Só pra constar, saudosismo fora
Minha geração, a galera nascida entre o final da década de 70 e começo de 80, conheceu Elvis como o sujeito rechonchudo, trajando macacão cravejado de brilhantes, cantando em cassinos pra velhinhas histéricas. Decadência pura. Aquele garotão rebolando com um violão na altura do peito ou vestindo couro da cabeça ao pés rodeado de franguinhas era outro cara, um ser alienígena, uma relíquia de um tempo remoto.
Tivemos outros.
Os Doces Bárbaros nos foram apresentados como um bando de chatos auto-referentes/reverentes. Nada da turma bonita, irreverente, ousada, que desafiou todo tipo de ditadura, da Bossa Nova aos milicos.
Roberto Carlos era brega até o pena que usava na orelha, cantando babas pra coroas, gordas e _ bom, ele teve sua parcela de culpa _ mulheres que usam óculos.
Ney Matogrosso era só uma bicha lôca.
Tim Maia e Jorge Ben Jor foram passados na farinha do pop para fritar nas FMs e programas de auditório.
Ninguém da minha geração reconhecia a importância real desses e de outros sujeitos. Seu passado era completamente ignorado, em parte por falta de acesso, em parte por falta de divulgação, mas também por falta de interesse mesmo. Não havia razão para sequer acreditar que um dia eles tinham feito algo que prestasse.
Hoje, vejo o mesmo se repetir. Meu primo mais novo tem 18 anos. Ele é exatamente da geração seguinte a minha. Nasceu no começo dos 90. Pra ele, Michael Jackson era um freak, uma aberração cujo único talento foi criar factóides fantásticos (no pior significado do termo), Neverland, pedofilia, máscaras cirúrgicas, filho balançando na sacada. Nenhuma pista de um dos artistas mais completos da indústria pop, cantor de verdade, compositor, produtor, dançarino, marqueteiro dos melhores.
Tivemos, eu e minha geração, de correr atrás sozinhos para descobrir que já houve vida inteligente na música feita no Brasil por brasileiros. E não tenho dúvidas de que a geração do meu primo vai descobrir o que Michael Jackson fez de melhor um dia. E vai pagar pau, é certo.
Pena ele precisar morrer pra isso.
Mas de que outro jeito?

Opa, seu Brigatti, de acordo, sou da mesma geração 70/80 e passei o mesmo. acho que não tem outro jeito mesmo. mas pior que eu prefiro que se tenha que cavoucar atrás do trigo. Pode me acusar de elitista, mas oferecer o que eu gosto praca, assim de bandeja meio tipo ivete sangalo, acho foda. banaliza demais. sou pelo socialismo cultural, mas que se tenha que ir atrás. Que aquilo que seja fácil, usado e abusado e prostituído seja o que eu não dou valor.. buenas, falou..
Falou e disse! Fui beber do rock dos 70/80/90 pra muuuuito depois descobrir e me encantar com a maravilhosa musica brasileira da mesma época. Linda a foto que escolheste! Abração (ah e agora eu tenho blog!)
Caramba, é isso mesmo!
Sou da segunda metade dos anos 80, nasci em 86, mas sempre tive a sorte de ter boas influencias na música. A impressão que tenho é de que com o passar do tempo a música não evoluiu, ela parece ter caido numa mesmice retrograda e, pior de tudo, vulgar... sei la! Só sei que dói ver o que as pessoas dessa nova geração são levadas a admirar na música... é decadente!
Saudosismo fora, tudo bem! Mas bem que eu queria ter nascido no começo dos anos 70, isso sim! hehehehe