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Começou o carnaval e chegou meu tocador de vinil, então fiquei enfiado nos meus discos empoeirados. Não vi nada de carnaval. Nada. Ouvir algumas coisas depois de 10 anos é refrescante. O que mais rodou no prato foi "Reading, Writing, Arithmetic", do The Sundays. Putz, não sei como não escrevi sobre esse disco no DoisDiscos! The Smiths meets Cocteau Twis. Só eu acho esse disco perfeito?

Você não conhece? Ouve e me fala, aqui você pode baixar. Depois me diz.

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No mp3, o novíssimo (nem foi oficialmente lançado) do Stephen Malkmus. Muito bom. Corre o risco de alguém dizer que o Malkmus ficou maduro, mas está ali sua irreverência, seu experimentalismo pop, sua verve adolescente. Baixe aqui e me diga.

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E não sei cumé que não botei atenção nesse The Shins! O último disco dos caras é lindaço de ponta a ponta! A melhor canção, que ficou dias no repeat é "Sea Legs". Ufs!

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Esse eu não lembro onde consegui...

Aqui, uma boa lista dos 50 melhores filmes de terror. Tá difícil achar bons filmes de terror, não? Qual o último filme que vc viu e que te ARRUPIOU os PÊLO?

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Depois de cinco anos e estabelecido como referência na blogosfera quando o assunto é crítica de cinema de qualidade, o Filmes do Chico - que também foi pro Interneys! - apresenta uma lista de seus, ãhn, 100 filmes preferidos.

Eu acho que o Chico, talvez como eu, sofre de uma certa "condescendência crítica". No meu caso deram de chamar de "exagero". Essa "condescendência" está relacionada a ver qualidade até mesmo em filmes que muitos consideram ruins. Nesse sentido, o crítico do Mais!, Jorge Coli, também pode ser chamado de condescendente. E eu gosto muito de ler o Coli.

Acredito no amor que se investe num filme. Mesmo os ruins. Mesmo os piores. Por conta disso - e de todas as dificuldades que eu sei que envolvem a produção de um filme - gosto particularmente dos filmes trash, feitos por equipes reduzidas, com efeitos especiais mambembes. Muitas vezes me sinto constrangido com a ruinzice de um filmes e chego a sentir pena dos envolvidos, do diretor.

A partir disso, sempre defendi, quando o assunto é LISTA, a posição mais pessoal do crítico. Acho um saco quando o crítico se mete a colocar na SUA lista os grandes medalhões que costumam ter méritos mais históricos ou técnicos e nem sempre - ou quase nunca - são filmes apaixonantes.

Na apresentação de sua lista, Chico diz:

Essa relação que segue não tem a intenção de apontar quais são os melhores filmes de todos os tempos. Meu objetivo era listar os filmes que fizeram parte da minha história, que, de uma forma ou de outra, me traduzem. Alguns eu vi ainda criança e marcaram momentos especiais da minha vida. Outros ajudaram a definir meu romance com o cinema. Apenas alguns são importantes para a História, todos são fundamentais na minha história.

É a definição de lista ideal, ao meu ver. Mas é quase impossível, no caso de quem ama cinema, passar completamente ao largo da História - e a história pessoal do crítico se confunde com a do cinema. Para ser mais direto: o crítico vai perdendo a sua ingenuidade de ver filmes, vai virando um técnico. Assim, Chico coloca em sua lista todos os grandes diretores, deixando pouquíssimas exceções. O que mais me intrigou na interessante lista do Chico foi que... ele parece escolher os filmes errados dos diretores certos. Essa impressão, que tive logo na primeira vista me incomodou e é a razão desse post.

O filme número 1 de Chico é o clássico de Murnau, "Aurora" (1927), filme etéreo, de um romantismo algo fantasmagórico. Murnau volta em 24, com "A Última Gargalhada" (1924), filme triste que conta a história de um porteiro de hotel. O grande filme de Murnau, "Nosferatu" (1922), aparece só na posição 74. O que faz os dois filmes estarem antes de "Nosferatu" em uma lista como essa é o que me intriga. Terá Chico um amor tão intenso por "Aurora" e "A Última Gargalhada" ou é o apuro técnico e a inventividade que contaram na escolha? "Fausto", realizado antes de "Aurora" é um filme igualmente etéreo, bonito... "Nosferatu" é mais antigo e tecnicamente mais inventivo... não devia estar numa posição melhor?

