Ainda sobre shows

| comentários (7)

Dá um bico nesse show aqui

  

 

Sim, são os Smiths. E olha a data: 21 de outubro de 1986. Quatro meses antes eles haviam lançado sua obra-prima, The Queen is Dead. A canção do vídeo é Bigmouth Strikes Again, segundo single do disco, disponibilizada em maio do mesmo ano, um petardo pop inigualável, perfeito em qualquer sentido. Ela encerra a apresentação da banda no Royal Concert Hall, em Nottingham, para a turnê do trabalho recém-lançado.

Não sei você, mas eu assisto a uma apresentação desta e logo penso: "alguma coisa está errada". Não há um brucutu de terno preto mal cortado ao redor do palco. Pelo contrário, o público está debruçado no tablado, recebendo cumprimentos do Morrissey, que em dado momento tira a camiseta, gira e atira para a platéia.

A câmera foca no vocalista enquanto ele continua a interagir com o público, e quando volta para Johnny Marr ele está tocando e dançando com um sujeito qualquer. É a deixa para mais meia dúzia subir e começar a dançar no palco. Não contente, Morrissey puxa um sujeito para que se junte aos outros. Logo, há uma pequena multidão junto com os músicos, dançando e cantando. Ao final, os "penetras" descem, tranqüilos.

Esqueça a bandinha da galera que toca na festinha no clube recreativo da cidade. Não é disso que estamos falando. Nem de antigos ídolos decadentes que topam qualquer roubada pra se promover e comer alguém. Estamos falando da banda que mudou a configuração da música pop nos anos 80, seja por ter um letrista que hoje é considerado O Maior Inglês Vivo, seja por ter um guitarrista que influenciou no mínimo duas gerações.

Os Smiths já eram grandes - pelo menos na Inglaterra, onde a celebração em questão foi realizada. Estavam em seu terceiro LP e prontos para tomar de assalto os EUA e daí para o resto do mundo numa rajada de riffs. E lá estão eles, puxando fãs para o palco, claramente confortáveis com isso, meio que dizendo "é, isso fazer parte da coisa toda, é assim que tem que ser, então vamos curtir".

Interação. Você ali, literalmente a um palmo do seu ídolo, com a opção de chegar, dar um abraço no cara, de repente cantar um refrão junto, ou só ficar pulando em volta dele. Ele não vai ter um chilique por causa disso, nem tu corre o risco de ser espancado por meia-dúzia de bandidos semi-letrados com "Segurança" ou "Apoio" pintado nas costas.

Interação. Real. Verdadeira. Sincera. Onde foi que isso se perdeu? Em algum momento, alguém deve ter errado. O público, que se tornou beligerante e passou a exigir do artista mais do que um aceno ou autógrafo por conta dos seus "serviços" prestados? O artista, que de tão insuflado se dá mais importância do que realmente possui? Os dois? Não sei.

Em papo com Tiagón a respeito, ele lembrou outro antológico show, esse em 1970, no mesmo Royal Albert Hall, protagonizado por uma banda de similiar importância e que estava em igual patamar na época: o Led Zeppelin (aqui, a parte 1 de 12). El Rey sustenta que parte disso é culpa da típica e invejável civilidade inglesa, só equiparada com a classe dos frequentadores dos espetáculos de jazz nos EUA dos anos 50.

Eu não sei. Apenas assisto a esse vídeo toda vez que quero ter idéia do que seria um show ideal. É esse. E eu nem pularia no palco. Apenas por saber que eu poderia, já estaria de bom tamanho. Apenas o fato de saber que meu ídolo me receberia bem, como alguém além de um simples comprador de discos ou ingressos, mas um sujeito que, como ele, também gosta de música e foi lá, no show dele, para celebrar essa paixão. E não é assim que tem que ser?

Segue o show completo. Cortesia do maio acervo dos Smiths e do Morrissey do YouTube, o Lapislazuli.

1- The Queen is Dead

2 - Panic

3 - I Want The One I Can't Have

4 - Vicar In A Tutu

5 - There Is A Light That Never Goes Out

6 - Ask

7 - (Marie's The Name) His Latest Flame/Rusholme Ruffians

8 - Frankly, Mr. Shankly

9 - The Boy With The Thorn In His Side

10 - What She Said

11 - Is It Really So Strange?

12 - Never Had No One Ever

13 - Cemetry Gates

14 - London

15 - Meat Is Murder

16 - I Know It's Over

17 - The Draize Train

18 - How Soon Is Now

19 - Still Ill

7 Comments

tiagón said:

muito bom o post, mesmo. sem falar que eu pareço mais inteligente. :D


ps: não curto Smiths, gosto de algumas melodias e só, How Soon is Now é massa. mas os fãs mais ardorosos e dedicados que conheço e conheci são os dos Smiths. são pessoas que "morrem" pela banda e que encontram um canal de comunicação invejável, uma sintonia muito rara entre música(os) e público. o vídeo é um motivo, e uma demonstração. daquelas que se fica feliz só por ver que "bah, que massa que existiram esses caras".

JR Fidalgo said:

Essa viadagem atual do Morrisey metendo pau em imigrante tá pegando mau. Que será que houve com o garoto? Virou racista, é?

Biajoni said:

eu tava nesse show, tinha um casal transando no palco, do lado esquerdo do morrissey, por isso ninguém ligou muito para ele, ficava todo mundo olhando pra lá.

se é a amy que tira a blusa e chama o pessoal para o palco, ela tá BERBA. se é o morrissey, é SIMPÁTICO?

Brigatti said:

Luiz Henrique e seus comentários sempre pertinentes...

Edv said:

Briga!
Pô, eu curto Smiths!
Eu não fui ao show, como o mr pertinente (paga eu!), mas viajei no vídeo, realmente muito espontâneo, né cara? Catarse!

Grande abraço, espero que esteja tudo bem contigo!
Tem lugar pra passar um final de semana ae? rsss
A Gol eh baratinho... rs... E dah pra pagar no cartao, aih jah viu... ;)

Fica esperto!

Abração!

Edv said:

Briga!
Pô, eu curto Smiths!
Eu não fui ao show, como o mr pertinente (paga eu!), mas viajei no vídeo, realmente muito espontâneo, né cara? Catarse!

Grande abraço, espero que esteja tudo bem contigo!
Tem lugar pra passar um final de semana ae? rsss
A Gol eh baratinho... rs... E dah pra pagar no cartao, aih jah viu... ;)

Fica esperto!

Abração!

Brigatti said:

3DV, demorou pra tu vir, bróda! Nem precisa avisar: chega chegando!
Abraço! :D

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