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Política
Cláudio Costa blog do autor

Tá tudo muito devagar...

As eleições se aproximam.
Não era hora de as discussões ficarem mais acaloradas? As posições políticas mais bem definidas?
Entretanto, o que vemos é uma campanha eleitoral morníssima, na qual os candidatos apenas se acusam: antes era pior, agora é que é péssimo, antes tinha corrupção, agora a corrupão está maior, o país melhorou, melhorou nada: piorou... Conversa fiada pra boi dormir, penso eu.

O PSDB lançou um candidato cujo apelido diz tudo: chuchu. Nem o maior cabo eleitoral dele convence no apoio timidamente manifesto: Aécio Neves finge, é público e notório.
O que quer o governador de Minas, de verdade?
Quer suceder a Lula e sabe muito bem que o discuros "anti-reeleição" do Alckmin é leréia pura. Já mencionei a verdadeira "chapa mineira": Lulécio. O índice de aprovação ao neto de Tancredo é altíssimo, e subiu mais a partir da parceria espúria do PT com Newton Cardoso - tema de meu último post aqui no Bombordo.

O que tenho percebido é a indiferença em relação à política e aos políticos, como se aquela fosse equivalente aos últimos.
A mídia faz seu papel:
a) com razão - ou não - joga lama no ventilador. Vi estatísticas dizendo que apenas 26% da população acompanha as notícias sobre o descalabro da corrupção. Desses, muitos votarão nos "mesmos", ou seja, não mudam os votos, pois querem resguardar os próprios interesses;
b) oferece o "circo" - já que pão não é de sua competência: Copa do Mundo, Libertadores, Páginas da Vida, Fofocas, Chiques e Famosos, Ratinho et caterva.
A oposição - fraca! - provoca reações de defesa da coligação que dá suporte a Lula, e nenhuma proposta séria para o país é apresentada. Ironicamente, nem um projeto de gestão econômica original os peessedebistas podem sugerir: afinal, os lucros dos bancos foram os mais altos de toda história e a política econômica da era FHC foi aprofundada. Viram os dois bi do Itaú, só no primeiro semestre? Quantas Varigs poderiam ser compradas com esse lucrinho?
Onde está o discurso da esquerda?

Heloísa Helena denuncia o neo-liberalismo, mas suas palavras ainda não têm a repercussão merecida. Será que cairão em terreno fértil e darão frutos?

Aqui no Bombordo, a coisa tá morna, pra não dizer, gelada. Os últimos posts não mobilizaram discussões, nem apoiamentos, nem os indesejáveis trolls: indiferença? descrença? cansaço?
Nas rodas de boteco, nas reuniões sociais, nos clubes e no trabalho, conversa sobre política é logo descartada. Ninguém quer saber. Quando surgem discussões, resvalam para chistes e enojamentos.

Entretanto, poucos se lembram de que o campo da política tem a ver com as "estruturas de poder" e, supostamente, no regime democrático, "todo poder emana do povo, etc e tal..." Quem quer saber disso?

Os jornais "de direita" ou "que defendem o grande capital" malham o governo, relembrando cuecões repletos de dinheiro, mensalões, sanguessugas, como se fossem as únicas realizações de Lula.

Creio que a pergunta fundamental que deve ser feita, antes das eleições, é:
- Você vai votar pela manutenção do atual governo? Por que?
- Você vai votar contra a manutenção do atual governo? Por que?
Quase um plebiscito. Mas não é nisso que a campanha atual se resume?

Mais importante que as repostas, que fiquem as perguntas. Como dizia Jacob Moreno, criador do Psicodrama: uma (boa) pergunta suscita mil respostas. Ou milhões de votos.
E mais do que palavras: que fazer?
"Existem palavras sábias, mas a
sabedoria não é suficiente, falta ação" - do mesmo Moreno.

Blog do Autor: PrasCabeças



04/ago/06 | 16:00 | discuta este artigo [8]


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