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novembro 21, 2005
(revisado, pessoal)
primavera dos... [ou] o auto do compadecido [ou] um bando de gente boa e a falta de energia que uma noite mal dormida provoca [ou] alakazan, bom mesmo é coca com rum: bebida de capitalista e bebida de pirata
Se Sartre estava certo e o inferno são os outros - o que acredito - eu estou rodeado por, pelo menos, 80 infernos particulares bastante próximos. É que estou morando no apartamento zero de um edifício de dez blocos. Meu maior inferno no momento é um garoto de cerca de 10 anos chamado Douglas. Ele acorda muito cedo e se põe a andar de bicicleta pelos corredores do condomínio e a gritar pela mãe e pela avó: "vejam o que eu faço, olha como eu empino..." E a mãe e a vó ficam nas janelas, achando bo-ni-ti-nho o molecão gritando lá embaixo, fazendo trabalhadores e trabalhadoras do Brasil acordarem mais cedo do que precisam ou gostariam. Pois eu, um trabalhador do Brasil, fui acordado pelo infante Douglas no SÁBADO, ainda não eram oito da manhã. Esperava levantar lá pelas 9h30, tomar um banho e cair na estrada, em direção a Sampa, onde me esperavam alguns dos mais queridos amigos - que, coincidentemente, são também alguns dos maiores blogueiros do País.
Levantei de sobressalto, pronto para sair e esganar o moleque madrugueiro. Karen roncava levemente ao meu lado; aquele ronquinho de mulher grávida em início de manhã, na melhor hora fresca de sono. "Mato esse moleque, entro no carro e vou-me embora! Volto daqui sete meses, quando meu filho nasce, e ninguém mais vai lembrar do Douglas". Saio para partir a cabeça do garoto quando dou de cara com o pai da criatura, um ser de dois metros de altura e dois caninos de ouro. Vejo os caninos porque ele me sorri e dá bom-dia. Um bom-dia quase afetado, como se me pedisse desculpas por ser um cara enorme e forte e que podia me despedaçar com dois dedos. Ora, mas por quê ele faria isso? Eu estava lá, parado em sua frente, frágil, descabelado, de pijama de ursinhos e uma leve ereção de mijo. "Nossa! Seu filho sabe empinar, né?". Ele riu orgulhoso, o sol da manhã reluzindo nos caninos dourados.
Entrei para o banho.
Iam comigo para São Paulo Deus e a Senhorita Eme. Deus ligou dizendo que tinha aparecido um trabalho urgente em Piracicaba: precisavam de um sósia de Enrique Iglesias para promover a nova marca de preservativos extra-pequenos. Ele era o modelo ideal. Senhorita Eme levantou bem cedo, tomou banho, estava pronta para ir comigo... Mas, ao abrir o guarda-roupas, deu de cara com um quadro assombroso, assustador: a nova empregada havia estado em casa no dia anterior... As roupas haviam sido guardadas com cabides invertidos, fora da ordem estabelecida. "Minha mãe esqueceu de dizer para a empregada que os cabides têm uma numeração e que as cores devem respeitar uma ordem cromática... Agora não posso ir contigo, pois tenho que arrumar essa bagunça!", disse-me descontrolada ao telefone. Bom, foram dois EXCELENTES motivos, vai dizer?
Karen não quis ir comigo por uma série de motivos. Tem estado meio enjoadinha nesse começo de gravidez. E esse enjôo se agrava quando ela está próxima do Inagaki. Não, não é nada contra o blogueiro mais gentleman do mundo. É que o nobre japaraguaio tem um leve tique, um menear contínuo de cabeça e a Karen está sensível para movimentos contínuos desse tipo, que lembrem uma marola ou uma vez que ela viu “Titanic” no cinema e vomitou no cara do lado. “Manda um beijo pro Ina e pra Patrícia”, ela falou.
Então decidi que era eu por mim mesmo, a partir para a capital.
