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        <title>brigatti</title>
        <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/</link>
        <description>Eu sei que deixei aqui em algum lugar...</description>
        <language>pt</language>
        <copyright>Copyright 2008</copyright>
        <lastBuildDate>Mon, 14 Jul 2008 17:18:05 -0300</lastBuildDate>
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            <title>Virando o balde no ventilador do mundinho</title>
            <description><![CDATA[<p>Sabe aquele papo de fim das gravadoras, as delícias do mundo independente pós-P2P? É, a coisa não é bem assim. Nem um pouco.</p>
<p>E quem diz são eles.</p>
<p><a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2039310.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=10248&amp;section=88">Aqui</a>. <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2039320.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=10248">Aqui</a>. E <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2039321.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=10248">aqui</a>.</p>
<p>Tem um graficozinho bem marromeno pra quem possa interessar, mas o lance é o caldo de letrinhas, mesmo...</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/07/virando-o-balde-no-ventilador.html</link>
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            <pubDate>Mon, 14 Jul 2008 17:18:05 -0300</pubDate>
        </item>
        
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            <title>As coisas só pioram</title>
            <description><![CDATA[<p>No começo, podíamos fazer de tudo. Não tínhamos nada, e nada nos era negado. Trepar com quantas fêmeas - ou machos - quiséssemos, endoidar afú bebendo chá de cipó, fumar toda a savana, brigar por farra, perambular pelado sem nada pra se preocupar. Nem a bunda tínhamos que limpar!</p>
<p>Mas aí a coisa estava muito boa pra ser verdade, e alguém - provavelmente um sujeito de pau pequeno que não&nbsp;comia ninguém durante as&nbsp;farras ou uma mulher feia&nbsp;que ninguém comia durante as farras - inventou deus. Deus e a religião. E um livro de regras. E aí ninguém mais fodeu, bebeu e&nbsp;perambulou pelado&nbsp;por um bom tempo. Em compensação brigar...</p>
<p>Só que, sabe como é, um jeitinho aqui e ali, conversa vai, conversa vem, e decidiram que, ah, beber vinho nos dias santos pode. E trepar também, desde que sob a concordância do rei - e ele comeria sua mulher antes, sim, porque nada é fácil nessa vida. E só para a reprodução, então tome filho no mundo.</p>
<p>E as coisas estavam começando a voltar àquela zorra gostosa de outrora quando uns sujeitos&nbsp;- provavelmente um sujeito de pau pequeno que não&nbsp;comia ninguém durante as&nbsp;farras&nbsp;e uma mulher feia&nbsp;que ninguém comia durante as farras - inventaram de matar deus e criar a ciência. E a ciência virou uma religião. E não com um, mas vários livros de regras, e com regras que mudam a toda hora.</p>
<p>Aí a carne vermelha começou a fazer mal. E gordura&nbsp;virou um troço a ser evitado a qualquer custo. Assim como ovo, farinha e açúcar. Alface, tomate e água, ó sim, taí o que&nbsp;vocês precisam pra viver. O negócio chegou a ponto que matar bicho também não podia mais - a não ser peixe, que não tem como levar pra passear.</p>
<p>Bom, pelo menos podíamos continuar trepando. E contínuamos, e fomos bem, pílula, camisinha, amor livre, ninguém é de ninguém, DST era uma&nbsp;pereba&nbsp;que sarava com pomada até que... AIDS. Pronto. Fodeu de novo. Digo, não fodeu. Não dava mais pra trepar sossegado. Epidemia. A culpa é dos bichas. A culpa é das mulheres. A culpa é de um macaco africano. A culpa é nossa. Risca o sexo, pronto.</p>
<p>Mas mesmo sem poder trepar, dava pra fumar! Depois de uma preliminar bem feita, era só estender o braço e acender um careta pra ficar legal. Até dizerem que ele causava câncer. Sim, pesquisas e mais pesquisas, certo, comprovado, não tem erro, morte ao tubinho de nicotina. Nem cigarrinho de chocolate mais era permitido. Campanha educativa na criançada, foto de gente lazarenteada, fetos podres, pulmões podres, banimento da propaganda, ah, cerca eles num canto qualquer que essa fumaça vai fazer cair o meu permanente. Você fuma? Ai, que nojo, beijar quem fuma é como lamber cinzeiro, ai, que cheiro, ai, os dentes amarelos, ai, empestou todo o lugar, ai, você gasta mais com cigarro que com leite pras crianças. Risca o cigarro.</p>
<p>Só restava o álcool. O árco. O velho e bom demônio da garrafa. Tínhamos que meter todas as nossas frustrações em algum lugar, e era no alambique que a coisa acontecia. Até hoje. Até meia-dúzia de zé ruela não segurar a bronca e cagar o pau matando gente. Aí perdeu a graça. E pronto, risca o árco também.</p>
<p>Sem carne com capa de gordura. Sem promiscuidade. Sem cigarro. E agora sem bebida.</p>
<p>Eu só acho isso:</p>
<p>
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="DISPLAY: inline"><img class="mt-image-center" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 20px; TEXT-ALIGN: center" height="296" alt="Fuck%2520You%2520Yankees.jpg" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/Fuck%252520You%252520Yankees.jpg" width="321" /></span></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/07/as-coisas-so-pioram.html</link>