Do expressionismo alemão, Chico pula para o faroeste, elegendo o seu filme número 2, "Onde Começa o Inferno", de Howard Hawks. Não tem mais nada de Hawks. Sim, é um dos melhores filmes do cineasta.

"Gritos e Sussuros" aparece em terceiro e "Morangos Silvestres" em 59, ambos de Bergman. Nada de "O Sétimo Selo".

Em quarto, "Intriga Internacional"; em 12, "Janela Indiscreta"; em 19, "Um Corpo que Cai", todos de Hitchcock. Nada de "Psicose". Nada de "Os Pássaros".

Em quinto, está "Um Tiro na Noite", que comento mais abaixo.

A coisa se complica: em sexto, "Este Mundo é um Hospício", de Capra. Bem, tem meia dúzia de filmes do Capra mais legais que esse. Mais legais. Achei legal - e estranho - esse filme numa posição tão alta.

O estranhamento piora, em sexto tem "Elephant", do Gus Van Sant. Intrigante. Não sou fã do Van Sant e achei esse filme fraco. É um filme que se opõe a todos os anteriores na lista: moderno, polêmico...

Na sequência, "Era Uma Vez no Oeste", do Sergio Leone. Sou só eu que prefiro "Era uma Vez na América"? Ou "Três Homens em Conflito"?

Temos então "Cantando na Chuva" e... "O Caso dos Irmãos Naves", do Person. "O Caso dos Irmãos Naves"? Não consegui assistir inteiro.

Esses são os primeiros dez filmes. Fui em frente na lista e me impressionei mais.

Tem os Coppolas certos, os Kubricks corretos, tem "Cidadão Kane", o "Encouraçado Potemkin", "O Nascimento de Uma Nação", tem os John Fords OK... O que mostra a "consciência histórica" de Chico.

Mas só "Amarcord" de Fellini?
"Ed Wood", do Tim Burton?
"Interiores" e "Zelig", do Woody Allen? (Bem, acho que "Zelig" entraria numa lista minha)
"Marcas da Violência", do Cronenberg? E "Gêmeos"?
"O Incrível Homem que Encolheu"?
"A Noiva de Frankestein"?
De Spielberg, "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "Os Caçadores da Arca Perdida"... Hmmm...
De Buñuel, Chico escolhe "Os Esquecidos". E "A Bela da Tarde"?
"A Cidade dos Sonhos", do Lynch?
"Bonequinha de Luxo" e "O Mágico de Oz" me lembra as listas do Rafael...
E a lista do Chico tem muito Truffaut, mas não "Jules et Jim"!

O pior foi "Taxi Driver" e "O Rei da Comédia", de Scorsese. E "Touro Indomável"?

Há grandes acertos, claro, como "Um Tiro na Noite" e "Dublê de Corpo" do DePalma, sempre esquecido nas listas, classificado sempre como sub-Hitch.
E "O Gabinete do dr. Caligari", de Wiene, sempre ignorado nas listas.
Legal ver "Rashomon", do Kurosawa, ao invés de "Ran" ou "Os Sete Samurais", sempre citados.
E "O Bandido da Luz Vermelha", do Sganzerla, o melhor filme brasileiro de todos os tempos.
E "Invasores de Corpos", de Phillip Kaufman.
E "Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita", de Elio Petri.
E "O Hospedeiro", do Bong Joon-ho - novidade fresca!

Pois é isso, uma lista interessante, idiossincrática, como toda boa lista... Tem umas esquisitices, tem uns filmes de adolescentes, tem umas coisas evidentes e puramente afetivas, como Os Trapalhões ou "O Clube dos Cinco".

E que porra é La Jetée, de Chris Marker e Bang Bang, de Andrea Tonacci ???

Hehehehe...