Como ia? Ora, meu fiel companheiro, meu Uno 88 Batido à Alcoól podia muito bem cumprir a função - como cumpriu. Bem. Mais ou menos. Veremos adiante.

(Grande parceiro!)
Passei no posto, enchi o tanque com um cheque aids, tomei um café preto (até porque não inventaram ainda o café branco) e cai na pista. Inagaki estaria me esperando na Estação Cínicas do Metrô às 12h30. E quem me conhece sabe que eu tenho um problema com horários, chego sempre estritamente no horário, nunca me atraso.
Pisei fundo no carrinho, imaginando que meu fiel amigo japa estaria já envergando uma de suas camisas listradas, impávido, pronto para um dia de fotos e sucesso e autógrafos e vi-si-bi-li-da-de e, quem sabe, com sorte, até desse entrevista ao Athaide Patreze!
O sábado parecia uma flor que vai desabrochando devagar no início da primavera. Tá, essa última frase ficou bem guei, admito.
Apanhando o Malandrão
Aproveitando meu leve estrabismo - resultado da hipertensão ocular - mantive durante toda viagem um olho na pista e outro no marcador de temperatura do Uno. Ele anda meio “quente” por esses dias pois ouviu que estou disposto a trocá-lo. Se você encontrar com meu Uno, por favor, desminta isso. Não quero que ele fique mais doente do que está.
A temperatura do nobre colega veicular não era mais que 90o quando parei próximo às floriculturas do cemitério da Consolação, ao lado da estação Clínicas. Como ali só podem parar os clientes das floriculturas passei a examinar e a perguntar preços de ramalhates e coroas e fiz a minha cara de quem perdeu alguém próximo e estava mesmo muuuuuito chateado. É a cara 93, cenho franzido, olhos semi-cerrados, narinas infladas. Estava lá observando os gerânios quando vi o japonês do outro lado da avenida, andando esbaforido de um lado para o outro. Assoviei, gritei e todos os floricultores (taí uma palavra bonita) sacanaram que eu tava só fazendo cera. O japa, mui perigosamente, atravessou a avenida, pulou dentro do carro e saímos em disparada. “Não abaixa todo o vidro porque depois não sobe”, alertei o caro amigo, antes de dar-lhe meu tradicional beijo de saudade e satisfação pelo (re) encontro.
Tínhamos que ligar para Milton Ribeiro e Nelson Moraes. O gaúcho e o goiano chegaram mais cedo à São Paulo apenas para beber algumas e tomarem coragem antes do evento na Oca. Eu e Ina faríamos companhia à dupla.
Inagaki sacou o celular e mostrou toda sua INABILIDADE com novas tecnologias. Eu tive que parar o Uno (a temperatura já estava em 100o) e aproveitei para ensiná-lo como se usa um celular. Um garoto de 10 anos ia passando e achou engraçado.
Íamos para um barzinho chamado Asterix e lá o seminário se desenvolveria. Gabriela estava por ali com a esposa e disseram que também iriam passar. Não era uma da tarde ainda.
Death Cab for Cuties [ou] dois barbudinhos que bem poderiam formar uma dupla de viola caipira
Sentamos, eu e Ina, no melhor sentido do verbo flexionado, e pedimos uma Original. Passamos a jogar conversa fora e, verdade seja dita, o Ina é um dos maiores ESPECIALISTAS nessa GRANDE ARTE.
Para nos ajudar, por alguns minutos, enquanto comíamos uma porção de contra filé acebolado, juntou-se a nós o GRANDE Marmota. Ele estava de plantão, coitado. Jornalista só se fode.
Continuamos lá, eu e Ina, discutindo ARTE. Sobre literatura, eu passei a defender que idéias eram mais importantes que a FORMA e ele o contrário. Estávamos engalfinhados na calçada, o Ina com o punho dentro da minha boca, quando encostou um táxi. O motorista olhou pra gente ali no chão, olhou para os passageiros no banco de trás e lascou: "Tem certeza que são esses dois aí que vocês procuram? " Era.
