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dezembro 6, 2006
buenas noches en buenos aires sem chuva no humano lançamento de desumano de olivia maia a cabeça na parede
É claro que os prognósticos estavam errados e Brigatti me enviou seu e-mail padrão de "furo com amigos": "pintou um poblema (sic) e não vai dar para ir (sic) para Sampa com vocês". O que esperar de um jovem gafanhoto, aspirante a sósia da Camila Morgado?
Aliás, a lenda preparada para o dia era que ia chover barbaridade em Sampa e esse tipo de informação afeta os mais sensíveis. Mas não eu. Nem meu advogado e artista plástico nas horas vagas, Mr. Sérgio Efe. "Vamos sim; não é uma enchentezinha de merda que vai nos impedir de abraçar Olivia Maia e adquirir em primeira mão e com autógrafo o primeiro livro da mais jovem e recente enfant-terrible da literatura nacional". Sérgio Efe fala difícil e se empolga às vezes.
Sim, sim, eu queria mesmo dar um abraço na miúda e afanar um exemplar de seu "Desumano". E também queria rever alguns dos queridos amigos que enviaram e-mails, telefonaram, msnesaram e mandaram mensagens por pombos dizendo que iam aparecer por lá. É claro que não acreditamos em todos, pois sabemos que blogueiros mentem muito. Jesus, como blogueiro mente. Blogueiro não pode ver uma verdadezinha soltinha por aí que já quer menti-la, sujá-la, solapá-la. Nem que seja só para usar o termo num post: "solapá-la".
Assim, é bem óbvio que não acreditei que Gabriela Franco estivesse lá, assim como não estava da última vez que marcamos encontro. Ela tem fugido de mim pois estava com uns livros meus e teve que vendê-los num sebo para poder pagar a mensalidade de dezembro do seu carnê de tatuagens. Ela fez em 24 prestações e ainda está na sétima. Nem sei por que tudo ficou tão caro, já que ela tem pouco tecido. Devem ter sido tatuagens bastante especiais mesmo, muito difíceis, complexas...
Ela acha que eu não sei que ela deu fim nos livros. E sempre pede para os amigos blogueiros me dizerem: "A Gabi passou por aqui carregando seus livros, mas teve que ir embora pois tinha aula de macramê com um cego e estava perdendo hora".
Ela não estava lá, claro, mas estavam os bons e grandes amigos Doni, Ricardão, Pat Kohler e seu veterinário particular, o Tuca, a DaniCast e até um meu fã que me apontou e perguntou se eu não era o Biajoni, autor, ér, "daquele" livro. Dei um sorriso de sim.
Enfim. Eu e Sérgio Efe saímos de Americana por volta de sete da noite, com sol alto. Pegamos algumas latinhas de cerveja, algumas pílulas coloridas, alguns CDs do Elvis Costello e caímos na pista destemidos, o sol refletindo nos óculos escuros.
Em Sampa, algum trânsito normal; depois uma certa confusão com o maldito nome da rua que era a referência para nós: Aspicuelta, Auspiciosa, Aspericulta... "Por que os malditos não colocam números ao invés de nomes", baforou um já estressado Efe.
Mas deu tudo certo: encontramos a linda Livraria da Vila e lá estavam nossos lindos amigos. E lá eu reparei em detalhes e fizemos umas fotas:
(Momentos de tensão, antes de chegar até A AUTORA para a conquista dO AUTÓGRAFO. Apoiada na mesa, de quatro, com vestido vermelho, Pati Kohler. De cavanhaca, o macho dela, o Tuca. Ao redor, vários fãs ensandecidos.)
(Até que sim, enfim, eu chego!)
(Olivia abre os dedos de maneira estranha para autografar. Acho que ela é maçã - feminino de maçon. E também usa uma canetinha Bic fuleira de estimação, o que mostra o ESTADO de miséria que se encontra o jovem escritor brasileiro.)
(Eu quis indicar alguns livros, mas a Olivia fica sempre muito constrangida.)
(Ah, agora sim, o livro em questã!)
Tem muitas mais fotas aqui.
Então... A gente ficou ali fazendo uma bagunça enquanto o Doni contava piadas velhas e o Ricardão fazia força para entender. Estavam ambos bem LISOS de vinhos. A DaniCast começou a dançar por ali, dando rodopios e gritando "Eu sou uma bailarina, eu sou uma bailarina", enquanto o nervosismo do Roger ficou evidente e ele colocou a mão dentro da jaqueta a procura de algo. Sérgio Efe ponderou: "Bia, vamos prum lugar mais seguro, talvez aquele boteco ali da esquina, onde os caras tavam fumando maconha". Achei melhor.
Chamei a Pat e Tuca para ir com a gente, para sairmos escondidos. Mas o povo descobriu. Não dava para fugir levando a Pat junto, o vestidinho vermelhão com as bolas brancas era o que mais se DESTACAVA no ambiente.
Assim, quando menos esperávamos, estavamos todos tomando um chopps e comendo dois pastel num boteco da Vila Madalena, como se fôssemos um bando de vagabundos sem fé, família ou patrões. Como se fôssemos párias, sim, verdadeiros párias da sociedade. Vergonha de ter feito aquilo tudo numa plena noite de terça-feira.
"Vou pedir uma porção de torresmo" - e o fez, o Serjão. A ação nos obrigou a tomar mais uns sete ou oito chopps e quando batia as onze da noite considerei irmos todos embora.