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            <pubDate>Fri, 04 Jul 2008 01:46:25 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Eu tenho o melhor trabalho do mundo</title>
            <description><![CDATA[<p>Saca isso.<br /><br />Tô faxinando a casa quando recebo um telefonema do jornal. É a Deca, editora da Geral, dizendo que eu tinha sido cogitado para um Teste ZH de bafômetro. O lance consistia em beber uma determinada quantidade de bebida alcoólica e depois fazer um teste de bafômetro na EPTC.<br /><br />Aceitei, claro.<br /><br />No horário marcado, vou com um grupo para o Guion Center. Lá, a equipe foi dividida em duplas, onde cada uma deveria tomar um determinado tipo de bebida. Cada integrante da dupla beberia ou um copo de caipirinha, ou dois copos de chopp, ou três taças de vinho, ou comeria dois bombons de licor. Eu fiquei com a caipirinha. Bebemos e fomos pra EPTC.</p>
<p>No caminho, uma garota, 22 anos, começa a dizer que nunca havia bebido tanto na vida. E ela tinha bebida três taças de vinho Concha Y Toro. Ela faz o teste e dá 0,31, suficiente para que fosse presa, enfim. Todos nós fazemos o teste, pegamos os comprovantes e vamos embora.</p>
<p>Eu volto no mesmo carro que ela. No caminho, a garota continua dizendo que está zonza, que nunca tinha bebido tanto e de repente VOOOOOOOOOOOSHHHHH! Começa a vomitar as tripas. Adivinha em cima de quem? É, do&nbsp;simprão aqui, que ainda consegue mandar o motorista parar o carro, abrir a porta e redirecionar o jato de vômito para fora do carro.<br />Mas já era tarde, e adeus uma calça e tênis, ensopados de vinho, bile, e macarrão com salada.</p>
<p>A garota, claro, fica sem graça, mas começa a gargalhar, típico de quem tomou o primeiro porre da vida, manja? E eu lá, vomitado!</p>
<p>Ai eu penso "porra, quem foi o gênio que escalou essa mina pra encher a lata?". Mas em seguida penso "Hahahahahahahahahahahahahahahaha, do caralho, do caralho!"</p>
<p>E ainda voltei pra trabalhar - devidamente limpo, claro...<br /></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/saca-issoto-faxinando-a-casa.html</link>
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            <pubDate>Wed, 25 Jun 2008 23:24:00 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Manja aquela faixa &quot;eu já sabia&quot;? Pois é...</title>
            <description><![CDATA[<p>"Gelo em Marte, diz a Viking<br />Mas no entanto não há galinha em meu quintal"</p>
<p>Raul Seixas, 1976</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sonda Phoenix encontrou gelo em Marte, dizem pesquisadores</p>
<p>Folha Online,&nbsp;2008.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/manja-aquela-faixa-eu-ja-sabia.html</link>
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            <pubDate>Tue, 24 Jun 2008 18:51:20 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Para ela, que pisa em ovas</title>
            <description><![CDATA[<p>Vai, chega mais pra perto aqui. Deixa esse lamento, essa falta de criatividade desse povo bobo pra esse povo bobo. Que se lasquem com seus modelos de cuecas, suas gostosas sabor&nbsp;melancia e seus paus a meia-bomba. Eles podem ser sensuais, mas nós, amiga, nós somos sexuais. Somos feito de blow jobs invertidos, aditivos tarja-preta, trepadas sinceras e&nbsp;sangu, suor e sêmem&nbsp;por todo lado. PVC e hormônios por todos os orifícios, líquidos e espessos, lânguidos e carnudos, grossos, lentos, concisos, tenros e intumescidos. Não, eles não querem brincar com a gente. Sequer observar.Talvez, ter consciência. Não ficamos na borda, amiga, você sabe disso, então pára de se enganar. Cabelo solto, noite, dia, madrugada, umas palmadas e voi lá, chegamos onde queríamos, mas não puxa todo o cobertor que tá um frio danado. Nada de curvas ou retas, apenas relevos altos e baixos por quilômetros de pele e pêlos encaracolados e ensopados de indecência e obscenidade. Discrição de cu é rola, e disso, hehehe, nós entendemos e nos esbaldamos. E claro que fazemos propaganda, mesmo sem querer, e todos meio que sabem, e os que curtem chegam junto, os que correm por fora, bom, esses nem chegam perto. E é longe deles que devemos manter nossas trompas e testículos, como se a ponto de apodrecer ficassem assim, logo que esticassem suas garras brancas e gritassem feito falsas virgens ante uma bela estocada. Eles que se fodam, amiga, se fodam maleporcamente entre si, que é o que sabem fazer, enchendo o mundo de gente&nbsp;chata e&nbsp;modorrenta como eles. E vamos nós nos foder o quanto e o mais que pudermos - metaforica e sardonicamente, você me entende. Fingem que não nos notam, que não nos conhecem, mas respiram fundo quando passamos e cerram os dentes e apertam as pélvis quando segredamos besteiras tão inocentes e infantis quanto esfregar os pés num dia de frio e, ei, ei, ei, esquenta mais água pro chá e traz outro pires com doce de leite. Queremos. Entregamos o que prometemos e vulgarizamos o máximo permitido dentro de nossas vontades. Não há Procon na nossa cola, não cometeremos jamais o crime de estelionato em decúbito dorsal. Quer? Vem pegar. Com muito açúcar para inflar as dobras do seu despudor, com muita gordura animal para entupir as artérias da porra da tua indecência, cheio de fumaça ancestral feita para estupefaciar o pouco de ordem e arrogância que ainda guarda nesse livrinho de regras cagadas na cabeça. Forte. Extra-forte. Premium. Edição especial. Sem embrulho, pelado, mal diagramado, fora de esquadro, vivo, pulsante, sem parte pudentas, nada de pudismo, tudo aflorado, exposto, escorrendo e implorando para não ser desperdiçado. Engolimos tudo.