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agosto 16, 2005

torrente de posts - uma novela multicor (finalizada)

ou todos os super-heróis blogueiros em belrizonte ou não há nem nunca haverá ácido suficiente ou relato real de um encontro no salão do livro de beagá

quinta-feira, 7h

Já fazia meia hora que Mônica tentava acordar o marido, Guto. O combinado era que ele a deixasse no supermercado logo cedo, quando fosse para a faculdade e a apanhasse quando saísse, por volta de 22h45. Ela tinha que fazer umas "comprinhas", como ela mesmo dizia. Não, a Mônica não é nenhuma consumidora compulsiva. Pelo menos não de produtos que se vendem em supermercados, como veremos adiante. Ficar quase 16 horas dentro de um Carrefour, nesse caso, não era uma tarefa simples, não era uma missão corriqueira "do lar". É que no dia seguinte ela ia hospedar uma pessoa e estava se sentindo um pouco, digamos, "insegura".

- Mônica... o Bia é um cara simples!
- Eu sei Jujujujuis!

Ela tem essa mania, de chamar o marido de Jujujujuis na intimidade.

- Mas ele vai ficar aqui quatro dias e nós estamos COMPLETAMENTE desfalcados!

Às vezes ela fala em CAIXA ALTA.

- Estou ARRASADÍSSIMA!

E foi para a cozinha tomar o desjejum: quatro cápsulas, cada uma de uma cor.

Bem longe dali, um bancário paulistano cumpria a tarefa cotidiana de se espremer num ônibus lotado em direção ao trabalho. Nessa manhã, havia complicações: ele estava com duas grandes malas e uma grande preocupação: conseguir uma dispensa para o dia seguinte. Alexandre Inagaki, ou apenas Ina para os amigos, era um dos três convidados do Salão do Livro de Belo Horizonte, cidade de Mônica e Guto.

Diferente dos padrões nipônicos, Ina é alto e se porta como um latino cantor de salsa de algum clube de Miami - e esse "joie de vivre", somado à bagagem, chamava a atenção. Era indisfarçável o sorriso pequeno nos lábios e os olhos mais apertados que o costume. Era satisfação pelo convite.

No Rio de Janeiro, a terceira capital estadual desse desenrolar de ações matinais, Viva tentava contato com Bruno - mas não conseguiu. Ela não sabia que garotos desocupados, praticantes de jiu-jitsu, geralmente acordam próximo do almoço e fazem apenas uma refeição com carboidratos e anabolizantes: não é bom se entupir de comida quando se quer ter massa e não gordura.

Ambos são blogueiros e cogitavam escapar para a capital mineira na sexta, para ver o debate sobre blogs capitaneado pelo professor e amigo virtual Idelber Avelar.

Idelber, que também é mineiro mas mora nos States, passa temporada na capital. Ele roncava copiosamente nesse mesmo horário, com sua touquinha vermelha. O inconsciente sonambúlico projetava sonhos que mostravam que ele estava levemente preocupado com o que ia dizer no dia seguinte, durante o evento.
touca do idelber.jpeg
quinta-feira, 9h

As luzes fluorescentes do supermercado refletiam nos óculos e confundiam ainda mais a Mônica, em meio a tantos produtos. Em cada gôndola ela parava de-mo-ra-da-men-te e ficava se perguntando se o produto X ou Y ou ainda o Z ia agradar ou ser útil durante a estada de Biajoni. Biajoni era amigo virtual, parceiro de intermináveis conversas no messenger, pretenso blogueiro, que havia decidido no correrio dar um pulo em BH para conhecer o casal mineiro e rever alguns outros amigos, como Idelber e Ina.

Fazia muito que Mônica e Guto não hospedavam alguém e conheciam a fama de chato e "sofisticado" (sic) de Biajoni - e isso a deixava em pânico.

Parou na gôndola de maioneses e começou a ler os rótulos e observar as composições dos produtos e checar datas de validade e só se decidiu por um pote de Hellman's quando já eram 11 horas - duas horas depois.

Ufa! Aquela missão era uma missão mais que impossível para Mônica!

Na sala de aula, tentando responder à saraiva de perguntas absurdas sobre a situação do PT, Guto se via pensando na mulher e de quanto seria o cheque que ela iria preencher ao fim de tão transtornada missão.

Corta.

- Alexandre... - no banco, Ina era conhecido pelo prenome - quem está interessado em blogs? Isso é coisa da garotada! Você precisa parar com essas coisas, já é um trintão!

Esse era o Jaime, gerente do banco.

- Ma... Mas... - uma certa gagueira castrista tomava conta do blogueiro em situações assim - o encontro em BH é justamente para começar a mudar esse... esse... paradigma!
- Lá vem você de novo com palavras difíceis! Você sabe que a sexta-feira é o dia mais complicado aqui! Não posso te dar dispensa!
- Jaime...

A situação se complicava - e Ina começou a pensar em ligar para Idelber e pedir que alguém o substituísse no evento.

Em Sampa, já era quase meio dia quando Viva conseguiu contato com Bruno.

- Vamos pegar o ônibus hoje à noite...
- Viva... eu já tomei meus polivitamínicos... se você quiser... nós vamos agora... e A PÉ!

quinta-feira, 14h

Biajoni suava em bicas em pé no acostamento da rodovia Anhanguera, em Americana, São Paulo, tentando avistar com parcos olhos o carro com a logomarca. Ele havia conseguido uma carona para BH. Quase uma hora depois, quando todas as caspas já haviam virado mandiopã, o carro apareceu. A constatação: o referido não contava com cd-player: seriam mais de 8 horas de viagem tentando sintonizar rádios que intercalavam o último sucesso do Skank calcado numa levadinha beatle, a versão da Kelly Key, “barbie-qualquer-coisa”, e músicas mineiras chamadas “de raiz” e, que por isso, deviam ser denominadas, para facilitar, de “mandioca-music”. Não fosse o último do Tom Wolfe na mala (“Ficar ou não ficar”) a viagem seria comparada aos primeiros sete círculos da epopéia dantesca.

No Carrefour da Pampulha, Mônica vivia um dilema na seção de higiene: qual espuma de barbear compraria para servir o hóspede? Foram gastos exatos 106 minutos para que ela escolhesse e colocasse dentro do carrinho o terceiro ítem. Os outros dois eram o pote de Hellman’s e uma garrafa de Domecq. Talvez fosse necessário um pouco mais que 16 horas, pensou.

domecquinho.jpeg

No caixa do banco, se esforçando para colocar toda as faces das notas para o mesmo lado, como manda a circular 346/01, Inagaki teve o que chamamos de uma “presença de espírito”. Lembrou que a filha de Jaime, Anelise, de 16 anos, era blogueira miguxês e eventualmente freqüentava o seu blog, o “Pensar Enlouquece”. Baixou no japa um Chico Buarque da ditadura: “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!”.

No Rio, Viva achou melhor não ir a pé até BH. Combinaram apanhar o ônibus das 23h30. Mas ela, sendo viúva, tinha outro dilema a resolver: como explicar aos dois filhos adolescentes que ia matar o trabalho na sexta e ia se mandar para BH com um garotão cabeludo para se encontrar com pessoas que sequer conhecia direito? E mais: o garotão se dizia produtor musical de bandas heavy-metal! E seus filhos, como pessoas bem educadas que são, simplesmente ODEIAM heavy-metal!

quinta-feira, 15h45

O celular do Guto tocou no exato momento em que ele explicava a importância de Marx e Freud e o impacto das idéias deles no pensamento ocidental no início do século XX. Os alunos dormiam, mas alguns chegaram a acordar com o toque alto.

- Mônica, tou no meio da aula!
- Jujujujuis... é que eu tou com um problema aqui... Será que o Bia gosta de abacate?
- Aba...?
- É... Pensei em comprar umas frutas, o abacate tá bonito... Ai, meu Deus! Tem TANTA variedade de frutas aqui que acho que vou ter um colapso!
- Mô...
- Ai, Jujujujuis... Minha vista tá turva, acho que tou com algum problema sério...
- Mô... calma... respira...
- ...
- O Bia não come frutas. Você não vê como a pele dele é toda amarelada e está descascando?
- Será?
- Compra só umas laranjas. Se ele não quiser a gente faz um suco, sei lá...
- Tá bom!