A noite estava tranquila e fresca, o meu companheiro de aventura estava com sono então não ia me amolar com conversas moles e eu acendi um cigarro e liguei o piloto automático pensando sobre como as coisas acontecem de maneira misteriosa e sublime.
Minha gerente do banco vai me ligar amanhã, quando os cheques baterem por lá - e esse dia será desagradável, um verdadeiro inferno de encheção do meu saco. Mas entre a noite de ontem e por volta das onze da manhã de amanhã ainda restam algumas boas horas de vida plena.
Que se foda o Amador Aguiar.
Posted by biajoni at dezembro 6, 2006 3:50 PM
Comments
Caneta bic é mó chique. Eu usei caneta de propaganda de vereador :)
Posted by: Marcia Kawabe at dezembro 8, 2006 9:03 PM
a minha caneta bic é mor espertinha; ela é preta mas ela finge que é azul e engana todo mundo.
Posted by: Olivia at dezembro 7, 2006 5:50 PM
É impressão minha ou o resenhista tem alguma coisa contra as Bics fuleiras?
Posted by: anna v. at dezembro 7, 2006 5:12 PM
Realmente, um livro para os relatos do Bia!
Posted by: Milton Ribeiro at dezembro 7, 2006 2:44 PM
Caracas... eu eu já achava o Rio longe. Brasília é fuckin muito mais longe das baladas.
Quando eu voltar pro Rio eu vou ser mais sociável com os paulistas de São Paulo.
Posted by: MarcosVP at dezembro 7, 2006 1:10 PM
Tem q rolar mais vezes, Bia!
Ah, o livro q falei é "Eu não sou cachorro não", do Paulo Cesar Araujo. Leitura obrigatoria, a pesquisa foi excelente. Abs!
Posted by: Ricardo M at dezembro 7, 2006 12:24 PM
Perdi a festa, mas vou procurar o livro.
gd ab
Posted by: Julio Cesar Corrêa at dezembro 7, 2006 9:58 AM
Que aventura, hein Biajoni? Deu vontade de estar lá. Sei que metade do que vc falou aí é mentira(vc mesmo confessou: blogueiro mente muito), mas dando os devidos descontos acho que sobra alguma coisa. Realmente é muito legal a gente poder prestigiar um amigo num momento desses. Outro dia subi a serra para ir no lançamento do livro da MônicaCarvalho, fiquei enroscado no trânsito, a bateria do celular pifou, me desencontrei dos amigos e filhos, enfim: o caos. Perdí o lançamento e acabei num boteco alí nbo Itaim, gastei cinquenta paus, tive que pegar unzinho emprestado prá voltar prá casa. Essas coisas.
Um grande abraço(e vê se lê o livro pelo ao menos, tá?)
Posted by: valter ferraz at dezembro 7, 2006 8:46 AM
bia, essas suas histórias são uma delícia... bjs
Posted by: cris at dezembro 7, 2006 7:35 AM
Só porque eu sou uma invejosa, eu também falei da festa no meu blog. Mas como eu sou amiga imaginária da Olivia, eu me dei ao luxo de fazer um filminho.
Posted by: Daniela Castilho at dezembro 7, 2006 2:44 AM
Eu tenho uma vaga impressão de que estive por lá também, mas não há provas bloguísticas por aí (nem com nem sem sublinhado). Acordei hoje com uma sutil amnésia e achando que tinha um corte na testa. Acho que não foi uma boa idéia ler o livro antes de dormir.
Posted by: Helder da Rocha at dezembro 7, 2006 1:39 AM
Que massa!
devem ter rido muito
hauhuahauhuahuahuahua
;**
Posted by: Belle Polenta at dezembro 7, 2006 1:30 AM
Além de ser veterinário, macho de uma das blogueiras mais adoradas do universo, e de possuir uma cava-inhaca meiguei, tenho também um blog, dedicado a propagandear a pedofilia de golfinhos e a zoofilia entre seres humanos ortodoxos. Sendo assim, eu o autorizo a sublinhar o meu nome-apelido no seu relato mundo cão, como ocorreu com os demais blogueiros que participaram do mesmo. Que preconceito é esse?
Bobagens a parte, curti o papo no boteco não tão boteco assim. E o texto aqui tá ótimo! Em breve eu e a Pat estaremos aí na sua cidade pra encher um pouco o seu saco, ok?
Abraços!
Posted by: Tuca at dezembro 7, 2006 1:00 AM
Eu também tentei ir ontem mas fiquei preso no engarrafamento. Aliás, é onde estou até agora. Dá pra alguém avisar lá em casa?
Posted by: Flavio Prada at dezembro 6, 2006 6:42 PM
Vou te mostrar o professor de macramê cego... e as tatuagens "especiais"...
E teus livros se perderam na enchente...
Bah
(Eu tava lá...vc me viu nas fotas da Olivia? HIhihihihihi...)
Posted by: Gabi at dezembro 6, 2006 5:54 PM
Eu bem que tentei ir mas fiquei retida no aeroporto no meio daquela confusão...
Posted by: Viva at dezembro 6, 2006 5:49 PM
Mais uma vez impagável! E eu preciso arrumar um emprego que me permita o mínimo de vida social... :)
Posted by: Marmota at dezembro 6, 2006 5:31 PM