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julho 4, 2006

moraes & mutarelli na flip

(Minha coluna de hoje no TodoDia)

A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty firmou-se como o mais importante evento literário do Brasil e um dos maiores do mundo. A quarta edição acontece entre 9 e 13 de Agosto. O evento já reuniu, em edições passadas, a nata da literatura como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Paul Auster entre outros. Porém, mais importante que o evento oficial são as festas paralelas que reúnem o off-FLIP, novos autores, autores marginais, zumbis das letras - e eles ficam por toda a parte, tropeçando nas pedras desniveladas das calçadas históricas da cidade. O evento sempre elege uma sensação, sempre serve para agitar as editoras, torná-las mais antenadas, aguçadas com as novidades - e isso é muito bom. Contudo, é sempre a presença das estrelas que agita a cidade e leva até o evento os verdadeiros interessados em literatura, mercado editorial, novidades das letras. Li alguns artigos reclamando grandes nomes para a edição deste ano. A abertura é com Maria Bethânia; Toni Morrison, Nobel de Literatura em 93, e o argentino Ricardo Piglia fazem palestras; a precursora do jornalismo literário, Lilian Ross, discorre sobre o que entende... E quase só - o que não é pouco, claro. Confesso que nenhuma dessas, digamos, "atrações", chamaram minha atenção. Mas há uma mesa de debate na FLIP que eu não vou gostar de perder. Não mesmo. É a mesa "Do Amor e Outros Demônios" e vai reunir André Sant´Anna, Reinaldo Moraes e Lourenço Mutarelli. Não li nada do André, mas Moraes e Mutarelli são dois dos mais geniais autores nacionais de todos os tempos. Não, isso não é exagero.

TANTO FAZ.jpg O DOBRO DE CINCO.jpg

Reinaldo Moraes escreveu um livro genial em 1981, "Tanto Faz". Se Moraes fosse americano, seria chamado de “novo Kerouac”, ou “novo Salinger”. O livro perfaz a trajetória de um estudante de economia brasileiro em Paris no início dos anos 80. Ele não freqüenta as aulas e vive a vagabundear pelas ruas da cidade em meio a porres, elucubrações, amores. Reduzir a narrativa ágil, cheia de referências pop e cultas, trechos em outras línguas, neologismos, brincadeiras a um simples: "vida de estudante vagabundo em Paris" é o mesmo que resumir "Ulisses", de James Joyce, a "um dia na vida de um cara". "Tanto Faz" é curto e pungente, causou tumulto na cabeça de quem o leu no início dos Oitentas, influenciou artistas e novos autores e, para mim, é inadmissível que não seja adotado em escolas e faculdades, não seja estudado, lido, repercutido. É a prova viva da mediocridade do mercado brasileiro. Moraes acabou ficando famoso por ter feito a polêmica foto de capa do disco "Todos os Olhos", de Tom Zé.

Lourenço Mutarelli é descrito no site da FLIP como "premiado cartunista" - o que mostra que até uma organização como essa tem ridículos redatores de releases. Mutarelli é o artista gráfico mais incrível do País, o quadrinista com mais personalidade entre vários dos ótimos desenhistas brasileiros. Sim, ele tem Personalidade. E, como disse sobre Moraes, se tivesse nascido lá fora talvez fosse rotulado como “um cruzamento entre Alan Moore e Robert Crumb". Mas só talvez; é difícil encontrar influência nele, tamanha a Personalidade. Mutarelli é autor de uma trilogia em quatro livros de quadrinhos chamada "Trilogia do Acidente". Trata-se de um trabalho tão fantástico que chega a ser indescritível. Em arte seqüencial, Mutarelli começa contando uma história noir envolvendo um mágico desaparecido e um detetive brasileiro chamado Diomedes para, nos números posteriores, abusar da metalinguagem e inserir a si próprio na trama, realizando quase um tratado existencial. Não é pouco. Expandindo o próprio domínio, Mutarelli enveredou-se pela literatura e escreveu romances, como o bom "O Cheiro do Ralo", que está virando filme com Selton Mello.

O DOBRO DE CINCO INTERNO.jpg
(Página de "O Dobro de Cinco")

Ia ser realmente muito interessante ver essas duas grandes cabeças debatendo o tema em questão nesta edição da FLIP.

Posted by biajoni at julho 4, 2006 11:07 AM

Comments

Bom saber desse debate. Já tava pensando em ir à FLIP esse ano. Mas o que me desanima é o tumulto...

Posted by: Viva at julho 5, 2006 10:49 AM

Bem... como o único conhecimento que tenho da FLIP é a maldita Veja , fico imparcial neste post...

Abração!

