Do que eu gosto mesmo

| comentários (4)

Eu até vejo o que está rolando por aí.

Ouvi a Kate Nash, que acabou de ganhar um Brit Award, e adorei. De verdade. Ela traz um frescor de levada, ritmo, melodia e poesia que eu não me decepcionei depois de esperar o YouTube carregar por 15 minutos o video de Foundations.

Mas eu gosto mesmo é de ouvir Guns´n´Roses. Posso ficar horas carregando as velharias deles. Não me canso de arrepiar quando o Slash sobe no piano em November Rain. Quase choro feito um idiota cantando junto com Estranged. E vejo um filme adolescente passar pela minha cabeça logo nos primeiros acordes de Don´t You Cry. Eu gosto mesmo de Guns. E acho que vou gostar pra sempre. É algo tolo de se pensar, mas verdadeiro.

E me empolgo com o cinema europeu. De verdade. Nanni Moretti é um gênio, não erra uma. Dificilmente não gosto de um dos clássicos dos grandes diretores. Jules e Jim não me sai da cabeça, Os Sonhadores também não. E tem os Woody Allen que assisto ajoelhado no milho.

Só que relaxo mesmo é com um gigantes blockbuster. Ah, mas eu me delicio com esse tipo de coisa, saco de pipoca fedorenta de queijo e coca-cola de máquina mal calibrada que coloca mais um ingrediente que outro. É demais, pago o preço que for, a qualquer hora do dia, reservo um horário na agenda, mas não perco. Nem que seja para me arrepender amarga, longa e publicamente. Eu vou. E vou com vontade, sem ligar para quantas estrelinhas ou bolinhas ele ganhou no jornal.

Não vou ao teatro. Nada contra, todas as poucas vezes que fui, saí extasiado. Mas dá uma preguiça, deuzolivre... arrumo um milhão de coisas pra fazer no lugar. Bom, também não tenho amigos fãs do palco, então... saco um filme na locadora e fico de boa.

E não abro mão de ler coisas legais, sabe? Acabei O Coração das Trevas e o novo do Allen. O Conrad tem uma narrativa sem igual, o sujeito é (era) um demente, genial, te deixa enlouquecido e imaginando o que pode existir além disso.

Só que é um prazer diferente. Não me dispara o coração e não me faz esfregar as mãos ansioso como uma bela história em quadrinhos, de preferência uma graphic novel em edição luxuosa, encadernada, capa com efeito laminado e preço impraticável. Quando compro uma dessa, leio e releio quando acordo, no meio da tarde, paro de trabalhar para folhear, pego antes de dormir, e fico decorando diálogos, procurando detalhes nos traços, imaginando como o cara chegou àquela composição, que tintas usou, instrumentos, tudo.

Coisas vazias. Sem muito valor, que não fazem grande diferença, que estão aí praticamente para ocupar espaços. Produtos fabricados com propósitos e validades definidas. Gosto disso. É do que mais gosto, pra ser sincero.

E nem TV eu assisto mais.

 

4 Comments

tiagón said:

??!?!
mas na penúltima frase tu detona tudo que tinha dito antes? :)

tem nada de vazio aí não. ou melhor: os objetos, sim, são vazios. a tua significação é que os faz vivos. isso é o que permite que eu ache o fim da picada clipe com historinha e tu fique exultando como uma menininha vendo o Axl casando e o Slash solando na chuva em "November Rain".

não tem certo, errado, culto ou ruim. tem o que serve, e o que não serve.

porque no final das contas, ninguém se importa e não faz diferença. só pra gente :D

(vou comprar um capacete adaptado pra usar em cinemão. com conexão direta ao som (porque mastigar no cinema tem que ser ALTO) e filtro no nariz. porra, eu não gosto de ver filme na COZINHA!)

Fábio said:

Eu gosto de posts assim.
Eu não gosto de Guns and Roses.
Eu já gostei muito, de ouvir no quarto com volume alto, mas eu tinha uns 12 anos.
Quando eu tinha 12 anos eu não gostava de cinema, e nem conhecia o Wilco, por exemplo.
Hoje eu conheço Wilco, gosto de cinema, mas ando ouvindo mesmo é a Mallu Magalhães.

Biajoni said:

e BON JOVI?
pô, confessa que vc ama bon jovi.

Gustavo said:

Pois é Gustavo, na correria do dia a dia a maioria das pessoas deixa de dar importância para os pequenos prazeres ...

Compartilho dessas suas ideias. No meu caso o que ocupa grande parte do "ócio nao criativo" sao jogos de computador, HQs digitais, filmes de guerra, livros de arte, e cerveja

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