&nbsp;É bom? Você gosta? Quer mais? Eu dou. Dou tudo e mais um pouco. Mas também pegamos sem que você perceba. Roubamos a paz deles, amiga, e ele só notam isso quando o sol nasce vermelho em plena aurora boreal. É fim de mês e nem aí pras contas amontoadas na caixa de correio. Mas agora desliga essa caixa e solta os cachorros no mundo.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/para-ela-que-pisa-em-ovas.html</link>
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            <pubDate>Mon, 23 Jun 2008 17:24:13 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Pra casar</title>
            <description><![CDATA[<p>A coisa de um palmo de distância, amigos, um palmo...</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe src="http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/PlayerEmbed.aspx?uf=1&amp;midia=25115&amp;channel=48" frameborder="0" width="306" scrolling="no" height="306"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Comentário impertinente, mas necessário e notável: num show de black music, os únicos negros fora do palco eram os seguranças.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/pra-casar.html</link>
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            <pubDate>Fri, 20 Jun 2008 21:51:39 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Pílulas de sabedoria em vídeo</title>
            <description><![CDATA[<p>No YouTube, digite TYPOGRAPHY. </p>
<p>Abaixo, uma mostra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<embed src="http://www.youtube.com/v/uuiKJ0rRTAo&amp;hl=pt-br" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Totalmente viciante. E genial.</p></embed>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/pilulas-de-sabedoria-em-video.html</link>
            <guid>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/pilulas-de-sabedoria-em-video.html</guid>
            
            
            <pubDate>Tue, 10 Jun 2008 22:08:30 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>O profeta</title>
            <description><![CDATA[<p><font style="FONT-SIZE: 1.56em">"Essa daí tá igual a melancia no sol: louca pra fazer mal pra alguém"</font></p>
<p align="right"><em>EDV, calçadão de Ipanema,&nbsp;março de 2005, uma tarde de domingo</em></p>
<p align="right"><em></em>&nbsp;</p>
<p align="left"><em>
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="DISPLAY: inline"><img class="mt-image-center" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 20px; WIDTH: 418px; HEIGHT: 515px; TEXT-ALIGN: center" height="1508" alt="MELANCIAA2.JPG" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/MELANCIAA2.JPG" width="1146" /></span></em></p>
<p>A conferir...</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/o-profeta.html</link>
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            <pubDate>Thu, 05 Jun 2008 12:10:18 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Eu passo muito tempo comigo mesmo (I)</title>
            <description><![CDATA[- O problema é que ninguém quer assumir ninguém. Bando de bunda-moles. Ficam o tempo todo se policiando para não foder com a vida de alguém. E o que há de errado em foder com a vida de alguém de vez em quando? É o único jeito de se fazer notar, de ser lembrado, de movimentar algumas coisas.<br />- Então tudo se resume a isso, a marcar em brasa, tipo gado, para não ser esquecido. O teu medo é não ser lembrado, é isso? Por que se for isso, de fato, foder a vida de alguém é um excelente caminho.<br />- Não, não é isso. O que eu tô tentando dizer é que não vejo porquê ficar nessa de "ah, faz o que você quer por você, não faz por mim, porque se der errado, não quero me sentir culpado". Então tu é capaz de abrir mão de algo que tu acha valioso só para evitar um possível ataque de consciência no futuro? Como se alguém pudesse prever isso, como se fosse natural&nbsp;adivinhar o que vai acontecer antes de se fazer.<br />- Algumas coisas dá, sim. Só de olhar pra elas, dá pra sacar que são péssimas idéias e evitar a dor de cabeça que vão dar. Pra ficar na dor de cabeça como exemplo, é certo que tomar vinho vagabundo dá dor de cabeça no dia seguinte. Então tu não toma.<br />- Mas e se eu quiser tomar?<br />- Então toma já sabendo do que vai acontecer. Pra mim, isso é burrice. Se sabe que vai ser ruim, porque insistir?<br />- Porque posso estar errado.<br />- No que toca a vinho vagabundo, jamais.