Quer fazer um teste para saber se você é cinéfilo? Aqui.
Fui mal, sou 61% Movie Freak.
:>)

Apdeite: O Chico escreveu nos comentários que não entendeu esse post, "sinceramente". Ué, só achei a lista interessante e quis comentar. Nada mais que isso.

Meu irmão, Alex Castro, me trouxe dos States alguns presentes, entre eles essa maravilha, "The Abattoir Blues Tour", de Nick Cave e seus The Bad Seeds.

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Tá cinqüenta reals na Amazon - a lista das músicas tá errada na Amazon. Sabe o que vem na caixinha? Dois DVDs com dois shows quase inteiros da turnê do disco duplo "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" mais dois CDs com gravações ao vivo durante a turnê. Tem ainda alguns clipes, um video footage e um documentariozinho sobre as gravações do disco... Tudo, dá umas 50 peças e, numa lógica à la Mulheres Negras, sai, então, um real cada uma delas. Vale a pena, vai dizer?

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"Abattoir Blues/Lyre of Orpheus", o disco duplo, marca a terceira ou quarta mudança de rumos na carreira de Cave. Depois da sua banda punk experimental The Birthday Party, ele se firmou como um crooner sombrio, tocando em temas como morte e desesperança, durante 10 anos, entre 1984 ("From Her To Eternity") até "Let Love In" (1994). Em 96, a segunda mudança, com "Muder Ballads", onde ele começa a carregar (ainda mais) nas tintas do sofrimento amoroso, na desilusão geral... Segue com sua obra-prima "Boatman´s Call" e "No More Shall We Part" e "Nocturama" (2003). Esse último mostra o potencial radiofônico de Cave, revela uma ponta de paz e pretensa alegria, em faixas como "Bring it On", "Rock of Gibraltar" e "Wonderful Life". O compositor mostrava que estava equilibrado, talvez pronto para explorar todo seu potencial fazedor de hits. Houve então uma "raspa na panela" com a excelente coletânea "B Sides & Rarities" e o lançamento de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus" - o disco que poderia levar Nick Cave para o mainstream.

E ele não mediu esforços para que isso acontecesse.

Deu entrevistas, gravou clipes e fez uma extensa e amplamente coberta excursão pela Europa e Estados Unidos. Distribuiu sorrisos, apertou mãos, pulou freneticamente nos palcos. Não deu muito resultado, apesar das grandes canções do disco, como "Breathless", "Nature Boy" e a faixa de abertura "Get Ready for Love", catártica.

Talvez por conta do plano "conquistar o mundo e o mercado" não ter dado tão certo, é que ele montou a banda Grinderman partindo novamente para o experimentalismo barulhento dos primeiros tempos, mirando um público jovem que baixa músicas descompromissadamente na internet. Antes mesmo do disco dos Grinderman estar pronto, a faixa "de trabalho" estava disponível no myspace da banda.

O mundo e o mercado, como sói acontecer, cometeram mais uma injustiça quando não entregaram "o sucesso" em bandejas para Cave, levando-o a cometer o quase inaudível (ao menos para mim, não para o Brigatti) disco de estréia dos Grinderman.

Vá para "The Abattoir Blues Tour", se você gosta de energia, de uma banda afiadíssima, duas baterias no palco, um coral maravilhoso (membros da The London Community Gospel Choir incorporados da "alma caveniana") - mostram Cave & Seeds em seu auge. Não sei se Grinderman terá futuro, não acredito. Não é som feito para fãs do som desenhado por Cave e seus comparsas nos últimos 20 anos. Creio que a banda deva voltar em breve para a proposta mais musical-melódica-poética.

Não sei se eles conseguirão retomar a mão no mesmo ponto de "Abattoir Blues/Lyre of Orpheus".

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"Diminua as luzes, chame os gatos para perto, um copo, sirva-se de uísque com gelo, coloque o CD, sente-se no sofá. Virgínia. Berlim, uma experiência o novo livro do Luiz Biajoni acabou de chegar pelo correio."

Lindo texto da Lulu.
Obrigado, nêga.

