam pedir uma infinidade de armas que eram entregues através de um complexo de túneis que abrangia toda Tóquio.</p>

<p>Pra melhorar, a incorreção política beirava o acinte. Só no primeiro episódio há machismo, sexismo, insinuação de pedofilia, abuso de poder policial, um bacanal impossível hoje. <br /></p><p>Bica aí:</p>

<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cgvwjw_UkDo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/cgvwjw_UkDo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></object></p><p>Revendo os episódios, entendi porque passei parte da minha pré-adolescência procurando entradas para cartões dentro de caixas de energia elétrica.
</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/05/eramos_freaks_e_nao_sabiamos.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/05/eramos_freaks_e_nao_sabiamos.html</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 01 May 2009 23:00:36 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Uma dorzinha gostosa</title>
            <description><![CDATA[<p>Um grande amigo tinha/tem cálculo renal. Certa vez, num boteco, depois de várias cervejas, o cara foi ao banheiro. Uns bons 30 minutos se passaram e nada do sujeito voltar. Preocupado, fui atrás pra ver se tinha dado algum problema. Chego e encontro o cara curvado em frente a privada, uma mão apoiada na parede e outra segurando o pau, o rosto vermelho e brilhante de suor, a boca torcida entre um sorriso e um esgar de dor.</p>

<p>Saquei que ele estava tentando expelir uma pedra e não estava conseguindo. Como tinha ouvido dizer que só a dor do parto supera a dor de botar pra fora _ e pela uretra _ um pedregulho, fiquei preocupado e perguntei se estava tudo bem, se queria que chamasse alguém ou fizesse alguma coisa _ de repente ser abatido para acabar de vez com seu sofrimento, sei lá. </p>

<p>Mas o cara apenas virou o pescoço e, de olhos apertados de dor, respondeu que "não, tudo bem, tá doendo, mas é uma dorzinha tão gostosa". E notei que, cacete, o sujeito estava de fato gostando daquele exercício sádico de ficar controlando o jato de urina de acordo com a quantidade de dor que a pedra, em curso, lhe causava.</p>

<p>Hoje, percebo que tenho a mesma sensação de "dorzinha gostosa" quando ouço St. Anger, do Metallica. Especialmente a bateria, considerada por 20 entre 10 bateristas como uma das piores coisas já criadas em N planos astrais, caraca, é como expelir pedras renais pelos tímpanos!</p>

<p>St. Anger é meu cálculo renal. E sua audição constitui o mesmo prazer mórbido que meu chapa tinha em fazer passar um cristal de sal pelo canal do pau (fiz um hai kai? o_O). Por mais que seja ruim _ e eu e todos os fãs do Metallica e todos os não-fãs e principalmente todos os detratores sabem disso _, mesmo assim, de alguma forma, me agrada. </p>

<p>Coloco o bicho pra rodar e ouço inteiro, do começo ao fim. E ele é longo, como deve ser o processo de expelir uma pedra dos rins. De vez em quando, tal qual meu camarada de cócoras no banheiro do boteco, eu solto uma risadinha nervosa do tipo "deus, como isso é horrível, onde os caras estavam com a cabeça?", mas jamais pulo uma faixa. Às vezes, quando vou para o trabalho ouvindo o disco no celular, chego a esperar pelo fim da música antes de entrar.</p>

<p>E nem há uma ligação emocional, o tipo mais comum de link em casos assim. Por exemplo: tu só gosta de "Always", do Bon Jovi, porque quando adolescente teve uma namoradinha que ouvia essa merda o tempo todo.</p>

<p>Mas com St. Anger não é assim. A sonoridade do disco me agrada imensa, pura e simplesmente _ é um lance até físico, tipo as pedras rasgando a uretra do meu camarada. Não tenho orgulho disso, mas também não tenho como evitar. E nem quero, porque é mais forte que eu. Já tive várias e ótimas discussões com amigos que são autoridades no quarteto californiano e nunca arredei o pé. Mesmo ouvindo e reconhecendo os clássicos do grupo, é St. Anger que, numa situação de ilha deserta, eu levaria para ouvir eternamente.</p>