Paramos a discussão. Além de Milton e Nelson terem chegado, Inagaki ia dar uma entrevista para uma grande emissora de TV nas dependências do Itaú Cultural - e já estava atrasado! "Não aguento mais essas entrevistas, essa exposição toda! Daqui a pouco, vocês verão, todos os jovens adolescentes estarão usando essas ridículas camisas listradas!" - e foi para o cadafalso da mídia, aquele porte marcial like an old fashioned album from THE BEATLES.
Nelson sentou e começou a beber compulsivamente. Parecia que já fazia meia hora que não SORVIA nada de alcoólico e isso lhe gerava um GRANDE problema. Sem o MARDITO, ele não conseguia manter por muito tempo seu peculiar e irresistível sotaque goiano. "Já faz um tempim que num tomo um golim", explicou - e nós entendemos.
Milton, compenetrado, impressionou-me pela BELEZA. Homem bonito está ali. Nem parece gaúcho. É claro que você vai achar que estou fazendo galhofa, mas a gente vê o Milton em fotos por aí e, Cristo!, ele parece um judeu faminto que ganha a vida mostrando que é possível equilibrar uma taturana sobre o lábio superior. Ao vivo ele é um gato. Tentei, inafortunadamente, passar uma cantada nele mas não fui bem sucedido. Nelson olhava com cara de descrença no ser humano.

(Olha como o Milton é bonito de perfil, em primeiro plano, com a taturana acenando para a câmera)
Depois de discorrermos um pouco sobre cinema (Von Trier, Kubrick, Bergman), literatura (Mann, Goethe, Joyce), música (Brahms, Stravinsky) passamos a falar de um assunto realmente relevante: o nível de PUTICE das mulheres goianas. Nesse momento sentimos grande falta de Rafael Galvão, um dos grandes antropólogos experts no assunto. A premissa é simples: em qualquer zona de meretrício, boate de má fama, rua detrás de igreja ou casa de luz vermelha que se vá nesse País, sempre se encontra goianas "no serviço". "Goianas são muito versáteis", defendeu o goiano Nelson. "Goianas gostam muito de viajar pelo País", arriscou Milton. "Não são todas as goianas que são putas, só as mais goianas", minha tese. E a discussão foi se acalorando e já estávamos quase para sair para uma pesquisa de campo quando chegaram a Gabi e sua menina, a Gi. Elas estavam no Mercado Mundo Mix e a Gabi havia acabado de comprar uma camiseta verde onde se lia "Linda Lovelace, I'm your Fan". Encontrei certa dicotomia na cena, mas calei. A camiseta era verde e verde está na moda e de moda, meu bem, você pode crer que EU entendo! Ui.
Em vários momentos tivemos vontade de matar as duas gostosas que estavam conosco na mesa do Asterix
Gabi e Gi pediram um chopps e dois pastel e começaram a dizer que odiavam Bergman e Von Trier, que nunca tinham lido Mann e que Brahms tinha morrido virgem e nunca tinha tomado umas Brahms (hahahaha, achei essa piada genial!).
O Milton ficou tão nervoso que a taturana escapou e foi parar na nuca. O Nelson fumava compulsivamente. "Bia, eu acho que essas meninas aí são GOIANA!". Tóim.
O clima ficou mais ameno com a volta do Japa. Uma horda de fãs alucinadas corria atrás do famoso blogueiro-jornalista-escritor. Ele refugiou-se no bar conosco, enquanto algumas pediam lá de fora: "Ina, baixa uma música no meu Ipod? Autografa minha Hello Kitty? Põe meu blog nos blogs da semana?". O Ina suspirava.
Vendo que haviam perdido terreno, as meninas do "Pega na Grandona" vazaram, ficando a promessa que estariam na Oca, logo mais, para o fatídico lançamento do livro de papel do Blog de Papel. O evento seria às 18h.