Thiago Neloah, com sua capacidade incrível de síntese, resumiu tudo em oito versos.
:>)
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A reedição de "Fup" no Brasil, revelando uma horda de fãs (muitos escritores), com total êxito (números apontam para 30 mil exemplares vendidos), fez com que Jim Dodge, o autor, viesse para a FLIP - que podia se chamar "FLUP", segundo alguns, em homenagem à pata, personagem principal que dá nome ao livrinho. Livrinho pois são poucas páginas que contam a história do relacionamento entre um jovem órfão e seu avô mais a tal pata. É leitura leve e rápida, de grande fluidez, com final psicodélico. Dodge é um hippie. Mas provavelmente o hippie com maior capacidade narrativa entre todos os escritores hippies. Não é "Fup" que o coloca neste posto. É "O Enigma da Pedra" ("Stone Junction", no original), sua obra mais ambiciosa, já lançada no Brasil com uma horrorosa capa pela José Olympio. Sebos virtuais colocam o preço de 50 reais em exemplares dessa edição nacional, de 1995. Comprei dois deles em sebos de Limeira por R$ 8,00 cada, depois de pechinchar um pouco. Um dos exemplares eu dei para o brou Fábio Shiraga, por ocasião de seu aniversário. O outro, li.

E que livro!

Primeiro é preciso ressaltar o grande trabalho de tradução de Mauro Pinheiro. Profissional - você vê a coisa fluir como se um velho hippie contasse a história. Dá pra sentir o sabor. Veja esse trecho:


"Ele teve dois momentos de sorte seguidos. O primeiro foi uma bala que raspou seu lábio inferior, tão perto que fez uma bolha de água, mas não chegou a romper a pele. O segundo foi um velho enrugado seguindo na direção do estacionamento, alheio à luz persecutória do holofote e aos estampidos dos disparos, tão distraído no meio daquilo que quando Shamus encostou o revólver na nuca do velho e disse "Entre no carro e caia fora", ele virou-se e disse, aturdido, "Catapora?"

Vai dizer?

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Mas, bem, qual a história de "O Enigma da Pedra"?

É a história da educação e do descobrimento de Daniel Pearse.

Ele nasceu de pai desconhecido, tendo como mãe a jovem adolescente e impetuosa Annalee. Mal nasceu e já está dentro de um caminhão, fugindo com a mãe. Fugindo, ambos, de um destino que a sociedade iria impor a eles de maneira muito cruel. Espíritos livres, não poderiam viver adequadamente entre os comuns. São, então, adotados por uma sociedade internacional de marginais, magos e foras-da-lei chamada de AMO (Alliance of Magicians and Outlaws). De plena concordância com o filho, Annalee decide não manda-lo à escola - ele aprende a ler, escrever e sobre tudo o mais em casa; um velho rancho que serve de abrigo a vários integrantes da AMO. Vai também, é claro, aprendendo sobre "o que não deve". Nesse início de aprendizado temos personagens lindos e cativantes, como o descendente de índio Johnny Seven Moons (personagem que já havia aparecido em "Fup"). Num dia de chuva no verão, Johnny, que era hóspede no rancho da AMO, tirou a roupa e convidou mãe e filho para fazerem o mesmo... Saíram todos correndo, nus e de mãos dadas, numa das cenas mais bonitas do livro.

Um desses hóspedes do rancho foi Shamus, por quem Annalee se apaixona. Daniel gosta dele e gosta de ver a mãe passar algumas noites no quarto de Shamus. Ela diz ao filho que o ama acima de tudo, mas que gosta muito de estar com Shamus - ele a faz feliz. Daniel concorda em dividi-la com ele.

Por uma série de fatores, mãe e filho ficam longe de Shamus por um tempo. Annalee e ele voltam a se encontrar um tempo depois: ela enta numa biblioteca e o vê folheando um livro:

"Shamus fechou o livro que estava examinando e o devolveu à estante sem dar por sua presença. - Eu tenho amado você e sentido a sua falta a cada minuto nesses últimos dois anos - sussurrou ele, olhando para os livros - e estou com medo de olhar para você, medo de que não seja você, talvez uma alucinação desesperada, um sonho ardente"

Sacou?
Já viu um trecho mais lindo que esse?

