agosto 28, 2007

paula lee lê "virgínia berlim"

A amiga Paula Lee me mandou seu livro recém-lançado, "Alugo o Meu Corpo", que lerei assim que acabar o novo do Dawkins.

Com gentileza, mandei um "Virgínia Berlim - Uma Experiência" para ela, que leu e postou:

(trecho:)

O que marca esse romance do Luiz Biajoni é justamente a sua escrita, o seu estilo, a forma com que vai misturando situações numa só, e descrevendo, ao pormenor, os pensamentos que nos rodeiam em momentos de expectativa.

(outro:)

A parte mais erótica do livro, algo esperado pelo menos para quem leu o “Sexo anal”, livro anterior do autor, com uma outra Virgínia, bem diferente da Berlim, segundo a minha opinião é a da página 26. Mas não vou reproduzir aqui, claro que não. Quem tiver comprado o livro, vai na página 26 e vê se esse momento erótico não é uma das passagens mais belas do livro.

Ér, gostei demais do post, Paula. Um post assim faz um escritorzinho ganhar o dia.
:>)

Leia o post todo da Paula Lee.
Compre "Virgínia Berlim" - restam pouquíssimos exemplares.
E compre "Alugo o Meu Corpo", o livro da Paula, pô.

Posted by biajoni at 12:43 PM | Comments (1)

agosto 27, 2007

fotas no rio

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(Bruno Cattoni, que lançou "Silêncio de Girassóis na Livraria da Travessa, e Vicente Pironti)

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(Dira Paes com o livro e num clic especial para o papai aqui)

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(Eu e Viva comemos excelentes sushis num lugar bacana de Ipanema)

Posted by biajoni at 1:06 PM | Comments (5)

agosto 24, 2007

perigo no rio

Pegamos o avião em Viracopos e em 40 minutos estávamos no Galeão, Rio. Eu estava com uma camisa fofa, branca, que me deixa com os pêlos do peito à mostra, com uma grandissíssima cara de guei. Meu companheiro (no sentido social, não sexual), Vicente, precisou passar no caixa eletrônico, sacar dinheiro. Fiquei por ali, quando um cara encostou. Não falou nada mas nos acompanhou até o elevador e entrou. Tinha outras pessoas no elevador e eu decidi fazer uma daquelas piadinhas bestas; virei pro meu amigo e resmunguei que não aguentava mais esse trabalho de cover do Renato Russo, estava estafado. Ele riu, o pessoal olhou meio desconfiado e, bem, esse cara que tinha se encostado na gente lá em cima, também.

Podia ser um pederasta, sei lá... Mas o cara foi chegando, perguntou se queríamos táxi até o centro. "Sim, queremos". "Eu faço mais barato, R$ 50,00". Bem, pensei, o cara é um taxista caçando clientes!

Foi quando ele pegou minha bolsa, "pode deixar que eu levo", e foi em direção às escadas. Fui atrás e, logo atrás de mim, o Vicente. Na descida, observou que os caixas eletrônicos estavam bem vazios naquela manhã - e eu concordei. E perguntou de onde éramos - eu respondi.

Envolvido na conversa quase não reparei no carro quando ele abriu o porta malas e colocou minha mala dentro. Mas reparei que Vicente não estava logo atrás de mim. Olhei para trás e ele estava parado a uns 50 metros... Foi como se tivesse caído a ficha pra mim: aquele cara era um sequestrador. Vicente gritou: "Bia, pega a mala e vem pra cá". E eu fiz isso rapidamente, saímos correndo, subimos as escadas correndo e só pude ouvir o cara ligando o carro lá atrás.

Escapamos.

O carro do cara não tinha identificações de táxi e o Vicente estranhou a consideração sobre o caixa eletrônico... Foi rápido para não se deixar envolver com a conversa mole e corajoso para gritar e me alertar. Se tivéssemos entrado no carro provavelmente teríamos sido assaltados, roubariam nossas bagagens, saques em caixa eletrônicos, sequestro relâmpago, talvez coisa pior.

Deu uma tremedeira depois. Pegamos um táxi de linha e contamos a história para o taxista - ele disse que esse tipo de coisa acontece direto; e não só no aeroporto como em rodoviárias no Rio. A associação dos taxistas sabe, já fez várias denúncias, existem tapes com gravações das ações, com as caras dos marginais, mas... Não pegam ninguém e a ação continua ocorrendo.

Não é de se conjecturar que gente graúda saiba? Gente da própria Infraero? Por conta desse medo, não fizemos uma denúncia formal, um B.O. qualquer.

Acho meu dever contar a história aqui para alertar os parcos leitores - e seria legal se todos divulgassem. Se eu tivesse ouvido algo sobre práticas assim, teria me precavido.

Fica o alerta.

Ah, sim, aconteceram coisas ótimas no Rio, que eu conto assim que passar o trauma.

Posted by biajoni at 4:37 PM | Comments (19)

agosto 23, 2007

interessante...

Você lê muito?
Sei.

É daqueles que DEVORAM, né?
Não pode ver uma livraria que já vai sacando o talão de cheques?
Sei.

Então me diz, você conhece Carlos Nascimento Silva? E Antonio Torres?
Quem sabe você conheça Affonso Ávila. Não? E Neide Archanjo? Armando Freitas Filho?
Artur Oscar Lopes, conhece? E João Anzanello Carrascoza?

Marta Rossetti Batista? Lira Neto? Araújo Freire?
Talvez Eliane Brum ou Klester Cavalcanti?
Não?

Pois são todos vencedores do Prêmio Jabuti, o mais tradicional do Brasil.
Quase todos lançados por pequenas editoras ou editoras em ascenção: Agir, Arquipélago, Ateliê, A Girafa, Edições Inteligentes, Vila das Letras, Capivara Editora...

No ano passado deu Cia das Letras quase de cabo a rabo.
A lista completa, aqui.

Interessante, vai dizer?

Posted by biajoni at 11:41 AM | Comments (10)

agosto 20, 2007

o consumidor que sifu

O consumidor só se fode. Quando se fode mais que o normal, não tem onde reclamar. Acreditem, eu sei o que falo. Na maioria das vezes, Procon não adianta. Noutras, o sacrifício seria grande demais - e haja saco. Eu ajudei a montar aqui uma ONG de defesa do cidadão - que existe até hoje - mas pulei fora do barco por desavenças com outros diretores. Logo eu, uma pessoa doce.

Enfim.

Quinta-Feira começou a acabar a água no bairro em que moro. Na Sexta acabou de vez. Decidimos esperar, saímos para comer algo. Fomos para Limeira, eu, Karen e Lia até a Cachaçaria Água Doce onde havíamos provado uma moela com mandioquinha tempos atrás... Fizemos o mesmo pedido. Uma cerva, uma cachaça, um caldo de mandioquinha para Lia, um pão com alho... E então eu peço, hmmm, meio copo com uma laanja esperemida para a Lia. Não queria uma jarra de suco, já que ela não ia beber tudo e teríamos que jogar fora. A garçonete diz que pode fazer, mas cobraria o mesmo valor da jarra. É mole? Pedimos então a jarra.

A porção foi decepcionante, com meia dúzia de moelas picadas num caldo aguado. A caneca de mandioquinha da Lia, igualmente fraca - parecia sopa de hospital. No meio da, ér, "refeição", pedi um pouco mais de queijo ralado - que me foi cobrado na conta, R$ 1,00. A solução é não mais voltar lá, claro.

Voltamos pra casa com fome - e não conseguimos tomar banho.

No Sábado fomos para Itatiba em fuga da falta d´água. Paramos no Giovanetti do Shopping Dom Pedro e comemos uma deliciosa porção de bolinhos de bacalhau com chopes. Quando veio a conta nem olhei direito e saquei o cartão... Sorte que voltei atrás e peguei para ver... cobraram 20% (!!!) do serviço. Espantei-me. O garçon pediu desculpas, disse que se engaram. Fiquei com cara de samambaia.

Essas coisas me deixam cabreiro, embora quase sempre eu simplesmente não consiga reagir no momento.

Chegamos em casa no Domingo e eu me aprontei na cadeira para assistir a "All That Jazz". Encontrei o filme numa banca de promoção dentro do supermercado na Quinta passada e comprei entusiasmado - quase não se vê o filme por aí... Comprei. Cheguei em casa, abri e... surpresa!: o filme não estava lá dentro! Comprei só a capinha! A Karen voltou ao supermercado no dia seguinte e o trocou. No Domingo, botei o filme mas o DVD não aceitava... Isso porque a mídia estava COMPLETAMENTE arranhada; nunca vi nada parecido.

O que eu faço?

No momento, só me passa pela cabeça dançar um tango argentino.

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Posted by biajoni at 2:29 PM | Comments (8)

agosto 18, 2007

saudade do iraldo

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O Escrúpulos continua sendo um dos blogs mais gostosos de se ver.

Posted by biajoni at 12:51 PM | Comments (4)

agosto 13, 2007

branco multimídia

Brancão estará hoje, dia 13 de Agosto, dia do cachorro louco, às 20h, DANDO entrevista na AllTV - se ele não mandar um abraço pra mim, não falo mais com ele. Assista e confira!

E veja também essa interessante adaptação de um dos melhores textos do Branco. O nego tá tudo e não tá prosa!

Posted by biajoni at 5:09 PM | Comments (2)

agosto 9, 2007

o seu antenor e betinho

Ontem cedo eu estava por aí na internet e achei a foto abaixo. Segundo a legenda, foi tirada no dia em que ela, Sharon Tate, foi morta pela Família Manson, em 9 de Agosto de 1969. Sem nenhum motivo aparente - e eu faço muito isso - dei um clique com o direito e salvei.

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Ainda ontem cedo, um pouco mais tarde, 11h15, um crime caiu no meu colo. Um senhor de 63 anos, o "seu" Antenor, esfaqueou várias vezes seu senhorio e a senhora; o senhorio, de 73 anos, morreu, a mulher está internada em estado grave. O assassino, que morava na pensão há 11 anos, se entregou tranquilamente, disse que não estava arrependido, que matou os dois porque eles deixavam "maconheiros" se hospedarem por lá, e que... estava "fazendo justiça"... Há algum tempo ele havia começado a frequentar uma igreja evangélica e, lá, ele viu que devia fazer isso: uma "limpeza".

Vi semelhanças com o caso Tate-Manson; malucos guiados por vozes existem desde sempre.

O que me impressiona é que... será que ninguém observou, ao longo dos 63 anos deste senhor, que ele era um maluco desequilibrado? Ninguém notou nada de errado? Ninguém lá na igreja dele, nenhum amigo, vizinho, parente ou mesmo os senhorios? E se alguém tivesse detectado, como deveria reagir. Se eu vejo um cara perigoso, que pode se tornar mais perigoso ainda por conta de qualquer desequilíbrio mental, como devo reagir?

Alguém sabe?

Olhando as efemérides deste 9 de Agosto, para confirmar o dia da morte de Tate, vi que há 10 anos morria Betinho. Lembrei. Eu deveria estar no Rio de Janeiro hoje, para o lançamento de "Betinho: Sertanejo, Mineiro, Brasileiro", de Carla Rodrigues, no Circo Voador. Acabou não dando para ir...

Betinho, seu Antenor...
Quanta diferença entre as pessoas, vai dizer?

Posted by biajoni at 2:47 PM | Comments (8)

julho 30, 2007

falando de virgínia berlim

Yvonne Paradtz:

"Li de uma tacada e uma das coisas que mais me deixaram impressionada é que eu tive uma espécie de simbiose com o personagem masculino que é o narrador da história. Eu me envolvi com ele de forma tal que cheguei a sentir cheiros, dores, vontade de fumar e de beber. Fiquei impregnada com a sua agonia."

Felipe Gomes:

"Se por um lado Sexo Anal - Uma Novela Marrom é tenso e pesado como um coice de mula, Virgínia Berlim - Uma Experiência é doce... muito doce! O que mostra bem o contraste e talento do Biajoni. Virgínia Berlim é tão... delicado."