"Duas menininhas gostósinhas, hein Biajoni!" - Era o Nelson acendendo mais um Carlton. Eu, Rafa, Idelber e Nelson fumamos Carlton. Isso deve querer dizer algo.
As garrafas vazias de Originais faziam volume na mesa e as idéias começaram a ficar meio difíceis de serem coordenadas quando o Milton afrescalhou, deixou vir à tona todo seu lado GAUCHESCO: "Preciso tomar um banho antes de ir para a Oca". "Ah, Milton, pára de viadagem!". Não teve conversa: ele queria mesmo tomar um banho ou ttalvez até mesmo cagar e tivesse algum ritual que não podia ser executado ali, no Asterix. A taturana tinha desaparecido.
Eis que, para satisfação de todos, chegam dois dos meus maiores e mais refrescantes amigos paulistanos: Donizetti e Patricia Köhler. Dividimos a galera; eu, Doni e Milton fomos levar Milton para o banhinho, Pat Köhler e Ina acompanharam Nelson ao hotel. O combinado era para que em meia hora estivéssemos na Oca. Já batiam as cinco e meia da tarde.
The Court and the Spark
Enquanto o Milton fazia seja-lá-o-que-fosse, eu e Doni fomos até a padoca da esquina para tomar mais uma e comer um mata-fome, um daqueles fritos, que ficam no aquário por dias, encharcado de óleo ruim, manja? Estivemos de acordo que os mata-fome são um ícone da cultura paulistana. O ALIMENTO é muito eficaz contra a bebedeira: tem tanto óleo, tanta proteína podre que simplesmente acaba não tendo espaço no fígado para o alcoól fazer efeito. Mandamos dois mata-fomes cada uma para o peito, quando o Milton ficou pronto.
E zum pra Oca.
E o ponteirinho da temperatura todo maluco; sobe e desce...
Uau! Encontrei um EXCELENTE lugar para estacionar! E, como se não bastasse, assim que descemos do carro e olhamos para o lado... quem? quem? quem? Ninguém menos que o maior cartunista do Brasil, Mr. Angeli! Ele estava com uma GOSTOSA com um vestidinho de florzinhas amarelas, toda linda e totósinha e eu não me contive e fui até ele e dei um livro pra ele...
- Esse é meu livro, tou procurando editora...
- Você é o Biajoni? Sexo Anal?
- É... Você gosta?
E olhei safadamente para a moça que tava com ele. Hehehe. É claro que ele deve ter jogado o livro no laguinho da Oca, mais adiante.
Mas já valeu a sacanagem, vai dizer? Perco a editora mas não perco a sacanagem.
Batemos na entrada do evento e vem um rapaz todo educado perguntar se éramos escritores. Fiz a cara de "claro que somos escritores, não tá nos reconhecendo não?". E entramos sem pagar, claro.
Depois de encontrar o grande ídolo Angeli só faltava mesmo encontrar... Glauco Mattoso!!! Pois não é que o cara tava lá? Fui até ele, conversei um pouco, dei meu livro, ele foi realmente muito simpático e ficou muito feliz de saber que sou fã e divulgador de seus limeriques.
Porra, essa vinda a São Paulo já tinha me valido. Mas ainda havia mais a acontecer.

(Verbeats Olivia e Milton)
O blog é de papel mas as pessoas são de carne e osso, rapá!
Uma verdadeira constelação de blogueiros e superstars da internet estava no lançamento do mega sucesso Blog de Papel. A grande chefa Alê Félix estava toda atrapalhada, correndo pra cá e pra lá, tirando fotos, abraçando e beijando todo mundo.
Olivinha sem acento nos mirou e ficou colada com a gente, ttietando tanto quanto.