Ela levantou os olhos e viu sete baias com laranjas: pêra, lima, morcote, samba, mexerica, baiana e ponkan. Tirou um comprimidinho vermelho da bolsa e engoliu sem água. Respirou fundo e começou a pensar: qual das qualidades seria a mais apropriada.

...

- Fala, filha.
- Pai, você TEM que deixar o Inagaki ir para Belo Horizonte!
- Que?
- Você tem que liberar ele. Todas as minhas amigas estão mandando e-mails dizendo que o senhor é um canalha, que o senhor não liga para a cultura, que não entende nada de blóguis... estou super envergonhada!
- Mas filha...

Jaime olhou para o japa que atendia um aposentado, quase pôde ver uma auréola sobre sua cabeça. Continuou com a filha no telefone.

- Eu tou te pedindo, pai. O Ina é meu ídolo, minhas amigas adoram ele... E... se o senhor deixar ele ir... Ele vai indicar meu blog como blog da semana, com link e tudo!

“Japa filho-da-puta!”, pensou o Jaime. “Fazendo chantagem!”

- Tá bom, filha. Se isso é importante para você eu vou liberar ele!
- Oba! Minhas amigas vão achar o máximo!
- Tá bom, Anelise. Agora preciso trabalhar.

A viagem de Inagaki estava salva.

Mais de 600 kilômetros dali, Bruno se aquecia para pegar Fred “Matador” Jorge no tatame da “Academia de Fisioculturismo (sic), Musculação e Artes Marciais Animais da Tijuca”. O pessoal que estava ali para assistir estranhou a quantia exagerada de esparadrapo com o qual o jovem havia coberto as orelhas.

- É que tenho um compromisso amanhã e não posso aparecer com as orelhas detonadas...

Risinhos d’escárnio apareceram aqui e ali e Jorge Matador escarrou no chão – isso era uma afronta. Bruno “Fuck Yoga” Freitas ajeitou o calção e entrou no tatame com uma voadora mortal no peito de Fred, atirando-o longe. Invocando um Sawamu rápido, pulou e aplicou o famoso "chute no vácuo com joelhada" na cara do rapaz, que não se levantou mais dali. Nunca mais se levantou de lugar nenhum!

sawamu joelho.jpeg

Viva chegou em casa mais cedo para arrumar a mala e conversar com os filhos. Um deles estava deitando no sofá lendo filosofia alemã. A menina estava no quarto, ouvindo o disco novo do Moacir Santos. Viva suava frio.

Reuniu ambos na sala e improvisou.

- Bem, crianças... eu tenho algo muito, muito grave para dizer a vocês...
- ...
- Estou indo para Belo Horizonte hoje...
- ...
- Vou fazer um favor a uma grande a amiga...
- ...
- A Claudia... Claudete! Claudete!
- ...
- O filho dela está envolvido com drogas pesadas, vive ouvindo rap (é rép que se diz, né? Hehehe) ahã... e heavy metal... e parece até que já injetou no próprio corpo uma daquelas vitaminas para engordar touros... vocês já ouviram falar disso?
- ...
- Uma coisa nojenta, né?
- ...
- E... e... ele é perturbado, acha que foi abduzido por Ets...
- ...
- E... um dia desses a Claudia... a Claudete! Claudete! Ela me contou que ele... ãn... ele estava querendo fazer balé clássico!
- ...
- É! Vocês acreditam? O cara é ó... – rodou um indicador numa orelha – tantã! Lelé da cuca meeeeeesmo! Hehehe...
- ...
- E a Claudete tá com um monte de problemas e pediu que eu levasse ele até Belo Horizonte pra ela, pra... ahã, internar ele numa clínica especializada que tem lá... essas coisas...
- ...
- Tá bom? Tudo bem? Vocês vão ficar bem aqui, né? Posso ir numa boa, né? É por uma boa causa, eu DAVA TUDO para não ir... odeio viajar, ainda mais de ônibus, vocês sabem... eu enjôo!
- ...
- Ai, preciso lembrar de comprar o Dramim! É!
- ...
- Então eu vou hoje, lá pelas onze, tá? Tudo bem por vocês, né?
- ...
- Tá bom, dêem um beijinho aqui na mamã... domingo eu tou de volta.

Ele beijaram a mãe e cada um voltou para sua atividade anterior. O mais velho fez um sinal com o indicador em volta da orelha para a irmã e piscou um olho.

quinta-feira, 19h

Cerca de sete pessoas abanavam e serviam água com açúcar para a Mônica, que estava deitada no chão frio de um dos corredores do Carrefour.

Sentindo-se um superstar, Inagaki apanhava um táxi que o levaria para o Aeroporto. Ia embarcar às 21h para BH.

Biajoni tomava um café e fumava um cigarro em companhia do casal que se servia de queijo de minas e pedaços de doce de leite num restaurantinho de beira de estrada pouco à frente de Pouso Alegre, enquanto ouviam com entusiasmo a dona do local dizer como era maravilhoso ter aquele restaurantinho ali, como a cidade era ótima, como o estado era fantástico e como acreditava que Aécio Neves seria o próximo presidente da república.

O americanense teve um pequeno desarranjo intestinal mas achou melhor não arriscar entrar no banheiro do local. Dirigiu-se para o carro abandonando a conversa aos peidos.

quinta-feira, 21h36

Idelber tinha recebido a confirmação e foi apanhar Ina no aeroporto. O terceiro vértice da apresentação do dia seguinte era Fal Azevedo, que estava chegando de ônibus. Passaram para apanhá-la e foram comer um lanche e discutir a participação no Salão do Livro.

Sem saber, Biajoni chegava à cidade. Acompanhou os amigos em uma busca desesperada por um hotel; todos estavam lotados. O Salão do Livro e uma inesperada Exposição de Materiais para Manutenção estavam agitando a capital mineira. Foram encontrar um pequeno hotel ao lado de um simpático restaurante, o “Casa dos Contos”, para onde foi Biajoni, ávido por chopps.

Procurou na agenda o número do celular da Mônica e pediu ao dono do restaurante para ligar. Não existe Claro em Minas, só TIM – e isso impossibilitava que o rapaz gastasse seus preciosos créditos telefônicos.

Mônica atendeu com o grito!

- Ai! Você veio mesmo?
- Ué... A gente conversou ontem... eu disse que vinha!
- É que... é que... eu achei que você pudesse desistir na última hora...
- Não. Tou aqui na Casa dos Contos, sabe onde é?
- Sei. O Juju... quer dizer... o Guto sai lá pras dez e meia e a gente vai praí.
- Tá bom!
- Bia...
- Oi...
- Você prefere atum moído ou em pedaços?

...

Na rodoviária de São Paulo, encontraram-se Viva e Bruno. Um problema inesperado surgiu: não havia mais passagens para BH. Um sentimento de total frustração se abateu sobre ambos.

- Eu vou nessa merda nem que tenha que roubar um carro - disse Bruno.

Eles ficaram em silêncio por quase um minuto. E saíram para a Avenida Cruzeiro do Sul atrás de um carro para roubar.

- Eu sei como se rouba um carro, Bruno.
- Eu assisti aquele filme com o Nicholas Cage, não deve ser difícil...
- Não, não... deixa comigo!

Viram um Corsa vermelho parado na frente de um Bingo e olharam em volta: ninguém! Viva encostou-se de costas na porta do motorista, abaixou um pouco, e deu uma bundada na lataria – coisa que, impressionantemente, fez o pininho da trava pular. Bruno esfregava os olhos, embasbacado, e o tempo que ele gastou para dar a volta e entrar no veículo foi o suficiente para que Viva fizesse uma ligação direta e ganhasse o asfalto. Em poucos minutos, eles estavam na Dutra.

(a viagem de Viva e Bruno – diretor convidado: Robert Rodriguez)

Depois de quase duas horas de estrada, onde só se via escuridão e, raramente, pequenas luzes aqui e ali, casinhas no meio do nada, chegaram a um posto de combustíveis. Encheram o tanque.

Ao lado, um restaurantezinho servia caminhoneiros. Decidiram entrar para comprar uma água, usarem o banheiro.

Caminhoneiros bebiam cerveja de quinta categoria, riam alto. O casal entrou chamando alguma atenção. Bruno dirigiu-se ao banheiro enquanto Viva encostava no balcão e pedia duas águas. A palavra “água” chamou ainda mais a atenção.