<p>St. Anger dói, eu sei. Mas é uma dorzinha tão gostosa...</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/uma_dorzinha_gostosa.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/uma_dorzinha_gostosa.html</guid>
            
            
            <pubDate>Wed, 22 Apr 2009 14:12:02 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Você descobre...</title>
            <description><![CDATA[<p>... que alguém é realmente teu amigo quando, na semana do teu aniversário, sem qualquer aviso prévio, te envia um presente que mistura duas de suas maiores paixões.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="21443630_4.jpg" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/21443630_4.jpg" class="mt-image-center" style="margin: 0pt auto 20px; text-align: center; display: block;" width="500" height="500" /></span>

<p>Livros e sacanagem.</p>

<p>A Bia é foda como ninguém.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/voce_descobre.html</link>
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            <pubDate>Fri, 17 Apr 2009 21:05:05 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Sem dúvidas</title>
            <description><![CDATA[<p>Vou confessar uma coisa.</p>

<p>Não faço a menor idéia de como analisar 90% da produção musical que chega pra mim no jornal. Sério. Confesso aqui, agora, a minha total incapacidade de fazer uma crítica com mais de duas linhas a respeito desse monte de caixinhas que aparecem todos os dias na bancada que divido com outros repórteres da editoria.</p>

<p>Vou dar um exemplo.</p>

<p>The Fame, disco de estréia de Lady Gaga.</p>

<p>Quem é Lady Gaga? De onde vem? O que representa? Qual sua relevância? O QUE DIABOS ELA FAZ?</p>

<p>A capa é um close do rosto dela, usando uma franja loira rente aos óculos escuros. Abaixo, lábios delineados com um batom claro. De um lado, encostando em uma das lentes do óculos, um amontoado de cristais que "contamina" o acessório.</p>

<p>Se eu parasse por ai, sem sequer abrir o maldito plástico que lacra a caixinha, incorreria na prática do "não ouvi e não gostei". Besteria. Eu sei que não vou gostar, mas "vai que...". Então ouço.</p>

<p>A primeira faixa chama-se Just Dance. Eu conheço de ver o clipe na TV. Começa com um sintetizador que emula uma alarme esgoelado. Aí entram efeitos e não se distingue nada além de uma batida genérica e ruídos diversos para preencher os espaços em branco. A voz da garota, tratada com quilos de Pro-Tools, às vezes ganha um vocoder para dar um ar muderno. De repente entra um sujeito _ ou dois _ declamando versos quaisquer. Fim.</p>

<p>Ficou curioso? <a href="http://www.myspace.com/ladygaga">Aqui</a> ela disponibiliza uma amostra. É suficiente, acredite.</p>

<p>Meu diagnóstico aponta uma Cristina Aguilera aqui, uma Kylie Minogue ali, um tanto de Pussycat Dolls acolá, quer dizer, tenho mesmo que ouvir a segunda faixa? É só mais um genérico do genérico, outra lambisgóia que se veste mal e paga de piranha, como diabos critico isso?</p>

<p>E não se trata de limitar a arte, procurando um rótulo pronto para catalogar ou meia dúzia de tags que facilitem o meu trabalho. Pelo contrário. É tão raso, ralo, medíocre, confuso, que sequer consigo me posicionar adequadamente. Como afirmei no começo do texto, simplesmente não sei o que fazer com um troço desses.</p>

<p>Porque ele não me causa outra sensação que não a de uma inexorável perda de tempo. Sinto os ponteiros do relógio derreterem no meu ácido estomacal sempre que boto um disquinho laminado desse tipo para rodar.</p>

<p>E isso chega aos borbotões dentro de grandes envelopes pardos, com ou sem o logotipo de gravadoras. E não é apenas o pop eletrônico. Gente grande, com certa respeitabilidade, também desafia os limites de qualquer crítica.</p>

<p>Visualizo agora, por exemplo, o novo do Chris Cornell, Scream. Sei, apenas de olhar a contracapa, que não pode ser bom. A produção é do Timbaland. Mas eu vou ouvir. Treze longas faixas da derrocada de um dos maiores vocalistas que o rock anos 90 produziu. Eu tenho que ouvir.</p>