<br />- Tô falando de pessoas. Por que evitar problemas? Por que se encolher num canto? Covardia. Covardia pura e simples.<br />- Ninguém quer tomar uma atitude que só vai dar encheção de saco depois, é só isso.<br />- Ah, tá, então o que devemos fazer é só agir quando tivermos absoluta certeza? Não somos cupins, somos seres humanos. Não agimos com lógica. E no toca à relacionamentos, sequer com inteligência.<br />- É isso que tanta gente quer evitar. Agir sem inteligência. Por isso a cautela.<br />- Cautela demais é medo. É arregar. É preferir matar um sentimento a assumi-lo e vivê-lo da forma que se deve.<br />- E que forma é essa?<br />- Intensamente. Cegamente. Irracionalmente.<br />- O resultado pode ser ruim, e aí?<br />- O resultado pode ser bom, e aí? Prefere mesmo escolher o caminho mais fácil? Imagina quanto tempo a gente não morou em caverna por causa de gente que morria de medo de, sei lá, tigres dentes-de-sabre? Até que alguém levantou e disse "porra, cansei de comer aipim, vou lá fora arrancar o couro do primeiro bicho que cruzar o meu caminho e fazer um churrasco".<br />- O cara deve ter sido morto.<br />- Melhor morto que vegetal. Que é a forma como esse povo vive.<br />- Estamos falando de foder com a vida de alguém, e não matar um animal pré-histórico. São coisas diferentes.<br />- Tá, foder a vida de alguém, às vezes, não é todo ruim. Te contei da XXX, não?<br />- A-hãm.<br />- De certa forma, ela fodeu a minha vida. E até hoje eu agradeço por ela ter sido tão filhadaputa comigo e ter me ensinado que as luzes não acendem enquanto os créditos sobem numa telona retangular. O que eu acho é que muitas vezes as pessoas estão só esperando terem suas vidas fodidas.<br />- Não é bem assim. Você se saiu bem. Tem gente que, dependendo de como a coisa acontece, só pioram. Então é melhor deixar como está.<br />- Não, não tem que deixar como está.<br />- E quem é você para decidir se é para deixar ou não como está.<br />- Alguém que teve a vida fodida e sabe do que está falando.<br />- Você é um. Seu parâmetro é só seu, não tenta aplicar ele&nbsp;a outras pessoas. O que deu certo pra você, não quer dizer que dará certo com os outros.<br />- Mas e se der?<br />- Vai arriscar? Não estamos falando de cupins, estamos falando de pessoas, como você mesmo disse. Já pensou nas conseqüências do que tu faz, das coisas que tu fala?<br />- Toda noite.<br />- Então sabe do que eu tô falando. Sabe que pode estar errado, mas prefere pensar que está agindo certo.<br />- Só quero ajudar.<br />- Ajuda quem te pedir ajuda. Pára de querer lobotomizar todo mundo que encontra pela frente.<br />- Eu não tento lobotomizar ninguém, só faço o que acho que tenho que fazer. E assumo isso, ao contrário dessa gente que prefere não fazer nada. Não tô nessa a passeio.<br />- Ótimo, mas tem gente que está. Tem gente que embarcou nesse ônibus sem querer e não vê a hora de descer no próximo ponto. Se tu quer curtir a viagem, beleza. Mas não incomoda os outros.<br />- Não consigo.<br />- Então vai se foder.]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/eu-passo-muito-tempo-comigo-me.html</link>
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            <pubDate>Thu, 05 Jun 2008 11:02:22 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Sem-teto</title>
            <description><![CDATA[<p>Teoricamente, eu ainda sou um sem-teto. Moro num apartamento cedido por uma amiga de um amigo, que viajou e tem data certa para voltar. Não, não&nbsp;reclamo.&nbsp;É fácil de limpar, veio parcialmente mobiliado e com vocação para câmara frigorífica. Fica no centro nervoso da boemia porto-alegrense e perto de supermercados e pontos de táxi. Dele, vou a pé para o trabalho. Atrás, tem um misto de locadora alternativa com café chamada Paris que cobra R$ 3 (adiantados) do aluguel de DVDs e tem um expresso duplo honesto a R$ 2,50. Na frente, um restaurante mexicano.</p>
<p>Mas não é meu.&nbsp;Não é meu nos&nbsp;sentido de identificação. Moro nele, mas&nbsp;não pertenço ao lugar, sacumé? O máximo que&nbsp;tinha feito era instalar&nbsp;o videogame, o laptop e&nbsp;plantar uma pimenteira.&nbsp;Até&nbsp;o último final de semana. No último final de semana,&nbsp;comprei este quadro.</p>
<p>&nbsp; 
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="DISPLAY: inline">&nbsp;</span></p>
<p>
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="DISPLAY: inline"><img class="mt-image-center" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 20px; TEXT-ALIGN: center" height="450" alt="Kiss-by-Tanya-Chalkin-Poster-C13021440.jpg" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/Kiss-by-Tanya-Chalkin-Poster-C13021440.jpg" width="320" /></span></p>
<p></p>
<p></p>
<p>Pronto. Agora o apartamento é meu.</p>
<p>Sem parecer exagerado, devo ter ficado bons dez minutos contemplando as duas meninas penduradas na minha parede. Elas representam duas das coisas que mais gosto. Beijo e mulher. Logo, mulher se beijando...</p>
<p>Mas não fica nisso. Ele encerra todo tipo de fantasia masculina com o menor esforço. Bote reparo. Não há cinta-ligas, rendas, couro, corpete, ou qualquer outro acessório. As garotas sequer estão maquiadas.&nbsp;Cores somente&nbsp;atrapalhariam.&nbsp;Tudo sugere casualidade. Acabaram de acordar - ou estão indo deitar -, vestem blusinhas e calcinhas brancas de algodão, pijamas solamente.</p>
