Toda rosa tem seus espinhos
Uma das criações mais legais do Angeli é o Wood & Stock. E uma das tirinhas que nunca esqueci foi uma que, inclusive, acabou aproveitada na péssima animação da dupla. Nela, o filho de Wood, Overall, pergunta ao pai o que acontecerá quando ele colocar o pênis dentro da vagina de uma mulher. Com a sabedoria que lhe é peculiar, o velho hippie não titubeia e manda mais ou menos assim. "Ah, filho, ela vai engolir. Mas depois devolve. Em partes iguais". O moleque quase tem um troço. Eu mesmo quase tive um quando me deparei pela primeira vez com a segunda parte do corpo humano dona de mais denominações (perde apenas para a genitália do homem, é fato).
A lembrança é firme e nítida. Estou eu no quarto da e com a namoradinha, a mãe dela na sala afundada no sofá. Ela me pergunta o que quero fazer. Mas quer que eu escreva. Pego um caderno e coloco que quero chupá-la. Ela escreve de volta "então vem". Não estava preparado para aquilo. Em nenhuma sentido. Mas não devia ser tão difícil. Mas foi. Mais ou menos. Tirei a calcinha dela e voilá! Era como nas revistas. E nos filmes. Só que... com cheiro. Não me levem a mal, o cheiro não era ruim. Só era um odor característico que precisava ser acrescentado à minha biblioteca olfativa - nem que fosse à força. Lembro de ficar um bom tempo só olhando aquela formação pensando "ah, por isso meu pau é tão torto" e entendendo finalmente a expressão "o buraco é mais embaixo".
Mas o que faria, então? Tinha escrito que queria chupá-la. Àquela altura, nem negar poderia. Mas se meu sistema olfativo ainda estava em processo de assimilação, qual seria a reação das minhas papilas gustativas? "Vai, cérebro, gosta logo do cheiro para poder gostar do gosto", ordenei, mentalmente. Era uma etapa importante, eu sabia. Literalmente, a porta de entrada para a tão ansiada cópula. Se começasse errado ali, tudo estaria perdido. Mal sabia eu que a aguardada estréia viria só três anos depois. Mas aquele momento foi definitivo. O estranho passou a ser aliado. E eu soube que, se pudesse domar uma vagina, ela me daria a chave do coração da garota. Os caminhos nem sempre são óbvio, caras, vocês sabem. Não há cavalheirismo, dinheiro, bom mocismo ou pau grande que salvem um sujeito que desconhece os trâmites necessários de lidar com uma vulva.
Pois sua figura não é meramente decorativa. Tampouco está lá para ser utilizada de qualquer forma ou da maneira mais óbvia possível. Ela exige respeito. E o que acontece com quem sai da linha? Exatamente aquilo que Overall descobriu com seu pai e que, de uma forma ou de outra, inspirou o inacreditável "Teeth", dirigido por Mitchell Lichtenstein, cujo único mérito até hoje parece ser filho de Roy "eu sou o pop" Lichtenstein. O mito da vagina dentata, ou vagina dentada. Presente em diversas culturais ao redor do mundo, a idéia de uma xoxota que castra e/ou come pênis durante o ato sexual foi amplamente decodificada pela turma do Freud. Castração, medo masculino perante o sexo feminino, até Sex and the City abordou o tema. No filme a coisa ganha ares de terrir principalmente pela elogiada interpretação de Jess Weixler, ganhadora em Sundance ano passado como melhor atriz dramática. Pelo trailer, dá para ter uma idéia do quanto deve ter sido complexo fazer o papel de uma mulher tão, hum, faminta.
Dawn, uma estudante de 18 anos que cursa o colegial na texana Austin (coincidentemente ou não, a cidade dos canibais assassinos de "O Massacre da Serra Elétrica"), é a última virgem da turma e descobre que tem algo de errado com seu corpo quando, durante sua primeira tentativa de trepada, algo sai muito errado. Ela tem uma vagina com dentes. Ou tem dentes na vagina, o que for pior para uma adolescente norte-americana interessada em biologia, anatomia e mitologia louca para dar. Ou nem tanto. Para compartilhar seu drama e ajudar outras garotas em situação semelhante - sim, devem haver outras dentatas por aí - ela até montou um perfil no MySpace. Nele, fica-se sabendo, por exemplo, que ela está atrás rapazes que sejam, preferencialmente, ginecologistas ou dentistas. Ou ambos, salienta.
Como termina "Teeth" eu não faço a menor idéia. E talvez nem seja importante. Porque a questão que ele levanta é a mesma que eu me fiz quando encarei o bicho (banguela, é bom deixar claro) de frente e acompanhou acaloradas discussões durante toda minha vida: afinal, quem come quem?

Minino!
Tem umas descobertas na vida, em um dia na vida, em um dia de cão e uma noite de pit bull; que prometem sonhos com gatos persas brancos ronronando...
Que belo presente ganhei te descobrindo!
Li pra cacete um monte!
Virei freguesa da quitanda!
Um cheiro baiano e muita sorte em tudo - pq talento, já vi que vc tem!
Uma das Divinas e Cruéis
terrível jeito de morrer, cara.
"ginecologistas ou dentistas", hehe.
E olá.