Essa não saiu no jornal
Clóvis Schamizt havia acabado de chegar no estacionamento. Ao seu lado, prostrara-se o guardador de carros. Segundo testemunhas, o proprietário do Audi V8 sacou uma pistola e disparou contra o rapaz negro, de porte franzino, por volta de 32 anos e de nome desconhecido que agora se encontra em uma das gavetas do IML do cemitério Sagrado Coração de Jesus. O assassinato, segundo a polícia, coloca fim no relacionamento de dois dias que ambos mantiveram nas imediações do Colégio Imaculada Virgem Alargadora de Cós.
Schamizt, empresário do ramo de alimentação, é proprietário da firma que acabara de vencer a licitação para fornecimento de merenda para as escolas da rede pública de ensino. Um dia antes do homicídio, havia encontrado com o guardador de carros, que dormia pela região e pedia dinheiro para todos que paravam no local, num espaço anexo ao colégio.
- Ele veio pedir dinheiro logo após eu estacionar o carro, e isso me irritou muito. Na Capital, eles costumam cobrar cinco reais, então fiz as contas, dei 150 paus para ele e disse para só me encher o saco no próximo dia 12.
Entretanto, no dia seguinte, o guardador veio até Schamitz logo que este estacionou seu veículo ao lado da escola onde mantinha uma de suas 23 cantinas. De braço esticado e mão em forma de concha, recepcionou o empresário.
- Eu já havia dado dinheiro para ele no dia anterior, quer dizer, ele não tinha nada que vir me importunar - defende-se Schamizt.
O empresário tirou sua Taurus 9mm de debaixo do banco do motorista e efetuou três disparos contra o peito do flanelinha, que tombou no mesmo instante. Em seguida, Schamizt guardou a arma e foi até a escola, onde conferiu estoque, saldo e conversou amenidades com o diretor.
- Ele não me parecia perturbado, pelo contrário, estava bem disposto - declarou A.L.S., coordenador de ensino da instituição.
O empresário alega ter agido em legítima defesa, dizendo que se sentiu lesado e que pouco ou nada poderia esperar das autoridades competentes.
- Não tem polícia por aquela região, estamos a mercê da bandidagem - disse, salientando ter o registro da pistola e o porte de armas expedido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.
O guardador será enterrado em vala comum no Cemitério da Ressurreição Eterna se o corpo não for reconhecido em 30 dias. Schamizt aguarda em liberdade o desenrolar do caso.

;-)
valeu um "share"
Não sei, anjo... A revolta que sinto - estranhamente - atinge os dois lados da história. Se fico abismada com a tranqulidade no "matar" fico P.. da vida com esses caras (e mulheres) que acham melhor esfolar nosso bolso que trabalhar de verdade. Semana passada mesmo, um cara novo, forte, perfeito (sem defeito físico) pedindo $ no farol. Saco! Vai trabalhar, meu! Limpar jardim, catar latinha para vender, sei lá... É muito fácil pedir dinheiro para quem, como nós, rala muito o mês todo para ganhar uma porcaria de salário do que suar. Bom.. Opinião minha.
Beijos
p.s. No bloglines eu li o post anterior... Pecado!! huahuahuahuahuahuahua.
Colégio Imaculada Virgem Alargadora de Cós & Cemitério da Ressurreição Eterna.
A história é assustadora, mas os nomes do colégio e do cemitério são mais interessantes. ;-)
Isso é real ou é pura ficção, Briga?
Abraço.
Hahaha, o desejo embutido é real, Fábio, mas a história é ficção... :D
E como é que a Imaculada Virgem Alargadora de Cós permite uma coisa dessas, ali, diante de sua escola? :P