Para ela, que pisa em ovas

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Vai, chega mais pra perto aqui. Deixa esse lamento, essa falta de criatividade desse povo bobo pra esse povo bobo. Que se lasquem com seus modelos de cuecas, suas gostosas sabor melancia e seus paus a meia-bomba. Eles podem ser sensuais, mas nós, amiga, nós somos sexuais. Somos feito de blow jobs invertidos, aditivos tarja-preta, trepadas sinceras e sangu, suor e sêmem por todo lado. PVC e hormônios por todos os orifícios, líquidos e espessos, lânguidos e carnudos, grossos, lentos, concisos, tenros e intumescidos. Não, eles não querem brincar com a gente. Sequer observar.Talvez, ter consciência. Não ficamos na borda, amiga, você sabe disso, então pára de se enganar. Cabelo solto, noite, dia, madrugada, umas palmadas e voi lá, chegamos onde queríamos, mas não puxa todo o cobertor que tá um frio danado. Nada de curvas ou retas, apenas relevos altos e baixos por quilômetros de pele e pêlos encaracolados e ensopados de indecência e obscenidade. Discrição de cu é rola, e disso, hehehe, nós entendemos e nos esbaldamos. E claro que fazemos propaganda, mesmo sem querer, e todos meio que sabem, e os que curtem chegam junto, os que correm por fora, bom, esses nem chegam perto. E é longe deles que devemos manter nossas trompas e testículos, como se a ponto de apodrecer ficassem assim, logo que esticassem suas garras brancas e gritassem feito falsas virgens ante uma bela estocada. Eles que se fodam, amiga, se fodam maleporcamente entre si, que é o que sabem fazer, enchendo o mundo de gente chata e modorrenta como eles. E vamos nós nos foder o quanto e o mais que pudermos - metaforica e sardonicamente, você me entende. Fingem que não nos notam, que não nos conhecem, mas respiram fundo quando passamos e cerram os dentes e apertam as pélvis quando segredamos besteiras tão inocentes e infantis quanto esfregar os pés num dia de frio e, ei, ei, ei, esquenta mais água pro chá e traz outro pires com doce de leite. Queremos. Entregamos o que prometemos e vulgarizamos o máximo permitido dentro de nossas vontades. Não há Procon na nossa cola, não cometeremos jamais o crime de estelionato em decúbito dorsal. Quer? Vem pegar. Com muito açúcar para inflar as dobras do seu despudor, com muita gordura animal para entupir as artérias da porra da tua indecência, cheio de fumaça ancestral feita para estupefaciar o pouco de ordem e arrogância que ainda guarda nesse livrinho de regras cagadas na cabeça. Forte. Extra-forte. Premium. Edição especial. Sem embrulho, pelado, mal diagramado, fora de esquadro, vivo, pulsante, sem parte pudentas, nada de pudismo, tudo aflorado, exposto, escorrendo e implorando para não ser desperdiçado. Engolimos tudo. É bom? Você gosta? Quer mais? Eu dou. Dou tudo e mais um pouco. Mas também pegamos sem que você perceba. Roubamos a paz deles, amiga, e ele só notam isso quando o sol nasce vermelho em plena aurora boreal. É fim de mês e nem aí pras contas amontoadas na caixa de correio. Mas agora desliga essa caixa e solta os cachorros no mundo.

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