Posted by: Mc Mut at julho 4, 2006 8:51 PM

mas não é verdade???...

terça-feira, 4 de julho de 2006

O PRÓXIMO TÉCNICO DA SELEÇÃO
Adriana Vandoni (*)
Fiquem tranqüilos, eu não gosto de futebol e não vou relembrá-los dos erros e da apatia do nosso time. Um novo jogo começa e este é muito mais importante para todos nós. O mais engraçado foi como esta copa foi sui generis, onde a esquerda torceu para a seleção ganhar e a direita agora quer tirar uma casquinha na derrota dela. Êta esquerda azarada. Quando torcia pra perder, como na copa de 70, o Brasil ganhou, e agora que torcia para vencer, dá esse azar todo.
A verdade é que a desenvoltura com que Lula transita em todos os cantos para conquistar votos dos menos instruídos, com seu populismo indecoroso, acabou sendo objeto de uma das grandes polêmicas ocorrida antes mesmo do início da copa do mundo. Ronaldinho está gordo e Lula “bebe pra caramba” foram as marcas deixadas por essa copa. Foi o seu grande erro tentar tirar proveito da seleção, sem imaginar que justamente lá havia um grande adversário seu.
Agora Lula pode ser usado pelos formadores de opinião por questionar o “espetáculo do crescimento” da barriga do Ronaldo e isso ter sido o grande desestabilizador da nossa seleção.
Mas eu, com todo meu conhecimento do futebol, percebi desde o início que íamos perder essa copa. Não pela apatia do time ou por sair daqui já achando de que os jogos já estavam ganhos.
Na verdade o grande culpado de tudo são “a zelites” reacionárias. Não sei se vocês, torcedores brasileiros, perceberam a face reacionária do Parreira? Está óoobeveo(sic) que ele estava lá à serviço da direita, fazendo de tudo para que perdêssemos a copa e assim prejudicar a campanha à presidência de um “legítimo” representante do povo.
Êta direitinha safada! E um neo-amigo ainda tenta me taxar de ser de direita! Quando?! Eu nunca seria capaz de fazer isso com o nosso povo, tirar a alegria de um povo tão carente.
Mas esse Parreira sempre me pareceu ser um representante “da zelites” reacionária. Aquela boquinha mascando, sei lá, a língua, deve ser porque esconde algo que não pode falar. Não perdeu para o time africano porque gosta de oprimir aquele povo mais humilde. Perdeu justamente para uma seleção de um país rico, opressor dos países mais pobres. Acredito que o grande sonho do Parreira era ter podido cruzar com a seleção dos EUA, pra perder pra ela, como quase conseguiu em 1994, e mostrar que o capitalismo é o melhor sistema, e consegue tudo, até ser melhor no futebol.
Pra vocês verem, a esquerda tem que ser mais esperta, porque não percebe que enquanto aparelha todos os órgãos e instituições, se descuidou e deixou a direita ocupar o maior dos amores do nosso povo, além de deixar Lula sem discurso, claro.
Por isso, com minha opinião isenta e imparcial, que muitos desejam, recomendo que a esquerda petista tente ocupar esse espaço que descuidadamente perdeu. Tenho até uma sugestão. Como ele é um estrategista nato, já foi capitão, e não pode mais atuar na política, recomendo Zé Dirceu como o próximo técnico da seleção brasileira. Ganharíamos fácil, fácil, já que ele, logo ao assumir o comando do nosso time, compraria os jogadores do time adversário, aí sim, mostraríamos ao mundo a categoria, e a “malandragem” do nosso povo.
Ao Hexa Brasil!

(*) Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ.

Posted by: daniel at julho 4, 2006 6:44 PM

Acho que a FLIP é um mal necessário. È só eles não descuidarem da organização. Em um país em que pouco se lê, é bom uma festa para movimentar o ânimo dos possíveis leitores. E se pelo menos um livro for comprado por alguém que não tem o costume de ler, a festa valerá ainda mais a pena.
Este ano terei o privilégio de participar da Flip e da Off com o pessoal da Revista Bagatelas, promovendo discussões sobre os zumbis, ou os novos da literatura.
gd ab

Posted by: JULIO CESAR CORRÊA at julho 4, 2006 3:49 PM

Cacete...tb adoro os dois! Algumas coisas do Muta podiam ser um pouco menos agressivas,(Há! Olha que fala!) mas ele é gente finíssima.

Tive contato com ele em mostras de gibis por aí, que eu costumava frequentar...

Realmente, a presença dos dois agitaria a FLIP

Posted by: Gabi at julho 4, 2006 2:50 PM

pô! não leu o André? TU precisa ler! ganhei o 'Paraíso é Bem Bacana', tô lendo, é genial!

Posted by: tiagón at julho 4, 2006 11:50 AM

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