<p>E beijam um beijo longo, honesto, de rosto colado, íntimo e leal. Elas se conhecem e&nbsp;devem fazer isso todos os dias, diz o pôster. Olhos fechados, braços entrelaçados, um abraço apertado e ao mesmo tempo casto, que junta&nbsp;o tórax enquanto afasta o púbis. Não há impulso sexual - não num primeiro momento, pelo menos. Existe apenas a cara e simples&nbsp;cumplicidade.</p>
<p>Dá vontade de passar o&nbsp;dia todo olhando para ele. Porque&nbsp;ele representa&nbsp;um espaço. Um espaço que não&nbsp;nunca existiu e demorou seis&nbsp;meses&nbsp;para finalmente ser composto. E precisou tão somente de um quadro. </p>
<p>Não qualquer quadro, mas Kiss, da fotógrafa <a href="http://www.tanyachalkin.com/">Tanya Chalkin</a>. Há outras tentativas, mas nenhuma como Kiss. E ela sabe disso. Tanto quanto eu.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/06/semteto.html</link>
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            <pubDate>Wed, 04 Jun 2008 00:19:48 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Engole essa</title>
            <description><![CDATA[<p>Garota leva um pé na bunda, afoga as mágoas comendo doce num boteco, viaja para conhecer gente cheia de "problemas" e volta para ficar com o dono do boteco. E ao final explica, em off(!!!), a lição aprendida para ser feliz-para-sempre. Wong Kar Wai, vai tomar no cu, é o mínimo que posso dizer. Pega o seu Jude Law blasé-proletário, os infinitos closes em câmera lenta na Norah Jones, o decotão da Rachel Weisz, a Nova York que mais parece Hong Kong e enfia tudo bem lá no fundo e volta pra tua terra. Ou melhor, não volta. Fica em Hollywood, só que se associa ao Michael Bay e vai fazer filme de samurai e aposta tudo na "fotografia", que é o melhor que tu pode fazer. </p>
<p>Desiste de fazer a mesma coisa que tu fazia lá e ajusta o foco dessa objetiva, meu filho. Que tipo de filme é esse&nbsp;que não é nem romance de confeitaria estrelado pela Meg Ryan, nem drama existecial chumbrega dirigido pelo Wes Anderson cheio de tipos esquisitos, muito menos polaróides de casos mal-resolvidos com o Hugh Grant? Porque <em>Um Beijo Roubado</em> - título bisonho para <em>My Blueberry Nights</em> - é um pouco de tudo isso e cabe bem se você precisa escrever uma coluna sobre "a vida" ou sobre "relacionamentos" pruma revista feminina.</p>
<p>De fio à pavio é aquele compêndio fácil de frases de efeito e planos mais fáceis ainda. Tudo bem ser fácil, mas não precisa desafiar a inteligência do espectador, pombas! Argumentos que comparam relacionamentos com tortas e falam do quão recompensador é acreditar nas pessoas, "mantendo o coração puro e a mente aberta", têm aos borbotões por aí. Não preciso que um china qualquer grave a coluna cervical da obra do Dr. Lair Ribeiro em celulóide, pinte ela de neón e venda como sendo algo incrivelmente fantástico.</p>
<p><em>Blueberry Nights</em>&nbsp;faz o espectador de otário. E de burro, porque além da narração em off para explicar o final "edificante", ainda utiliza marcadores de tempo canhestros para mostrar a quantas anda a história. Porra, faz isso mostrando a barba do sujeito crescendo, ele arrancando as folhas do calendário, o cabelo da mina diferente, mas não escrevendo na tela, tipo "olha, já se passaram 120 dias, tá bom?". Se foder, pô.</p>
<p>"Ah, não, mas o Wong Kar Wai fez <em>Amor à Flor da Pele</em>, baaaaaaita clássico". Bom, eu não assisti. E se eu preciso assistir a filmografia inteira do sujeito para entender/gostar do último filme dele, fodeu. Porque ele não é o David Linch, não fez filme para meia-dúzia de zé-ruela ficar se masturbando em blog e fórum de discussão na internet. Fez pra encher a burra de dinheiro. Fez um filme cheio de estrelas de Hollywood, uma cantora dona de trocentos Grammys, orçamento gordão, distribuição decente, abriu o Festival de Cannes no ano passado e&nbsp;embalou tudo&nbsp;numa trilha sonora babíssima com jazz, blues e folk. Tudo certinho para agradar todo mundo.</p>
<p>Novamente: procura o Michael Bay e oferece pra ele um épico de 300 minutos sobre um ninja cego que encontra o amor da sua vida em sua última missão antes de partir para exílio no Tibet. E aposta tudo na "fotografia", claro.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/05/engole-essa.html</link>
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            <pubDate>Sun, 25 May 2008 19:12:44 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Euqueroserjoshhomme.com</title>
            <description><![CDATA[<p><embed src="http://www.youtube.com/v/KUZL2hVUyUE&amp;hl=pt-br" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"></embed></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/05/euqueroserjoshhommecom.html</link>
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            <pubDate>Sun, 11 May 2008 18:48:02 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Carta</title>
            <description><![CDATA[<p>- Escrevi uma carta para você.</p>