<p>Tenho mesmo?</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/sem_duvidas.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/sem_duvidas.html</guid>
            
            
            <pubDate>Mon, 13 Apr 2009 21:17:55 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Arte de macho</title>
            <description><![CDATA[<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/mad19bbb.jpg" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" width="130" height="340" /></span><p>Se fosse para escolher um "tipo" de arte, eu escolheria escultura. Esculturas são o rock´n´roll da arte, com direito a esse trocadilho gaiato. E não conheci nada mais porrada que os guerreiros de bronze de <a href="http://www.garagemdearte.com.br/xicostockinger/">Xico Stockinger</a>.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/mad15bbb.jpg" class="mt-image-right" style="margin: 0pt 0pt 20px 20px; float: right;" width="130" height="340" /></span><p>Nunca me aprofundei no catálogo do velho austríaco, brasileiro de coração e gaúcho por opção. Mas a primeira vez que me deparei com um de seus gigantes de metal bateu aquela inquietação, um sopro de admiração em forma de palavrão entredentes, o tipo de reação que, ao meu entender, legitima uma verdadeira obra de arte.</p>

<p>E as peças de Xico são verdadeiras obras de arte. Não servem de decoração, para começar. Sequer são bonitas ou agradáveis, pelo contrário. Sua série de guerreiros beira o grotesco, um exército de soldados saídos das profundezas de um pesadelo cor ocre e cheirando a ferrugem. A arte de Xico é perigosa, causa tétano em quem busca anestesia.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/mad12bbb.jpg" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" width="134" height="340" /></span>

<p>Não há contemplação nas construções de chapas retorcidas, moldadas sob a verdade da marreta e o calor do maçarico. Tudo o que precisou se dito foi dito, ponto. Sem entrelinhas, sem meias-palavras. E, acima de tudo, sem medo. </p>

<p>Por isso o metal, o fogo e o martelo. Por isso a forja. Porque não há medo. Não há hesitação.</p>

<p>Mas também não há refresco. Não busque água na aridez aridez dura dos guerreiros de Xico. Cada rastilho de solda alí é desprovido de piedade e cumpriu seu fim sem jamais sentir pena das faíscas lançadas que marcaram as mãos e braços do artista. A carne, só assim, se faz presente: na dor de sua finitude, de sua fragilidade.<br /></p>

<p>Xico morreu ontem, aos 89 anos. Com ele, vai um pouco dessa vontade que se perfaz em fogo e metal. São cada vez menos os ferreiros. E mais, os bundas-moles.</p>

<p>Vai fazer falta, Xico.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/arte_de_macho.html</link>
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            <pubDate>Mon, 13 Apr 2009 18:23:44 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Nada a declarar</title>
            <description><![CDATA[<p>Percebo que tenho cada vez menos a dizer. Ou, preciso de cada vez menos espaço para dizer o que tenho/quero/preciso dizer.</p>

<p>Digo, tanta gente já dá opinão sobre tanta coisa, não serei eu a colaborar para que essa poluição aumente.</p>

<p>Então resolvi fazer uma conta no, dã, Twitter.</p>

<p>Como nick, fiz uma singela homenagem a uma amiga que, sóbria ou não, jamais consegue acertar meu sobrenome. Adoro ela por isso.</p>

<p>Pra quem tiver a fim, procura por <a href="http://twitter.com/bragantti">@bragantti</a>.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/nada_a_declarar.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/nada_a_declarar.html</guid>
            
            
            <pubDate>Sun, 05 Apr 2009 18:23:58 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Advice</title>
            <description><![CDATA[<p>Você percebe que tem alguma coisa dando errado na sua vida quando precisa renovar o estoque de Neosaldina, Plasil e Engov, mas não o de camisinhas.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/pursuit.html</link>
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            <pubDate>Sat, 04 Apr 2009 20:54:54 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Far away, so close (but you)</title>
            <description><![CDATA[<p>Spent my days with a woman unkind, <br />
Smoked my stuff and drank all my wine.<br />
Made up my mind to make a new start, <br />
Going To California with an aching in my heart.</p>