Felipe baixou "Sexo Anal", leu rapidinho e imediatamente comprou "Virgínia Berlim". Se você não baixou "Sexo Anal" ainda, corra - em breve sai do ar. Se você ainda não comprou "Virgínia Berlim", corra - tá acabando. Talvez o comercial do livro te seduza.

Posted by biajoni at 2:00 PM | Comments (1)

julho 25, 2007

está acabando...

Faltam poucos exemplares de "Virgínia Berlim - Uma Experiência", se você não comprou, corra!

No lançamento em Sampa, Sábado, Christiana Nóvoa comprou, leu e me mandou o e-mail:

"Acabei agorinha de ler o livro. Resumindo: adorei. Uma pequena novela, de ler de uma sentada, ou pisada, mas fica latejando. O amor pode ser estranho, a vida passa: corta e dói mas depois passa. A narrativa flui como água, ora sangra. Sem drama, firula, nenhuma afetação que coagule, vai indo e escorrendo, pausa pra refletir na sacada. Ao fim não empoça, sobe as escadas. E a trilha? a gente segue à cega, que o cara sabe onde tem o ouvido."

Pelo preço de uma pizza, o livro com CD de trilha-sonora. Compre!
E leia os novos; aproveite a venda casada e leve os livros do Alex.

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APDEITE:
Ah, sim, Sexta-Feira, 27, tem lançamentoOsViraLata em Salvador!

Posted by biajoni at 3:32 PM | Comments (12)

julho 23, 2007

o sábado foi super

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(O destaque da noite: recital de Lia. Foto de Sandra Pontes. Colo da Tia Sol)

Sim, sim, a Lia mostrou seus dotes pianísticos, coisa de genes artísticos. Foi o destaque, mas não ficou muito à frente da simplesmente enorme enxurrada de amigos e/ou blogueiros que aportaram (sem arremeterem) no Canto da Madalena no sábado, para a Noite de Lançamento OsViraLata.

Foi sensacional, brothers; foi mesmo uma noite inesquecível. Sandra Pontes fez fotos que estão aqui, mas outras surgirão em breve. Tenho que destacar a impressionante e imprevisível presença de Chris Nóvoa e de Tata Maneschy. E deixar um beijo para as maravilhosas Juju, Lulu, Bibi, Beta, Olivia, Pat Kholer, Alessandra e minha linda Fresca.

Um abraço de obrigado para: André, Briga, Shiraga, Paulinho, Ulisses, Ina, Ian Black, Doni, Helder, Tuca, Marmota, Guga Alayon e para o super Lord Broken Pottery que ficou pouco, nem deu pra prosear...

Foram todos muito bem recepcionados pela Ana e pelo Pedro, filhos d´O Editor.
:>)

Posted by biajoni at 2:20 PM | Comments (14)

julho 19, 2007

jornal biajônico

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- Primeiramente, estão todos convidados para o lançamento paulistano dos livros. No Rio foi ótimo, deu notinha n´O Globo e saiu uma super matéria na Tribuna da Imprensa. Amaury Jr. esteve lá, em Sampa a Joyce Pascowitch já confirmou. Pinta lá!

- Encontrei Jussara Soares em Volta Redonda em minha ida ao Rio. Ela leu "Virgínia Berlim" e publicou um lindo texto em seu blog: (trecho) "Dessas paixões que chegam quando estamos distraídos. Desses casos mal-resolvidos. De amores, de dores e uma experiência. Tão brutal quanto delicado"
Obrigado, Jussara. O livro pode ser comprado aqui.

- Publicar no papel ou não publicar no papel? Julio Daio Borges vinha apontando alternativas quando, inesperadamente, fez uma matéria para o Estadão dizendo que a internet pode ser um excelente stargate para as grandes editoras - e eu fiquei confuso. Ele agora se explica, no Digestivo. O que eu entendi foi que ele escreveu uma matéria velha, que não envolveu pesquisa, pois ele queria há tempos (desde 2000) contar a história da "minha geração" (sic). Falou de livros velhos, mal distribuídos, conhecidos por grupelhos, encalhados ou míticos, sumidos. Recebeu pela matéria, mas só mostrou brodagem com os autores. Pena. Perdeu a oportunidade de escrever uma boa matéria sobre um tema interessante.

- Hermê memenciona (sacou?) para o "Prêmio de Excelência da Internet" - mas como é uma menção honrosa (não entrei nos seus seis melhores), me desobrigo de indicar alguém.

- Pô, deixa eu indicar de novo o blog da Karen, minha mulherzona querida: "A Fresca".

- A Luma pergunta o que tou ouvindo e a resposta correta seria... a Rádio CBN. Quando o assunto é música, achei essa bela versão de "Berlin" com Reed e Cale no Bataclan em 1972 e eu acho esse YouTube mesmo uma coisa maravilhosa! Ainda no playlist do TouTube, tenho ouvido essa versão (que eu não conhecia) de Jeff Buckley para "Calling You", clássica canção de "Bagda Cafe"; Chet Baker e Van Morrison em "Send in the Clowns", lindo, lindo, lindo; e uma das minhas preferidas de sempre, um clipe super com a Laura Dern, de Widespread Panic com Vic Chesnutt, "Aunt Avis", assista, assista, assista! Porém, devo dizer, a música que mais tenho ouvido é "A Vida é Doce", na versão acústica do Lobão. Ficou linda. Já ouviu?

Posted by biajoni at 10:09 AM | Comments (9)

julho 18, 2007

desconsolo

Nossos políticos são nossos próprios terroristas.

Posted by biajoni at 10:08 AM | Comments (10)

julho 11, 2007

caindo na estrada

Na Quinta pego buso para Volta Redonda, onde passo a Sexta-Feira com minha super-filha querida e, se tudo rolar às pampas, na Sexta tomo um choppinho com amigos desse blog em Volta Redonda, capitaneados pela mamãe Claudia Lyra.

Sábado pego novo Mercedão para o Rio onde espero ser apanhado pelo digníssimo gordo e gago Alex Castro na rodoviária - e espero que ele me leve para almoçar num restaurante bacana e pague o rango.

Sete da noite, por aí, pegamos os livros e vamos para o Amarelinho, onde conversaremos com amigos e fãs ensandecidas - e também espero vender alguns livrinhos. Se você não quiser comprar livrinhos ou for mais um desses seres "sem-R$ 25,00" que andam por aí, beleza!, pinte lá para papearmos apenas. Será lindo.

Domingo cedo apanho ônibus para Sampa - a passagem no Rio será relâmpago, então, não perda!
:>)

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(André Delgado, um dos últimos felizardos compradores de "Virgínia Berlim, O Editor e eu)

Posted by biajoni at 5:29 PM | Comments (15)

julho 10, 2007

no rio

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Na Sext-Feira, dia 13, estarei em Volta Redonda. Tem alguém das redondezas que topa um happy-hour com direito a livrinhos fresquinhos?

Posted by biajoni at 11:00 AM | Comments (3)

julho 7, 2007

topicuzinhos [ou] um assunto puxa outro

- Primeiro e mais importante, hoje é aniversário da dama mais charming do Rio, Dona Viva. Parabéns, lindona. A família aqui manda beijos mil.

- Falando em família, o lançamento do livro hoje, em Limeira, vai ter a presença do clã Leone. Estarão disponíveis para compra os livros de Alex Castro e do próprio Branco. Aliás, os lançamentos no Rio e em Sampa prometem bombar. O release do lançamento está aqui. Se você puder enviar para todos os seus amigos - especialmente praqueles da imprensa - agradecemos.

- Falando em livros, queria ter ido à FLIP para conhecer Jim Dodge. O velhaco americano teve o seu livro "Fup" lançado e incensado por aqui. É realmente um livrinho muito legal e fácil de ler e como está esgotado (dizem que vendeu 30 mil!), aqui tem o .pdf para você baixar e ler. Leia. Porém, "Fup" não é o melhor de Jim Dodge. Entre as coisas mais sensacionais que já li na vida, destaco "O Enigma da Pedra", romance que Dodge escreveu durante um ano, de maneira profissional, ocupando cinco horas de seu dia nele. É um livro fantástico e creio, sinceramente, que seu lançamento no Brasil não tenha gerado repercussão por conta da HORRENDA capa que a José Olympio botou nele. Credo.

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(Fala sério!)

"O Enigma da Pedra" conta a história de Daniel Pearse, um sujeito muito mais interessante que Holden Caufield. Nascido de uma jovem e louquinha mãe de 16 anos, ele cresce mantido por uma organização internacional de foras-da-lei, a AMO, que tem como líder um ex-mágico que tem a capacidade de se desmaterializar. Uma das leituras mais saborosas que já fiz, e um livro que leria. Outros quatro livros que foram importantes para mim e que eu leria e leio sempre, aproveitando a meme da Charolastra, são: "O Poder do Mito", do Joseph Campbell (salvou minha vida em 95, 96, me botando nos trilhos); "Trópico de Câncer", do Henry Miller (que mostrou que dava pra escrever sem ser chato ou rançoso); "Ficções", de J.L. Borges (ampliou as possibilidades); "Watchmen", do Alan Moore (piração no limite do real). Leiam.

- Falando em meme, o camarada Ian Black pergunta o que estou ouvindo. Rapaz, estou ouvindo quase uma só coisa ultimamente: "B-Sides & Rarities" do Nick Cave - pack triplo, presente do brou Rodrigo Francischângelis. O disco 3 é só sublime, quase um "The Boatmans Call II". De doer de lindo.

- O Briga também me chama pruma meme de música, mais complicadinha. Nesta correria toda, não vai dar pra responder toda. Basicamente, o disco que eu gosto & costumo ouvir inteirinho de ponta-a-ponta, nunca de outro jeito, é o "Misplaced Childhood", do Marillion. Se você tem preconceito, devia dar uma chance, ouvir esse disco, acompanhar as letras, viajar na maravilhosa capa:

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- Maravilhoso foi reencontrar os amigos Ian Black, Inagaki e Marmota e conhecer outros grandes blogueiros (como o Carlos Cardoso) no lançamento da Fiz.TV, novo canal da Abril que entra no ar em Sampa no final do mês. O lançamento do canal reuniu amigos para pizza & cerveja na Sexta-Feira da semana passada e espero fazer um relato apurado, já que foi um dos dias em que fiquei mais com o cu na mão na história da minha vida - peguei a mais densa neblina na volta de Sampa para Americana, plena madrugada... Foi foda.

- Foda, no melhor sentido da palavra, foi saber do lançamento, finalmente, do livro de Paula Lee, lá em Portugal. A brasileira, garota de programa que mora lá, não se restringe a contar histórias com clientes à la Bruna Surfistinha. Ela também reflete sobre o tráfico de seres-humanos além-mares. Assim que ler, comento mais. Parabéns, Paula.

- E obrigado para a Dre Nobre, Claudia Lyra, John Coffey, Mauro Amaral, João Nababu, a B* e os malucos do Cavalo Verde, que escreveram e ajudaram a divulgar "Virgínia Berlim" e os livros d´OsViraLata.

- E, ãhn, estaria Anna V. grávida?

Posted by biajoni at 10:20 AM | Comments (6)

junho 29, 2007

a primeira matéria e o primeiro e-mail de VB

Saiu hoje no Jornal de Limeira a primeira resenha em impresso de "Virgínia Berlim - Uma experiência". O jornalista Paulo Corrêa leu o livro e escreveu uma matéria longa e bonita, mas que contém um spoilerzinho - você está avisado, agora é por sua conta e risco: aqui.
:>)

Trechos bacanas:
"[...] a riqueza do segundo livro de Biajoni está justamente na força imposta pela narrativa. É versátil, bruto e letal. Não existem travessões ou aspas nos diálogos. O protagonista ora narra a história em primeira pessoa, ora se disfarça de um atento narrador-observador. São armadilhas do escritor para tragar o leitor ao buraco-negro do livro.[...] "Virgínia-Berlim - uma experiência" é um livro de perdas. Ou melhor, do processo da perda e da cura natural da dor. Sem ensinamentos. Sem pieguice. O personagem sem-nome, de 30 anos, vivendo em um não-lugar e que se apaixona inesperadamente por uma escriturária "sem sal" chega a roubar um arremedo de sorriso dos lábios em algumas ocasiões. Importante: o livro do americanense Biajoni não é um romance policial. Sequer é um romance. Também não é um conto. Crônica? Não também. Então, a obra é o quê? A resposta está no subtítulo: uma experiência [...]"

