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setembro 14, 2005

a voga do sexo anal

Eu tenho um livro ainda inédito com o algo chocante título "Sexo Anal - Uma novela marrom". Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de um romance gay muito menos de um manual para a prática de tal modalidade sexual. O sexo anal, nesse livro, apenas costura histórias de pessoas comuns que amam, odeiam, têm problemas, frustrações, sofrem abusos ou os cometem... São escriturários, jornalistas, publicitários, advogados, criminosos, gente como a gente. Fora a idéia mais, digamos, pretensiosa, de querer aplicar ao romance fundamentos do dito "jornalismo marrom" - na exploração do sexo e crime para mostrar a condição humana -, "Sexo Anal - Uma novela marrom" parte de conversas e observações minhas sobre o fim de todo conservadorismo nas relações sexuais de pessoas normais - e como muitos exploram as "coisas do sexo" de forma a manipular parceiros e situações. Sexo, no fim, é uma forma de manipulação também - quer seja através da mídia, quer seja no nosso cotidiano de inter-relações; mesmo entre quatro paredes.

(Mas Biajoni, você vai fazer uma resenha de seu próprio livro, ainda inédito? Respondo: não)

No caderno "Ela" do Globo de 10 de Setembro li uma interessante resenha da autobiografia da bailarina australiana Toni Bentley, chamada "A Entrega - Memórias Eróticas" - sucesso literário lá fora. Nele, ela fala da "libertação física e espiritual encontrada por meio do sexo anal". Diz a autora: "Sexo anal tem a ver com cooperação num esforço de política aristocrática, envolvendo hierarquia rígida, posições feudais e atitudes monarquistas", ufa!

BentleyHome0.jpg

Toni Bentley não é uma qualquer e na necessidade de racionalizar seu desejo partindo da emoção física, fala certamente menos de sexo anal "em si" e mais de formas de manipulação sexual, entrega e domínio, anulação do ego em relações, exposição corpórea e coragem. "Ao descobrir o quanto sou capaz de me submeter, vi como é grande meu poder", diz.

O total domínio do corpo e a disciplina da profissão, depois de 10 anos na companhia de George Balanchine no The New Tork City Ballet, fizeram com que a submissão sexual se tornasse uma obsessão para ela - que anotou as etapas do processo, como na preparação de uma dança sofisticada, num diário; base para o livro.

BentleyHome1.jpg
(Bentley com Balanchine)

O resultado final tornou-se sucesso de vendas mas também despertou a ira das feministas, segundo a matéria d'O Globo. "O livro deixou muita gente nervosa. [...] Para muitos foi um desafio escrever sobre ele porque, de certa forma, revela algo da sexualidade. Numa sociedade puritana, os editores ficaram com medo de falar dele e serem atacados pelas feministas [...]. A idéia de submissão que está envolvida no sexo anal é abominada por muitas mulheres, principalmente pela americana, que lutou duramente pela igualdade. Dessa forma estariam abrindo mão de algo que conseguiram. [...] Na mídia muitas tentaram zombar do livro, dizendo que ele era engraçado e que eu era louca. Nenhuma mulher quis se identificar comigo. É isso que me surpreendeu: achei que o livro seria aceito pelas mulheres porque é uma mulher contando o que aconteceu a ela. Mas elas se sentiram ameaçadas. [...] (A submissão) é parte da minha natureza. [...] Quero alguém que seja mais inteligente que eu, melhor do que eu, alguém que queira me submeter. Você tem que ser forte para se submeter".

É estranho que pessoas se prendam à questão sexual diante de frases como essa, já que se podem aplicar ao cotidiano geral de relações interpessoais. Não li o livro ainda, mas fiquei fã da moça.

Toni tem, além desse, quatro livros elogiados pela crítica.
Numa página de arquivo de recomendações d´O Indivídio, ele DESRECOMENDA um dos livros de Toni Bentley, "Sisters of Salome" através de um artigo do New Telegraph, então esse também deve ser bom.

"A Entrega - Memórias Eróticas" chega nesse final de semana às livrarias.

...

O último disco de Bruce Springsteen, "Devils and Dust", sofreu pressão por parte da indústria e de feministas por conta de uma canção,"Reno", sobre um cliente que quer pagar a uma prostituta por sexo anal. O músico foi firme e não a excluiu do disco, sofrendo boicote na execução das músicas de trabalho e apresentações em TV. Isso mostra que o puritanismo ainda encontra (amplo?) espaço na mídia e nas artes, mais a propósito quando se fala em sexo. As feministas parecem ter lutado por direitos e aberturas mas agora se posicionam como agentes reacionárias?

bruce-springsteen-devils-dust1.jpg

1 - Esse texto é uma reflexão que tem muito a ver como o meu livro que, no momento, passa por análise em algumas excelentes editoras. Se o leitor amigo desse blog quiser comentar - e eu gostaria muito! - por favor, poupe-nos de gracejos, piadinhas, trocadilhos e grosserias de conotação puramente sexual. Obrigado.

2 - Esse cara lê pacas e achou meu livro "do caralho". Obrigado, Fernando.