<p>Someone told me there's a girl out there with love in her eyes and flowers in her hair.<br />
Took my chances on a big jet plane, never let them tell you that they're all the same.<br />
The sea was red and the sky was grey, wondered how tomorrow could ever follow today.<br />
The mountains and the canyons started to tremble and shake<br />
as the children of the sun began to awake.</p>

<p>Seems that the wrath of the Gods<br />
Got a punch on the nose and it started to flow;<br />
I think I might be sinking.<br />
Throw me a line if I reach it in time<br />
I'll meet you up there where the path<br />
Runs straight and high.</p>

<p>To find a queen without a king,<br />
They say she plays guitar and cries and sings... la la la<br />
Ride a white mare in the footsteps of dawn<br />
Tryin' to find a woman who's never, never, never been born.<br />
Standing on a hill in my mountain of dreams,<br />
Telling myself it's not as hard, hard, hard as it seems. </p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/far_away_so_close_but_you.html</link>
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            <pubDate>Fri, 03 Apr 2009 23:53:07 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>O simples fode com tudo</title>
            <description><![CDATA[<p>O problema é a simplificação. O resumo. A compilação. Tudo o que vem para facilitar vem na verdade para diminuir. Diminuir em tamanho, significado, importância. Suga o tutano e deixa só a casca frágil por fora.</p>

<p>Sujeito passou no vestibular lendo livros de resumos dos livros pedidos. Na faculdade não lê o livro todo que o professor pede. Pega o xerox do capítulo em questão e manda bala por que não tem dinheiro para comprar a obra toda ao mesmo tempo que não dispensa a assinatura da Placar, tem tempo de menos, preguiça demais, arranja a desculpa que for. Aí absorve um troço todo fora de contexto, jogado no ar, torna-se incapaz de fazer links, passa na prova, pega o diploma e vira uma merda de um profissional.</p>

<p>Ou então compra coletâneas, best of, as 10 mais, #1s. Reduz o trabalho de dez anos de uma banda a uma dúzia de faixas, tiradas de seu lugar de origem, desconexas, desligadas do embrião que deu origem a elas. Pior é que sai garganteando que conhece de verdade a porra da música, já ouviu os hits e o resto não pode ser muito diferente disso. Ouve Caymmi e pensa que aquela melação das primeira linhas dá o tom da obra, sem sequer se dar ao trabalho de continuar a ouvir e flagrar o <em>mondo cane</em> que segue.</p>

<p>Resume a história em antes e depois de sei-lá-o-que como se fosse tão simples assim.</p>

<p>Aí confunde astrologia com astronomia. Lê a Veja. Ouve FM. Assiste a TV aberta. Paga para ver Transformers. Bebe Skol pensando que é cerveja. E acredita mesmo que está levando a melhor quando o caixa esquece de cobrar uma barra de cereal.</p>

<p>Vida resumida. Apertada. Restrita. Não pelo entorno, mas pelo interno. Podes deixar a aldeia, mas nem sempre a aldeia te deixa.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/04/o_simples_fode_com_tudo.html</link>
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            <pubDate>Fri, 03 Apr 2009 23:22:45 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Blues at night</title>
            <description><![CDATA[<p>Buddy Guy</p>

<p>72 anos</p>

<p>Quase 60 de carreira</p>

<p>Pai de Jim Hendrix, Eric Clapton, Jeff Beck, Steve Ray...</p>

<p>Mãos e garganta conservados em rum e uísque de milho</p>

<p>Tocando com o dentes, a barriga e as costas e solando enquanto caminha pela platéia num Teatro do Bourbon Country absolutamente tomado em Porto Alegre<br /></p>

<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_DX1x7pT7d8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/_DX1x7pT7d8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></object></p>

<p>E ainda querem me convencer de Radiohead...</p><p>Mais <a href="http://www.youtube.com/user/portoblues">aqui</a><br /></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/03/blues_at_night.html</link>
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            <pubDate>Mon, 30 Mar 2009 12:47:49 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Ela chegou e disse...</title>
            <description><![CDATA[<p>... que a gente ia ouvir alguma coisa muito foda. Disse eu "ok, bota o que tu quiser, mas tem pouca cerveja na geladeira".</p>