Uau. Obrigado, Paulo.

E obrigado também ao John Coffey, que leu e mandou o primeiro e-mail sobre o livro. Diz ele:
"Só posso dizer que o livro está entre as coisas mais bonitas e de maior sensibilidade que eu já vi. [...] A poesia está sempre presente e é realmente tocante. Terminei o livro antes que o Cd (excelente aliás) terminasse e resolvi criar coragem de te mandar essa missiva.[...] Antes que eu comece a falar besteiras e me alongar demais lhe dou os parabéns. Sinceros parabéns de quem realmente se emocionou com o que você escreveu."

Uma coisa assim faz o dia de um escritor ficar mas colorido.
:>)

Compra!

Posted by biajoni at 10:58 AM | Comments (8)

junho 24, 2007

uma vitória importante

Em 2003 fui processado pela concessionária Fiat de Limeira por causa de um texto publicado no site Tiro&Queda. A empresa conseguiu liminar para retirar o texto do ar e entrou com pedido de indenização no valor de R$ 9,6 mil. Na semana que passou, o processo chegou ao fim e eu venci. Creio que seja uma vitória da internet brasileira.

Creio que esse tenha sido o primeiro caso de um pedido de indenização de uma pessoa jurídica por causa de um texto publicado na internet no Brasil. Meu advogado, pelo menos, não encontrou jurisprudência, casos já julgados. Fica sendo o primeiro então, gerando a jurisprudência - felizmente privilegiando o autor. Embora isso possa ser ligeiramente perigoso, pois não? Sei disso.

Vamos rapidamente ao caso, só para contextualizar: meu Uno quebrou, eu o levei à concessionária Fiat, consertaram, paguei os R$ 360,00 do conserto à vista. Passadas algumas semanas, o carro pára novamente. Chamo o guincho e voltamos à concessionária; estava na garantia. Porém, segundo o atendente, não havia relação entre esse novo defeito e o anterior. Dessa vez a correia dentada havia se partido, causando uma pane geral no motor, válvulas, etc... O conserto ficaria em R$ 1.099,00. Pedi que não consertassem, eles insistiram, mas não autorizei. Tirei o carro de lá no outro dia de manhã e levei para um mecânico da confiança de um amigo e ele me disse que o veículo não tinha nada, NADA, só a correia que havia mesmo se partido - e uma correia nova custava apenas R$ 60,00.

Indignado, pensei friamente sobre a questão e voltei à concessionária. Queria falar com o gerente pois algum esquema de superfaturamento podia estar acontecendo ali sem que ele soubesse. Expliquei brevemente o que aconteceu para um atendente que subiu umas escadas e veio logo depois com a resposta: "O gerente disse que é para você procrar os seus direitos". Essa é, tipicamente, a resposta que esse tipo de empresa irresponsável dá ao cidadão. A empresa sabe que os órgãos de defesa do consumidor demoram com as coisas e sabe também que a maioria dos cidadãos nem sabe quem recorrer em casos assim.

Recolhi os documentos, o orçamento do primeiro conserto, a nota de pagamento, o segundo orçamento de R$ 1.099,00 e a nota da compra da correia de R$ 60,00 - e fiz um texto para publicar no site. Procurei um advogado amigo, mostrei as provas e o texto e ele disse: "publica!". Publiquei. Como se não bastasse, alguns dias depois recebo um telefonema da concessionária cobrando R$ 46,90 pelo orçamento do serviço de R$ 1.099,00 não realizado. Essas coisas não deixam mesmo a gente PUTO NAS CALÇAS?

Retirei o texto do ar, reescrevi ainda mais virulento, incluindo a parte do orçamento. E pedi para que a empresa me processasse; queria ir para o pau com ela. Mal esse texto bateu no site, foi copiado e usado em spams por toda cidade. No pedido de liminar, a concessionária afirmou que era eu quem fazia os spams, coitados. O juiz deu a liminar e seguiram-se quase quatro anos de idas e vinda aos Fóruns de Americana e Limeira, papéis e papéis e contestações e informações. Ficou provado que eu não era o autor dos spams. Eu nunca neguei a autoria do texto. Passamos ao conteúdo do texto - e eu não estava errado, farto de documentos.

A sentença ao processo 1463/04, do Juiz de Direito Márcio Roberto Alexandre, de Americana, é um bom exemplo de bom senso e conhecimento da matéria. Diz ele: "Conquanto não tenha o requerido [eu] se utilizado de palavras amenas e suaves [e não usei mesmo] para veicular sua irresignação diante do suposto comportamento duvidoso da autora [a concessionária Fiat de Limeira], com a qual não concordou, convenço-me de que a conduta por ele perpetrada teve muito mais o caráter de um desabafo do que a intenção de difamar ou denegrir a imagem da autora perante os seus atuais e eventuais futuros clientes, diante do que não me convenço da ocorrência de dano moral passível de reparação."

E adiante:
"Consigno que a liberdade de expressão do pensamento foi erigida à cláusula pétrea pelo Poder Constituinte Originário, devendo ser tolhida somente nas hipóteses em que afronta direta e seriamente outro direito de idêntico patamar, o que não ocorre na hipótese ora 'sub judice' sob pena de se instaurar novamente a censura, tão repudiada em um Estado Democrático de Direito."

Viva!

Em tempo: a concessionária Fiat de Limeira foi vendida há cerca de um ano. O pessoal que comprou a bandeira agora parece ser gente séria. De qualquer maneira, Fique de Olho na Fiat.

Posted by biajoni at 8:45 PM | Comments (26)

junho 23, 2007

blog novo da rayssa

Leio a Rayssa tem uns dois anos e agora ela está com 17! Sim, precoce a linda garota. E agora ela está de blog novo, morando no Rio. Não conhece? Taí uma grande chance. Vai .

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(Além de escrever, Rayssa dança!)

Posted by biajoni at 11:35 AM | Comments (3)

junho 5, 2007

taí!

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Posted by biajoni at 11:29 AM | Comments (5)

maio 30, 2007

atenção blogoseira de santos e arredores!

É incrível, mas apesar dos apelos, nenhum blogueiro santista se pronunciou. Para quem não sabe, estou na coordenação do seminário "Violência e Políticas Públicas - A importância do envolvimento da comunidade", que acontece no SESC Santos dia 13 de Junho. Presenças confirmadas até agora de MV Bill, Professor Sérgio Adorno e do sociólogo colombiano Hugo Acero Velásques. Não confirmada até o momento, a de Caco Barcellos.

O fato é que o evento vai contar com a participação de duas iniciativas sociais importantes da Baixada, o "Arte no Dique" e o pessoal que fez o filme "Querô". Pensei em fazer uma blogagem coletiva com o pessoal da Baixada com a possibilidade de uma exibição exclusiva do "Querô" (que só estréia em Agosto) para eles. E também organizar a participação geral de blogueiros no show do "Arte no Dique", que acontece no dia do evento.

E aí? Não tem mesmo blogueiro nessas plagas?

Posted by biajoni at 3:04 PM | Comments (8)

maio 29, 2007

alex em cuba...

e uma puta zona no blog dele.

Mas está super.

Não deixem de perder!
:>)

Posted by biajoni at 6:02 PM | Comments (0)

maio 28, 2007

verbeat news

Eu nunca sei o que se passa na cabeça dos proprietários aqui. Agora inventaram um blog pra falar do tempo. Ah, o tempo aqui está assim, o tempo aqui está assado... Um blog inútil, como a maioria dos blogs, mas que já é campeão de audiência aqui na Verbeat. Vai entender... Cada vez mais acho que leitor é maluco.

Maluco mesmo é esse pessoal vidrado em Second Life. Bom, pra eles, a Verbeat botou no ar o The Konstrukt, a versão em português da melhor revista sobre Second Life. Como diz mestre Millôr, "latim, pra mim, é grego!".

O que pega mesmo pra mim, nessa nova onda verbeater, é a estréia do amigo Jorge Rocha, com seu bordão heróico de "O Jornalismo Morreu!" e o distintivo que lhe dá superpoderes expra & supra terrenos ExuCaveiraCover aqui nessas plagas. Vão ler!

Sobre meu novo livro, gentes: não tem nenhum local ou data confirmados para lançamento ainda. O livro fica pronto apenas na segunda quinzena de junho. Guardem as granas!
:>)

Posted by biajoni at 12:44 PM | Comments (9)

maio 22, 2007

seminário novo saneamento

Trabalhando a mil na divulgação do Seminário "Os Municípios e o Novo Saneamento", que acontece quinta que vem, dia 31, em Sampa. Aliás, quem puder ajudar a divulgar, ótimo.

Tem uma grana preta para o saneamento no PAC, mas as prefeituras não estão apresentando projetos. O novo marco regulatório para o setor é uma lei novíssima, que pouca gente conhece. Por isso, esse seminário.

Ok, esse não é um assunto que tenha a ver com esse blog, mas de repente alguém se interessa por participar. Ou ajuda a divulgar.
:>)

Posted by biajoni at 4:27 PM | Comments (2)

maio 21, 2007

sexta-feira..

Marcos VP está com leiauti novo, querendo fazer do seu Pirão um blog mais pro e eu acho isso lindo! Para bebemorar, os blogueiros cariocas têm o que fazer na sexta: Cachaçaria Mangue Seco.

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Euzinho, infelimente, estarei trabalhando. Devo estar em Santos na sexta - e, vejam vocês, ainda não achei um santo blogueiro santista para me pagar uma cerva.

Posted by biajoni at 10:24 AM | Comments (2)

maio 9, 2007

discordâncias e concordâncias e pendências

- Nos últimos encontros com os amigos por aqui estamos discutindo muito sobre as questões sobre reações das pessoas em cinemas versus balbúrdia e falta de educação. Gustavo Brigatti fez post contra o meu. Na discussão, falaram sobre filmes dublados. Ora, gente, não há nada de mal em filmes dublados; parem com esse purismo.

- Renmero, o homem-que-combina-coisas-e-some, fez post sobre o novo disco do Wilco, repetindo algo que quase todo mundo anda dizendo sobre o fatídico álbum: que é "soul", ou que tem uma "aura (sic) soul". Não vi nada de soul. Vi o mesmo velho e bom Wilco ressonando paisagens country, bucolismo, enquadrando arranjos perfeitos e sessões instrumentais irrepreensíveis, enfim, fazendo o bom pop-rock-alt-country com ecos talvez de um Paul McCartney de primeiros trabalhos solos, como bem lembrou o Doni.

- Da série "Pessoas Legais Ouvindo Merda": Daniel Lopes e Fábio Shiraga.

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- Eu tenho orgulho de não ser jornalista "de fato e de direito". Eu cuspo no Sindicato dos Jornalistas Profissionais (sic) no Estado de São Paulo pela nota emitida pela entidade (sic) pela morte do Jornalista Luis Carlos Barbon Filho, assassinado em Porto Ferreira, cidade dos políticos e empresários pedófilos. Idelber fez post e eu concordo. E também concordo com a Cora Rónai, citada pelo Felipe Voigt neste post.

- Queria saber a opinião do Jorge Rocha sobre a nota do Sindicato dos Jornalistas. Aliás, o que aconteceu ao blog do Jorjão? Bródi Negão arrestou?

- Concordo com o Serjones sobre o que o Roberto Carlos devia fazer com os 11 mil livros que ele levou pra casa.

- Falando em livros, semana que vem tem, impreterivelmente, resenhas de "Kind of Blue", do livro do Caco Ishak, do livro do Branco Leone e do livro de contos do Alex. Eu juro!

Posted by biajoni at 4:44 PM | Comments (9)

papa em sampa

O representante de Deus chega a Sampa e a cidade vai virar um inferno.

Se você pensa em circular de carro entre as quatro da tarde de hoje e as oito da noite de amanhã, esqueça. Eu mesmo vou protelar uns trampos.