Ao entrar no banheiro, um susto: dois homens, em pé, inalavam um pó sobre um espelho... Mas não era cocaína... Era um pó vermelho! Ele fez que não viu e foi para o mictório, acionando seu sexto sentido: havia algo de estranho mesmo naqueles dois, naquele pó.
red powder 1.jpeg
Para lavar as mãos, Bruno teria que passar pelos dois. Cogitou deixar quieto mas, porra, ele era um campeão de luta livre! Se aqueles dois caminhoneirinhos de merda partissem para cima dele ele arrebentava com ambos num zap! Foi passando, olhou de soslaio novamente o pó vermelho sobre o espelho, ouviu a cafungada de um, e percebeu que um deles olhou fixo para sua nuca enquanto passava. Lutadores têm esse tipo de treinamento: sempre sabem quando alguém está olhando para suas nucas.

Ele lavava as mãos quando notou, de novo, algo errado: o silêncio lá fora. As risadas tinham cessado e uma quietude mortal tomara conta do local. Viva!

Ele virou rápido e sentiu a mão de um dos dois viciados em seu peito. Era uma mão magra, mas parecia feita de rocha. Ele sentiu alguma dor, mas inflou os biceps e soltou:

- Qualé, camarada?

O homem pálido abriu um sorriso e ele pôde notar os caninos! Vampiros! O local estava todo infestado de vampiros caminhoneiros da divisa entre Rio e Minas Gerais; os mais perigosos de todo o Brasil, segundo Anne Rice!

Estava na hora de brincar! Abriu a jaqueta negra e deixou à mostra a camiseta vermelha, com sua insígnia própria de super-homem: o FUCK YOGA!

Os vampiros baixaram a vista para ler o que havia na camiseta e Bruno, com um só soco, arremessou ambos para fora do banheiro.

Ao sair, viu Viva: ela estava acuada no balcão, afastando uma horda de vampiros com um pedaço de garrafa.

- Aí, cambada! Vem pro pau!

Alguns vampiros voadores ergueram-se no ar e foram zunindo ao encontro de Bruno. (obs: Coloca aqui a música “Circus” do The Jam como trilha sonora)

Mas Bruno se enganou quando achou que conhecia Viva, e que ela não podia se virar. Ainda lutando, tentando se desvencilhar dos atacantes, ele pôde ver: Viva ergueu uma das mãos, olhou para o alto e gritou:

- Viva!

Um raio vindo dos céus arrebentou o telhado do local matando, instantaneamente, boa parte dos vampiros.

Ela olhou e piscou para ele, aproveitando o desnorteamento dos malditos.

Ele fez sua costumeira cara de Andreas Kisser e gritou: “Eu odeio Vampiros, principalmente o Gary Oldman!”. E partiu com fúria para os que restavam, esmagando todos com pedaços de madeira das cadeiras, que eram cravados no coração dos vampiros. Tchuk! Tchuk! Tchu-tchuk!

Ufa!

Bruno tomou Viva pelas mãos e saíram correndo de volta ao carro, em slow-motion.

(Voltamos agora à nossa programação normal)

quinta-feira, 23h

- Jujujujuis... Tou muito nervosa pra encontrar o Bia... Vamos fazer o seguinte: me deixa na rodoviária e eu vou pra algum lugar e você diz pra ele que eu fui raptada, alguma coisa assim...
- Mônica, você acha que ele vai cair nessa?
- Ué! Tanta gente é raptada hoje em dia! Olha... Pára naquele cruzamento ali um pouco: uma amiga minha foi sequestrada ali... quem sabe eu não dou sorte...
- Mônica! Pára!

O casal ia para a Casa dos Contos encontrar Biajoni. A Mônica sofre de certa ansiedade diante de encontrar amigos virtuais e já tinha tomado 4 das pílulas azuis.

O Bia estava com o olhar distante, quando chegaram: havia tomado 26 chopps. Os dois se aproximaram e ele levantou efusivo, abraçando e beijando os dois, causando certo embaraço para o dono do restaurante, constrangimento para os fregueses e total terror ao Juju... digo, Guto. As quatro pílulas tinham “batido” e a Mônica estava meio catatônica. Sentaram-se e beberam até perto de uma da manhã, conversando coisas meio desconexas.

Mais ou menos nesse mesmo horário, Inagaki chegou ao Othon Palace Hotel. Apanhou as chaves na recepção e, como estava no primeiro andar, resolveu subir pelas escadas. O Hotel era velho, mas mantinha um certo charme – como ele disse depois. Mas havia nele, no hotel, também certo ar de mistério. Era como se ele tivesse entrando em algum episódio antigo do “Scooby Doo”.

“Não duvido nada que encontrarei aqui um grande mistério. Não ficarei assustado se me deparar novamente com o fantasma do Barba Ruiva”, pensou o japa, engatando uma mão no queixo e o ar de um dos inúmeros filhos de Charlie Chan.

chan02.jpg

ATUALIZAÇÃO

sexta-feira, 1h

Biajoni chega ao apartamento de Mônica e Guto com UM grande temor: que o chuveiro deles fosse igual ao da Tata. Tata, blogueira carioca, abrigou Bia e Rafael Galvão por uma noite apenas – ambos puderam experimentar o chuveiro mortal da moça, de onde escorrem apenas dois míseros fios d’água. A brincadeira, fomos saber depois, é que ela fechava o registro e ficava escondida atrás de um espelho falso tirando fotos obcenas dos angustiados tomadores de banho. Algum trauma profundo conduz Tata a esse tipo de sadismo: Bia e Rafa não conseguiram chegar num consenso.

Mas, ufa!, o chuveiro de Mô e Guto era daqueles realmente bons, excelentes: muita água quente!

Enquanto Bia tira a inhaca de uma viagem de 8 horas mais uma bebedeira de cerca de quatro, o casal cochica subsequente à porta:

- Jujujujuis... será que ele vai gostar do chuveiro?
- O chuveiro é ótimo, Mô!
- Mas já criticaram o chuveiro da Tata... sei lá...

Biajoni sai do banho, coloca sua sunga dormitiva, espera tomar mais umas cinco ou seis latinhas antes de dormir, quando Guto sai-se com essa:

- Vem dar uma olhada nos CDs!

Mônica esfrega as mãos nervosamente. Um fluxo de sangue atinge-lhe a cervical e ela enrubesce. O motivo é simples: por sua culpa – sua PRÓPRIA culpa! – as capinhas dos CDs estão ali, mas os discos não. Ela tem uma mania toda subversiva de trocar as capinhas, e esconder os discos em gavetas; o que gera uma sensação de total insegurança em Guto. Essas coisas de casais mas, que ali, com eles, é amplificada.

Ótima coleção! Nossa, aqui temos um Talking Heads! (mas o disco não está na caixinha!) Olha: um Television! (mas o CD não está na caixinha!). Uia: esse do Jorge Bem eu não conhecia (mas não está lá!). Mônica vai chorar no banheiro.

Ficam ali bebendo e olhando as caixinhas, imaginando que sons maravilhosos eles poderiam estar ouvindo se os CDs ali estivessem. Guto tenta contar como são os sons, Biajoni tenta imaginar. Até que um galo canta e já passam das cinco da manhã e eles decidem dormir.

talking.jpg

A luz é fraca sobre a estrada e Bruno acredita estar em alguma espécie de filme de David Lynch. Os olhos lhe pesam, Viva ronca copiosamente ao seu lado, Belo Horizonte parece uma cidade fora do mapa. De QUALQUER mapa!

Bruxas pilotando vassouras voadoras passam por sua frente. Gnomos com camisetas da Elba Ramalho cruzam a estrada. O próprio John Carpenter aparece num trecho, pedindo carona. Bruno não pára.

- Sabe-se lá o que esses diretores bissextos querem da vida!

No Othon Palace, Inagaki abre sua mala, ajeita cui-da-do-as-men-te as roupas no armário, procura o pacote de bolachas waffer (no Rio chamam de biscoitos!) e senta na cama a comer. Tira a papelada do que espera dizer na tarde seguinte, durante o Salão do Livro: as letras embaralham-se. Ele tem um pressentimento. As coisas ali, em Minas e naquele hotel, não lhe parecem normais. Não lhe parece normal ter sido convidado para aquele evento. Tudo está fora do lugar. Como uma antiga música do Titãs!

Levemente bêbado, ele dorme. Mas liga o seu espectrômetro de fantasmas – um aparelho que ele mesmo desenvolveu depois de assistir pelo octogésima quinta vez “Ghost Busters!”.

