Acerto de contas pesado

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Eu tinha uma dívida com o Slipknot. Quando a banda surgiu _ pelo menos no Brasil, mais precisamente em Americana e, por via das dúvidas, na altura do número 333 da Rua dos Jequetibás, no Jardim São Paulo _ eu pensei com os culhões e não tive peito para continuar ouvindo. Era por volta de 1997 e eu tinha acabado de arrumar uma namoradinha. Namoradas não costumam gostar de Slipknot. Mulheres de uma forma geral não gostam de Slipknot. E as que gostam dificilmente se tornam namoradas. Então eu parei de ouvir sem nem ter começado. Eu tinha 16 anos. Acho. Não vou fazer as contas agora.

 

Slipknot.jpgO primeiro contato com a banda havia sido uma matéria de meia página na Veja. Dizia, naquela tom típico da Veja, que a banda era a nova dor de cabeça das famílias norte-americanas. Usava máscaras assustadoras, vestia uniformes que lembravam a SS nazista, instigava o ódio, letras sobre assassinatos, som pesado, ai, socorro, chama a TFP. Eu li e pensei "massa". E fui contar para os meus amigos _ que não liam a Veja.

Então fomos num shopping. E numa mega livraria cujo nome não me lembro eu vi o CD de estréia homônimo _ na verdade o segundo na discografia oficial, se alguém realmente estiver interessado. Ele estava para ser degustado naquelas maquininhas ridículas onde tu passa o código de barras do CD e ouve 30 segundos de cada faixa. Hahaha, tempos pré-internet quando nos obrigavam a esse tipo de humilhação, hahaha, fodam-se agora enquanto eu baixo a discografia INTEIRA sem pagar um PUTO por isso. Ai, desopilei, pronto.

Mas eu ouvi os 30 segundos de cada faixa e achei... brutal. Não gostei a princípio, mas algo ali fazia sentido. Era diferente do que costumávamos ouvir, no caso rock nacional da época e lixo de FM. E percebi que podia gostar daquilo. Só que na mesma época, como eu havia dito, eu arrumei uma namorada. E ela não gostava de Slipknot, ela gostava de Bon Jovi, Roxette e Barão Vermelho. Tá, eu também gostava, mas acima de tudo queria comer ela. E insistir no Slipknot não ajudaria.

Então deixei a banda de lado. Na verdade, abandonei toda minha vocação para a música pesada. Do Álbum Negro _ de longe a peça mais barulhenta na minha discoteca_ eu só ouvia The Unforggiven e Nothing Else Matters. Mulherzinha, eu sei. Mas ao mesmo tempo eu experimentava pela primeira vez a sensação de estar pelado com uma mulher. Belo paradoxo, não? Música de mulherzinha, comer uma mulherzinha... eita vida...

O fato é que o tempo passou e uma sucessão de namoradas que não curtiam mesmo música pesada me fez esquecer completamente minhas incurções pela pedreira. A não ser escondido. É, de vez em quando, sozinho, dirigindo, eu botava uma porradaria no CD player. Quando a patroa entrava, mudava pruma merda qualquer. Isso durou até o final do ano passado, quando me mudei para Porto Alegre. Sozinho, reencontrei a música pesada. E com ela, o Slipknot.

Quem entende de música pesada sabe que eles são farofa, um belo embuste, quiçá uma piada interna. Os caras, admito, não passam de posers do metal. Estão para o heavy metal o que o Bon Jovi estava para o hard rock nos anos 80. Surgiram no rastro do nu-metal do Korn _ e mantém um DJ até hoje sabe-se-lá-porque, já que abandonaram os scratchs logo no segundo disco, quando a modinha do rap passou.

A grande sacada do Slipknot _ e o que me faz gostar deles _ é seu vocalista. A sacada não deve ser nova, mas desde o primeiro disco Corey Taylor compõe músicas em que alterna vocais guturais, esganiçados, desesperados, com um canto emo, quase chorado. É do caralho, sério, ele faz dois, às vezes três tipos de vozes numa única faixa.

E é justamente Corey a ligação do Slipknot com os farofeiros oitentista. Antes do Slipknot ele tinha (e ainda tem) uma banda de roquinho pós-grunge pra meninas, o Stone Sour. A faixa mais famosa deles é essa Through Glass. Ouve e vê se não lembra o pirilampo de New Jersey.

 

 

 

 Agora dá um bico nas fotos de divulgação dos caras aí embaixo, e diz se não é o Bon Jovi?

 

stonesour.jpg

O Corey é o de toquinha...

Então, quando o Stone Sour começou a fazer água, ele aproveitou a saída do vocalista original do Slipknot _ que na época era só uma banda de rock pesado do Iowa _ e entrou pra banda, acrescentando mais percussionistas e soltando a idéia das máscaras, macacões e números para os integrantes ao invés de nomes. E tava feito o marketing dos caras. Aí era só sair aterrorizando os wasp norte-americanos, o que, cá entre nós, não é tão difícil.

Como o Kiss, eles mudam de máscaras e roupas a cada disco. Desde o terceiro disco, incluem sempre uma ou duas baladinhas _ bem caprichadas, por sinal _ entre as pauladas. Gostam de encenar brigas no palco e espalhar que as máscaras são propositalmente sufocantes e fabricadas com material tóxico para deixá-los ainda mais doidos nos shows. E, claro, investem pesado no merchandising. Acretido até que ganhem mais com bugigangas ligadas a banda do que com a venda de CDs. A loja virtual dos caras vende até calcinha oficial!

 

BGAMSK86.jpgMas eu gosto. E baixei todos os discos e estou ouvindo todos em ordem cronológica. Do Slipknot passei para o Iowa, o Vol. 3 e cheguei agora no recém-lançado All Hope is Gone. A pegada continua a mesma. E assim eu saldo minha dívida com eles. Mas não com a música pesada. Esta ainda nem começou. Mas vai ser divertido.

3 Comments

tiagón said:

ahhh ki bunitinho k vc tah ouvindo rsrsrsrsrs! soh v s num vira viad kkkkkkkk

...

deu? escutou? terminou de acertar conta com a farofada? então o tio ajuda, ó, nem vai doer. baixa isso aqui pra começar a entender o que é que Slipknot tem de errado.

Léo said:

Vai ouvir o Master Of Puppets, porra. Isso sim é saldar dívidas com o rock pesado e músicas pra homem. Aliás, o Death Magnetic também tá do caralho.

(Na verdade, o Metallica só fez duas coisas boas: o "Black Album" e aquele lá com a orquestra de San Francisco, o "S&M").

Slipknot é legal. Mas sempre tenho a sensação de que falta alguma coisa na música deles, não sei o quê. Falta, como se diz por aí, "sustância". É a sensação inversa a que tenho com o Pantera, principalmente o Pantera de "Reinventing the Steel".

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