A melhor história sobre a visita, até agora, foi contada pelo Juca Kfouri.
O pessoal da W/Brasil ia fazer uma faixa para colocar no prédio da empresa, que fica atrás do estádio do Pacaembu. Eles haviam feito uma faixa pro show dos Rolling Stones, "A W/Brasil saúda os Rolling Stones". O Olivetto pediu para os criadores da agência pensarem num frase legal e se mandou para o Rio de Janeiro por uns dias.

O pessoal criou a seguinte frase: "O Papa saúda o Papa". O primeiro papa da fase, no caso, era o próprio Olivetto. Ligaram para o publicitário e ele rechaçou: "Vocês estão loucos? Isso vai pegar mal!".

Os caras viraram a noite pensando em uma alternativa. A faixa será colocada hoje com a seguinte frase: "Nem o Corinthians juntou tantos fiéis no Pacaembu".

Achei legal.

Posted by biajoni at 11:13 AM | Comments (8)

abril 24, 2007

trocentas coisas

olha caro amigo leitor, desculpas, não tem dado muito tempo para dar atenção devida a esse blog mas nem é culpa minha, sabe? veja você, eu tive uma gastroenterite, lia teve gripezinha, karen teve uma inflamação na pleura (sabe onde fica? é a camada que reveste o pulmão). a gente ficou maluco aqui para tentar receber uma grana que tava para entrar desde novembro do ano passado - e nem bem a grana entrou, logo acabou. minha filha lá em volta redonda aparece com essa notícia de namoradinho. o eduardo aqui ameaça uma revoltazinha - coisa de pré-adolescente. nesse meio de tempo estou apresentando programa ao vivo e fechando o telejornal local, já que a diretora de jornalismo daqui casou e tirou 20 dias de férias. como se não bastasse, tenho 3 clientes para os quais presto assessoria de comunicação e dois deles vivem fases complicadas. agora pintam dois seminários para organizar, esse sobre violência em santos e outro sobre o novo marco regulatório, em sampa. ainda bem que parei com a coluna no tododia - eu e o jornal, definitivamente, não nos demos. acordando às sete da manhã e indo dormir à uma. para piorar, me deu hemorróidas.

desculpem a falta de textos lindos nesse momento.

a direção agradece.

Posted by biajoni at 3:07 PM | Comments (14)

abril 23, 2007

o seminário de violência

Começa a ser articulado, com muitos dos nomes sugeridos pelos queridos leitores desse humilde. Muito obrigado a todos. Para quem diz que não vale a pena fazer seminários e fóruns, etc..., eu já ouvi MUITO isso quando fazia alguns sobre aquecimento global e reciclagem, há anos. Agora virou moda. Eu digo que SEMPRE VALE A PENA DISCUTIR ASSUNTOS COMPLEXOS. E fim.

A discussão acontece dia 12 de junho (salvo alterações de última hora) em Santos (SP).

Tem algum blogueiro de Santos na área?
:>)

Posted by biajoni at 10:13 AM | Comments (8)

abril 18, 2007

pesquisa

Vamos imaginar que você fosse coordenar um debate sobre violência urbana e precisasse chamar quatro pessoas no Brasil para compor uma mesa. Quem você chamaria?

Não vale o Presidente ou Ministros.

Diga aí.
:>)

Posted by biajoni at 6:06 PM | Comments (27)

abril 10, 2007

delírio de deus

O novo livro de Richard Dawkins, "The God Delusion", comentado por mim nesta coluna, foi resenhado pelo mestre Idelber - e vale a pena criar expectativas.

Posted by biajoni at 2:58 PM | Comments (2)

abril 8, 2007

parabéns, bruna!

Nesta segunda é aniversário de uma pessoa es-pe-ci-au-au; um carioca liiindo que faz shows como transformista mas é muito homem, muito gente. É o Bruno.

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Ele tá o má-xi-mu-mu, nessa fota, né?

Doce Viking (ele tem esse apelido pois sempre foi fã da Pequena Vicky), tudo de bom pra você nesses novos anos. Boas entradas!

Posted by biajoni at 10:57 PM | Comments (5)

abril 5, 2007

uma coluna polêmica

(Minha coluna de terça-feira no TodoDia acabou gerando algum bafafá e eu então fiz uma resposta que posto aqui, logo abaixo, e deve ser publicada no jornal na próxima terça. Afe. Pé de pato, mangalô, três vezes nesse final de semana santo, né Idelba?)

Histórias de Onoff

Estávamos entre amigos num fim de tarde em São Paulo, 1989. A amiga Tite servia bolo com calda e apareceram algumas moscas. Foi o bastante para que o tradutor russo Dmitri Onoff lançasse a pergunta: você já viu uma mosca morta no chão? Tanto eu como Tite e os outros amigos respondemos que não. Não, não se vê moscas mortas pelo chão e, pelo contrário, muitas deviam haver - já que existem muitas moscas e o tempo de vida da maioria delas não é de mais que 48 horas. Onoff então perguntou se sabíamos como fazem as moscas quando percebem a proximidade da morte. Respondemos novamente que não. Pois as moscas sabem quando a morte se aproxima e, nesse instante, voam para o mais alto que podem – contou o russo. Chegando a um determinado ponto, visto que seu corpo é de mais de 60% de CO2, elas simplesmente evaporam. Ficamos estarrecidos com o argumento, do qual nunca havíamos ouvido falar. O “vôo mortal dos mosquitos” (ou apenas “the mortal fly”, em inglês), virou motivo de culto em Uqbar, pequeno país próximo à Armênia. Onoff contou que esteve em Uqbar visitando o escritor Paul Bowles e sua esposa quando pôde conferir o procedimento dos habitantes locais. Qualquer um, independente da idade, quando simplesmente achava que a morte estava próxima, subia no monte mais alto (cada cidade ou vilarejo tinha o seu) e ali ficava, aguardando a desintegração. A maioria morria de fato – de inanição, frio ou porque realmente estava na proximidade do fim. Eles imitavam as moscas.

Foi também durante essa viagem que Onoff provou a azeitona asiática. É muito diferente, contou, da fruta que consumimos por aqui. São maiores e totalmente negras, já que só as colhem quando estão bastante maduras. A azeitona preta, ao contrário do que muitos pensam, é apenas a azeitona madura e não uma outra espécie. Pois bem; apesar da azeitona ser de origem asiática foram os europeus quem conseguiram melhor prepará-la para o consumo. Nos tempos atuais, descendentes de espanhóis, portugueses e italianos se estabelecem em países asiáticos com a tarefa de prepararem a azeitona. As famílias dos “azeitoneiros” são algumas das mais ricas da Ásia Menor. Onoff, assim como eu, vê uma incongruência nesse fato. É como se precisássemos importar tecnologia e mão de obra para fazer cachaça, aqui no Brasil.

A tarde estava deliciosa e Onoff nos enchia de histórias e conhecimento. Contou que a Ásia também é a região de origem da laranja – e que a fruta é sagrada por lá. Como todo continente é bastante seco, a laranja é fonte de abastecimento de sais minerais e água para a população. Contam que Buda era capaz de passar dias apenas consumindo laranjas. É por esse motivo que o manto dos monges budistas é dessa cor.

Passados alguns meses da estada de Onoff em Uqbar uma editora francesa pediu para que o iminente tradutor russo fosse até Buenos Aires negociar a tradução de um texto de Jorge Luis Borges. Foi a primeira vez que Onoff esteve na América Latina. Borges o recebeu e levou-o para jantar em uma cantina na rua Florida. No antepasti encontravam-se algumas pequenas azeitonas pretas. Borges impediu que Onoff as comesse – e contou o motivo. As azeitonas pretas argentinas (tão consumidas pelos brasileiros) não são realmente pretas, mas sim pintadas! Como o processo para amadurecimento é árduo eles colhem os frutos ainda verdes e submetem-no a um processo de colorificação. O colorifício é aplicado e a azeitona é vendida – mais cara! – como preta (madura). Onoff ficou estarrecido com a informação – e nós também, quando nos contou.

Papo vai, papo vem, o já famoso escritor argentino confidenciou ao russo que escrevia um livro sobre Buda, em colaboração com Alicia Jurado. Onoff contou então a hsitória sobre a laranja. E a edição argentina do livro saiu com a capa de cor laranja e uma dedicatória a Dmitri Onoff.

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Explicando a piada

De todas as colunas aqui publicadas, já há um ano, a que mais me deu feedback até o momento foi a da semana passada. Os retornos foram por e-mails e a maioria indignou-se de algumas coisas escritas. Resumindo, para quem não leu, falei sobre um amigo, tradutor russo que sempre vem ao Brasil, Dmitri Onoff - um grande contador de histórias. Por lidar com o mundo literário, Dmitri sempre mistura fatos da ficção com fatos reais.

Parece bastante óbvio que as moscas não pressentem o momento da morte e não voam em direção ao infinito, evaporando-se em gás carbônico - e esse é o motivo de não vermos tantas moscas mortas no chão. É também óbvio que não existe um pequeno País, Uqbar, "próxima à Armênia", onde os habitantes imitam as moscas e, no pressentimento da morte, sobem até o monte mais alto e lá definham. Essas "informações" estavam na coluna passada e teve gente que escreveu indignada com o desserviço ou estupefatas com o "sensacional".

Escrevi também, através da boca de Dmitri, sobre as diferenças das azeitonas verdes e pretas. É real que azeitona preta é a azeitona madura, embora existam tipos de azeitonas que nascem pretas - especialmente no Egito. E também é real que boa parte das azeitonas pretas argentinas são pintadas com colorifício para obterem a tonalidade. Um dos e-mails perguntou: "o que os argentinos ganham pintando a azeitona verde de preta?" - e eu respondo aqui: a azeitona verde pintada dura mais que a preta, madura. Aumenta o tempo de vida e pode ser vendida mais cara; azeitonas pretas são mais caras. É isso que os nossos hermanos ganham.

No texto tinha ainda uma menção à origem das laranjas e um leitor de Limeira (antiga capital da Laranja), que lê a coluna pelo site já que o TodoDia não vai pro "outro lado do rio", questionou a informação sobre o hábito de Buda se alimentar com laranjas por semanas e se realmente se deve a isso o fato do hábito dos monges budistas serem da cor laranja. Confesso que não sei. A informação assim me chegou e assim divulguei - embora ache uma boa explicação, já que a laranja é realmente originária da Ásia, conforme disse a coluna passada.

A menção ao encontro com o escritor argentino Jorge Luis Borges talvez explique o nome do País onde as pessoas-mosquito sobem os montes para morrer - já que Borges tem um conto, um dos seus melhores e mais conhecidos, chamado "Tlön, Uqbar, Orbis Tertuis". Borges, provavelmente o maior escritor que a América Latina já viu, era hábil em escrever contos ou ensaios misturando realidade e ficção e a coluna da semana passada foi uma espécie de homenagem minha a ele. Pena que poucos (ninguém?) entendeu.

E pena também que uma coluna, ér, despretensiosa como aquela, gere mais repercussão do que outras aqui publicadas, como a da semana retrasada, quando falei sobre um livro de uma autora americanense que foi adotado pela rede pública e só é vendido em um local da cidade, a um preço alto -, e não está disponível nas bibliotecas públicas, como deveria.

É pena também que a metáfora, esse maravilhoso recurso da linguagem que confunde o real ao simbólico, não seja apreendido pelas pessoas, em época de globalização, internet e comunicação fácil. Existe uma tendência quase geral em se acreditar em tudo, ainda mais se o autor do texto tiver algum título, algum pronome de tratamento.

É triste a constatação de que talvez tenhamos chegado a um ponto de tensão que impede a leitura leve. Nesses tempos politicamente corretos, temos que ter cuidado especial com piadas. Mesmo com piadas assépticas. Desacostumados a usar o racional na separação do real do imaginado, o leitor, confortável em sua poltrona, fica esperando a explicação para, talvez, lançar um sorrisinho no canto dos lábios.

Apdeite: Hahahahahah... Sim, estava escrito "despretencioso" e eu corrigi, alertado pelo Nelsão. Foi catiça do Rafa. :>)

Posted by biajoni at 3:25 PM | Comments (15)

abril 2, 2007

práticas blogueirísticas (I)

Muitos dos amigos blogueiros utilizam uma prática blogueirística que não gosto: a de responder a comentários na própria caixa de comentários.