<p>Botou Black Night, do Buddy Guy.</p>

<p>Ah, eu vou te falar, eu lamberia o chão por conta disso, mas ela foi além e sacou um "não é clichê, mas eu realmente não estou usando calcinha. Minha máquina de lavar quebrou e eu não tenho dinheiro para consertar, então dane-se, vai sem, mesmo"</p>

<p>E não era um convite, quer dizer, eu cheguei a dizer, ou pensar em dizer, "ah, mas usa a minha máquina e pendura no box, no registro, na válvula hidra, onde tu quiser".</p>

<p>Mas tudo o que ouvi foi um "vou buscar mais cerveja, então".</p>

<p>E ela foi.</p>

<p>Mas eu tranquei a porta. Por fora. </p>

<p>E esperei no corredor.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/03/ela_chegou_e_disse.html</link>
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            <pubDate>Sat, 28 Mar 2009 04:04:28 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Claro que isso nunca aconteceu, mas bem que podia...</title>
            <description><![CDATA[<p>- Pois não?<br />
- Oi... hã... olha, eu moro no terceiro andar do prédio aqui do lado, esse marrom, sabe?<br />
- Ãham.<br />
- Hã... você é do apartamento que tem a área de serviço virada pra minha janela?<br />
- Bah, acho que sim... é, acho que sim.<br />
- Bom... hã... tem como você descer pra gente conversar? É um assunto meio complicado, tem como?<br />
- Tá... bom, tá, eu desço. Só um instante.</p>

<p>- Oi, e aí?<br />
- Opa, beleza. Puxa, ainda bem que é você mesmo, hehehe. Pois é, eu moro com a minha esposa no terceiro andar e a gente sempre te vê estendendo roupa no varal.<br />
- Ah, não tem jeito, esses prédios são todos grudados, né? É foda...<br />
- É, não dá nem pra ficar pelado, se não fechar todas as janelas, ixi...<br />
- Ah, entendi. Putz, olha, desculpa de andar pelado, cara, mas é que eu moro sozinho e às vezes nem me ligo...<br />
- Não, não, não, nada a ver, não é nada disso, hehehe, não, não. Quer dizer, mais ou menos.<br />
- Não, eu sei, é foda, minha cozinha é toda aberta e dá direto pra tua janela, na mesma altura e tudo, pô, mas é que...<br />
- Não, não, tá tudo bem, não é bem por isso que eu vim conversar contigo. É que, bom, a gente, eu e a minha esposa... olha, vou ser bem direto, ok?<br />
- Tá, beleza.<br />
- A gente queria que você assistisse a gente trepando.<br />
- Uou... velho, olha, eu...<br />
- É que a gente te viu pelado, notou que mora sozinho também, e pensou que, sei lá, "o cara é meio desencanado, quem sabe pudesse participar, na boa", manja?<br />
- Pois é... mas é que eu trabalho a noite, só chego de madrugada em casa, não sei bem o horário que vocês querem fazer, digo...<br />
- Não, não, quando for melhor pra você. Pra gente de madrugada tá ótimo, nossa...<br />
- Tá, e o que eu faço? Só vou pra janela da lavanderia e fico vendo?<br />
- É que na verdade tem que ser algo mais, assim, sem querer, sabe? Não pode parecer que você está lá pra isso, manja? Tem que parecer casual, meio flagrante, entende?<br />
- Ah, tá. Mas é que de madrugada, não sei como fazer isso na lavanderia...<br />
- Não tem vezes que você chega do trabalho e vai recolher a roupa do varal?<br />
- Tem. É...<br />
- Então, é isso. Tu chega e vai recolher as roupas do varal. E aí a gente vai estar lá...<br />
- Tá, mas você não tem medo que o meu prédio inteiro veja você, quer dizer, não tem só a minha janela que dá pra janela de vocês, que é bem grande por sinal.<br />
- Sim, sim, mas vamos fechar uma das persianas e ficaremos no fundo da sala, de um jeito que só da sua janela vai dar pra ver. Aí é só acertamos um horário.<br />
- Hum. Tá, então eu chego, finjo que vou recolher as roupas do varal e aí fico vendo vocês, é isso?<br />
- Isso, isso...<br />
- Mas não posso ficar encarando o tempo todo, é isso? Tipo, eu só dou umas olhadinhas de vez em quando...<br />
- É, no começo sim, mas depois que o negócio engrenar aí não tem problema, pode até pegar um binóculos, hahahaha!<br />
- Hahahahahaha!<br />
- Hahahahaaaaaa... hã... então, é isso. Pode ser hoje à noite?<br />
- Pode, pode... lá pela meia-noite e meia?<br />
- Bah, tá ótimo, muito bom.<br />
- Bom, então vou colocar umas roupas pra bater agora e dar tempo de estender antes de ir pro trabalho.<br />
- Beleza, beleza. A gente combina alguma sinal?<br />
- Ah, fica meio de olho por esse horário, que eu vou chegar, acender a luz do corredor pra deixar as minhas coisas e aí vou pro varal.<br />
- Beleza, beleza, legal. Fechado, então.<br />
- Tá certo. Até mais, então.<br />
- Até.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/02/claro_que_isso_nunca_aconteceu.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/02/claro_que_isso_nunca_aconteceu.html</guid>
            