Bem, tem alguns ainda mais tocantes que esse. O meu preferido, na verdade, seria muito extenso para ser colocado aqui. Mas num aniversário de Daniel, em que ele passa sozinho com a mãe em um grande barco ancorado, ele pergunta sobre seu pai. Quem seria? Annalee perde o controle, eles brigaram, desfiguraram o bolo: ela não sabe quem era. Ela teve muitos homens entre os 16 e 17 anos... Senta ao lado do filho e vai contando pra ele suas transas, devagar, "com todo homem de carne e osso ou de sonho que ela conseguia lembrar ou inventar, heróis, poetas, fora-da-lei, loucos. Daniel ouviu atentamente e, quando ela acabou, ele fez algo que encheu os seus olhos de lágrimas: partiu um pedaço de bolo desfigurado e ofereceu para ela".

Assim caminha a história de Daniel Pearse, criado entre libertários e marginais, anarquistas e usuários de drogas, mas sempre gente que não quer o mal do outro. Ou quase nunca.

Tragédias acontecem em sua vida, ele acaba caindo sob os cuidados do Grande Volta, um grande ex-mágico, pessoa importante na AMO. Ele passa por treinamentos, ele tem uma missão, ele acaba tendo contato, no terço final do livro, com "a pedra": um diamante estranho e enorme, do tamanho de uma bola de boliche. Nesse último terço as coisas vão ficando estranhas, o LSD vai batendo nas tampas de Jim Dodge, mas não importa: a conclusão é linda e redime quaisquer falhazinhas desse entrecho dinâmico "um jovem criado para uma missão".

No meio disso tudo vemos a educação de Daniel Pearse progredir com ensinamentos de um velho e bem-sucedido jogador de pôquer ou de um jovem especialista na arte da maquiagem. E sabemos também de um problema específico de Daniel - e só isso já o tornaria um grande personagem -: ele não consegue transar duas vezes com a mesma garota. Nunca. É só uma e nunca mais.

Posso dizer que o ritmo de Jim Dodge impede que a gente perca o interesse e sempre cria painéis de fundo para personagens. Ficamos intrigados com narrativas que parecem deslocadas da trama, mas que desenham perfeitamente personagens e estados de espírito. Uma dessas cenas é quando o Grande Volta, um senhor bastante seguro de si, vê uma jovem ruiva de 10 ou 11 anos, "aquela idade estranhamente mercurial de pré-pubescência feminina que na verdade varia dos três aos 35", tentando acertar bolinhas dentro de aquários num pequeno parque de diversões. Volta quer ajuda-la, dar dinheiro, fazer com que ela ganhe um peixinho. Ele se lamenta breve e insensatamente por não ter tido filhos. Até que a menina erra suas útimas bolinhas e "disse 'Merda' rapidamente, como se a rapidez tornasse aquilo mais aceitável". Volta dá dinheiro a ela e ensina como ganhar. Ela ganha o peixe, mas não quer levá-lo com ela. "Minha mãe diz que é uma grande responsabilidade tomar conta de uma outra coisa viva". Volta fica com o peixe.

Uma cena que dava um livro inteiro, quase.

Assim é esse cativante e originalíssimo romance. Não tem mais pra vender nas lojas. Procure por aí, pois vale qualquer centavo de quaisquer 50 reais que você venha pagar.

E aposto que você jamais vai adivinhar o final.

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Post-Scriptums:
- Pynchon é um dos maiores fãs desse livro, tendo escrito: "Aqui encontramos a ficção americana em toda sua dimensão, fartamente imaginada e profundamente sentida, exuberante pelo seu senso de humor fora da lei e sua mágica franqueza".
- Reza a lenda que Dodge escreveu esse livro dentro de uma rotina auto-estabelecida, trabalhando nele cinco horas por dia durante um ano.
- Não me conformo de não terem feito um filme de "Stone Junction" até hoje. Seria um grande filme nas mãos de alguém como Terry Gillian.
- A ilustração desse post é de João Maio Pinto. Não conhece o cabra? É interessante!

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Ingmar Bergman, 89 anos. Michelangelo Antonioni, 94 anos.
Finalmente, perderam no xadrez.

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Vai dizer?

O mestre.

