Depois de resistir por 16 anos, mudei para Limeira.
Morei a vida toda em Americana, cidade vizinha, coladinha, levava 15 minutos de casa, em Americana, até o trampo em Limeira. É incrível como, com o passar dos anos, 15 minutos demora cada vez mais para passar.
Agora vou para o trabalho a pé, almoço em casa, mais tempo para brincar com a Lia.
Bem, mais ou menos... Foi incrível como 'ir para Limeira' significou 'trabalhar mais'... Muitos outros trabalhos apareceram, estou ralando como nunca. Isso é bom e ruim; o tempo continua curto, mas trabalho chama trabalho e isso acaba revertendo em 'algum dinheiro' e isso não é ruim, vamos combinar!
O ruim, mesmo, no final das contas, é que já há um mês, por conta dos preparativos da mudança, da mudança em si, de colocar as coisas no lugar, escola pro Dudu, escolinha para a Lia, adaptação na casa nova, 'onde acende essa luz?', essas coisas todas, praticamente parei de escrever por gosto. Parei com os blogs mas, principalmente, parei com os três livros que estava escrevendo, dois estão praticamente prontos, um tá no início... Como dizem no mundo corporativo, 'descontinuei' os livros.
Pois ontem à noite pensei em retomar. Liguei o computador, abri alguns arquivos... E me veio a pergunta: "Quem precisa de mais livros?".
Por quê vou perder horas e dias sentado escrevendo essa história?
Pensei mais um pouco e me deu alguma tristeza.
Talvez o mundo tenha perdido um escritor.
Mas quem se importa?


