O tempo:
aliado ou inimigo?
O tempo é algo misterioso, indefinido;
Tempo é coincidência, consequencia;
E momentos.
Momentos que passam rápido
E momentos que guardamos para sempre
E ás vezes os momentos mais curtos
São os que mais insistem em ficar por perto
Nos assombrando ou alegrando
Alguns se preocupam tanto, em não deixar o tempo escapar por entre nossas mãos...
"Nossas frágeis mãos;
Que nenhum destino podem controlar;
Que se vêem um dia, a perguntar;
Onde foi o tempo que guardei;
Que economizei.
"Eu digo o que aconteceu;
Entre nossos dedos ele escapou;
Como a areia fina da praia;
Naquela tarde de verão;
De um momento que já passou.
Tudo que é verdadeiro, faz bem
O tempo: verdade ou mentira?
Depende da perspectiva;
O que para um passou depressa, para outro definiu uma vida;
O que para um foi só mais um segundo;
Para outros, mudaram seu mundo.
"O tempo:
Porque é traiçoeiro?
Mas ao mesmo tempo;
Estão nas nosssas mais doces lembranças?
É porque o tempo;
Por mais que possa vir a machuca-lo;
Com lembranças do passado;
Não só marca a vida
ele é a vida.
"A vida é o tempo;
O tempo é a vida;
Sem um não há o outro;
E juntos eles coexistem;
Como num grande passe de mágica."
"E por ser tão complicado;
E indecifrável;
Devemos nos prender no que é palpável;
O Hoje.
Porque amanhã é um novo dia;
Mas hoje que a vida se cria;
É hoje que dita o amanhã;
E é consequencia do passado;
É do presente que se faz a vida.
Então viva;
Mas viva com alegria;
Para no final da vida;
Ter mais beleza do que tristeza;
Mais amor e menos avareza;
Mais paz e mais vida.
Viva
Mas viva com harmonia
Não se preocupe com as consequencias
Já que não se pode controla-las mesmo
Seja tão misterioso quanto o tempo
E viva a vida momento por momento.
Viva a vida
Mas viva de verdade
Viva como se a vida
Fosse como a areia fina
Daquelas tardes de verão
Que tempo nenhum tira
Já foi dito o que havia de importante... Estou sem palavras...
Muito lindo...esta proximidade que tu colocas entre vida e tempo. Me faz lembrar que vida é experiência...não no sentido de experiência de laboratório mas no sentido de experienciar...
Segue um trechinho de um poema de Alberto Caeiro que é um pseudônimo de Fernando Pessoa
Vive, dizes, no presente;
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas coisas como presentes;
quero pensar nelas como coisas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
O que que eu posso dizer, meu caro colega Lupin (aqui intitulado Feijão)?? Simplesmente perfeito! Tirando o marcante erro de craseque, é claro, foi um problema do teclado, é um texto simplesmente fora do comum. Realmente um texto literário em todos os sentidos.. É belo, é bem estruturado, bem desenvolvido, desperta em todos uma série de sentimentos.. e pesamentos. Ah! Os pensamentos.. essa força que nos leva para a frente, mas também nos afoga. Esse rio que clareia a vida, mas pode também tirá-la o sentido, cortá-la o fio que a faz existir.. o fio do tempo, que corre invountário, autônomo, independente da nossa vontade. E antes de pararmos pra reclamar como é ruim isso, preciso aceitar isso. Aceitar em termos. Questionar é possível, refletir também, pois uma vida sem reflexão é uma vida vazia....
"Esta noite todos os bares estarão cheios de homens vazios..."
Um grande abraço e até a próxima,
do seu obediente criado,
O.G.