Perto dali, Fal Azevedo, num hotel de segunda onde foi colocada (reparem: Inagaki viajou de avião e ficou no Othon, Fal foi e ônibus e ficou num hotel de segunda. Estranho, não?), cansada da viagem, apaga na cama. E Idelber procura no quarto o gorrinho vermelho, amigo inseparável das noites dorminhocas de BH.

Mas longe, muito longe dali, no espaço sideral, uma reunião sigilosa acontece. Dentro de uma nave, extraterrestres Q-zarm, cinzas, todos com cerca de 3 metros de altura e olhos que lembram Marty Feldman, falam sobre as complicações da tomada do Planeta Terra.

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(Os diálogos dos extraterrestres foram traduzidos com ajuda do “bicho tradutor” emprestado para este autor pelo Smart Shade of Blue)

- Os visitantes chegaram à Colônia!

Colônia era como eles chamavam Belo Horizonte.

- Não sabemos como podem responder aos nosso programa de clonagem... Qual será o primeiro?
- Temos que conduzir nossos experimentos com muito cuidado!

(Os Ets tinham planos de tomar o planeta e começaram por Minas Gerais, especificamente por Belo Horizonte. O motivo é simples: em BH todos falam EXATAMENTE IGUAIS, com o mesmo sotaque. A substituição de pessoas não acarretaria em um impacto muito grande, as pessoas não desconfiariam umas das outras, já que todas possuiam o mesmo accent. Bastava fazer clones idênticos, dar o MESMO sotaque e ninguém perceberia. Apenas dois tipos de belrizontinos eram imunes á clonagem Q-zarmiana: aqueles que usavam o antidepressivo Torazine e professores de sociologia. O Torazine impedia que a clonagem acontecesse por motivos químicos e também comportamentais: os Ets não conseguiam reproduzir alguém tão paranóico como os viciados no medicamento. Quanto aos professores de sociologia, os ETs não chegaram ao ponto sofisticado de clonagem que permitiria a um “substituto” tergiversar sobre a influência do cabelo do Roberto Carlos no temperamento adolescente durante a ditadura militar, por exemplo. Basicamente isso! E, assim, nossos amigos Mônica e Guto eram os poucos da cidade que ainda estavam imunes à clonagem extraterrestre.)

(Essa idéia foi roubada do filme de “Invasion of the Body Snatchers”)
(Continua a conversa dos Ets)
(Chega de parênteses!)

- Creio que consigamos copiar aquele tal Idelbér...

Os Ets eram incapazer de pronunciar o nome de Idelber da maneira correta.

- ...E aquela Fal Azevedo...
- ...E também esses dois que estão chegando... Bruno e Viva...
- Sim.
- Mas como fazer para clonar Luiz Biajoni?
- ...
- Aquele cara BEBE MUITO! Jamais conseguiremos um clone que beba tanto!

Os Ets ficaram pensativos. Até que um falou:

- Devemos clonar primeiro o Inagaki. Ele parece ser o líder desse bando! Todos pagam pau para o sujeito!

(O autor usa o termo “pagar pau” para melhor entendimento, já que a gíria Q-zarmiana para a expressão é “schunderbluns eistern” que significa “acariciar libidinosamente os joelhos do sujeito”)

Todos concordaram sobre a ação em cima do japaraguaio. E eles iam tentar isso naquela madrugada. Se tudo desse certo, haveria um ET entre os blogueiros famosos no Salão do Livro. E eles poderiam transmitir as idéias do GRANDE LÍDER TERRÁQUEO para todos.
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O Grande Líder Terráqueo Q-zarmiano, o primeiro GRANDE ABDUZIDO, fazia-se passar por blogueiro e era conhecido pelo absconso nome de... Achicarigudum! Achicarigudum, em língua Q-Zarmiana, significa “Apreciador de quindins de ovos” – ou algo parecido. Foi idéia dele, desse blogueiro do mal... desse Lex Luthor pantagruélico virtual... desse inseto gigante do mundo de Q-zarm... desse cara feio pra caramba... ufa!... de manipular a Secretaria de Cultura de Belo Horizonte para que ela convidasse os blogueiros. Havia uma possibilidade de aproveitar que todos estivesse na cidade para cloná-los todos. Talvez até mesmo Rafael Galvão, que estava no Rio de Janeiro, fosse ao encontro! Infelizmente para os Ets, Rafa não compareceu...

Clonando blogueiros que transmitissem as idéias da mente ascaridiosa de Achicarigudum, os Ets Q-zarmianos estariam a um passo da tomada do planeta!

E um indefeso Inagaki seria o primeiro a ser clonado naquela madrugada.

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sexta-feira, 5h

A cidade era um silêncio só e no apartamento de Mônica e Guto todos haviam desmaiado. Guto iria acordar dali duas horas para mais uma jornada de infrutíferas aulas.

No Othon Palace, Ets esgueiravam-se dentro de paredes antigas e grossas até o quarto de Inagaki. Sem que nosso herói nissei soubesse, eles começaram a tecer ali um clone do sujeito. O clone crescia enquanto sugava energia mental do pobre e cansado blogueiro. Formaram-se primeiro os pés, as pernas, a pélvis, o pinto (essa parte foi rapidinho!), a barriga gorda, o peito, os braços, o pescoço e... putz... a clonagem parou ali. O que teria havido?

- Que aconteceu? Não conseguimos progredir a partir daqui!

O motivo é simples, caros leitores. Inagaki tem um dos MAIORES QUEIXOS que se tem notícia em todo País, quiça no MUNDO! E a programação proporcional de clones Q-zarmiana não podia conceber um queixo tão enorme, tão desproporcional ao corpo.

A energia de Inagaki era sugada... Ele estava fraco e quase morto... O clone se preparava para se levantar com queixo torto e mole... A experiência extraterrestre não daria totalmente certo, mas pelo menos um dos artífices do encontro da tarde posterior estaria morto e acabado... Entre os Ets a sesnsação era de uma mistura de júbilo e frustração... raiva e conformidade. Foi quando, num átimo, adentrou pela porta desavisada do quarto de Inagaki, Fal Azevedo. Os Ets não viram, pois estava dentro da parede; mas ela foi até a cama onde o japa se encaminava para levar o óbolo ao barqueiro sombrio e o ressuscitou com essas palavras:

- AcoRda Inagaki! AcoRda Inagaki!

O japa acordou menos pelas súplicas e mais pelo machucado que o ERRE puxado de Bauru, pronunciado por Fal, lhe provocaram nos tímpanos.

- Vamos saiR logo desse LugaR antes que seja taRde!

Dentro da parede a clonagem parou. Os Ets ficaram sem saber o que havia acontecido. Inagaki tentou calçar as pantufas de ursinho Puff – ou uRsinhos Puff, como dizia a Fal (“não precisa calçaR o uRsinho!”) – e saiu cambaleante, quase sem forças.

pantufas do inagaki.jpg

O clone inagákico ficou lá, mofando e os Ets esgueiraram-se pelos corredores até ganhar o terraço do hotel e a nave. No hall, Fal contou sobre a visão que havia tido e como tudo estava lhe parecendo tão estranho e peculiar naquela cidade.

- Acho que tem um podeR bem estranho poR trás dessas poRtas!

Ina arrepiou.Não de medo, mas pela pronúncia da amiga.

sexta-feira, 6h32

O sol já estava alto quando Bruno e Viva chegaram à capital mineira. Os passarinhos cantavam, os matutos agachados junto às janelas faziam cigarros de palha e as vaquinhas faziam múúúúú.

Uma sensação de paz se fez presente em ambos. Agora era só procurar o apartamento de Idelber e descansar um pouco, se preparando para o GRANDE EVENTO.

ATUALIZAÇÃO DE SEXTA:

sexta-feira, meio-dia

- Bia, acorda! Vamor tomar no Redondo?

O rapaz abre os olhos lentamente. Quem o acorda delicadamente é o Guto. Encostada no batente da porta do quarto, olhando para dentro ansiosa, está a Mônica. Na cabeça do americanense, ecoa a frase... “Vamos tomar no Redondo?”. Ele esfrega os olhos.

- Que isso, Gutão! Eu sou espada!

O casal ri. Redondo é um tradicional bar da Pampulha, mas o ignóbil pretenso escritor não o sabia. A idéia era almoçar no tal Redondo, tomar algumas, e depois ir para a Serraria, onde acontecia o Salão do Livro. Lá, às cinco e meia, seria o Encontro de Blogueiros.