Ora, se o camarada lê um texto e se anima em comentar algo não deve ter o trabalho de voltar e voltar e voltar ao post várias outras vezes para ver se o autor teve alguma coisa a dizer sobre. A parte dele, como leitor, ele fez. Se o autor quiser comentar o comentário, que o faça por e-mail. Se for algo que interessa a outros futuros leitores, ótimo: coloca na caixa de comentários ou talvez até como um update... Mas responder na própria caixa de comentários parece um artifício para gerar mais pageviews.

A prática vem ficando cada vez mais frequente, até mesmo entre blogueiros que pareciam contra. A desculpa geral é que, respondendo um comentário na caixa, pode-se fomentar discussões. Novamente digo: se o comentário for tão interessante que pode gerar mais discussões, basta incluí-lo no post como update - deixando-o à mostra, inclusive para aqueles que leêm posts mas não leêm comentários.

Alguns comentaristas ficam ansiosos quando comentam, esperando uma resposta por e-mail ou na caixa... Creio que as pessoas devam comentar por prazer, sem esperar muito o feedback; assim como a maioria dos blogueiros escreve por prazer. Basta saber que o autor leu... Quando acho que devo, mando um e-mail.

Posted by biajoni at 12:44 PM | Comments (39)

março 27, 2007

começando a ler

(Roteiro da minha palestra de encerramento do 1o Salão do Livro Infantil de Limeira. Preparei um discurso para crianças, com muitas piadinhas... Mas tinha mais adultos. Bom, eles riram e acho que gostaram...)

Meus pais não eram de ler livros, mas sempre tinha jornais em casa. As primeiras coisas que lembro de ler de fato e me impressionar eram sinopses de filmes na programação de TV do jornal. Eu adorava aquilo, lia todas as sinopses. Assim nasceu meu gosto por sinopses: já pensei em lançar um livro só com sinopses de filmes e livros. Imagina quanto tempo seria poupado, do escritor e do leitor. Em três linhas resolveríamos a história. "Ladrão internacional rouba ex-chefe nazista. Gangue do chefe o persegue. Ele acaba se apaixonando pela esposa do chefe". O que acontece no meio do filme ou do livro, ou no final, todo mundo sempre sabe. No meio, é aquela correria, aquele monte de mal entendido... No fim, o mocinho fica com a mocinha. E fim.

Meu avô sempre gostou de ler e tinha um baú na casa dele com um monte de livros velhos. Eu gostava dos livros mesmo sem ter lido. Eu ficava olhando os nomes e as capas e imaginando as sinopses das histórias. "Recordação da Casa dos Mortos" de um tal Dostoiévski... "O Primo Basílio", de um tal Eça de Queiróz. Eu gostava desse nome, "Primo Basílio". Queria ter um amigo que chamasse Eça para poder dizer "Eu gosto do Eça à beça!". Na verdade, pegava esse livro, ficava olhando para o nome e pensava: "O quer será que o primo Basílio fez? Deve ter sido alguma vingança com a família que lhe deu esse nome esquisito..." Nessa mesma coleção do meu avô encontrei um livro que me chamou a atenção e que eu levei para casa e li e reli e me encantou. Não foi exatamente dos primeiros que li, mas um dos que mais me impressionou: "Os Heróis" de Charles Kingsley. (link para download do livro em inglês)

Eu conhecia alguns heróis, mas não aqueles do livro. Eu conhecia alguns heróis do Gibi. Meu pai tinha um tio mecânico de automóveis que tinha toda a coleção dos Gibis. Quando estudava de manhã e não tinha nada para fazer à tarde, pegava minha bicicletinha e ia até a Oficina do Fleury; sentava lá no fundo, e ficava lendo as aventuras de Flash Gordon, O Príncipe Valente e Nick Holmes - o meu preferido.

Quando estava aí para completar meus 12 anos, foi lançado no Brasil os gibis "Heróis da TV" com os heróis Marvel. Eu nunca soube por quê o gibi tinha esse nome, "Heróis da TV", se não passava desenho de nenhum deles na TV. Enfim. Eu comecei obrigar meu pai a comprar. E tomei contato com todos esses heróis maravilhosos do Stan Lee, um verdadeiro construtor de mitos modernos.

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No colégio, não sei por que cargas d'água, me botaram para tomar conta da biblioteca. Não lembro se foi um lance voluntário, mas quando vi tinha que estar na biblioteca duas vezes por semana no período da manhã - eu estudava à tarde, nessa época - e registrar se alguém chegava para retirar um livro. Poucas vezes chegava alguém. E como não tinha nada pra fazer, ficava lendo umas coisas lá.

Também no colégio eu tinha uns amigos que gostavam de ler de verdade. A gente ia até a biblioteca municipal e ficava lá por horas pesquisando livros, lendo, retirando volumes que nunca foram abertos. Mas era uma aventura! E pegava bem aparecer com livros grossos em casa. Lemos algumas coisas interessantes como as versões resumidas de Moby Dick, Dom Quixote ou O Conde de Monte Cristo. Lembro de ter lido uma versão quadrinizada bastante boa de "Hamlet" de Shakespeare. Quando li o original, me bateu a nostalgia: preferi a versão quadrinizada!

As professoras de português, a Dona Vera e a Dona Marlene, nos davam bons livros (tirando o "Iracema" do José de Alencar - que eu de-tes-tei!). Começamos com a famosa Coleção Vaga-Lume, cujo "Mistério do Cinco Estrelas" é o meu favorito, até alguns outros infanto-juvenis, como "O Gênio do Crime", do João Carlos Marinho, meu infanto-juvenil preferido de todos os tempos, um livro que influenciou muito minha geração de trintões metidos a escritor. Nos sentimos todos verdadeiramente homens e leitores depois de "Dom Casmurro", do Machado; e de "O Cortiço", do Aluísio de Azevedo. Esse sim, era um livro QUENTE!

Uma minha tia, a mais nova de quatro irmãos, foi fazer Letras e estava sempre com livros em casa. Sempre tinha uma coletânea do Drummond, do Quintana... Ela também tinha aquela coleção "Para Gostar de Ler" e eu lia - não para gostar, nunca achei que fosse gostar, mas, quando vi, já estava gostando. No meu aniversário de 11 anos, e em todos os outros posteriores, ela me deu um livro. Foi um dos livros que mais me deu prazer. Foi "Memórias de Um Cabo de Vassoura", do Orígenes Lessa.

Nesse período eu não sei quem foi que me deu, algum parente ou amigo de meus pais, um livro que eu também amei: "O Menino do Dedo Verde" do Maurice Druon.

memorias.JPEG menino.JPEG

Um tio sempre gostou de ler e a casa dele sempre teve prateleiras cheias de livros. Tinha uns livros bem estranhos ali, de uns autores que nunca tinha ouvido falar e com títulos bem malucos. Um deles era "O Templo de Satã", de Stanilas de Guaita. Eu sempre folheava aquele livro com um medo do cão! Tinha uma receita para fazer uma pessoa! E tinha umas frases que, se você falasse em voz alta, podia morrer instantâneamente! Nunca falei. Acho que por isso que estou aqui vivo até hoje.
:>)

Eu achava que meu tio era alguma espécie de bruxo. Uma vez pedi um livro para ele, de presente. E ele me deu as "Histórias Extraordinárias" de Edgar Allan Poe. Aquilo sim me deu medo. A história do gato preto é uma das minhas preferidas até hoje.

Nessa época, dos 13 ou 14 anos, alguém me emprestou "O Exorcista", do Peter Blatty - que está totalmente esgotado no Brasil. Eu li in-tei-ri-nho! Não sei como! - até hoje tenho arrepios de pensar. Uma vez estava lendo o livro na cama antes de dormir e a cama tremeu! Eu juro!

Um dia minha mão pegou um ônibus e encontrou um livro lá. Era "O Tocador de Tuba", do Chico Anísio. Ela chegou em casa com o livro, ninguém sabia que o humorista era escritor. Eu falei: "Deixa eu ver isso aí!" - como se fosse um grande conhecedor de literaturas. Em quinze minutos tinha lido o livro. Um livro saboroso, delicioso, injustamente fora de catálogo há muito tempo, cheio de causos nordestinos transbordando humor.

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Nesse período época eu me achava algum tipo de intelectual, já que eu gostava de ler de verdade enquanto meus amigos continuavam afirmando que ficar correndo atrás de uma bola era uma coisa muito melhor para se fazer. Bobagem. Você vai correr atrás de uma bola hoje e vai correr atrás de uma bola amanhã e a cena vai ser sempre você correndo como um idiota atrás de uma bola. Eu lia uma página nesse minuto e, no outro, estava vivendo outra aventura.

Era outra cena, outra situação. Podia estar no nordeste com o Chico Anísio ou no Egito com um pesquisador de demônios; podia estar nas terras míticas com Jasão e os Argonautas ou vivendo o drama realista de um menino com o dedo verde: onde ele tocava, nascia uma planta. Podia estar acompanhando o terror de um homem perseguido por um vingativo gato preto ou desvendando um crime com Sherlock Holmes.

Tudo era muito divertido. E tudo é muito divertido, pois a capacidade humana de criar, reinventar histórias e contá-las não tem fim. Eu gosto e lê-las e de criá-las. Acho que nossa vida fica muito melhor com elas. Talvez sequer existisse razão na vida sem elas.
:>)

Posted by biajoni at 11:16 PM | Comments (11)

livro na escola

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

A Escola Estadual Ana Maria Moraes Barros, no Jardim Brasil, em Americana, pediu que os alunos da quinta série lessem um livro chamado "E-Mãe - A Internet Me Aprontou Uma!", da escritora americanense Tânia Alexandre Martinelli, lançado pela Scipione. É um bom livro, honesto, atual, que trata da relação entre pré-adolescentes e a Internet. Porém, vejo alguns problemas na indicação do livro. Primeiro: é um livro muito caro. Com apenas 96 páginas, o livro custa R$ 19,90 - mesmo preço, apenas para comparação, dos livros da série "O Mochileiro das Galáxias" que têm mais de 200 páginas, edição com orelhas e um autor que apesar de morto está no auge, Douglas Adams. Sendo o livro indicado para estudantes da rede pública, penso que "E-Mãe" devesse ter um preço diferenciado - sendo como é, custando quanto custa e, ainda por cima, tendo uma autora local, fica tudo parecendo um certo lobby. Aliás, Tânia também é professora de português na rede pública.

O segundo problema é grave e reforça suspeitas de lobby - o que eu, particularmente, não acredito -; o livro não pode ser encontrado nas Bibliotecas Públicas de Americana, Santa Bárbara d´Oeste e muito menos na biblioteca do colégio do Jardim Brasil - e acho que também não vão achá-lo em outras bibliotecas de escolas públicas que por acaso o terão indicado. Ou seja: o jovem leitor só pode mesmo ler "E-Mãe - A Internet me Aprontou Uma!" se comprar o livro. E aí caímos no terceiro problema: não se encontra o livro para comprar em qualquer lugar. Nas livrarias virtuais (doce ironia) o livro, apesar de novo, está esgotado. Em Americana, só foi possível encontrar o volume na Papelaria Apolo - que não é exatamente uma livraria. O quarto problema (talvez o mais grave) é que o livro apresenta questões que estão longe da realidade dos jovens alunos do Jardim Brasil - assim como de vários bairros periféricos. Talvez 20% ou não mais que 25% desses alunos têm acesso à internet. E um livro que se propõe discutir problemas concernentes à rede mundial de computadores junto à estudantes que não têm acesso à ela é, diretamente, provocativo ou até traumatizante. Imagine um garoto lendo o livro sem ter um computador em casa, sem sequer saber como funciona a internet. Pra início de conversa, nem a própria escola pública tem o equipamento para que o aluno utilize.

Essa questão da indicação de livros para jovens leitores é complicada e sempre gera discussões. Eu acho que a série de Douglas Adams, citada acima, cairia muito bem para alunos de quinta série de quaisquer condições sociais. Algumas pessoas acreditam que leituras de clássicos são imprescindíveis nessa fase, para que o jovem leitor "pegue embocadura".

