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julho 19, 2006

Muitos ainda podem mudar o voto

Quase um terço dos eleitores que disseram já ter escolhido um candidato para a Presidência da República ainda pode mudar a opção, segundo pesquisa Datafolha publicada nesta terça-feira. Admitem mudar de idéia 30% dos entrevistados - outros 68% afirmaram estar "totalmente decididos".

O levantamento mostra também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial com 44% da intenção de votos. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 28%.

Dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 74% disseram estar "totalmente decididos". Já os de Alckmin se dizem 66% certos da decisão.

Os eleitores de Heloísa Helena (PSOL-AL) são os mais voláteis. Quase metade deles, 46%, admite mudar a opção. Alckmin seria o principal beneficiado da mudança: dos que deixariam de votar na senadora, 39% disseram que seu voto iria para o tucano (21% preferem Lula).

Foi a primeira vez, nesta disputa presidencial, que o Datafolha fez perguntas sobre o grau de decisão do eleitor.

Dos entrevistados que disseram já ter candidato, 42% o fizeram afirmando não ter "opção melhor". "O resultado expressa que uma alta parcela de eleitores está resolvendo o voto por exclusão, e não por opção", disse o diretor-geral do instituto, Mauro Paulino.

Pouco mais da metade dos entrevistados, 54%, qualificou seu candidato como "ideal" - argumento utilizado por 59% dos pretendem votar em Lula.

Mais da metade dos eleitores da senadora do PSOL (51%) justificou o voto dizendo que "não há opção melhor".

O Datafolha também ouviu as razões dos eleitores que se dizem indecisos (8% do total). A maioria (64%) afirmou que "está se informando e acha que ainda é cedo para decidir".

A pesquisa também mostrou que os eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto (7% do total) estão convictos da escolha. Do total, metade acha que os candidatos não estão preparados para ser presidente. Outros 35% disseram que a opção "é uma forma de protesto". Apenas 9% afirmaram não saber explicar sua decisão.

Num país onde claramente não só as opções são menos do que satisfatórias, mas o povo também é indeciso e temeroso, aparentemente muito ainda pode acontecer até setembro. Ainda é claro que Lula vencerá no primeiro turno - mas talvez terá que fazer mais concessões do que previamente pensado.

Fonte: FolhaNews

julho 14, 2006

medo

Sai do trabalho, entrei no carro, liguei, olhei pelo retrovisor, vi uma moto vindo lá longe... "Dá tempo de sair". Saí. Dois quarteirões à frente, virei à direita; a moto, bem atrás, virou também. Ia cruzar boa parte da cidade e pegar a rodovia Limeira-Piracicaba. Eram seis da tarde, a noite caía, aquele lusco-fusco que confunde a visão. Fui fazendo meu caminho, olhando pelo retrovisor: o cara de moto, capacete, jaqueta de couro.

Na noite anterior, três ônibus foram incendiados em Limeira. Durante todo o dia seguinte, na emissora de TV onde trabalho, trotes e denúncias. Atiraram contra a casa de um guarda municipal e de um PM. À tarde, apedrejaram outro ônibus. Uma das empresas de viação retirou os veículos de circulação e as pessoas ficaram horas sem informação, esperando nos pontos. Muitos ligavam para a emissora perguntando, congestionando as linhas. Em uma gravação entre bandidos dentro de cadeias, interceptaram uma conversa dando instruções sobre a imprensa de Limeira; tivemos acesso à essa conversa. Gelo na espinha.

Saí uns minutinhos mais cedo, minha mãe estava em casa sozinha, minha mulher estava com minha filha na casa da mãe dela... Ia passar pegá-la... Estava pegando a pista, o motociclista atrás. O motociclista. Ele estava atrás de mim já há uns 15 minutos, dobrando as mesmas esquinas que eu. Me seguindo. Eu, no retrovisor.

Seria coincidência? Estaria ele indo na mesma direção que eu?
Tomamos juntos a rodovia. Ele podia me ultrapassar, se quisesse.
Imaginei que talvez estivesse querendo chegar até algum trecho menos movimentado da rodovia... Aí ele chegaria do meu lado, sacaria uma arma e atiraria.
Eu, morto.

Reduzi. Ele não ultrapassou.
Acelerei; ele também.
Pensei, num momento, em jogar o carro para a esquerda provocando um susto ou mesmo derrubando-o.
Pensei melhor.

Ele estava na minha cola já tinha quase meia hora. Pensei em ligar para a polícia. Pensei em...