A quilômetros de distância dali, uma reunião de emergência era convocada. O Grande Líder Terráqueo dos Q-zarmianos estava preocupado pois nenhum dos blogueiros havia sido clonado até então. Uma ação mais enérgica seria necessária.

- Seus incompetentes! Nem o Inagaki vocês conseguiram clonar?
Senhor Achicarigudum, o processo ia bem. Mas o senhor reparou no tamanho do queixo do sujeito?
- ...
- Nossa clonagem proporcional geralmente têm problema com os seios das mineiras. Quando o processo se deparou com o queixo do Inagaki ele... enguiçou...
- ...E para piorar apareceu a Fal que o acordou.
- Vocês são uns imprestáveis!

Achicarigudum chupava um daqueles doce-de-leite em saquinhos e babava um pouco enquanto falava.

- Senhor... Esse problema da proporcionalidade... Acho que teremos também com Biajoni...
- ...O senhor viu o tamanho do nariz do sujeito? É descomunal!

O Grande Líder pensava. Foi quando entrou o cientista da missão, ele tinha um ar preocupado.

- Na verdade, senhor, acho que teremos problemas com todos.
- ...
- Não estamos prontos para fazer um clone que fale como a Fal. Os programas não conseguem aquele sotaque. O senhor reparou como ela fala “poRta” ou "maRgarina"?
- ...
- Quanto ao rapaz... o Bruno... ele se entope de polivitamínicos e estereóides. É um junkie! Durante o processo algo vai sair errado e o clone dele será um rapaz magro e raquítico – que é a essência dele... Ficará totalmente diferente!
- ...
- A Viva... essa mulher tem alguma espécie de campo magnético! Ela nem parece ser desse mundo. Temos informações que ela trabalha como uma louca, das sete da manhã às dez da noite! Ainda chega em casa e cuida dos filhos! Não conseguiremos tanta energia vital assim num clone!
- ...
- E o problema que enfrentaremos tentando clonar o Idelber é igual ao do Guto... Ele é tão prolixo e consegue cruzar tantas informações que nosso clone iria pifar. O senhor viu ele falando sobre a influência de Chico Science no resultado do Campeonato Mineiro de Futebol de 1997?

- Seus... seus... desastrados! Tanto planejamento e tecnologia para nada? Meu plano vai por água abaixo?

Eles ficaram pensativos. Até que o Grande Líder teve uma idéia.

Já sei! Eu vou me encontrar com eles no Salão do Livro. Eles conhecem meu nome, já foram ao meu blog. Dou uma de bonzinho e me aproximo deles. Vou tentar levá-los a um lugar deserto e nós atacamos. Se a clonagem não for possível, matamos a todos!

E gargalhou como o Vincent Price no “Abominável dr. Phibes”.

phibes.jpg

Idelber e Bruno estavam despertando calmamente, quando sentiram o aroma do café. Na cozinha, um verdadeiro breakfest digno de um hotel cinco estrelas estava disposto na mesa: era Viva quem tinha preparado.

- Viva... Onde você conseguiu tudo isso?
- Eu acordei mais cedo, saí para umas comprinhas.

Eles sentaram e se esbaldaram, conversando sobre coisas fúteis, como o depoimento de Duda Mendonça à CPI do mensalão. Depois, era tomar um banho, dar uma volta pela cidade e ir para o Salão.

No hotel de segunda da Fal, Inagaki ficava pensando sobre os eventos da madrugada. Ele queria participar do Salão e dar o fora da cidade o mais rápido possível. Seu instinto japaraguaio dizia que coisas ruins estavam para acontecer.

(O almoço de Guto, Mônica e Bia)

O Redondo é um bar que fica à beira da Lagoa da Pampulha, ao lado da Casa do Baile, onde morou há tempos atrás, um famoso blogueiro.

Ao chegarem, estranharam que ninguém estivesse almoçando ali. Mas pegaram um mesa enquanto falavam de coisas fúteis como o pedido de desculpas do Presidente Lula à Nação.

- Bia... o que você tá achando do passeio?
- Ah, Mô, tá ótimo! Muito legal. Não vejo a hora de encontrar todo mundo hoje à noite e sairmos para beber e conversar.
- O Jujujujuis vai dar aula, aí vamos nós dois... depois pegamos ele.

Um temor profundo se apoderou de Biajoni. Ele já conhecia a fama de Mônica de não se dar bem com automóveis; sabia que ela era, como dizem os mineiros, uma “roda-dura” – no melhor sentido da expressão.

Bia olhou para o Guto e engoliu seco.

- Bia, a Mô melhorou muito na direção. Não precisa se preocupar.

Novamente Mônica ficou vermelha e foi chorar no banheiro. Voltando vinte minutos depois, quando a comida chegava.

Na lagoa, algumas capivaras nadavam. Na terceira rodada de chopp, descobriram que era da marca Schincariol. O sol batia forte e todos suavam.

chopp.bmp

Depois de várias rodadas, viram que já estava quase na hora da aula de Guto. Foram para o carro, Mônica assumiu a direção. Biajoni, atrás, amarrou bem o cinto. Da vaga do estacionamento até a avenida, o carro morreu cinco vezes.

- Esse carro tá morrendo muito, Jujujujuis!

O Guto concordou – nada havia a dizer.

E lá se foi a Mônica, seguríssima, tentando demonstrar as habilidades ao volante. Ela dava sinais com os braços para os outros motoristas, apontando onde ia virar ou o que estava pensando em fazer. A cada dez ou vinte metros, ajeitava o retorvisor e preguejava alguma coisa como “esse retrovisor tá mole” ou “esses belrizontino não sabem dirigir” ou “essas ruas têm muito buraco” ou “esse freio tá muito duro, Jujujujuis!”. Os dois homens balançavam a cabeça, afirmativamente.

Guto ficou na faculdade e os dois voltaram para o apartamento. Biajoni não queria passar para o banco da frente, mas achou que a negativa podia gerar outra crise de choro na Mônica. Mesmo tendo abandonado as religiões formais há muito tempo, fez um nome do Pai e foi rezando o “Creio” até o apartamento – e a motorista, na volta, até que não saiu-se tão mal. “Preciso voltar às missas”, pensou Biajoni, subindo correndo e abrindo algumas latinhas para (tentar) relaxar.

Agora era tomar um banho, passar perfume, e ir para o dito Salão.

sexta-feira – 17h30 – O Encontro

Ok, a Mônica foi dirigindo até a Serraria, mas foi Biajoni quem teve que estacionar. Entraram meio correndo, esbaforidos. De longe, avistaram os amigos. Estavam todos lá já – e abraçaram-se e beijaram-se. Alguns outros blogueiros, que a maioria não conhecia pessoalmente, também estavam lá, como o Leandro Oliveira – que ficou um tempão conversando com Biajoni.

Quase ninguém reparou uma figura magrinha e esquisita (ora, quem ali não era esquisito?) sentada lá no fundo. Ninguém sabia que era o terrível Achicarigudum!

Seguindo os protocolos, a mesa foi montada e falaram, na sequência, Idelber, Inagaki e Fal – sendo a última a mais aplaudida, de um carisma e doçura invejáveis. A figurinha estranha lá no fundo, observando tudo.

Seguiram-se algumas perguntas, que eram feitas por escrito pela platéia. Biajoni reparou, com o canto do olho, aquele magrelo com ares de doido, apanhar um papel, e seguiu com os olhos o trajeto do papel até às mãos de Idelber. Viu que o professor leu a pergunta mentalmente, esboçou um sorriso e pediu o microfone para responder. Eis a pergunta:

“Idelber, eu sempre vejo no seu blog e de seus amigos vocês dizendo que querem dominar o mundo. Como pretendem fazer isso?”

Todos riram. O mestre respondeu:

- Muitos blogueiros usam essa expressão. Significa que, a partir do momento que você monta um blog, está disseminando suas idéias para todo o mundo – qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta, pode lê-lo. E os blogs, a cada dia, crescem e aparecem mais. Cada um é a representação de idéias de uma pessoa e, no conjunto, todas estão dominando o mundo virtual. É uma brincadeira com um fundinho de verdade.

Biajoni percebeu a expressão de frustração na face do rapaz.

A discussão acabou e todos foram conversar, combinar para onde iam. O rapazote veio se aproximando devagar, meio cambaleante. Encontrou a roda onde todos conversavam efusivamente e tiravam fotos.

intrepidatrupe.jpg

Achicarigudum se plantou lá e, quando menos esperavam, soltou:

- Eu sou o Achicarigudum!