A professora paulistana Luana Chnaiderman discutiu o assunto em seu blog (lulu-diariodalulu.blogspot.com). Ela estabeleceu sete pontos que devem nortear a educação literária na escola. São eles:

1 - O aluno não precisa gostar do livro lido. Inclusive, é livre para odiá-lo.
2 - Ao aluno deve ser oferecido sempre o que há de melhor na literatura universal, passando por todos os gêneros.
3 - A literatura não é objeto santificado, sagrado nem de culto máximo.
4 - Livros inteligentes devem ser tratados com inteligência.
5 - Se o aluno não lê nada, mas nada mesmo, é porque, provavelmente, não sabe ler.
6 - Os alunos têm direito a excelentes bibliotecas e a livros baratos.
7 - Os alunos têm direito a professores ultra bem remunerados e com tempo para dedicarem-se a eles.

Se você se interessa pelo assunto, deve ler todos os posts que Luana fez sobre cada um dos sete pontos. Essencialmente quando diz que "ser alfabetizado não quer dizer saber ler" ou que "nas escolas reina uma espécie de consenso de que os alunos devem, sempre, gostar das leituras pedidas e se encantar com elas". Ensinar a ler é mais que alfabetizar e há realmente nas escolas uma forçada de barra para que os alunos se encantem com os livros lidos - e quando eles (os alunos) não se encantam, acabam achando que há algum problema. "Poxa, não devo ter entendido direito!".

Essa questão do "entendimento" de um livro pode gerar um quinto problema na obrigatoriedade de leitura do livro de Tânia Alexandre Martinelli: será que os alunos que nunca navegaram na internet vão saber do que o livro realmente trata?

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Posted by biajoni at 12:24 PM | Comments (2)

março 25, 2007

a estranha lógica do petismo local

O PT de Limeira fez acordo para eleger o novo presidente da Câmara, Eliseu Daniel (PSC).

Em troca, o assessor parlamentar do vereador José Carlos Pinto (PT), o famoso Janjão, indicou o assessor de imprensa (o competente Baxega) e a mestra de cerimônias Nadir que, por acaso, é sua esposa. O Janjão tem um blog e fez uma tentativa de explicar o inexplicável a partir deste post meu.

A lógica desse histórico petista que deixou o partido "após refletir durante mais de cinco anos, a História passada e recente do Partido. [...] Saí porque não acredito que o PT, seja hoje ou tenha espaço para a construção de uma sociedade sem explorados e exploradores. Quando saí, pedi minha exoneração do cargo que ocupo na câmara. No entanto o generoso e companheiro de todas as horas José Carlos Pinto não aceitou minha demissão, acreditando, que não traí os ideais e os princípios, apenas um ciclo terminou" é que se o vereador nomeia um parente, é nepotismo... Mas se o assessor do vereador nomeia uma parente, não.

Daqui a pouco ele faz como um vereador de Americana, o Capitão Crivelari (PP), que disse que "esposa não é parente".

Ah, sim... No meu post eu falo de um quadro pendurado na sede do PT de Limeira. Eu digo que é Stálin e o Janjão me corrige em seu post dizendo que é Lênin. Talvez ele ache que eu não saiba quem é Stálin e quem é Lênin. Ele só não entendeu a ironia do que escrevi.

Posted by biajoni at 11:28 AM | Comments (1)

março 10, 2007

falta higiene

(Minha coluna desta semana no TodoDia)

As pessoas não lavam mais as mãos. Essa é uma constatação. Antigamente, talvez 20 anos, íamos a um restaurante e a primeira coisa que fazíamos era lavar as mãos. Os banheiros dos restaurantes espelhavam a higiene do local: eram limpos, cheirosos, impecáveis - ou não! - e nunca faltava sabonete. Naquela época os restaurantes serviam à la carte e era possível pedir um prato para uma família de três ou quatro pessoas. A salada vinha antes, muitas vezes como cortesia. Hoje vivemos a era do self-service, onde o cliente tem a impressão que a diversidade e o poder de escolha realmente valem a pena e trouxe consigo um problema de saúde pública que ninguém está se dando conta; contaminações desembestadas.
Tudo começa com a ânsia do comerciante em ganhar dinheiro: ele coloca a comida ali e vai repondo-a sem jogar fora a outra que está na cuba há horas. Assim, o risco de contaminação é de 80%. A parte de comida fria devia ter um sistema de refrigeração que impedisse a deterioração das verduras. A parte quente deveria ser aquecida ao ponto do vapor. Não é isso que vemos nos self-services por aí.

Por outro lado, existem os clientes - gente, grosso modo, deseducada que, além de não lavar as mãos antes de se servirem, enfiam as cabeças dentro das cubas, se coçam, conversam alegremente com outros que estão ao lado, assoviam. O jornalista Ivan Lessa diz que o brasileiro tem esse péssimo hábito do assovio, espalhando gotículas de saliva para todos os lados. Não seria diferente nos self-service.

O grande escritor francês Céline usou a inacreditável história do médico húngaro Semmelweis (1818-1865) em sua tese de graduação em medicina. Na metade do século XIX metade das mães e bebês morriam no parto, na França, da "febre puerperal". Semmelweis batalhou para convencer os colegas que o simples ato de lavar as mãos antes do parto podia mudar esse quadro de mortalidade. Semmelweis foi considerado louco. Deve ter gente que, impressionantemente, ainda o acha.

Nós, no Brasil, em pleno século 21, vivemos um período de sombras quando o assunto é higiene básica. Talvez seja por isso que o País é o campeão mundial de contaminação do parasita Toxoplasma Gondii - segundo matéria na revista Piauí. Sessenta e sete por cento dos brasileiros são contaminados pelo parasita que se aloja no cérebro e pode provocar confusão mental, depressões, estados de euforia e até mesmo suicídio. Bem, eu creio que 67% de população contaminada deva ser um caso emergencial de saúde pública, pois não?

Porém o discreto Toxoplasma Gondii talvez não deva ser considerado o grande vilão - ao menos não quando relaciono saúde pública a restaurantes. A contaminação por bactérias e parasitas de quaisquer espécies presentes nos self-services, principalmente por falta de higiene do cliente, associada à preocupação latente com o lucro (comidas mais baratas, qualidade jogada para baixo), reaproveito de alimentos, molhos que deveriam ficar sob refrigeração mas ficam sobre as mesas e são usados de maneira indistinta pelo cidadão que não se preocupa em jogar um pouco de vinagre sobre a salada... tudo, tudo isso, resulta num entupimento de hospitais e numa venda frenética de remédios em farmácias para o que se chama de “distúrbios alimentares, digestivos ou intoxicativos”.

Grande parte dos casos atendidos em hospitais não são associados à comida de rua: self-services, salgadinhos, churrasquinhos de gato da esquina, etc... Mas 90% derivam desse tipo de alimentação, embora o mal-estar - que acaba custando ao bolso do cidadão - seja percebido, muitas vezes, apenas um ou dois dias depois. Mais uma vez trata-se de um caso onde se cada um fizer a sua parte, as coisas podem melhorar. Se todos lavarem as mãos, como começaram a fazer na segunda metade do século 19, já seria um grande progresso. Você lava a sua?

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Posted by biajoni at 12:02 PM | Comments (18)

março 8, 2007

gastroenterite

É com isso aí que eu tou.
E com um péssimo humor.

Posted by biajoni at 10:18 PM | Comments (7)

para todas as mulheres...

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Especialmente para as minhas cinco: minha mulher Karen, minha filhas Lia e Isabelle, minha irmã Melissa e minha mãe Antonia.

Dia da mulher. Ê!

Apdeite: É claro que não concordo com isso. Dizer que ter um dia para comemorar os avanços da mulher na sociedade e refletir sobre o que ainda falta é só uma maneira de demonstrar preconceito é como dizer que associações ou grupos de defesa do negro aumentam o racismo. É argumento raso. Mas acho que o Alex escreveu de brincadeira.

Posted by biajoni at 10:52 AM | Comments (12)

março 4, 2007

fritando um ex(!)-petista limeirense e talvez esse retrato seja uma ampliação do que se vê no panorama nacional

Limeira vive uma interessante cena blogueira, característica, diferente da maioria das cidades. A cena se desenvolveu em parte por culpa do site Tiro&Queda, idealizado por mim em 2001 e hoje extinto. Falarei mais sobre esses blogs limeirenses mais abaixo, o destaque aqui vai para uma situação que envolve o PT local e sobre a qual tenho algo a dizer - e sobre João Leonardi, jornalista que está sendo processado por seu blog e que além de ser um obstinado investigador da política local é um grande amigo. Eu assim o considero, ao menos.

Em um de seus últimos posts, João fala de algumas nomeações do novo Presidente da Câmara de Limeira, Eliseu Daniel (PSDB) - um jovem evangélico, nova promessa da política local. Em outro post ainda mais recente, João fala de outras nomeações, estabelecendo ainda mais fortemente o estilo do nobre edil de querer beneficiar amigos, amigos de amigos e terceiros agregados, amigos de conhecidos - sim, tem para todos! Mas no post em questão, ou melhor, nos comentários (62!), falou-se sobre uma nomeação estranha e eu mesmo cheguei a comentar, coisa que geralmente não faço no blog do João ou nos blogs de Limeira. Como jornalista com atuação local sei como funciona a areia movediça das informações.

A nomeação em questão é para o cerimonial da Câmara. A pessoa nomeada é Nadir Gonçalves, esposa de João Geraldo Gonçalves, o Janjão. O Janjão é assessor parlamentar do vereador José Carlos Pinto.

Janjão é um pouco mais que isso.

Ele é um petista histórico, agitador de greves, desses que acreditaram em Lula desde o primeiro instante - e não poupou esforços para ver concretizado o sonho de termos um presidente operário. Junto com a esposa, Nadir, foram sempre dedicados à causa petista. Eram ambos da direção do partido ou ocupavam algum cargo que tinha retirada mensal de alguns trocados que davam para o comer. O dinheiro, algumas vezes, vinha de algum sindicato.

No final das contas e de certa forma Janjão e sua esposa eram parasitas de um sistema que pretendia chegar ao poder.

Janjão é um cara grande, um metro e noventa ou mais, barba escura grande. Um cara da linha de frente. Um goleiro. Mas também tem um quê de relações públicas: deixa sempre transparecer alguma ternura por trás da couraça brucutu. Falando assim parece um clichê - mas quais desses petistas históricos da linha de frente não são? Nadir, a esposa, é uma morena que fala alto e não manda recados, dessas que talvez prefira dizer o que acha num primeiro momento nem se for pra pedir desculpas depois. Sangue-quente, classificariam alguns.

Janjão, quando viu o site Tiro&Queda angariar colaboradores, enviou artigos, quis ser um formador de opinião. Era partidário demais para falar com isenção sobre qualquer coisa que fosse - mas o site se propôs democrático desde sempre. Enviou vários artigos - e todos que acompanhavam o site viam o velho e bom petista ora relembrar feitos grevistas do passado ou novas conquistas que indicavam um governo federal petista. Quando Lula finalmente venceu, ele regozijou. Mas também, viu-se desprovido de função terrestre. Ele não tinha mais por quem lutar. Talvez agora fosse a hora de ganhar algum dinheiro, de se deixar corromper pelo governo pelo qual ele tanto tinha lutado. Ele podia querer a sua fatia no bolo; seria algo justo. Era, enfim, o momento da classe operária chegar ao paraíso.

Eu sempre acreditei que o País deveria passar por um governos com preceitos socialistas para ver no que dava. Também sempre achei que quatro anos é pouco para se fazer algo e sempre debati a dita democracia. Penso em governos de seis anos sem direito à reeleição. Isso não vem ao caso.

Na metade do governo Lula houve eleições municipais e fui contatado por Janjão para dirigir os programas do horário eleitoral gratuito de Wilson Cerqueira, candidato do PT em Limeira. O coordenador da campanha, me disseram, era o Janjão. Sua esposa estava sempre por lá também, vestindo o idealismo petista e retirando algum dinheiro de algum lugar desconhecido.

Aliás, no início da campanha o que mais ouvíamos era que "logo vem um dinheiro do Delúbio" (sic). A campanha nem decolou, o Delúbio rodou e a preocupação com o dinheiro crescia.

