Não comemorei o fim do diploma para jornalistas, conforme muitos pensam. Penso que outra solução que permitisse que não-jornalistas atuassem na imprensa seria mais viável. Isso faria com que as faculdades se empenhassem em oferecer cursos de melhor qualidade, já que havia a possibilidade de competição pela vaga com pessoas não-formadas. A inserção de jornalistas recém-formados no mercado de trabalho é um dos grandes problemas da profissão; permitir que uma vaga seja disputada por alguém que ficou quatro anos pensando o fazer jornalístico, escrevendo e estudando textos, desenvolvendo o olhar crítico, a história do jornalismo, ética, etc... com alguém que pode ter apenas mais desenvoltura ou mesmo apenas escrever bem ao invés de dar oportunidade para jornalistas não-formados pode excluir a possibilidade do jornalista com formação se inserir de fato.
Como permitir que jornalistas não-formados atuassem na imprensa? Uma idéia: a FENAJ podia se ligar a faculdades para aplicar anualmente uma prova para não-jornalistas. Os que tivessem êxito nessa prova conseguiriam uma autorização válida por dois anos talvez, para atuarem profissionalmente como jornalistas. Com isso se conseguiria um controle sobre o número de jornalistas atuando, a união da categoria, manutenção de dissídios, gatilhos, estabelecimento de faixas salariais.
Os que discutem essa questão observando a grande mídia podem chegar a certa e boa conclusão do amigo Rafael Galvão. Mas o fim do diploma vai acentuar um problema que vivemos em cidades de pequeno/médio porte: a de aventureiros dos mais diversos tipos que se metem a escrever e/ou publicar coisas díspares, ofensivas, desconexas, irresponsáveis mesmo, sem nenhum tipo de critério. Não há ainda, nessas cidades, portais de notícias na internet; a informação vem mesmo através de rádios, jornais, TVs locais. A baixa oferta de emprego formal para jornalistas, em impressos, rádios e TVs vai simplesmente eliminar o jornalista formado abrindo espaço para uma horda de semi-letrados que se acham, agora, detentores do direito & dever de serem "formadores de opinião". O dono do jornal, pequeno "dono da cidade", não vai mais se preocupar que o seu redator seja um sujeito com formação: pode simplesmente chamar aquele amigo topetudo para carinhar ou detonar o prefeito, por exemplo, se o mesmo está ou não a lhe molhar as mãos.
Permitir que alguém que não esteja respaldado pelo diploma possa escrever com a propriedade que o veículo lhe confere me parece irresponsável - ainda que o diploma não seja garantia de bom caratismo, nem de competência, nem de excelência de texto, informação, visão. Pelo simples fato de que não há nenhuma garantia melhor. Derrubar essa pequena, indelével garantia, é possibilitar a esbórnia.
Eu, que não sou formado, tendo conhecido e/ou trabalhando com tanto jornalista sem-noção, ruim, despreparado, acéfalo, acho ainda que a faculdade devia ser, nesse caso, garantia de alguma qualidade. Se não é, esse é outro problema - mais profundo, mais difícil de se resolver.
Quem faz o bom jornalista não é o Diploma! Esta certa a justiça!
acho que não vai mudar nada não, viu...
tiagón, essa premissa só vale para o jornalismo ou para outras cátedras?
penso que julgar que a obrigatoriedade de diploma tem qualquer relação com a real qualidade do jornalismo praticado é um engano.
E olha que fiz 3 anos do curso de Comunicação Social/Jornalismo...
Muito interessante sua opinião Bia....
Embora eu discorde não posso deixar de concordar com o fato das cidades de pequeno/médio porte(mesmo porque moro em uma). Mas, pergunto: Isso já não acontecia antes? Há a certeza de que o diploma coibiria essas práticas?
Pela experiência acreana, acho que não Bia.
Mas é uma visão interessante dessa boa controvérsia...
Abs.
luninha, em cidades pequenas é comum o chefe ser o próprio dono do jornal, é ele quem fica por ali na redação, dizendo: fala mal desse, fala bem daquele. a informação desse veículo geralmente é quase só o que a cidade tem para se manter, ér, informada.
:>)
marcos, é o que eu digo no final do post: as faculdades deviam ser o reduto da integridade, pois não?
;>)
Concordo com você em alguns pontos do início do texto, principalmente com a ideia de uma prova, como a da OAB.
Discordo quando você fala dos "aventureiros". Acho que a qualidade das redações e dos profissionais que lá trabalham depende de cada chefe. Já trabalhei em lugares que desrespeitavam a diversas leis trabalhistas, contratar alguém sem diploma, seria apenas mais uma.
Quero dizer com isso que se o cara quiser contratar um amigo que não é jornalista, irá fazê-lo sendo legal ou não. Como quase formanda de comunicação, concordo que passei os últimos 3 anos pensando jornalismo, mas confesso que poderia ser um curso de 2 anos. Conheço muita gente que não tem ideia quem é o vice-presidente do Brasil ou pior. Infelizmente, hoje em dia, diploma de uma faculdade de comuniação não é garantia de absolutamente nada.
Eu até concordaria com sua opinião se não visse - como profissional diplomado da comunicação - a seguinte distorção: não existe esse negócio de "alguém que ficou quatro anos pensando o fazer jornalístico, escrevendo e estudando textos, desenvolvendo o olhar crítico, a história do jornalismo, ética, etc..."
Não existe esse ser! Estudante de comunicação, com raríssimas exceções, entra na faculdade porque; 1) é mais fácil; 2) tem meninas(os) mais gostosas(os); 3) dá mais status; 4) dá dinheiro(*).
Falo isso depois de estudar na UFRJ e de minha mulher - jornalista diplomada - estudar na PUC. É tudo uma grandecissima putaria.
Melhor entregar os jornais a estudantes de letras, filosofia ou serviço social.
Abs.
VP
(*) ilusão de publicitário.