Definitivamente não estamos falando da mesma coisa

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Fui assistir ao Cavaleiro das Trevas. Num final de tarde de segunda-feira, num shopping center da capital gaúcha, rodeado de adolescentes ruidosos.

A primeira coisa em que pensei foi num post que fiz sobre a incomodação que passei durante a pré-estréia do Homem-Aranha 3. Na época convidei o Bia e mais um casal de amigos para uma sessão à meia-noite do filme num cinema em Santa Bárbara d´Oeste, cheio desses adolescentes ruidosos. Fiquei puto com a algazarra e saí no começo da parada. Segunda-feira, durante a sessão do Batman, percebi que estava errado. Não devia ter reclamado naquela vez. Sequer devia ter ido ao cinema, na verdade. Quem se sujeita a ir ver um troço desses tem mais é que se fuder, então abri meu pacotinho de M&Ms e esperei pelo que sabia que viria.

E veio. Começou com uma cena de assalto a banco. Claro que já se fez isso antes, tirolesa, corte do alarme, abertura de cofre, reação de algum elemento do banco, malotes de dinheiro e fuga orquestrada com piadinha na saída.

Aí temos o herói com crise de consciência e o vilão que se aproveita disso para tocar o foda-se. Tem espaço ainda para redenção de criminosos, discurso sobre o bem que triunfa sobre o mal e de como as coisas são porque são e fim de papo.

Dá pra ser mais óbvio, mais clichê, mais raso e bobo que isso?

Dá. Com um final com narração em off. Mas não uma narração em off qualquer, mas uma que termina com o título do filme enquanto o herói corre de encontro à luz no fim do túnel e corte rápido para os créditos com entrada imediata da trilha sonora impactante.

 

Uhú! Vô comê a tia do Bátema!Mas uma cena entrega mais a farsa que é a empreitada de Nolan. A seriedade com que Bruce Wayne e Alfred discutem a aposentadoria ou não do Batman enquanto o Coringa está à solta. É de uma indignidade atroz. É tão difícil perceber que não existe a menor possibilidade de adaptar quadrinho sem parecer ridículo? E quanto mais real se tenta ser, mais rísivel a coisa fica?

O universo dos quadrinhos permite que um sujeito, quando provocado, ganhe dez vezes o seu tamanho, fique verde, rasgue a roupa toda e continue com as calças. E tá tudo bem, tá ótimo! É ficção, fantasia, onde os caras sequer envelhecem, morrem e ressuscitam, usam malhas colantes coloridas e vivem dizendo frases de efeito. Tá limpo, nada de errado, é pra isso que os quadrinhos servem e é por isso que, depois de uma certa idade, eles deixam de ter a importância e o significado que tinham.

Se não há compromisso com qualquer lei da física nos quadrinhos, por que nas suas adaptações para cinema e TV elas são necessárias? É incrível pensar que isso é possível e besta levar isso a sério. O Batman do Adam West e o Hulk do Lou Ferrigno, sim, eram dignos de nota. Tão grotescamente caricatos que beiravam a chacota. Toscos, ridículos e exagerados, sim, tanto quanto as histórias e personagens que os inspiraram.

Mas aí chega um espertalhão e diz "Há! Já sei! Vamos aproveitar os recursos tecnológicos e nossas poderosa máquina de marketing para fazer mais dinheiro dizendo que estamos levando a sério os super-heróis, fazendo deles personagens críveis e dignos de serem discutidos como obras de arte". O resultado está nas bilheterias e em todos os meios de comunicação. Neguinho indo adoidado ao cinema e criticando o filme como se ele fosse uma fita recém-descoberta do Kubrick.

E a coisa só tende a piorar. Vem aí o Watchmen. Esse, definitivamente, nem um saquinho de M&Ms vai me segurar no cinema.

3 Comments

Mas não é que o cara foi ver mesmo?

cris said:

cara, pq vc foi ver isso se já sabia que nao prestava?
foi uma atitude tão previsivel qto o enredo do filme q vc tanto criticou.

El Alaniz said:

Toni falando de quadrinhos.... Porque tu não vai falar de alguma coisa que tu entenda, tipo... mulheres? hehehehehehhehe

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