UPDEITE:
3 - E o GRANDE ricardão também leu meu livro e achou melhor que "Dinorá", do Dalton Trevisan! fiquei MOLHADINHO!

Posted by biajoni at setembro 14, 2005 5:29 PM

Comments

potuguesinha TARADA, vai dizer?
:>)

Posted by: Biajoni at novembro 21, 2005 1:28 PM

olah isto esta uma merda procurei no google sexo muito forte e aparece-me isto quero sexo sexo verdadeiro até nçouquecer foddase vaiam cagar

Posted by: ana at outubro 29, 2005 8:01 PM

Absorver os movimentos do outro, em total sincronia, não é submissão, mas liberdade. Todo domínio é liberdade.
Salve, salve!

Posted by: Elenara iabel at setembro 25, 2005 1:16 AM

sabe bia, essa moça é interessante... mas como eu sempre digo: homem pra mim tem q ser mais macho do que eu!!! e olha lá que eu nao sou gay. Só uma maneira de me expressar pela tal submissão... novidades da feminilizaçao do mundo!!! beijocas

Posted by: luluzita at setembro 18, 2005 11:02 PM

Jesus! de onde surgiu essa cedilha?!

Posted by: Lou at setembro 16, 2005 2:51 PM

Agora estou doidinha pelo Sexo Anal...diz ae como faço para çonsegui-lo. O livro, refiro-me ao livro...

Posted by: Lou at setembro 16, 2005 2:46 PM

E então, como uma simples mortal faz para ler??? Pode liberar a pontinha (ai, não resisti) do primeiro capítulo???
...
E a dominação feminina: papo de quem não dá. Esse lance de regular o arrièrre pra demosntrar um posicionamento (uiiiiii), uma visão de mundo só traz frustração. Mas há a questão da dor (aiiiiiii) existencial tb, né? Um abraço.

Posted by: Charô at setembro 16, 2005 2:31 PM

Caçou sarna, agora se coça!
Vai ter que fazer uma enoooorme lista de todos que leram e gostaram. Por ordem alfabética, eu primeiro.

Posted by: Allan at setembro 16, 2005 12:30 PM

Submissão não. Concordo com a Viva quando os dois querem sem discussão.
Vou guardar um $ pro livro.

Posted by: Simy at setembro 16, 2005 10:24 AM

os MELHORES comentaristas da BLOGOSFERA, vai dizer?

Posted by: Biajoni at setembro 15, 2005 4:28 PM

A meu ver tudo é permitido entre quatro paredes desde que os dois (ou mais,rs) estejam de acordo. Submissão é, por exemplo, o estupro. No mais, o que Bentley chama de submissão nada mais é do que um joguinho sexual onde ela encarna o papel de "mulherzinha" dominada. Nada contra. Aliás, não é mesmo uma delícia poder viver vários papéis no sexo e, assim, se libertar?

Posted by: Viva at setembro 15, 2005 12:39 PM

Pois é Bia,

toda vez que penso em feminista penso em mulher mal amada, mal comida e ressentida com as que não são. E são estes movimentos ridículos, estes boicotes absurdos que me faz ter este pensamento preconceituoso.

Sim, pq tão ridículo qto uma feminista achar que tais textos, músicas e atitudes que enaltecem o sexo anal são uma afronta aos direitos femininos, é o meu pensamento sobre as tais "mal comidas".

Teu comentário sobre o livro da moça me deixou com água na boca. Amo ler uma boa sacanagem desde que bem escrita. E se por trás (ooooops, falar essa expressão perto de vc é risco... risos) ainda tiver um contexto libertário, melhor ainda!

Beijos!

Posted by: Beth Vieira at setembro 15, 2005 12:17 PM

Bia, aqui em Sampa saiu uma matéria na Folha sobre a moça, e também fiquei bem interessada. Você leu? Caso queira, te mando por email.
Estou terminando de ler seu livro (comecei anteontem), achava que lia bastante até ver a lista do moço e realmente, estou considerando do caralho! Mas quero te dar uma opinião melhor quando termina-lo.
Beijo,
Giu.

Posted by: Giu! at setembro 15, 2005 10:40 AM

Bia, li a matéria no jornal O Globo e fiquei pasma com essa ira das feministas porque não vejo sexo anal como submissão ou qualquer coisa do gênero. Acho apenas que é unica e exclusivamente mais uma modalidade de sexo. Achei a autora uma mulher bonita e interessante, no entanto achei que encontrar a "libertação física, psicológica e espiritual através do sexo anal" é meio esquisito. Segundo a entrevista, ela passou a ter verdadeira obsessão por sexo anal e eu não consigo entender como alguém obsessivo pode se libertar. No mais acho que esse discurso das feministas datado porque cada um faz o que bem entende da sua própria vida. Beijocas

Posted by: Yvonne at setembro 15, 2005 8:55 AM

Bia...dias atrás também li sobre a Toni Bentley e seu livro na Ilustrada (da Falha de SP), e fiquei com muita vontade de ler.
Não curto muito alguns movimentos feministas (feministas ferrenhas são malas, vai dizer?), mas esta Toni me pareceu muito sensata, nada panfletária.
Quanto ao sexo anal, se for praticado sem a anuência das duas partes, é um desprazer. Aliás, não só anal, mas qualquer tipo. E nem só sexo, mas até beijo na boca! Ou rola tesão em todos os envolvidos, ou esquece...
E eu não vejo a hora de ver o SEU Sexo Anal nas prateleiras! :)

Posted by: Patrícia Köhler at setembro 15, 2005 2:27 AM

Pelo jeito tá na moda. Rolou sexo anal até na novela das 7 da Record. Donzelas pagando dívidas sem deixar de ser donzelas. Interessante...