Eu ficava ali tentando imaginar quem era quem, já que a gente lê o camarada mas não lhe vê a fuça e quando realmente vê geralmente se assusta. Não é o que acontece comigo pois 1) tem mais foto minha nessa internet de meu Dênis do que de qualquer outro blogueiro, digamos, sério; 2) eu sou quase lindo.

(um BANDO de HORRÍVEIS dando autógrafos. O queixo do Ina quase não cabe no quadro)
Um que (re)conheci de cara foi o Marco Aurélio, do legendário Jesus Me Chicoteia. Esse sim é FEIO. Quer dizer, só a lataria - por dentro é um cara maravilhoso. Quer dizer... Ouvi dizer... Ah, esquece.


(o FEIO e o LINDO)
Outro Marco que tava lá é o verbeat Assis Brasil, cara grande, enorme, todo família, com mulher e filho de colo, um garoto bonito e todo malandrão. Deve ser amigo do Inagaki.
Outra que estava lá espalhando sua alegria toda linda era a Fal. Finalmente pude dar-lhe meu Sexo Anal e ela parece que gostou.
Duas figuras bastante conheidas da blogosfera também estavam pelos arredores: Ratapulgo e Fábio Danesi Rossi - que estava com livro também no estande da Barracuda.
Falando em Barracuda, pude encontrar o maravilhoso editor Freddy Bilyk. Ele está todo empolgado, com razão, por estar lançando por essas plagas o GRANDE Edward Bunker. Deixei mais um livro meu com o Freddy. Ele deve colecionar, deve ter uns 15 já... Hehehe. Um dia, com fé, ele lê! E quem sabe até decide publicar!?

Era bem legal ficar por ali, abraçando esse pessoal que sempre esteve tão distante e tão perto. Por um momento fiquei um pouco melacólico, mas a melancolia passou, o Nelson Moares chegou e botou a mão no meu ombro: "Viadinho, vai buscar uma cervejinha pra gente!".
Gastando dinheiro [ou] eu amo a Patrícia Köhler [ou] de que servem os intertítulos? não é só perda de tempo?
Patrícia Köhler é uma graça e ficou ao meu lado o tempo todo, me protegendo de mim mesmo. Lá pelo meio do evento, alguns vinhozinhos bancados pela Alê Félix na pança, chegou a Gabi - sem a namorada. Nham, nham, nham, pensei. E saí com Pat para gastar algum dinheiro e desanuviar.
Cheguei ao estande da Sete Letras. Eu acho os livros da Sete Letras lindos. Eles tem uma linha gráfica que eu amo. Comprei o livro de poemas do Buko e "Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante", da Clarinha Averbuck. Esse era o único que eu não tinha da Clarah - ela ficou de me mandar um, autografado e tudo, assim que foi lançado. Mas você sabe como é a gaúcha, né? Eu amoela.
É incrível: tem muitas editoras ótimas com livros ótimos. O maior mistério hoje para mim, maior que o mistério do governo Lula, é o mistério sobre O QUE DITA AS REGRAS DO MERCADO EDITORIAL. Não dá pra saber. Definitivamente. Não consigo botar meu livro no mercado. O Alex está nessa luta há mais de ano. Devemos realmente ser MUITO ruins.
Foda-se.
Fiquei com vontade de comprar muita coisa, inclusive o Tony Parsons e os Bunker da Barracuda. Mas a grana tá baixa e deixei quieto. Voltei para o estade do Blog de Papel e fiz o Nelson pagar umas cervas.
Direto para o apê da Olivia - ou não tão direto assim
Batiam as dez da noite, o evento já ia cerrar portas, quando decidimos beber um pouco mais... Como não conseguimos chegar num consenso, ouvimos Olivinha sem acento: "Vamos lá pro meu apê, meus pais estão viajando, quem sabe rola um bundalelê?".
Trocamos olhares e decidimos que sim. Rachamos novamente as pessoas nos carros e Gabi e Ina acabaram tendo o azar de virem comigo em meu Uno.