<p>- É algo importante?</p>
<p>- Sua vida.</p>
<p>- Ah...</p>
<p>- Mas leia depois. Não é nada demais. Ou, de repente, é. Não sei. É só tudo aquilo que estava aqui, ó, entre o estômago e as amídalas desde, putz... Acho que desde que nos conhecemos. Não puxa esse sorrisinho de lado. Não tem graça. A mínima, em nenhum sentido. Para de querer achar graça em tudo. Chega. Que coisa. Você já é um adulto, dá um tempo, pô. Bom, você vai ler. Não precisa me dizer depois o que achou, não foi pra isso que escrevi. Nem é um acerto de contas, nada a ver. Também não quero que tire algum tipo de conclusão. Só acrescenta isso aí na nossa biografia. Arquiva em algum lugar. Melhor, queima depois de ler. Não guarda, não. Nosso lance não permite juntar coisas. Não vamos ter tempo depois para olhar para trás, ter saudade, avaliar o que aconteceu ou essas coisas, de qualquer forma. Nunca envelheceremos juntos, você sabe. Com direito àquelas caixinhas com fotos e recortes velhos que acabam aparecendo durante reuniões de família. Sempre tem alguém que lembra de alguma coisa daquilo. Mas isso não funcionaria com a gente. Somos presentes demais. Não temos passado, então fica claro que jamais viveremos um futuro. Resta o agora. Tá tudo escrito aí, você vai ler. O perfume não foi de propósito, é sério, nem o papel de carta estilo fichário do colegial. Escrevi com pressa, queimando de raiva e paixão. Isso tudo que você cansou de me explicar como funciona. Só que nem você sabe direito como acontece, porque passa por isso o tempo todo em frente ao espelho e ele não te dá resposta alguma. Só ouve. O espelho aceita tudo. Papel também, aprendi por aí. Então coloquei tudo o que queria nessas folhas. Frente e verso, letra corrida, sem revisão nem nada. Não que não tivesse tempo, mas se não me corrijo quando conversamos, porque faria isso no papel? Sei que você também não se importa com isso. Você se importa com coisas demais de valor de menos para ligar para caligrafia ou conjugação verbal. Tá, tô na tua frente, e se for ver, você também aceita quase tudo o que digo. Mas não consigo te imaginar como uma folha de papel em branco. Tem tanta coisa escrita nela que às vezes me perco tentando entender o que outras pessoas já escreveram e imaginar o que me aguarda. Inútil, eu sei. Você já me falou isso. Já me falou tanta coisa. Me ensinou uma ou outra - nada importante, sinceramente. Mesmo assim, não consigo fingir indiferença. Fico dando voltas para acabar nessa mesma pocilga que é a sua enciclopédia de desculpas tão ridículas quanto honestas. Você é honesto, eu sei. Pior, é honesto consigo mesmo. A maior parte do tempo, claro, porque também gosta de se enganar de vez em quando que eu sei. Beira a charlatanice, eu diria. Quer dizer, faz de conta que é isso, quando na verdade sabe que logo vão descobrir a verdade. A verdade traz a culpa, olha aí, ó. Eu sei, eu sei, não gira os olhos para provar que já passou por poucas e boas por conta disso. Se fodeu, eu sei. Queria ter me fodido no seu lugar se pudesse. Incoerente, eu sei. É a vida. A sua vida. A minha vida. E uma impensável nossa vida. Pior é que nunca fizemos promessas de verdade. Ou fizemos? Não me lembro. Lembro de tantos detalhes de algumas coisas ao mesmo tempo que esqueço completamente de passagens inteiras. E não é porque eram menos importantes, eu só não consigo me lembrar. Nem as coisas tristes, nem as coisas felizes. Acho que é porque às vezes o baque era tão grande que causava uma amnésia do tipo alcoólica. E aí? Vamos embora?</p>
<p>- Só depois de ler a carta.<br /></p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/05/carta.html</link>
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            <pubDate>Fri, 09 May 2008 20:36:22 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Uma velha e boa discussão antes do feriado</title>
            <description><![CDATA[<p><a href="http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago/">Ms. Gabizago</a> é uma destas forças da natureza que me maravilham. Nem bem completou 1/4 de século e escreve com tal propriedade que fica difícil não se impressionar - ou intimidar. Ela é uma observadora atenta do jornalismo como ferramenta de mudança social. Mas ao contrário do Alberto Dines, não é um pé no saco.</p>
<p>Conheci ela via <a href="http://www.verbeat.com.br/blogs/bereteando/">Tiagón</a> - outro zeitgeist com o qual tenho prazer de me embebedar&nbsp;pelo menos&nbsp;uma vez por semana. Cheguei também no professor <a href="http://www.insanus.org/martelada/">Trasel</a>, que assim como GZ, também permanece de olho no que vai ser do jornalismo. Como eles, muito mais gente discute o assunto, apresentando novos pontos ou revisitando velhos. Beleza. Tudo certo. Então vou contar um lance aí que talvez possa colaborar com isso.</p>
<p>Pra começar, admito que ainda não me convenci de que é possível fazer jornalismo via blog. Quando quero me informar, procuro primeiro os portais dos meios de comunicação consolidados em papel. Depois, me aventuro por outras barras de rolagem. Mesmo assim - correndo o risco de parecer anacrônico - é no papel que confio. </p>