Eu não estava tão preocupado: tinha feito um contrato com o PT Local, assinado pelo coordenador (sic) Janjão. Era um contrato de 32 mil reais para redigir e dirigir toda campanha eleitoral, em rádio e TV, do PT de Limeira. Durante a campanha, pagaram apenas 8 mil. Executei o contrato dos 24 mil restantes e, um ano depois, recebi, num acordo, 15 mil. Cerqueira não venceu, não tinha grandes chances e eu o acho, apesar de tudo, um grande cara.

Uma das coisas que os dirigentes do PT me disseram era que Janjão não tinha autoridade para assinar tal compromisso. Aí percebi o que Janjão representava: um boi de piranha.

Pouco depois, segundo me contam, ele deixou o partido. Parece ter sido um ato de rebeldia pelo escândalo do mensalão. Sim, ele não tinha mais brio para defender um partido que tinha feito uma coisa tão horrível como aquela. "Eu saio!", teria dito. Saiu, mas continuo trabalhando como assessor parlamentar de petistas. No meu entender, uma revolta ideológica o faria se afastar totalmente dessa gente.

Bem, mas ele não podia. Ele não teria como ganhar dinheiro de lugar nenhum se não fosse ali, com os vermelhinhos com a estrela. Nem ele nem a esposa. Iam fazer o quê? Trabalhar no comércio, escravos de algum patrão qualquer?

Não, ele continuou como assessor parlamentar. E aí chegamos no atual quadro: a Câmara de Limeira tinha uma velha presidenta chamada Elza Tank, uma pessoa que tem um estilo e até algumas boas intenções mas que representava todo um modo truculento e corrupto de governo. Era o momento de mudar. O PT estava desde sempre em sua linha de tiro, fazendo oposição suave ao governo local do PDT, esperando uma brecha para entrar no jogo político. Chegou a oportunidade.

Eliseu Daniel, jovem vereador de 31 anos, disposto a negociar com tudo e com todos para assumir a presidência da Câmara, pactua com o PT. E se eu escrevo isso aqui: "pactua com o PT" tanto ele, Eliseu, quanto o PT, podem querer me desmentir dizendo que não houve qualquer tipo de pacto e talvez até queiram me processar. De antemão digo: ninguém aqui é mais otário, bastiões. Houve essa composição, foi o Gasparzinho (o fantasminha camarada) quem me falou e alguns cargos foram dados ao PT. "Escolhe aí que a gente nomeia".

Um desses cargos era para o cerimonial da Câmara, que acabou ficando com Nadir, esposa de Janjão. A indicação oficial foi do vereador Miguel Lombardi (era do PL, não sei se está ainda, nêgo do PL muda mais de partido que tocador de ganzá em escola de samba do Rio). Não creio que Miguel (que é meu amigo) ateste a capacidade de Nadir para cerimoniais. Bem, ela fala alto, talvez economizem em microfones com ela.

Existe uma discussão sobre quem teria indicado realmente Nadir para o cargo. O presidente do PT, Cerqueira, diz que não foi o partido. Assim como não foi o partido que indicou o atual assessor de imprensa do legislativo, João Paulo Baxega. Nos dois casos - e talvez em outros - a indicação foi do "PT sem-ser", já que em ambos o indicador foi Janjão que, formalmente, não é mais do PT.

"Chegou o momento de virar capitalista", talvez tenha pensado o grandalhão. Afinal, os dois vereadores do PT em Limeira, Nelson Caldeiras e José Carlos Pinto, dão a entender que qualquer contato com parlamentares do partido acontece apenas via Janjão. Tente ligar na Câmara de Limeira para falar com algum dos vereadores do PT e dirão que você deve falar antes com Janjão. Através do apoio costurado para eleger Eliseu Daniel, houve a nomeação de Nadir, sua esposa. E a contratação do esforçado Baxega não deixa de ser exclusiva dele - tomara que os vencimentos de Baxega fiquem exclusivamente para ele, Baxega, já que em priscas eras era comum alguém ficar com parte dos vencimentos desse ou daquele funcionário do Legislativo. Não, nunca vão juntar provas sobre isso que acabei de escrever. É melhor esquecer.

O bom das priscas eras é que elas passam.

O cargo de assessor de imprensa da Câmara foi oferecido para, pelo menos, três pessoas antes de Baxega (quer que eu diga os nomes?). Os jornalistas não aceitaram. Baxega vai ganhar mais que qualquer jornalista ou repórter da imprensa local (estamos falando de salário, sem contar jabás, extorsões ou comicionamentos). Terá um problema quando sair, daqui dois anos: a recolocação na mídia formal - assessores de Câmara carregam um estigma de quase nunca voltarem para uma redação.

O estigma - ou qualquer outra coisa - afastou os três jornalistas primeiramente contatados para a função.

Assim, hoje, na Câmara, Eliseu Daniel goza do apoio do PT, o Janjão tem a esposa e o amigo Baxega por lá, talvez tenha mais alguém que não saibamos, enquanto a carroça passa, os cães ladram e Stálin é mais um retrato na parede da sede do PT de Limeira.

O resto são tertúlias flácidas para ninar bovinos.

...

Falando sobre a cena blogueira de Limeira, eu digo com certo orgulho de iniciador: além de João Leonardi temos três excelentes jornalistas com blogs, todos nascidos no seio do Tiro&Queda: Paulo Correa, Cristiano Koch Vitta e Daniel Heldt. Felipe Voigt é outro que começou no T&Q e agora está radicado em Iracemápolis. Fábio Shiraga é amigo da turma toda, também jornalista, mas não foca o blog em coisas locais - assim como eu e Paulo Silas. Henry Villela é jornalista mas não começou no T&Q; Alex Rosa é presidente do Instituto dos Arquitetos de Limeira e teve alguns artigos publicados no T&Q, assim como Hamilton Pereira, um missionário evangélico meio franco-atirador, que teve artigos publicados no T&Q. Como blog profissional, temos o iBuzz de Daves Davoli.

De maneira independente, dentro dos blogs de Limeira, temos a socióloga Mara, Círia Santos e um tal de Marciel Gorrido que não sei de onde surgiu.

Para mim, o melhor de todos os blogueiros limeirenses é o irreverente e incrivelmente inteligente Cristian Vieira.

Ah, sim, o blog do ex-petista saudoso da Elis tem o nome de "A luta continua". Agora, em versão "em causa própria".

...

Esclarecimento: esse blog é meu, não é uma casa de todos como era o Tiro&Queda. Comentários serão bem aceitos, desde que as pessoas se identifiquem e coloquem e-mails válidos, senão serão apagados. Anônimo e troll, aqui não.

APDEITE: Poxa, passou batido o blog de Marco Zannini, grande amigo, também jornalista, super guitarrista da banda NaContramão.

Posted by biajoni at 11:48 PM | Comments (22)

março 2, 2007

o melhor de roberto carlos...

no Dois Discos.

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A propósito disso.

Que o Idelber comenta aqui, mas nem é preciso muito para saber que é estupidez mesmo.

A biografia do Roberto Carlos foi mesmo retirada de circulação pela justiça, eu não tive tempo and dinheiro para comprar - talvez algum bom e caridoso amigo queira me emprestar. Só posso dizer que acho difícil ser melhor que "Como Dois e Dois são Cinco", do Xande Xanxes - que podemos chamar de biogafia musical do Roberto & arredores.

Posted by biajoni at 5:07 PM | Comments (4)

março 1, 2007

e o jornalismo? morreu?

Eu acho que não. O que morreu foi o jornalista.
Mas se a discussão não vale a pena, o texto vale.
:>)
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Posted by biajoni at 4:52 PM | Comments (6)

nota policial

Ontem, pouco antes da uma da tarde, o segurança do Banco do Brasil de Americana, agência que fica bem no centro da cidade, um moreno alto e forte de 35 anos chamado Rogério Carlos dos Santos, deixou seu posto com a arma, ganhou a rua, caminhou calmamente por cerca de 200 metros até uma escola de informática onde trabalhava sua ex-namorada, uma gordinha de 32 anos chamada Margarete Valdilaine Poletti, e meteu quatro tiros nela. Ela morreu na hora.

Ele voltou para a agência a passos rápidos, correu para o banheiro e meteu um tiro na própria cabeça.

O crime parou a cidade.

O que impressiona é que Margarete já tinha feito boletim de ocorrência alertando a polícia para as investidas do ex-namorado inconformado com a separação. Ainda não se sabe se a polícia teria avisado a empresa de segurança em que Rogério trabalhava. Nem se a empresa submete seus funcionários a testes psicológicos.

De nada adianta impedirem clientes de entrar em agências com armas se lá dentro podem estar potenciais criminosos legalmente armados.

A violência tem aumentado tanto nessa região que dá vontade de mudar mesmo, cair fora, procurar algum lugar distante e calmo para criar os filhos.

Posted by biajoni at 9:27 AM | Comments (13)

fevereiro 21, 2007

nótitas

- Domingão de Carnaval e o Clã Branco Leone baixou em Americana para um tarde de churras e cervas. Ganhei um livro que estou lendo e adorando e depois resenho aqui. Tem gente que a gente lê pela internet e depois acaba conhecendo, fica amigo. Tem gente que a gente lê e adora, mas depois vai conhecer e vê que é um saco. E tem essas coisas que acontecem: eu quase não lia o Branco e ele quase não me lia, mas viramos amigos de infância de uma hora proutra. Ele até emulou um Kipling pra falar do "evento". O Branco é lindo.

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- Caco Ishak me mandou seu livro "dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa" e eu já li mas vou reler antes de mandar que o Caco é o Manoel de Barros da minha geração. Mas ainda mais ocre. Vou saborear mais um pouco.

- Os amigos Donizetti e Olivia assumem a nerdice e lançam o "Über Geek".

- Hehehe, Doni, primeirão, primeirão!

- A cada semana tem mais coisa no blog do "Novela Marrom", já passou lá? Linca, ajuda na divulgação!

- No post sobre a polêmica do cinema de autor, Daniela Castilho comentou que acha engraçado pessoas discutirem cinema sem nunca terem feito um filme. No post do Rafa, ela argumenta que não dá pra saber como o filme vai ficar. Respondo aqui: 1) Não se pode discutir violência sem ter matado alguém?; 2) Só não sabe como vai ficar o filme um diretor inexperiente e sem pulso.

- Djabal gravou "A Canção Inesquecível" para o sr. Durante Gullo. Agora estou à procura do "Gunga Din" original e de "Aeroporto '77". Obrigado Djabal, do fundo do coração. E falo pelo sr. Durante Gullo.

- Jorge Quase liberou seu disco todo para download. Aqui eu falo sobre ele.

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- No "Dois Discos", o melhor disco de estúdio de Leonard Cohen.

- Um abraço para o japa Shiraga e pro portuga Neloah.

Posted by biajoni at 5:38 PM | Comments (8)

fevereiro 20, 2007

você crê?

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

Em um polêmico poema chamado "Se te queres matar", Fernando Pessoa pergunta: "O que que tu conheces,/ Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?".

As pessoas em geral precisam e gostam de acreditar em coisas, das mais variadas: malucas, fantásticas, incríveis. Pessoas acreditam em Adão e Eva - embora nenhuma delas saiba dizer se ambos tinham umbigo. Pessoas acreditam em discos voadores como se esse assunto fosse algo que pudesse mudar a vida delas. Pessoas acreditam em reflexologia, sonhos premonitórios, paranormalidade, numerologia ou mesmo no poder mágico de um relógio que elas talvez possam ter encontrado numa esquina com as próprias iniciais gravadas nele. Muita coincidência? Claro que não: uma mensagem divina - ou qualquer coisa assim. Pessoas que acreditam podem começar a desacreditar adquirindo esse primeiro livro que comento aqui: "O Umbigo de Adão" (Ediouro), de Martin Gardner.