Parênteses. Demorou umas boas meia hora para acharmos o Uno no estacionamento da Oca. Simplesmente o perdi. Quando o achamos ficamos todos tão felizes que até choramos. Até o carro chorou conosco. Fecha parênteses.
Tomamos rumo ao apê da Olivinha sem acento e um arrupio subiu pela minha espinha saindo do cóccix e chegando à nuca quando o Ina disse que íamos pela Avenida Paulista. Sábado, dez e meia da noite, a dita avenida devia estar empanturrada de veículos. A temperatura do temperamental Uno certamente ia SUBIR. Mas arrisquei. Achei que meu Uno 88 Batido à Alcoól fosse colaborar...
Pois chegou um momento, ele abriu o bico. Ferveu. Tivemos que parar numa ruazinha qualquer, num puta beco escuro do caralho. Ina, sem ter o que fazer, e levemente aborrecido por estar com um puto dum jornalista e escritor ma non troppo fudido e sem dinheiro com um carro fervido, passou a assediar a Gabi. Eu não quis interromper, achei chato, mas alguém precisava ir até um posto de combustíveis bucar um pouco de água. Eu e Ina votamos pela Gabi e ela foi.
Aproveitamos o tempo ali, eu e Ina, enquanto Gabi ia buscar uns litros de água, para discutir temas relevantes da cultura mundial, como a importância da flexibilidade do rabo da lagartixa nos decassílabos semânticos de Goethe. Ai, ai. O Ina é um cara muito inteligente.
O fato é que Gabi chegou, esfriei os ânimos do Uno e voamos para o apê da Olivinha sem acento. Espanto: Pat Kohler tinha comprado 60 cervejas! Olivinha tinha pedido 4 pizzas! Jesus! Pra quê tudo isso?
Coloca-mo-nos a comermo-nos as pizzas todas desenfreadamente. Nelson fazia sanduíches de pedaços, numa demonstração confirmativa de que não existem pizzarias em Goiás na mesma proporção que as mulheres são putas. O cachorrinho da Olivia, numa demonstração de humanidade, vendo aquele banquete faustoso e deprimente, vomitou no tapete como forma de protesto.
Começou a chover e eu resolvi ir embora. Como não havia conseguido matar o Douglas, podia voltar sossegado... e... se ele me acordasse novamente no domingo... podia matá-lo tranquilamente.
Já passava da uma da manhã. Meu Uninho estava lá na chuva, todo fresco. No apê de Olívia, Ina, Nelson, Milton estavam frescos. Pat estava fresca. Gabi estava fresquíssima. A gata da Olivia e ela própria estavam fresquinhas. A atmosfera paulistana estava fresca.
Como é comum, beijei todo mundo na boca e apanhei o elevador.
Tinha sido muito bom e revelador e satisfatório e gostoso e bonito e lindo e maravilhoso estar com essas pessoas tão bonitas e lindas e maravilhosas e também ter conhecido e reconhecido lá na Oca todo mundo... Era hora de partir. É claro que não ia conseguir dirigir até Americana, 120 km, depois de tudo o que tinha acontecido; de toda cerveja, emoção, cansaço. Claro que não. Mas as pessoas não contam com meu Uno 88 Batido à Alcoól. Cheguei nele, agradeci-o ao ouvido, pedi que ele voltasse sozinho para casa e deitei-me no banco de trás, ferrando no sono. Só acordei quando chegamos em casa.
Como foi? Não sei. Só sei que foi assim!
Posted by biajoni at novembro 21, 2005 6:48 PM
Comments
Bia esses teus "causos" são jóia, "véi, vai dizer"...
Abs.
Edk
Posted by: Edk at novembro 24, 2005 7:20 PM
Bia acabei indo em todos os seus relatos e tenho que dizer que você é mesmo o mestre nesse tipo de post. Beijão.
Posted by: Carla at novembro 24, 2005 5:01 PM
Olhem BEM a língua do foto cortada.