Um silêncio profundo baixou no recinto. Todas as atenções se voltaram para ele. Biajoni deu alguns passos em direção do blogueiro e o abraçou:

- Ô, mermão! Que bom que você veio!

E todos foram cumprimentá-lo, satisfeitos por conhecerem, finalmente, esse estranho e até então anônimo blogueiro que havia se especializado em falar mal de algumas personagens da blogosfera. E Achicarigudum chorou um pouco.

É que ninguém sabia que ele era um líder da invasão Q-zarmiana que tinha tido a idéia de dominar o planeta antes que esse grupo de blogueiros o fizesse. Ele achava que havia alguma espécie de articulação real para a tomada do planeta e, a partir da explicação de Idelber, percebeu que não era nada disso – era só uma brincadeira! E... há quanto tempo ele NÃO BRINCAVA!

Num momento, quis fazer parte desse grupo e deixar para trás o plano de dominação ET. Enviou uma mensagem mental à nave, para que abortassem a missão. Ia sair com os blogueiros. Queria sentar para falar com Inagaki e ver se conseguia beber tanto quanto Biajoni. Queria ficar de papo com Idelber para ver se conseguia entender o que leva uma pessoa inteligente a torcer para o Atlético. Queria experimentar uma daquelas balinhas vermelhas que a Mônica vivia tomando e que a fazia tão... tão... peculiar.

E, naquela noite, todos conheceram Ted Guimarães.

bia e ted.jpg

sexta-feira, 21h

Uma grande mesa havia sido montada na Cantina do Lucas, no Edifício Maleta. O local, contou Idelber, tinha servido como reduto de revolucionários, vagabundos, prostitutas, cafetões e drogados durante a ditadura – ali, ninguém entrava. Terra de ninguém de outrora, virou Terra de Blogueiros naquela noite.

Todos chegaram aos poucos, uns dando carona para os outros. A Mônica foi dirigindo mas parou em frente ao edifício, num acesso de pânico, largou o carro ligado e foi chorar no banheiro da cantina pois sabia que não ia conseguir estacionar. O trânsito do centro de Belo Horizonte ficou paralisado por alguns minutos, até que Biajoni tomasse o volante, e com sua tradicional maestria, estacionasse de uma só manobra o carro numa minúscula vaga. Pessoas que esperavam ônibus num ponto ali perto aplaudiram.

Dois dos que chegaram à cantina para cumprimentar a galera foi Cláudio Costa e sua bela filha. Pouco depois Jorge Rocha, editor do site literário Patife, também chegou. A conversa progrediu animada e Ted Guimarães relembrou alguns pontos obscuros de sua vida com Idelber.

- Eu tive algumas aulas de inglês com você lá no Retiro.
- Mas rapaz... eu me lembro! Você era excelente aluno!
- Minha família queria que eu me formasse e virasse acadêmico... mas eu queria mesmo era tocar bateria numa banda...
- E aí?
- Eu fui tocar.
- ...
- Esse pessoal do heavy metal tem uns contatos estranhos, alguns se relacionam com extraterrestres...
- ...
- E eu acabei conhecendo um pessoal de um planeta distante, Q-zarm. Eles tinham uma vaga aberta para Líder do Planeta. Não existia nenhum plano de dominação, só queriam clonar algumas pessoas importantes para criarem alguma confusão...
- Sei, uma coisa mais... subversiva?
- Isso. O grande objetivo deles era conseguir clonar o Aécio Neves e fazê-lo comparecer à um show de heavy e participar do mosh...
- Isso seria muito divertido!
- Pois é. A idéia dos Q-zarmianos era de diversão mesmo... Mas aí eu comecei a entrar na internet, achei teu blog, conheci teus amigos... Achei que vocês queriam dominar o mundo...
- Rapaz!
- E botei na cabeça dos Ets que a gente é que devia fazer isso!
- Ted... Olha lá para o Bia... Vê se um cara como aquele quer dominar QUALQUER coisa!?

Achica assentiu. Percebeu que ali só havia um grupo de amigos que queria se conhecer e se divertir e compartilhar experiências e... ser feliz!

ted e idelber.jpg

Num outro canto, Inagaki e Fal também conversavam. O assunto que dominava era o sotaque e as contrações linguísticas (reduções, na verdade) tão peculiares dos mineiros.

- A palavra mais interessante do estado é “sósocôr” – defendia Inagaki.
- “Sósocôr”? O que significa?
- Depende. Sem o ponto de exclamação no final, significa só “Nossa Senhora do Socorro”. Com o ponto, fica “Minha Nossa Senhora do Socorro!”.
- Hahahahahahaha... Ina, você me mata de riR!

Biajoni, Mônica e Jorge Rocha falavam sobre a nova literatura brasileira, cujo exponente parece ser um baiano amigo de Jorge, João Filho, autor do esgotado “Encarniçado”. Todos ficaram com MUITA vontade de ler!

A conversa fluia quando chegou o Guto: havia conseguido uma carona e se juntava ao bando. Ele chegou meio estressado, já que havia tido uma discussão com alunos sobre teorias conspiratórias de dominação do planeta.

- Olhem que incrível: uns alunos acreditam que um bando de alienígenas está disputando Belo Horizonte com extraterrestres evangélicos. E existe ainda uma terceira facção de intraterrestres que abriram um portal para a cidade diretamente de São Thomé das Letras!

Todo mundo caiu na risada.

Lá pelas onze e meia, Ted deu uma idéia:

- Um pessoal da minha banda está tomando umas na casa de uns amigos... Vamos pra lá?

A turma achou estranho. Quem podia dizer que não se tratava de uma armadilha Q-zarmiana? Será que Ted não estava se fazendo de bonzinho para levar a todos para o covil? A decisão ficou para Idelber.

- Ah, vamos sim! Que tipo de alienígenas malucos vai querer clonar eu ou o Guto?

E tocou todo mundo para a dita festa

sexta-feira, 23h59

Que festa! A casa tinha um quintal grande com galinhas e isso deixou o Guto bastante entusiasmado. O grande sonho do Guto é ter uma casa com quintal e galinhas. Pode ser que isso diga algo sobre a natureza sexual do sujeito, mas é melhor pensar que não.

mutantes ted bia.jpg
(Ted, Mô, Guto e Bia discutem a influência de Mutantes no quilo de arroz durante a ditarura)

Ali estavam muitos amigos de Ted, gente que toca com ele na banda, amigos, leitores de blogs e até uma namorada – é incrível; mesmo feio daquele jeito, ele TEM uma namorada! Para espanto de todos, essa amiga ficou com os pés no colo do moço durante toda a noite: Ted gosta de pés!

Ele beberam e fumaram e falaram sobre possíveis reencontros e, lá pelas duas da manhã, alguns decidiram que era hora de partir. Fal iria embora, tinha um ônibus que saía dali a pouco direto para Bauru. Ted ia levar a “amiga” para casa (?). Idelber achou chato ficar na casa dos amigos de Achinca sem ele... O que fazer?

todos com ted.jpg
(Mô, Guto, Bruno, Viva, Bia. Sentados. Idelber e Ted)

- A gente passa no supermercado, pega umas coisas e vamos lá pra casa.

Todos concordaram. A Mônica ficou meio ansiosa.

- Bia... Eu não tenho que escolher nada das gôndolas, né?
- Não, Mô. Deixa que a gente escolhe!
- Ufa!

Partiram em debanda para o mercado, compraram beliscos ensacados e cerveja e foram para a “goma” de Idelber.

sábado, 3h

Uma pessoa muito especial acompanhava toda essa turma: Ana Maria Gonçalves. Ela tinha tido um blog, o famoso Udigrudi, e há alguns anos decidiu investir na carreira de escritora: passou um tempão fazendo pesquisa e colhendo dados e escreveu um grande livro, “Defeito de Cor”, que está no prelo pela Record. Ana ia atrás do grupo fazendo fotos e fotos.

No apartamento de Idelber a vedete foram os iPods com mais de vinte e cinco mil músicas – e até Dr. John tinha! Bia e Inagaki ficaram escolhendo músicas. Mônica fumava Carltons mentolados nervosamente. Foi quando Bruno saiu-se com essa:

- O Ira! é uma merda!