            
            <pubDate>Sun, 15 Feb 2009 22:31:56 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Même e eu, eu e même</title>
            <description><![CDATA[<p>Tiagón me incluiu numa même. Pelo que entendi, tenho que contar seis coisas que supostamente ninguém sabe _ ou deveria ter alguma dificuldade para saber. Mas sinto que já falei tudo o que podia e não podia falar para todo mundo que conheço logo nos 10 primeiros minutos de conversa. Se o boteco aceitar cartão, então... <br />
Mas vou tentar.</p>

<p>1- Fui flagrado pela minha mãe fazendo air guitar. Eu estava no meu quarto, em frente do espelho do armário, ajoelhado, de cueca, no solo final de Stairway to Heaven. Ela chegou a bater na porta, mas eu não ouvi e ela entrou com uma pilha de roupas passadas pra guardar, viu a cena e simplesmente depositou a trouxa sobre a cama. Desde então, sempre tranco a porta do quarto quando faço air guitar na casa dos meus pais.</p>

<p>2- Passei lápis nos olhos para assistir a um show do Placebo com o Bia, em Jaguariúna. Não me perguntem o motivo, eu achava legal. E ainda tirei uma foto com o Carlos Eduardo Miranda. E quase dei um peteleco na orelha do Lúcio Ribeiro. Nunca mais vi um show do Placebo. Nem pintei os olhos.</p>

<p>3- Meu primeiro emprego na área de comunicação foi numa revista em Santa Bárbara d´Oeste. Para economizar, ia de bicicleta _ coisa de 5 km pela Rodovia Luiz de Queirós, ou SP-304. Quando comprei um carro, não trabalhava mais na revista nem andava de bicicleta. Hoje não tenho carro nem bicicleta e vou trabalhar a pé _ mas não caminho 5 km.</p>

<p>4- Tenho pavor de insetos, com especial ojeriza por baratas. Quando vejo um tenho um impulso natural e irrefreável de exterminá-lo o máximo que puder. Já quebrei vasos e porta retratos da minha mãe torpedeando baratas com chinelos. Então descobri os inseticidas. Prático, mas tira o prazer de sujar as próprias mãos.</p>

<p>5- Quando tinha 15 anos, colei a porta da geladeira com Super Bonder. Assim, simplesmente, como quem acorda e lava o rosto. Esvaziei o tubo de cola por toda a borracha, fechei e esperei. Até hoje tento entender por que fiz isso e não encontro resposta. Nem meus pais. Nem o cara da assistência técnica.</p>

<p>6- Precisei fazer um ano de análise para descobrir que não tem nada de errado em gostar de mulher bonita.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/02/meme_e_eu_eu_e_meme.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2009/02/meme_e_eu_eu_e_meme.html</guid>
            
            
            <pubDate>Thu, 12 Feb 2009 02:25:19 -0300</pubDate>
        </item>
        
    </channel>
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