Aquela do Feio e o Lindo?
Não parece... parece ou não?
Como ambos são feios, indico a língua do de camiseta verde, óculos escuros e cigarro na mão.
O mais feio.
Posted by: Guigui at novembro 23, 2005 10:38 AM
post delícia de se ler, mesmo com algumas escorregadelas "guei"...
amei! bj
Posted by: cristiane at novembro 22, 2005 7:18 PM
Ô, Bia! Eu tava até evitando vir aqui ler o relato da viagem, para tentar não morrer de inveja, mas...
foi inevitável! *poooof* ! Caí dura.
Posted by: Thania at novembro 22, 2005 6:15 PM
Sim, começamos e é só o começo!
Botou no correio hoje?
:*
Posted by: Giu! at novembro 22, 2005 5:59 PM
Biajoni Gump, O Contador de Histórias!!!
hahahahahahaha
Ótemo!!! ei, as fitas tão dominando tudo no som do meu Uno 98!!!
Abs
Posted by: Thiago at novembro 22, 2005 5:53 PM
oi, ops, sorry, pensei que seu livro estava sendo lançado lá na OCA tb...desculpe...
Eu sei que vc vai me perdoar Toninho....com carinho
Gi
Posted by: Gi at novembro 22, 2005 5:28 PM
olá, Bia, sósia do Antonio Banderas, uuuhhhuuuu, párabens pelo lançamento do seu "Sexo anal", mas....infelizmente eu e a Gabi, não somos namoradas...rsrs.
Mas, acho que se a gente resolvêsse tentar dava muito certo!!!
A gente já se ama, porém, ela conheceu um homem, sabe...e eu outro homem, que têm uma coisa assim, uma coisa protuberante, saca?
E aí nosso caso dançou...rsrs
beijão
see you
Posted by: Gi at novembro 22, 2005 5:23 PM
Bia, como me divirto com seus relatos!!! Impagável, lindo!!!!
Beijocas,
Posted by: Cipy at novembro 22, 2005 3:56 PM
Huahauhauahuhauhauhuahauh
morri de rir do texto!
=p
OTEMO!!!
queria ter ido com vois-mi-cê!
pena que nao deu!
super engraçado!
um bjao =******
saudades ♥
Posted by: Belle at novembro 22, 2005 3:21 PM
O piloto automático do Uno é ótimo, não? Tive um Uno 94 que também sempre me levava pra casa sem problemas.
Só não pode esquecer de fazer a revisão a cada 10.000 km. Porque se um dia o piloto automático falha, a coisa pode ficar feia! :-)
Abraço.
Posted by: Ricardo Antunes da Costa at novembro 22, 2005 3:19 PM
Errata da primeira frase: "mas vá lá".
Posted by: Milton Ribeiro at novembro 22, 2005 2:39 PM
Muito legal O RELATO. Discordo de alguma coisa mas não vá lá.
O Gejfin teve um chilique (verdade!) quando soube que eu não trazido nenhum Sexo Anal - um exemplar, bem entendido - para ele. Dê um jeito.
Adorei a Gabi e a Patrícia! (e a Pierella) A Olivia já era conhecida e é uma gracinha ao vivo.
Passo reto sobre os elogios a minha estonteante beleza (?), só digo que amaria se mais mulheres concordassem. (Ou amaria mais se se mais mulh...)
Cara, falando com toda a seriedade: entendi o motivo de todo mundo gostar de ti: tu É mesmo o máximo; não há papo desinteressante para ti. De goianas putas à Bergman e Mann, há diversão. Gosto de gente assim.
Gigantesco abraço.
Posted by: Milton Ribeiro at novembro 22, 2005 2:38 PM
"Goiana é tudo PUTA. pode ver! em todo puteiro que eu vou (e eu sou um CUSTOMER de POUTEIROS) as MAIS putas são sempre GOIANA!!!"
Luiz Biajoni
"Não são TODAS as goianas que são PUTA, são só as MAIS GOIANA!"