O clima ficou tenso. Biajoni pensou em sacar o spray de pimenta – ele sempre leva um spray de pimenta como proteção – e partir para cima do troglodita insensível que não se sensibiliza com as letras e com a guitarra maravilhosa do Scandurra. Idelber ia passando e, sem querer, quebrou o clima:

- O Exército Irlandês é um movimento válido e importante.

Todos riram.

Sentado ao lado da bela Ana Maria, Biajoni pensou em algo que pudesse impressioná-la e teceu uma bisonha teoria musical:

- Todos os grandes movimentos musicais não têm mais que cinco grandes bandas fundadoras. A partir daí, uma leva de boas bandas “fatura” em cima da “novidade”.

Todos ergueram sobrancelhas. Foi lançado um desafio para que cada um dissesse cinco grandes bandas punk ou cinco brandas grunge. Biajoni provava sua tese manca, mas parecia que Ana Maria não tinha ficado impressionada. Aí ele partiu para seu golpe mais sujo, mais baixo: demonstrar façanhas com a língua, como as já lendárias florzinhas de três pontas. Todos ficaram bem impressionados e quiseram fazer fotos – para manter o mito, ele não autorizou. Ana Maria não deu muita bola e o blogueiro concluiu que ela tinha mesmo um péssimo gosto para homens.

Batatas Elma Chips, Baconzitos, ovinhos de amendoins, salsichas em conserva, picles e azeitonas eram consumidos vorazmente, acompanhados de Skóis intermináveis. A Viva ficava ali organizando tudo, não deixando que bandejas vazias ficassem sobre a mesa.

Inagaki demonstrou sua ancestral técnica aprendida com mestre Pai-Mei de dormir sentado à mesa, enquanto assimilava a conversa. É impressionante: ele fecha os olhos e apaga literalmente. A conversa rola por longos minutos e quando você o acorda ele sabe tudo o que foi dito!

Mal perceberam e já eram nove da manhã!!! O japaraguaio tinha que pegar um avião dentro de alguns minutos! Aproveitando-se de outro ensinamento de Pai-Mei, ele praticamente se desmaterializou no apartamento, aparecendo no quarto do Othon – de onde partiu para o aeroporto. Como tinha acabado a cerveja e as salsichas em conserva (grandes preferidas da reunião) Mô, Guto e Bia decidiram ir embora. A idéia era que se encontrassem novamente mais tarde – mas eles não se encontraram mais. O resto do sábado foi nebuloso para eles.

sábado, 10h30

Os vizinhos do apartamento de Idelber se reuniram e fizeram uma carta para o síndico, pedindo a expulsão do professor. Um barulho ensurdecedor podia ser ouvido, saído direto do apartamento. Seria mais uma pesquisa sobre ritmos estranhos? Seria alguma espécie de Nação Zumbi do além? Não: era apenas Idelber, Ana Maria, Viva e Bruno roncando.

Na Pampulha, o trio chegava no apê... Mônica ficou levemente alterada pois o cigarro havia acabado e ela temia ter vontade de fumar.

- Vamos dormir, Mônica. Quando a gente acordar, compramos o cigarro!
- Ah, Jujujujuis! E se me der uma grande, enorme, incomensurável vontade de fumar?
- Mônica, você vai dormir, não pensa nisso!

Ela foi para o banheiro...

Naquela tarde de sábado nada aconteceu. Nada aconteceu com nossos heróis. Eles hibernaram, enquanto os Belo-Horizontinos era libertados pelos Q-zarmianos e retomavam suas vidas, livres do jugo dos clones. Uma pequena nota no jornal chamava a atenção dos mais atentos: Aécio Neves havia dito que gostava de heavy-metal e que pensava em comparecer ao próximo show do Sepultura.

sábado, 19h

Mônica fez um delicioso macarrão com atum e todos comeram. Tentaram contato com o pessoal no apartamento de Idelber, mas não conseguiram localizar o povo. Foram saber, depois, que continuavam roncando e o barulho chegou a provocar rachaduras na estrutura do edifício. O Corpo de Bombeiros foi chamado, equipes de televisão apareceram.

Bom, era uma oportunidade de visitarem o Salão do Livro e gastar algum dinheiro. O trio foi pra lá, onde ficaram olhando e folheando e perguntando preços por boas horas. Guto comprou um volume raro das obras completas de Cornélio Pena. Biajoni comprou “A Conturbada História das Bibliotecas”. Mônica, num determinado momento, saiu pegando e comprando tudo o que via, acabando por adquirir cerca de 30 livros em menos de 10 minutos de faniquito. Obras tão díspares como “Sybil” e “26 deliciosas receitas com atum”. Mas de todos os livros, o que ela realmente demonstrou interesse e com o qual ela saiu do salão e foi pra casa e quando todo mundo se deitou ela ficou lá lendo sem parar e sem piscar foi um da Coleção Primeiros Passos: “O que é pênis”, do Angelo Gaiarsa. Ela nem deu boa noite ao Guto ou ao Bia.

capapenis.jpg

Na manhã seguinte, domingo, Bia acordou o Guto logo cedo, não eram oito horas. Mônica ficou dormindo enquanto o amigo levava o outro à estação rodoviária. Eles se abraçaram e se despediram e Biajoni embarcou, com destino a Campinas. A chegada a Campinas estava prevista para as seis da tarde.

Quando o ônibus deixava a cidade, pela avenida Central, Biajoni deu uma última olhada e já lhe bateu a saudade. Dois dias intensos e maravilhosos que marcariam sua vida para sempre, com um grupo tão maravilhoso e peculiar e que seria tão difícil reunir novamente... Por que a vida coloca as pessoas que se gostam tanto e que têm tantas afinidades assim tão longe uma das outras?

- Deve ser para que possamos aproveitar realmente cada minuto quando estamos juntos.

E foi ler seu livro.

Posted by biajoni at agosto 16, 2005 1:10 PM

Comments

Simplesmente sensacional!

Parabens!!
(dois pontos de exclamacao para reforcar o entusiasmo...)

abraco

Posted by: marcelo at agosto 23, 2005 3:07 PM

Opa! Finalmente eu "existi" nesta aventura belorizontinesca! (ixi, inventei!). A história completa ficou show! Mô e Jujujuis são gente fináça, o Idelber e vc tb, puts grila! Pena não termos nos encontrado mais, né? Esta aventura realmente vai render muita história, e claro, muitos encontros!
Beijos

Posted by: Cláudio Costa at agosto 23, 2005 1:29 PM

Ei, vem cá: eu não sou fumante! Faço isso de farra, às vezes. Bom, tenho feito mais do que deveria, mas...

Peste danada, você fumou 80% dos verdinhos e vem falar que eu aprontei essa? Tá bom!

Mais: esqueci de te entregar O que é Pênis quando você tava pra ir embora! Ficou louco com o livro, né?

E eu dirijo muito bem! Só não sei manobrar carro, mas isso é um detalhe tão bobinho...

Ah, o Achaca é jóia, né? Adorei ele! Figuraça!

Outra: você é genial, hein? Danado!

Bijus.

Posted by: Mônica at agosto 22, 2005 9:56 PM

E viveram felizes para sempre... abs

Posted by: Afonso at agosto 22, 2005 8:39 PM

A distância só faz aumentar a vontade de te reencontrar. Um grande abraço Bia. Em breve nos veremos ao som do Wilco.

Posted by: Bruno at agosto 22, 2005 5:43 PM

Bukowski foi CLONADO em Americana e exportado para Belo Horizonte para deleite de todos por um fim de semana. Você é GÊNIO, GÊNIO :)

Posted by: Idelber at agosto 22, 2005 4:43 PM

Cara, que inveja!!! na boa, acho que você é o verdadeiro alienígena Q-zarmiano!!!
Ah, o Edgar Scandurra é um puxta músico, mas isso não muda o fato de que o Ira! realmente é uma merda!!! hahaha
Abs

Posted by: Thiago at agosto 22, 2005 3:32 PM

a continuação vai atrasar um pouco por conta de POBLEMAS no computador.
sorry!

Posted by: Biajoni at agosto 20, 2005 6:40 PM

Vc está cada vez mais divertido! :) Muito bom de ler, só acho que vc anda vendo os filmes do Tarantino demais ;)

Beijos

Posted by: cheshire at agosto 20, 2005 6:08 PM

Só tá faltando a foto do Ted. Cada vez melhor. abs

Posted by: Afonso at agosto 19, 2005 8:07 PM

Li tudinho, mas o que me marcou em tudo isso foi a ameaça do Ina aqui nos comentários. Prepare o microscópio.