Posted by: Dani-PE at setembro 15, 2005 12:51 AM

Talvez devessemos pensar, também, no quanto certos posicionamentos não são puramente marketing. Hoje em dia é difícil diferenciar opiniões verdadeiras de falas combinadas com o editor. Essa de "você tem que ser forte para se submeter" está muito forte!!!

Posted by: afonso at setembro 14, 2005 9:05 PM

Tive uma namorada que dizia que no seu tempo de faculdade, a palavra de ordem das moças era: "Sexo anal derruba o capital !".

Bem, como o prova a Igreja Católica norte-americana, o único sexo anal puro é o entre homens, de preferência com muitos anos de idade entre eles. Grego, isso, vai dizer ?

Eis um trecho interessante da entrevista da Bentley na Salon:

"Do you think feminists are going to be ticked off by your book?

My book owes everything to the feminist movement. I am a product of that. I am a woman who had this experience that was very unconventional ... I am interested in my sex: in experiencing it and in the powers it holds for me. I am interested in our freedoms: You're a woman and I'm a woman having this conversation about this kind of book -- this is fantastic! But I think some women will protest the obvious things that I am talking about: submitting or surrender. I say feminism gave me the freedom to submit. Isn't this what we all want from feminism? The ability to choose conventional monogamy is a great option but not the only option.

And my ability to submit -- I wouldn't have been a woman who could have done that even 10 or 20 years ago."

Posted by: smart shade of blue at setembro 14, 2005 8:20 PM

Eu também já fiquei fã dela, Bia, só de ler seu texto. :)
Mulherão!

Posted by: Mônica at setembro 14, 2005 8:14 PM

Eu também vejo um ranço conservador e anti-erótico em alguns pronunciamentos feministas. Não convém generalizar, mas em várias ocasiões eu já li que a presença da mulher na pornografia "degrada sua imagem".

Sim, existem vezes em que a libertinagem é usada contra a mulher. Já escrevi isso no meu blog, sobre o quanto que me doía nos ouvidos um ator do "teste de fidelidade" da TV ficar chamando sua fictícia namorada de "vagabunda".

Mas, no geral, a pornografia, ao mostrar uma "submissão consentida" da mulher, só mostra o que acontece na prática. Vamos ser sinceros: muitas mulheres gostam, no jogo do sexo, de serem submetidas -- é algo prazeroso para ambos na relação. O inverso, aliás, também é verdadeiro em alguns casos.

Não dá pra extrair posicionamentos políticos pelo que acontece entre quatro paredes -- ou mesmo entre os quatro cantos de uma tela de home theater.

Posted by: Marcus Pessoa at setembro 14, 2005 8:10 PM

e que mulher linda! que foto linda essa deles dançando!

Posted by: Mônica at setembro 14, 2005 8:10 PM

Bia... esse texto tem a ver com umas coisas que às vezes passam pela minha cabeça. Tenho ficado com vontade de ler sobre sexo.

Bom, amanhã eu comento com calma...

Puxa... :)

Posted by: Mônica at setembro 14, 2005 8:03 PM

Acho meio perigoso fazer essa generalização sobre as mulheres americanas. Com certeza o sexo anal deve ser uma prática muito comum dos casais por aqui, o país inventor do gel KY.

Para as mulheres que sentem prazer com essa prática, não é submissão. Já as que não gostam e sentem muita dor, realmente não devem fazer obrigadas.

Recentemente, um político americano cristão fanático e moralista foi acusado pela ex-mulher de subjugá-la durante anos a fazer sexo anal quando ela não queria. Aí, sem dúvida, torna-se violência contra a mulher, estupro mesmo.

Posted by: Leila at setembro 14, 2005 7:51 PM

Vale lembrar, Biajoni, que, nos EUA, o sexo anal é crime em vários estados. O Smart seguramente terá uma bem informada explanação sobre o assunto. Aqui, no país das bundas, sempre me pareceu que essa prática estava mais associada 1)à defesa da falsa virgindade, pelas moças não tão moças que ainda levam isso em conta mas não abdicam de uma brincadeira 2)ao gosto da mulher mesmo, para gáudio do parceiro adepto da coisa. Agora, achar-se poderosa ao descobrir o quanto é capaz de se submeter é forte, muito forte. Poderosa, é? Hã hã.

Posted by: S leo at setembro 14, 2005 7:14 PM

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