<p>Tá, sejamos honestos, há tanto jogo de interesse num jornal ou revista impresso quanto num portal ou blog. Em ambos têm quem faça o certo e quem faça o errado. Quem age de má fé e quem contribui com informação qualificada. Ainda assim, as letras impressas me parecem ainda mais confiáveis por um motivo muito básico: escrever besteira em jornal ou revista impressa não tem volta. Uma vez que as rotativas foram acionadas e o calhamaço entregue, acabou-se.</p>
<p>Aconteceu onde eu trabalhava e foi simples assim.&nbsp;Um editor leu no portal de uma retransmissora de TV&nbsp;local uma denúncia&nbsp;contra o prefeito de&nbsp;uma&nbsp;das cidades de sua&nbsp;cobertura. Pediu para o repórter checar a informação. Ele não conseguiu. Na ânsia de dar a informação, o editor pediu que o repórter fizesse a matéria com base nas linhas do site.</p>
<p>No dia seguinte, o advogado do prefeito ligou para o jornal dizendo que estava entrando com um processo por - que eu me lembre - calúnia e difamação. O site já havia retirado a página com a denúncia do ar. Até onde sei, o portal se safou. O jornal, não. Pouco adiantou publicar errata, fazer outra reportagem se desdizendo, o escambau. Tomou, vai responder na Justiça e blá-blá-blá.</p>
<p>Para mim, essa é a diferença crucial entre o impresso e o digital. A responsabilidade de quem publica no impresso é naturalmente maior pelo simples fato de que não é possível voltar atrás. Escreveu besteira? Caluniou,&nbsp;difamou, distorceu, não checou?&nbsp;Tá lá, registrado para a&nbsp;eternidade em&nbsp;milhares de exemplares.</p>
<p>No caso que contei, o advogado do prefeito poderia até ter impresso a tela onde estava a notícia, provando que ela ficou X horas no ar e que isso atingiu um número Y de pessoas, assim como as edições impressas. Mesmo assim, a defesa do portal se beneficiaria&nbsp;com muito mais atenuantes que a defesa do jornal. Diria que a notícia entrou por engano, que foi um estagiário irresponsável e já demitido que colocou no ar, que era apenas um teste, enfim.</p>
<p>Se papel aceita tudo, o que dirá de planilhas virtuais? Chego a lembrar daquelas lousinhas mágicas, onde depois de escrever,&nbsp;bastava levantar a tela plástica para brincar novamente.</p>
<p>Responsabilidade. Quando pego um jornal impresso, sei que o sujeito que escreveu aquilo ali - assim como eu e muitos dos meus companheiros -&nbsp;deve estar até agora se cagando de medo&nbsp;com a possibilidade&nbsp;ter escrito besteira ou checado até na&nbsp;Enciclopédia Britânica o nome do presidente da República. Se não porque ele é realmente preocupado com o que faz, pelo menos porque não quer ter aporrinhação depois.</p>
<p>É esse depois, esse além, que ainda não vejo no virtual. Porque é tudo fácil demais de consertar. Para mim, é aí que reside o problema. E não sei como pode ser solucionado.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/04/olha-eu-com-a-mao-levantada-ol.html</link>
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            <pubDate>Wed, 30 Apr 2008 21:54:10 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Sobre o Homem de Ferro</title>
            <description><![CDATA[<p>O que todo mundo sabe: o filme do Homem de Ferro está para estrear. O que pouquíssima gente sabe: o Homem de Ferro foi o responsável por um dos poucos momentos dignos da minha adolescência.</p>
<p>Se você é/foi um adolescente normal, sabe o quanto é difícil manter a dignidade. A luta por um naco de respeito parece sempre perdida. Ninguém te considera pra nada, no final das contas. A menos que você faça algo digno. Algo que te dê dignidade, ora bolas, e, automaticamente, uma talagada de respeito - próprio e alheio. Foi o que o Homem de Ferro me proporcionou.</p>
<p>Era meados de 1997. Não me lembro da data precisa, apenas que era o meio do ano porque minha namoradinha usava uma jaqueta jeans e eu, um blusão qualquer. Então estava frio, devia ser entre junho e agosto. O lugar era o Welcome Center. O "elcômi", como o chamávamos, era/é uma espécie de centro de compras/lazer em Americana, menor que um shopping center e mais bonito que o convívio municipal. Havia recém inaugurado e era a melhor coisa da cidade para quem não possuía dinheiro, carteira de motorista ou um pouco de ambição.</p>
<p>O programa era ficar encostado por ali fazendo coisas que hoje soam estranhas, tipo beijar na boca pura e simplesmente, tomar refrigerante e jogar fliperama. O fliperama ficava onde hoje está uma das salas de cinema do lugar. Minha memória diz que era uma sala retangular profunda, de pé direito gigantesco e uma vidraça maior ainda que dava para a rua. Mas não devia ser tudo isso. De qualquer forma, ali era uma parada certa.</p>
<p>A ficha podia ser cara - algo como R$ 0,50 - mas não havia maloqueiros te importunando e as máquinas eram novas, com joysticks limpos e botões que funcionavam de fato - quem frequentou bocadas malafamadas de fliperamas sabe do que estou falando. E tinha Marvel Super Heroes. Para nós, capiais do interior paulista, aquilo ali era o ápice. Misturava videogame de alta tecnologia com nossos heróis preferidos.</p>
<p>Um aparte para a história:</p>