Abraço.

Posted by: Milton Ribeiro at agosto 19, 2005 5:13 PM

Porra, perdi metade do meu horário de almoço lendo esse megapost, ha ha ha! Realmente os trechos sobre o Inagaki são os mais divertidos, e a resposta dele aqui na caixa também está muito boa.

Fico esperando o último capítulo (o clímax?)

Posted by: Leila at agosto 19, 2005 4:17 PM

Cara alguuém já te ligou perguntando se quer fazer um filme ou coisa parecida? Eu sei que eu tô morrendo de rir e ansiosa pelo próximo capítulo. bju.

Um Belo fim de semana.

Posted by: Simy at agosto 19, 2005 4:14 PM

Tchê, isso está sensacional!

Não faz a mínima diferença ser grande. Porque não faz o mínimo sentido conseguir parar de ler. ehhehe

Grande abraço!

Posted by: Gejfin at agosto 19, 2005 4:09 PM

OOPS!!! Estou no computador de outra pessoa. Deleta a identificação anterior...

Posted by: Viva at agosto 19, 2005 2:54 PM

Bia, estou adorando ser personagem dessa Torrente de Posts. (Bem melhor do que se fosse do Sexo Anal)

Posted by: Luninha at agosto 19, 2005 2:53 PM

Bia, continua me detonando pra você ver! HEHEHEHE!

Beijão.

(tô adorando)

Posted by: Mônica at agosto 19, 2005 2:50 PM

Cara, onde estava Biajoni antes de surgir???

Do caralho!!!

E porra... a história dos CDs e das capinhas. Eu SEI como é isso. SEI DIREITINHO!!!

Posted by: MarcosVP at agosto 19, 2005 1:01 PM

Bia, meu "benzinho", depois eu te mostro o quanto meu pinto é proporcional ao tamanho do meu queixo, ok seu GUEI??

Posted by: Inagaki at agosto 18, 2005 10:01 PM

Obrigado pela recepção Biajoni.
Um grande abraço !

Haroldo Pimenta and
Rui Barata...

Posted by: Harodo Pimenta / Rui Barata at agosto 18, 2005 8:04 PM

Onde você quer chegar com essas revelações todas? Não se pode ter um pouco de privacidade?

Posted by: Viva at agosto 18, 2005 6:02 PM

Sensacional, mas não consegui rir da parte do Ina por respeito. (Ok, só um pouquinho...HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!) :)

Posted by: Giu! at agosto 18, 2005 4:31 PM

Dessa vez vc se superou heim? Bjs.

Posted by: Luciana at agosto 18, 2005 1:20 PM

Bruno e Viva em slow-motion! Sensacional! Beijus

Posted by: Luma at agosto 18, 2005 10:25 AM

Adorável. Estou morta de curiosidade para saber do resto. Beijocas

Posted by: Yvonne at agosto 18, 2005 9:51 AM

Não é só engraçado. É muito bem contado, também. Leu um pedacinho, leu tudo. Foda! E os melhores são os diálogos do Bruno.

Mais, mais! =D

Posted by: tiagón at agosto 18, 2005 8:56 AM

Reginaldo! Que bela surpresa na caixa do Bia! :-)))

Bia, seu post estah uma viagem transcendental...

Posted by: Lucia Malla at agosto 18, 2005 4:53 AM

ê! quanta gente!
:>)
amanhã, por volta do meio dia, a continuação!
NÃO PERDAM!
hehehe...
:>*

Posted by: Biajoni at agosto 17, 2005 4:40 PM

Biajoni, você é meu ídolo. :))))

Posted by: Reginaldo Siqueira at agosto 17, 2005 4:13 PM

Mas que figuraça esse Bia... rs
Estava quase acreditando na presença da figura do Clint Eastwood naquele restaurante esperando pelo Bruno na saída do banheiro... hahahahaha Vampiro? Tu deveria colocar logo um chupa-cabra aí! hehehe
Tô esperando a continuação! :)
Beijinho

Posted by: Patti at agosto 17, 2005 12:56 PM

Fico te devendo um mata-leão rapaz. Tá sensacional.

Posted by: Bruno at agosto 17, 2005 12:51 PM

Bia, nem preciso falar que tá ótimo. Estou aguardando os próximos acontecimentos.

Posted by: Guto at agosto 17, 2005 11:37 AM

Bia, tô achando que vc cheirou aquele pó vermelho dos caminhoneiros vampiros... Mêu! Quêquéisso!!!! Tô louca pra ler o próximo capítulo logo... Beijão!

Posted by: Ana Letícia at agosto 17, 2005 10:50 AM

A Globo vai te chamar cara.

Posted by: Flavio Prada at agosto 17, 2005 6:25 AM

Fantástico ! :-) O Achcarigudum em Belo Horizonte e tem o nome ridículo de Ted Guimarães !!! Vou aproveitar para fazer uma revelação...Meu nome é Mariazinha d'Orléans e Bragança ! Pronto, confessei. Agora só falta eu organizar um encontro de blogueiras ! :-) Beijos

Posted by: Ana Lucia at agosto 17, 2005 5:45 AM

Prende do começo ao fim. Todos, na história, estão sensacionais. abs

Posted by: Afonso at agosto 16, 2005 11:53 PM

Excelente, Bia. Vc é phoda!!!
Bjo,

Posted by: Cipy at agosto 16, 2005 11:45 PM

Tá demais, mesmo! Ótimo! Ótimo!

Posted by: Déia at agosto 16, 2005 8:07 PM

Eu não li todo, mas achei muito engraçado a parte que me diz respeito!!!
Na verdade foi muito pior, minha mãe me contou por celular que tinha um convite p/ ir p/ BH e que eu ia morrer quando soubesse de quem!!
Adorei ela com super poderes! rsrsrs

Posted by: Luninha at agosto 16, 2005 7:46 PM

Biajoni, está sensacional este texto! :)
Ah, prazer, meu nome é Giu, estou há 3 dias sem beber e desde sempre sem comentar.
Beijo.

Posted by: Giu! at agosto 16, 2005 6:02 PM

Quando você falou que o post seria em capítulos, achei que seriam em partes menores. Assim tá difícil de conseguir fôlego pra respirar enquanto rio.

Posted by: Viva at agosto 16, 2005 5:28 PM

ótimo, tô adorando a novela. se depender da minha audiência esta novela vai de vento em polpa. E seus atores são ótimos. O que que é a Mônica esperando o Bia.
tava pensando em chamar um pessoal pra vir em Curitiba mas eu resolvi que desisto. o que vou fazer sem mainonese Helmans e atum ? aceita vir sem isto? Hehehe!!
Bju.

Posted by: Simy at agosto 16, 2005 4:17 PM

Bia,

show de bola a novela! Vai bombar a audiência!

Mônica,

você é a protagonista dda novela dele! Tem direito a quantos comments quiser! 8)))))))))))))

Posted by: Thania at agosto 16, 2005 3:17 PM

Último, prometo: Bia, você é mesmo um gênio. Olha, não tô comentando tanto assim só porque você falou de mim não. É que tá demais mesmo.

Posted by: Mônica at agosto 16, 2005 2:58 PM

Agora sério: meu Deus do céu, eu escrevi JUZ em fez de JUS! Gente, eu sei escrever certinho, viu?

Posted by: Mônica at agosto 16, 2005 2:51 PM

Meu comentário já foi dado na contra-capa de "Sexo Anal.

E Mônica, um beijo pra você e pro Jujujujuis.;)

Posted by: Rafael at agosto 16, 2005 2:47 PM

Ai, meu Deus! O que será de mim? Depois dessa vão achar que eu sou neurótica! Será que vão achar? Será? Vocês acham que vão achar? Estão achando? Respondam!

Ai... eu sou neurótica pra valer? Eu sou? Ai, tá dando pra perceber que eu sou neurótica? Cadê minha pílula cor de burro fugido? Ai... eu vim aqui pra tentar esclarecer as coisas, pra dizer que não sou neurótica, que é tudo mentirinha...

Eu tô normal, né? Por favor, gente, eu tô parecendo normal?

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HEHEHEHEHEHEHEHE!

Nota mil, Bia! Tá um espetáculo! (só o Jujujuis é que não tá fazendo juz ao jeito que eu falo)

Posted by: Mônica at agosto 16, 2005 2:42 PM

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