Gardner bota abaixo boa parte dos mitos bestas nos quais as pessoas acreditam piamente - quando se aproximam do Q.I. dum símio. Gardner é da turma do biólogo Richard Dawkins, um dos cientistas best-sellers mais quentes do momento. É de Dawkins "Desvendando o Arco-Íris" (Cia das Letras). A premissa é ótima: ele diz que todo mundo acredita em arco-íris, não é? Só que não existem arco-íris. Isso mesmo. Nós achamos que, lá no céu depois da chuva num dia claro, existe um arco todo colorido. "Sim, é claro que ele existe: todos veêm!", dizemos para nós mesmos numa tentativa de auto-afirmação. Porém, ensina Dawkins, o arco-íris não existe tal qual cremos, lá no céu, todo colorido: ele existe apenas dentro de nossos olhos pois o fenômeno é uma ilusão de ótica causada pelo cruzar dos raios do sol através de gotículas d'água. A partir do exemplo do arco-íris, o escritor vai desconstruindo mitos, mostrando como casos de mágica simples ou de simples coincidências são vistos, através dos tempos, como fenômenos esotéricos, religiosos ou místicos. É nesse livro que ele, através de cálculos rápidos e simples, mostra a probabilidade que qualquer um de nós têm de, ao encontrar um relógio, vermos nele cravadas as nossas próprias iniciais.

É de Dawkins o novo grande sucesso editorial do Reino Unido: "The God Delusion" ("A Ilusão de Deus") onde o autor destrói todos os tipos de religião, "argumentando brilhantemente", segundo Clive Cookson em matéria no "Financial Times". Diz Dawkins sobre o livro: "Os leitores que começarem o livro religiosos serão ateus quando terminarem" e "[as pessoas têm que] se libertar totalmente do vício da religião". Dawkins pode ser encarado como um demônio por uma postura assim, mas ele é só um pacato, bem articulado e inteligente professor, que leva a vida dentro da lei, sem prejudicar ninguém.

Viver a vida dentro da lei, sem prejudicar ninguém é a proposta básica de "Aprenda a Viver" (Objetiva), de Luc Ferry, ex-ministro da educação da França. O livro foi best-seller por lá e acabou de sair no Brasil. A proposta vai além para defender uma sociedade sem restrições de ordem religiosa. "A transcendência [...] não reside mais em grandes entidades abstratas, superiores e exteriores à humanidade, mas, cada vez mais, na humanidade".

Quando vejo livros assim entrando para a lista de mais vendidos volto a ter fé na humanidade, embora ache que a Cientologia ainda vai crescer, os homens-bomba vão continuar espocando por aí e os adeptos da urinoterapia vão continuar bebendo xixi.

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Posted by biajoni at 11:04 AM | Comments (9)

fevereiro 14, 2007

apelo

Tem um senhor aqui em Limeira, Durante Gullo, setenta e tantos anos, que sofre há mais de vinte anos de depressão profunda, não sai de casa pra nada. Sua única, ÚNICA, diversão - se é que podemos chamar assim - é ver e rever filmes velhos que ele tem em VHS. Ele não tem DVD, só o videocassete. E nem quer ter DVD, já que todo seu acervo é em VHS.

Tomei contato com ele há mais de cinco anos, quando mencionei um filme antigo em uma coluna de jornal... Ele ligou para o jornal e conseguiu meu telefone. Desde então ele me liga com alguma regularidade, pedindo para que eu arrume esse ou aquele filme para ele. Já consegui alguns.

Pois ele me ligou na semana passada IMPLORANDO por um filme: "A Canção Inesquecível, filme de Michael Curtiz, biografia disfarçada de Cole Porter. Não acho o filme para comprar em lugar nenhum, mas vai passar dia 17/02 no canal pago TCM. Se alguém tiver a TCM e puder gravar esse filme numa fita, bem, para o senhor Durante Gullo, ele mesmo me disse, não há dinheiro que possa pagar.

Quem puder fazer isso vai direto para o céu.
Eu me encarrego das despesas de postagem, etc...

Tem ainda mais dois filmes que o sr. Durante Gullo deseja assistir e não encontramos: o primeiro e original "Gunga Din" e "Aeroporto '77". Se alguém souber onde podemos conseguir, avise.

E também se puderem espalhar por aí, em posts, listas de e-mail, esse apelo, agradeço de coração. Pode parecer besteira, ou muito pouco, para quem não gosta de cinema. Mas acreditem, para Durante Gullo, ver esses filmes mais uma (ou algumas) vez(es) antes de morrer fará muita diferença.

Obrigado.

Posted by biajoni at 10:39 AM | Comments (13)

fevereiro 12, 2007

meu fim à polêmica do cinema de autor - post didático

Rafael Galvão, conhecedor de cinema e provocador profissional, fez dois posts retomando uma antiga tese sua sobre a "autoria" no cinema. Segundo essa sua tese, não existe "cinema de autor" e talvez essa classificação só pudesse ser utilizada quando o diretor fosse, ao mesmo tempo, o roteirista e produtor do filme, acumulando funções que dariam a ele liberdades gerais e irrestristas. O Rafa é bom nos argumentos e, por isso, confunde os incautos - que entram de cabeça na discussão. Na verdade, a tal discussão não existe: o cinema de autor é mesmo aquele onde o diretor assume os riscos da produção de uma obra talvez pouco convencional. Algumas vezes ele banca isso do próprio bolso, em outras recebe o aval total do produtor por conta de um nome, estilo ou competência inquestionáveis. Em alguns casos mesmo o cineasta comercial consegue desenvolver uma obra autoral. Calma, cito exemplos na sequência.

Primeiro preciso dizer que não acho que Rafael não acredita na sua tese, é uma tese retórica que ele reforça evocando o confuso crítico francês Alexandre Astruc. Astruc fala da camera-stylo no sentido do desenvolvimento de uma arte audiovisual mais focada no visual, no manejo da câmera como um pincel que produz uma obra talvez cubista. A teoria de Astruc não está tão obsoleta assim quando pensamos em David Lynch e em alguns que seguem os seus passos.

Porém, é mas justo dizer simplesmente que o "cinema de autor" é tão somente aquele filme que mostra um trabalho criativo do diretor no contar da história, trabalho que se desenvolve para além do roteiro. Um diretor medíocre pode ocasionalmente fazer um filme de autor, um filme onde ele contribui para o contar da história mais que simplesmente fazendo a lição de casa de enquadrar bem os atores em cena ou ser competente numa sequência de ação. Temos diretores que, ao longo da carreira, vão desenvolvendo um estilo - podemos dizer "maneirismo" em alguns casos - e a simples aplicação desse estilo pode alterar sobremaneira a transposição do roteiro para a tela.

Agora os exemplos, para não mais gerar dúvidas quanto ao assunto:

- Woody Allen faz filmes de autor sem botar a mão no bolso - vem sempre bancado pelos produtores Jack Rollins e Charles H. Joffe que sabem que é melhor dar liberdade para Allen fazer o que quiser, já que ele mais acerta que erra. Sim, ele é o roteirista de seus filmes.

- Martin Scorsese às vezes escreve, às vezes produz, às vezes só faz a direção mas consegue ter uma obra autoral. Um dos motivos é o mesmo time de colaboradores, onde o destaque é a editora Thelma Schoonmaker - e quem conhece cinema sabe que cinema é montagem. Eles trabalham juntos e boa parte do "êxito autoral" da obra de Scorsese é de Thelma. (Já estou vendo o Rafa se coçar para dizer: bem, mais é a autoria é dela. Num caso como esse, estamos falando de um casamento, quandon dois trabalham procurando o mesmo objetivo)

- Steven Soderbergh é um grande diretor, um cara que gosta de experimentar, pisar em vários terrenos. Assim como DePalma, ele tenta fazer um filme pequeno e autoral intercalando com um filme de uma major - e ainda assim, apesar de fazer um "Onze Homens e um Segredo", faz "Full Frontal". Reza a lenda que é um dos poucos que conseguem, em contrato, dar a palavra final sobre o filme antes do lançamento.

- John Woo não escreve seus filmes, é contratado para fazer filmes de ação e bem os faz. Há quem chame sua mise-en-scene de maneirista e viciosa, mas eu acho que ele tem uma filosofia clara, mesmo quando injeta pombas brancas voando em câmera lenta. Ele é herdeiro de uma geração que teve Adrian Lyne, Alan Parker e Michael Mann. Sim, Adrian Lyne conseguiu fazer uma obra coesa - admire-se ou não - explorando o sexo e a fotografia publicitária oitentista. Alguns filmes de Alan Parker basta bater os olhos para reconhecer a autoria. Michael Mann melhora com o tempo, preocupado sempre com a paleta de cores para dizer um pouco mais do que está no roteiro.

É isso, esses caras querem dizer um pouco mais do que está no roteiro.

É assim quando Elia Kazan mostra, através dos enquadramentos, a confusão de Cal Trask (James Dean) em "East of Eden". Kazan não escrevia nem produzia seus filmes.

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APDEITE:
- Antes que o Rafa escreva em algum lugar que eu transformei o "cineasta autoral" em "cineasta competente", resta dizer que ele (o cineasta) tem que agregar valores próprios (dele) ao roteiro que filma; tem que ter um projeto estético para a coisa. E o "estético" não está no roteiro.

Posted by biajoni at 5:58 PM | Comments (10)

fevereiro 9, 2007

atendentes de locadora

(Minha coluna de terça-feira no TodoDia)

Sempre me interessei por filmes. A primeira parte do jornal que lia, com sete ou oito anos, era a sinopse dos filmes da TV. A maioria passava tarde da noite e não me era permitido assistir. Assim, ficava imaginando os filmes. De tanto ler essas sinopses, alguns nomes se tornaram familiares para mim, mesmo que nunca tivesse visto um filme de ou com qualquer um deles. Lembro de ter demorado anos para identificar visualmente James Cagney - mas sabia que ele participava de uns filmes bem interessantes.

Fui crescendo. Fiel frequentador da biblioteca pública de Americana, procurava os livros que falavam sobre cinema. Qualquer um me interessava, de livros ilustrados a teóricos de difícil compreensão para meu cérebro adolescente. E talvez ainda seja.

Do cinema passei para a música, via trilhas-sonoras. Gostava muito de trilhas, hoje desencanei. Mas nos meus vinte anos era mesmo obcecado e fiz até programa na Rádio Notícia FM com trilhas de filmes. Daí passei para a TV Americana (hoje Rede TodoDia), onde entrava no ar diariamente e ao vivo para dar dicas dos filmes lançados em vídeo. Eu não era muito bom, além de puro e besta.

Assim, posso dizer que vejo filmes, ér, "profissionalmente" há mais de 15 anos. E frequento locadoras há mais tempo. Também passei a dar cursos e workshops de cinema para a Secretaria de Estado da Cultura, além de palestras e cursos de extensão em faculdades. O conhecimento sobre cinema melhorou, mas uma coisa continua a mesma nesses mais de 16 anos: a deficiência do atendente de locadora.

Na semana passada fui convidado pela Rede Megamil - que abriu loja recentemente em Americana - para uma palestra para donos de locadoras. O evento aconteceu no Hotel Vitória, em Indaiatuba. Foi uma satisfação falar para vários proprietários de lojas; não sobre cinema em si, mas como cliente, frequentador de locadoras. O convite nasceu também por conta de uma coluna publicada aqui, onde eu criticava de maneira geral os atendentes em lojas que vendem artigos culturais.

E eu acho que o atendente de locadora é um agente cultural. Ele deve saber sobre filmes, deve conhecer o que vende, deve saber falar sobre tendências, além de ter ao menos as informações básicas sobre os arredores do assunto "cinema" para evitar falar bobagens. É uma profissão difícil e desvalorizada - e mesmo os donos de locadora, de maneira geral, não sabem como pode fazer diferença ter um atendente bem treinado. A questão econômica (preço baixo), o acervo da locadora, as instalações, tudo pode fazer vender (locar) mais filmes, mas nada supera a prestação de serviços de um atendente.

Disse na palestra e reitero: o atendente de locadora tem que ser um MÉDIUM entre o interesse do cliente e o acervo da locadora. Seguindo algumas constatações de estudos americanos sobre o mercado de aluguel de filmes, que apontam, por exemplo, que mais de 80% dos clientes entram em uma locadora sem saber o que vão alugar, a importância da interferência do atendente com conhecimento é crucial para a indicação e locação. No mundo perfeito os atendentes culturais