<p><em>Marvel Super Heroes era inspirado na saga Desafio Infinito, da editora Marvel. Nela, o vilão Thanos junta as seis Jóias do Infinito&nbsp;(Alma, Mente, Poder, Tempo, Realidade e Espaço ) e torna-se algo como um semi deus. Nada se tornar impossível para ele, a não ser agradar a amada, que&nbsp;no caso era&nbsp;a própria morte. O sujeito então resolve dizimar metade da população do universo, equilibrando o número de vivos com o de mortos. É quando os heróis se juntam para pegar o cara.</em></p>
<p>E o jogo foi lançado - pelo menos para nós - justamente na época que estávamos lendo as duas continuações da saga, Guerra Infinita e Cruzada Infinita. Só colocar a mão dentro da calcinha de uma menina podia ser mais incrível que aquilo - com a vantagem de que no jogo&nbsp;só dependeria de você&nbsp;para terminar o que começou, enfim...</p>
<p>Então lá estava eu. Com minha namoradinha de um lado e alguns amigos do outro. Escolhi o Homem de Ferro. De verdade, eu mal conhecia o personagem. E na época ele não estava tão em voga quanto hoje, figura central da última grande saga Marvel, Guerra Civil, e tal. Não passava de um herói de segundo escalão dentro de um grupo criado para juntar todos os sujeitos que não tinham moral para uma revista própria. Mas ele era o mais fácil de apelar! Para um cara que não tinha dinheiro a perder com treinamento de técnicas de combate, só a vitória interessava.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="DISPLAY: inline"><img class="mt-image-center" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 20px; TEXT-ALIGN: center" height="631" alt="ferro.jpg" src="http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/ferro.jpg" width="495" /></span>E o Homem de Ferro era perfeito para isso. A seqüência de ouro consistia em soltar um raio pelo peito (Laser Beam), seguido de bombas pelos ombros (Shoulder Bombs), aguardar o inimigo contra-atacar para então mandar um Repulsa Blaster e começar tudo de novo. Até o momento que a barra de poder estivesse cheia e você pudesse desferir um Proton Cannon,&nbsp;que nada mais era que um&nbsp;Canhão de Prótons (sim...) materializado do nada no ombro do Tony Stark, que lançava uma rajada brutal capaz&nbsp;de consumir&nbsp;mais da metade da energia do oponente. Aí a briga estava praticamente ganha.</p>
<p>Fui nessa toada até os três&nbsp;chefões finais,&nbsp;sendo dois&nbsp;não jogáveis. O primeiro, Magneto, venci com certa facilidade. Doutor Destino era o segundo e chegado numa apelação, do tipo ficar se defendendo num canto esperando a própria barra de poder encher para então lascar um movimento especial na minha fuça de lata. Perdi um round, ganhei o segundo e venci o terceiro constatando que as manoplas da máquina estavam escorregadias. </p>
<p>Foi quando dei uma olhadela pra trás e reparei uma pequena multidão aglomerada, de olhos vidrados no monitor. Parecia que a seção toda havia parado para assistir a partida, como se ninguém nunca tivesse chegado tão longe no jogo e mostrado aqueles cenários e personagens. Lembro de um amigo falando algo como "agora fodeu, é o chefão final" e minha namoradinha fazendo sua típica cara de paisagem, como se aquilo não fosse mais que a última fase do fliperama mais quente de nossas&nbsp;ridículas existências.</p>
<p>Então veio Thanos. Thanos e a Manopla do Infinito. Na verdade, sua própria luva, porém cravejada com as Jóias do Infinito. Ele era capaz de tudo e eu sabia disso. Portanto estava em vantagem, porque eu havia lido sobre ele, mas HÁ! ele não tinha conhecimento da minha estratégia. O cenário era composto dos principais heróis não jogáveis da saga petrificados. E eu seria o próximo, dava a entender o vilão, que sequer possuía movimentos de corpo-a-corpo e mantinha-se a distância lançando mão de todo tipo de golpes de longo alcance.</p>
<p>Adotei a estratagema do Doutor Destino. Me encolhia num canto e lascava um poder ou outro quando visualizava uma brecha. Ele caiu no primeiro round, eu perdi o segundo. E veio o terceiro. Meus arquivos dizem que nessa hora havia mais gente na sala de fliperama que em todo "elcômi". Não mexi no time e levei a taça. Tava lá. Eu havia, pela primeira vez na vida, fechado, zerado, terminado, finalizado, um jogo de fliperama. E todo mundo tinha visto.</p>
<p>Eu havia vencido Thanos. Eu e o Homem de Ferro. Vitória apelativa, inglória, feia, suja e malvada, na raça, no sangue, corinthiana, maloqueira e sofredora graças a deus. Tanto não podiam tirar aquilo de mim que, após assistir a toda a animação final e os créditos, coloquei minhas iniciais no posto mais alto do ranking. Por algum tempo, todos que jogassem - ganhando ou perdendo - veriam um GHB garrafal escrito no topo da lista.</p>
<p>Aos 15 anos, eu não tinha como aspirar a mais nada. Talvez colocar a mão dentro da calcinha da paisagem ao meu lado, certo, mas não naquele momento.</p>]]></description>
            <link>http://www.verbeat.org/blogs/brigatti/2008/04/sobre-o-homem-de-ferro.html</link>
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            <pubDate>Fri, 25 Apr 2008 21:20:51 -0300</pubDate>
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