Coisas de Porto Alegre
Eu gosto de videogame. Por isso, trouxe meu Playstation 2 para Porto Alegre. Aqui, encontrei um parceiro de crime. Seu nome é Aleksander Anthrixz. Ele me emprestou alguns bons joguinhos, que foram deglutidos em poucos dias. Aí me instruiu para chegar até os camelôs, único lugar na Grande POA onde se encontra os disquinhos púrpuras, quer dizer, cópias baratíssimas dos originais que, nesta condição, não custa menos de R$ 90. Logo, partimos para a pirataria. Como diria Branco, cada um com seus problemas, cada um com suas soluções.
Pego meu chapéu e vou para o epicentro nervoso do comércio informal da capital gaúcha. Caminho dentro das veias abertas entre telhados de lona amarela. A cada cinco passos, sou abordado por um tipinho típico de centro de cidade. O tipo que aprendi a lidar com uma olhadela ríspida e um aceno abaixo na linha da cintura quando confrontado por qualquer motivo. Eles me oferecem exatamente aquilo que vim comprar e que nenhuma barraca exibe.
"Chega aqui, ó", diz um dos tipinhos quando aceno interesse pela mercadoria. Sou levado até um beco formado por barraquinhas. Lá, um outro tipinho diz que, do que eu procuro, ele tem X e Y. Peço pelo X. "Então vamu lá, ó, dá um tempo que o xxxxx vai pegar e te leva", diz novamente o tipinho da abordagem. Nos distanciamos 20 metros e sentamos numa muretinha de concreto.
Me espanto com a operação de guerra e questiono se é sempre assim, porque de onde vim, neguinho tem loja com alvará, habite-se, cartaz com promoção 2 por 10, anuncia no classificado do jornal... "Era assim até o ano passado, mas aí entrou uma vereadora nova aí e ela disse que isso sujava o cartão-postal da cidade, e direto tem fiscal...", respondeu o tipinho, cortado por um terceiro que vem andando em marcha atlética, olhando para os lados, mão enfiadas embaixo da camiseta.
"Toma, é esse?", me diz, tirando de baixo da camiseta o mesmíssimo tipo de bagulho que costumava comprar em Americana. Mesma embalagem plástica, impressão tosca, disquinho vagabundo e preço extorsivo. Digo que sim, ele me passa a mercadoria, dou o dinheiro e puff, somem os dois.
Vou para o ponto de ônibus pensando nisso e lembro que um camarada de função disse ter um drug dealer que vai até a casa dele com um telefonema. Porra, é mais fácil comprar droga do que um joguinho de videogame em Porto Alegre! E que história é essa de que pirataria suja a cartão-postal da cidade? Tudo ali naquela feira é ilegal, frio, produto de sabe-se-lá-o-que, mas só joguinho merece repressão? A propósito, aparelhos de videogame e acessórios são vendidos livremente.
Ah, sim. O joguinho não funcionou.

O Branco fez um hai cai sobre pirataria, mas eu não vou lembrar exatamente agora, mas ele dizia que isso só não é crime quando é presente prá filho da gente. hehehehe...
pato novo... imagina esse rapaz indo na zona na primeira vez?
Cara, não fala de zona aqui na net, assim, pra todo mundo, cara...
Ah se fosse na barraca azul, atrás do terminal de ônibus em Aemricana...