Luiz Biajoni
A merda é ficar com a fama de que eu é que fico esculhambando as goianas.
Como se precisasse.
Posted by: Rafael at novembro 22, 2005 2:35 PM
Patrícia, estou imaginando essa frase com o devido sotaque: cairrrrpiiirrr!
Posted by: Guto at novembro 22, 2005 1:02 PM
É, viado. Pelo relato eu sou uma goiana, gostosa, lésbica e burra. Que demais... (tirando a parte do goiana, lésbica e burra, o resto é a mais pura verdade...)
E eu gosto de Von Trier!!! Mas dormi no Bergman...ARGH!!!! Eu odeio Brahms, mas adoro Brhamas!Na verdade, eu pruefirow meláon!
Tú não vale seu Uno véio, Bia.
Posted by: Gabi at novembro 22, 2005 1:00 PM
Hahahahaha! O comentário do Nélson foi o melhor. :P
Gentes, como adorei estar lá com vocês. Bia, você é sempre uma companhia excelente. Manda um beijão pra Karen, que eu queria muito ter revisto.
Seu relato tá ótemo (e um 'cadinho grande, tive que ler em três partes!), morri de rir..
E a melhor frase daquele sábado na Oca, no lançamento dos nossos queridos, foi dita por você: "Com tanta rua pra carpir no país, este povo inventa de fazer blog!!" Hahahaha!
Beijos procês tudo. :)
Posted by: Patrícia Köhler at novembro 22, 2005 11:53 AM
É uma verdadeira caderneta de campo, diário de adolescente...
Peraí, tô tentando elogiar...
Duca!!!!!!1
Muito bom e olha que eu tenho saco de ler textos longos em blogs,mas este realmente foi legal.
Posted by: CLARK KENT at novembro 22, 2005 11:13 AM
Biajoni: Nelson, por que tem tanta puta originária de Goiânia?
Nelson: É porque elas saem de Americana e vão pra bem longe, evitando passar vergonha na família!
(ESTA parte foi editada. Protesto!)
:-))
Posted by: Nelson Moraes at novembro 22, 2005 9:49 AM
Brilhante, como sempre.
Parabéns pelo texto. Muito bom!
abraço.
Posted by: marcelo at novembro 22, 2005 2:42 AM
A pizza tava uma delícia! Mas somos uns fracos, de 60 cervejas, bebemos umas 8!
Posted by: Donizetti at novembro 22, 2005 12:32 AM
Isso não é um título de post... está mais para título de alguma música perdida do Sufjan Stevens !
Posted by: marcos at novembro 22, 2005 12:16 AM
Ai, ai, eu sabia que iria me arrepender de não ter aceitado o seu convite... A-MEI o relato. Aliás, seus melhores posts são os relatos de viagem!!!
Posted by: Viva at novembro 22, 2005 12:00 AM
Putaquepariu iu iu! Ficou massa e vai dizer, né? Olha... dá um jeito de matar o Douglas em segredo. Tem que ser um crime perfeito.
Posted by: Mônica at novembro 21, 2005 11:55 PM
E o Douglas? Tá vivo?
Posted by: Guto at novembro 21, 2005 11:52 PM
Será que é tão difícil entender que as roupas têm que ficar sempre no mesmo lugar, de acordo com a cor e a classificação ("de sair", "de trabalhar", "de usar em casa") e os todos os cabides têm que estar virados pro mesmo lado?
Ai, viu.. assim até parece que eu tenho TOC ou sou meio neurótica...
tsct tsc tsc..
Posted by: Mariana at novembro 21, 2005 11:11 PM
Cara, preciso de um carro igual o seu pra me levar de volta pra casa também. Bela narrativa...
Posted by: wilson at novembro 21, 2005 10:22 PM
Ainda tem pizza aqui, quer?
Posted by: Olivia at novembro 21, 2005 9:45 PM