Ele começou a me ultrapassar. Fiquei meio paralisado, esperando um tiro ou o que fosse. Ele só passou. Passou em slow motion.
Olhei para a placa da moto; o cara era de Piracicaba. Ele só estava mesmo fazendo o mesmo trajeto que eu - o melhor trajeto para quem sai do centro da cidade em direção à rodovia.

Paranóia?

Apanho minha mulher, vou pra casa. Chego em casa e lá está minha mãe, algo descontrolada.
"O que aconteceu?"
Ela só estava preocupada; via nos jornais todas as matérias sobre ataques.

Tivermos que acalmá-la. E ela já estava bem mais calma quando ouvimos uma explosão, um susto geral incrível. Com precaução, fui à rua para ver oq ue tinha acontecido, assim como todos meus vizinhos. O estouro foi de um pneu de ônibus, que passava por ali.

Fomos todos dormir cedo, por volta das dez da noite. A sensação de que algo de ruim havia acontecido. Ou que ia acontecer.
Aconteceu. Vai acontecer.

julho 11, 2006

Thuram, Le Pen e nós

Artigo de Demétrio Magnoli

ZIDANE OFERECEU uma aula de futebol ao arrogante escrete brasileiro. O zagueiro Thuram, seu companheiro de equipe, deu uma lição de política a Jean-Marie Le Pen, o líder da Frente Nacional francesa, que reclamara do "excesso de negros" na seleção de seu país. "Não sou negro, sou francês. Le Pen deveria saber que, assim como existem negros franceses, existem loiros e morenos, e não são convocados para a seleção por sua cor, mas por serem franceses."

Thuram foi adiante: "Ele quer ser presidente e não conhece a história do país, isso é grave e surpreendente". O chefe político dos racistas provavelmente exasperou-se com essa resposta. As marchas do seu partido portam o estandarte de Joana D'Arc e cantam a glória da "França eterna", fundada pela conversão de Clóvis 1º ao catolicismo, em 496. A história da França, na visão de Le Pen, é a narrativa romântica do encontro de uma "raça", os francos, com uma religião.

A França de Thuram é fruto de outra história, que cultiva como seu monumento da memória a revolução de 1789. "Se alguém vir o Le Pen por aí, diga que, se ele tem algum problema em ser francês, nós não temos. Viva a França! Mas não a França que Le Pen quer, e sim a França verdadeira." Essa "nação verdadeira" é a que inscreveu na Constituição de 1795 o princípio do "direito da terra": são franceses todos os que residem e pagam impostos na França.

Le Pen "tem algum problema em ser francês", pois é um apóstolo do "direito do sangue". Ele identifica os "estrangeiros" pela cor da pele e, nesse sentido, aproxima-se do multiculturalismo americano. Nos EUA, a "gota de sangue" separa as pessoas em categorias imiscíveis, que funcionam como nações dentro da nação: "brancos", "afro-americanos", "nativos", "hispânicos" e "asiáticos". O princípio jurídico do "iguais, mas separados", base da discriminação legal no passado, revelou a sua persistência nas "políticas de reparação" que varreram o país nas décadas de 70 e 80.

Ser francês, para Thuram, é ter direitos iguais aos de todos, o que se expressa pelo acesso universal aos serviços públicos. A percepção de ruptura desse contrato nacional provoca protestos, às vezes distúrbios. Nos EUA, as imagens dos pobres de Nova Orleans, deixados para trás durante a inundação, provocaram recriminações, não escândalo ou revolta. No país das cotas, desamparo e privilégios "raciais" seletivos andam juntos.

"Sou afro-americano", talvez respondesse um Thuram dos EUA, referendando parcialmente o rótulo de "estrangeiro" que Le Pen lhe pregava. Mas não foi o que ele disse. O Brasil deve prestar atenção à aula de Thuram, mais que ao futebol de Zidane.

julho 7, 2006

Enquanto isso, no RS

O país avança...
A indústria nacional teve a maior expansão de um mês em relação ao anterior neste ano. No caso, de maio ante abril, que foi de 1,6%. A maior marca era de dezembro, quando atingiu 2,5%.

Os setores ligados a veículos, alimentos e máquinas foram os que puxaram a alta da atividade industrial em maio, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

... e o Estado recua.
A atividade fabril no Rio Grande do Sul recuou 6,39% em maio, divulgou ontem a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). Conforme o Índice de Desempenho Industrial, o ciclo recessivo já dura 15 meses. Neste ano, a
queda acumulada é de 8,47%.

A entidade estima que foram extintos 17 mil postos de trabalho formais (com carteira assinada) em 2006 - um recuo de 5,8%.