Charlotte Rampling em "Stardust Memories", de Woody Allen, dublagem original para TV, não encontrei crédito da dublagem. É isso, tem tudo a ver com o livro. Edição de Fernando Santarosa.

Confirmadas datas de lançamento: 7/7 em Limeira (Bar da Montanha, 19h30), dia 14/7 no Rio (local a definir), dia 21/7 em Sampa (Canto Madalena, 19h30). Mais informações em breve.

Claudia Lyra escreveu sobre o livro.

Compre, presenteie, leia, ame. Aqui.

pronto!

Muito bem, está pronto: "Virgínia Berlim - Uma experiência" está à venda, por enquanto apenas pelo e-mail d'OsViraLata. Quem quiser comprar - e espero que todos comprem, leiam e resenhem - é só mandar um e-mail para o endereço que está e combinar com o Albano como fazer o pagamento: transferência, depósito, envio de cheque, etc... O preço? Ah, sim, o preço é R$ 28,50. Achou caro? Algumas razões para esse preço:

- Apesar das poucas 68 páginas, o livro demorou 10 anos para ser concluído. Eu sei, muita gente não acredita nisso, mas "Virgínia Berlim" nasceu em 1996, quando morei sozinho num pequeno apartamento por 4 meses. Depois desses 4 meses, passei um mês no litoral. Durante todo esse período fui escrevendo alucinadamente enquanto revia meus filmes preferidos e lia Joseph Campbell e "Retrato do Artista Quando Jovem" do Joyce. Fui anotando idéias, transcrevendo trechos de filmes, etc..., e em Janeiro de 97 eu tinha cerca de 400 páginas que começaram a ser trabalhadas e foram finalizadas de fato em Janeiro deste ano - exatos 10 anos depois. É claro que durante esse tempo escrevi "Sexo Anal" e mais algumas coisas... Mas talvez eu possa dizer que em "Virgínia Berlim" eu consegui alcançar algo... Ou "algos". Tecnicamente o livro não é um conto, mas também não é um romance - tem uma proposta; é uma "experiência", como diz o subtítulo. Mesmo narrado na primeira pessoa, queria tirar essa impressão - sinto que consegui fazer com que o personagem conte sua própria história como se fosse alguém externo. As pequenas coisas prosaicas que o personagem executa podem ter várias camadas de leituras - e há algum hermetismo particular, referências pop inconfessáveis, mas nada que interfira na leitura do leitor médio. A narrativa é simples e fuida e o espírito de todo livro está na frase inicial: "Quase todo dia a gente saía, no final do expediente, pra tomar umas num boteco ajeitado que ficava perto do escritório.".

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- Outro bom motivo para você pagar R$ 28,50 neste livro é que ele é dividido em duas partes. Temos a narrativa e depois temos 10 letras de canções de singer/songwriters americanos, com tradução livre minha e de Fábio Shiraga - e as canções têm conexão com a história.

- Ah, sim o livro vem com um CD com 12 canções. É um brinde. Sempre pensei em escrever um livro no qual um personagem grava uma fita K7 para a namorada e a fita vinha junto com o livro. Achava isso romântico. Bem, agora eu tenho um livro que tem um CD como brinde - mas as canções não são ouvidas ou conhecidas pelos personagens. Ou, pelo menos, não todas. São canções que o autor sugere como trilha-sonora do livro.

- Bem, eu acho - e comentei isso com o Doni - que esse não é um livro para ser lido: é um livro para ser dado de presente. Um livro para você dar para um antigo amor do passado, para alguém que foi uma boa experiência... Então, compre dois e pague R$ 50,00 - fique com um e dê outro para essa pessoa.

- Albano Martins Ribeiro diagramou, fez a linda capa, criou o clima, criou a tipologia, montou os livros um a um manualmente e, principal: amou esse livro. Então pense que você está comprando um livro quase artesanal amado por, pelo menos, duas pessoas.

- Eu dei "Sexo Anal" de graça para vocês, agora está na hora de vocês retribuirem.
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(Vocês já viram a capa, essa é a estilosa contracapa)

Comprem, divulguem, amem.

* E é claro que teremos mais posts sobre isso.
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