A comparação: o desempenho da indústria em relação a igual período do ano anterior:

No país -
Maio: 4,8%
Jan-maio: 3,3%

No Estado -
Maio: -6,39%
Jan-maio: -8,47%

Alias acho que tá na hora desse povinho do PMDB declarar sua incompetência e assumir a culpa pelo que fazem, já que na época que o Olívio era governador o estado "estranhamente" crescia acima da média nacional, mesmo com seca, lei Kandir, renegociação da dívida e isso foi conseguido sem aumentar impostos, sem retirar créditos legítimos dos exportadores, sem dar dinheiro para grandes empresas, sem a ZH a favor...

Texto: Natal Antonini.
Fonte: ZH (?)

julho 6, 2006

Em Minas: Samba do Criolo Doido

Dizem que "mineiro trabalha em silêncio" (hohohoho).
Fantasiam que "Minas é o ponto de equilíbrio da política nacional" (hihihihi).
Espalham que "mineiro é matreiro, esperto, come-quieto, sabe fazer política, nunca diz: "nem sim nem não, muito antes pelo contrário" (ou não?).
Rezam que "mineiro dá um boi pra não entrar em briga; quando entra, dá uma boiada pra não sair dela" (logo o mineiro, tão pão-duro).
Afirma-se que Aécio Neves será o presidente do Brasil em 2010 (não sou eu que digo, "eles é que dizem").
Mas "samba do criolo doido" quem fez foi o Stanislaw Ponte Preta, aquele do Febeapá (alguém se lembra?), mais atual do que nunca. E Stanislaw não era mineiro. Entendia de "mulatas que não estão no gibi" e de brasilidade, o hôme.
Agora, quem afirma sou eu:
- Em Minas, faz-se o melhor samba do criolo doido da política nacional!
- Como assim, perguntará um dos 5 leitores do Bombordo.
- Explico: prestenção:
Itamar - o da república do pão-de-queijo - queria ser candidato a presidente (de novo!) mas era puro fingimento. Queria mesmo é ser senador. Afinal, quem não quer uma sinecura daquelas? Cconversou com ex-mandachuva do Planalto (José Dirceu, com perdão da má palavra), numa tentativa de cooptar o PT, que declinou da oferta. Achava que Aécio tinha uma dívida de gratidão com ele, pois indicara o nome do netinho de Tancredo pra presidente, numa das inaugurações recentes. Investiu, em seguida, na candidatura a Senador pelo PMDB. Afinal, o PT-no-poder queria por que queria que os peemedebostas, digo, peemedebistas fossem aliados na re-eleição.
Acontece que Aécio anda de braços dados com Pimentel, prefeito petista de BH, com elevado índice de popularidade. Aécio não ataca frontalmente o PT e morre de rir da sem-graceza do chuchu paulista: "que ele se queime e me deixe o caminho aberto", parece dizer.
Então, o Planalto "orienta" o desorientado PMDB a escolher Newton Cardoso como candidato ao Senado.
Logo o Newtão, do PT um inimigo figadal (não confundir com fidalgal, que de fidalgo o Newtão não tem nada).
Aqui em Minas rolam umas anedotas a respeito do ex-governador, a começar pelo seu apelido: "o Porcão" - não se trata daquela rede de churrascaria que cobra R$ 52 per capita para um rodízio, fora a sobremesa e a gruja do garçom.
Reminiscência: Quando um de meus filhos tinha 5 anos, o Newton Cardoso já era conhecido pelas suas proezas em arrecadar uma comissãozinha em cada obra do governo: chamavam-no de ladrão. (São "eles" dizem, eu não sei de nada...).
Pois bem, ao passear com meu filho nas imediações da Praça da Liberdade, em frente ao Palácio dos Despachos, disse-lhe:
- Ângelo, é aqui que trabalha o Governador.
- O 'porcão". pai?
- É, ele mesmo.
Chegamos à entrada do Palácio e lá estava um policial de sentinela. Meu filho me puxa pela mão até o PM e lhe pergunta:
- Sô guarda, é aqui mesmo que trabalha o governador?
- É sim, por que?
- Uai, então porque o senhor não prende êle?
- Ahn?
- É, prende ele. Meu pai vive falando que ele é ladrão!
(Cai o pano, rápido)
Pois bem, o PT encarniçava na oposição ao Newton. Agora, tem de subir no palanque dele, apoiando-o para senador. Itamar foi pra escanteio. Aécio fica quietinho e chama o Eliseu Rezende, ex-ministro dos Transportes para compor sua chapa.
E tudo vai ficando cada vez mais confuso.
É ou não é um samba de criolo doido?

Blog do autor: Prascabecas.