abril 2009 Archives

O paraíba escreveu sobre o livro, milagrosamente.

Vai lá ler, ficou legal.
:>)

Vamos ter, por alguna meses, debates sobre a questão do nome. Digo o que já disse: se alguém ler e sugerir nome melhor, eu mudo. Mas tem que ler antes.

Tenho recebido e-mails indignados com o nome. É incrível que o nome chulo do órgão sexual feminino seja tão ofensivo - e nas ruas ouvimos, em cada esquina, um "Caralho!" à boca solta. "Caralho" pode, "Buceta" não?

Enquanto título de livro, se "Sexo Anal" já causou alguma indignação, o que dizer de "Buceta"? Bem, para mim, é mais chocante ver nas estantes de uma feira de livros infantis "Os Cus de Judas" do António Lobo Antunes - aliás, o português vem ao Brasil para a FLIP - O Richard Dawkins também, mas esse vale outro post.

O caso é que nós temos um puta preconceito com a fala de rua aqui, coisa que não existe nos EUA - veja os rappers, veja a liguagem nos filmes. Procurando por livros com nomes chulos em inglês encontrei vários com "cunt", o equivalente chulo de "buceta". Um deles é de Stewart Home- que eu nao conhecia - que tem títulos bem diretos.

cunt.jpg

É estranho que o livro de "Home" tenha uma mão masculina na capa, não?
:>)

O mais estranho, nessa pesquisinha por títulos e nomes chulos aqui e ali foi perceber que o Dicionário Houaiss - tido como o mais completo e anti-xenófobo dos dicionários brasileiros - não registra "buceta" (somente "boceta") e nem (muito estranho!) "traveco" (apenas "travesti"). Não sei como é pelo brasilzão afora, mas por aqui nem traveco se fala, e sim "traveca".

A fala da rua não é a que, efetivamente, vale? Ou ainda dizemos "Vosmecê" ao invés de "você"?

Bem, diguem aí. E, pelamor, comprem o livro.
:>*

Uma das idéias mais claras que tinha enquanto escrevia "Sexo Anal" era que os personagens não seriam descritos psicologicamente; eles deveriam ter a profundidade que suas ações indicassem. Toda vez que sentia uma vontade, como narrador, de explicar determinado comportamento com uma análise psicológica, eu matava essa vontade. Embora essa estratégia fosse apontada como uma qualidade do romance (lembro que o Guto foi um dos que escreveu sobre), notei que alguns aspectos que eram muito claros para mim não foram transmitidos aos leitores. Nem sempre a idéia que um ator faz de um personagem é a idéia que o leitor tem dele. Isso amplia leituras mas, para o escritor, traz algum desconforto. Ou melhor, a mim traz algum desconforto. Resumindo: acho que faltou, em "Sexo Anal", indicações mais claras sobre as motivações - ou o "estofo" - dos personagens.

Quando pensei em escrever uma continuação de "Sexo Anal" - motivado por um e-mail do Glauco Mattoso -, não quis fazer um "Volume 2". Os personagens já haviam sido expostos demais. Trabalhar com o "segundo escalão" do livro foi minha primeira idéia. "Sexo Anal" tem cerca de 20 personagens, então alguns podiam bem servir a uma continuação. Inicialmente escolhi Valéria, a estagiária do jornal, que devia ter sido promovida ao lugar de Virgínia, a "heroína" do primeiro. Localizando a trama novamente no jornal, não tinha como não resgatar o jornalista policial Geraldo Assis. Geraldo era um personagem ambíguo (como todos em SA): competente, com faro e paixão pelo jornalismo policial, ao mesmo tempo gostava de abusar sexualmente dos presos; tinha certo gosto por travestis, embora fosse casado e tivesse uma filha. Não queria colocar Assis como protagonista da trama, não gosto de livros com protagonistas claros, prefiro as tramas plurais. Achei que pudesse ser divertido ter uma vilã, uma antítese de Virgínia - igualmente loura, mas (mais) fatal; igualmente confusa com os sentimentos, mas mortal. Comecei a pensar em alguém, na vida real, que pudesse se encaixar ao menos fisicamente no perfil. Encontrei - e essa pessoa escolhida trouxe consigo uma das tramas policiais do livro: concessionárias de automóveis que usam peças usadas, retiradas de carros roubados em desmanches clandestinos. Vi que o assunto tem pertinência, a caça a desmanches via concessionárias está se intensificando.

Fiz um primeiro esquema no papel, com 5 personagens, cruzando informações sobre eles - e considerando mais aspectos psicológicos. Pensei em um começo de impacto, para segurar o leitor. Comecei a escrever, primeiro com um tema que envolvia tráfico de drogas e, sessenta páginas adiante, vi que não estava funcionando e joguei tudo fora - exceto o começo impactante. Esperei seis meses para retomar, aí com a idéia do desmanche em primeiro plano e... uma idéia envolvendo operação de mudança de sexo.
Li algumas matérias sobre as facilidades da operação atualmente... E as primeiras 100 páginas desenvolveram-se rapidamente. Com uma vilã e o entrecho sobre mudança de sexo, o título "Buceta - Uma Novela Cor-de-Rosa" apareceu naturalmente. E aí eu parei de escrever o livro de novo. Torturava-me a idéia de outro título chulo.

A parada, porém, foi boa para, mais uma vez, reestruturar o livro em minha cabeça. Durante uma crise renal que durou mais de 70 dias, pude mudar o começo, criando um vínculo com SA e um núcleo gay na trama. A história desse núcleo é interessante: quando saiu SA muita gente achou que era um livro gay - não é. Aí achei que seria divertido que um livro chamado "Buceta" tivesse sexo homossexual masculino.

Desde o início, naquele primeiro esboço com 5 personagens, quis um escrivão de polícia calado, um observador da trama, o comentador das ações. Que ele fosse um elemento externo, vindo de outra cidade, outro estado, com outros olhos, podia ser interessante. Inspirei-me em Rafael Galvão e dei o nome dele ao escrivão - igualmente amante de Beatles e gago.
;>)

Não queria que a ação se alongasse por vários dias, afinal estamos em tempos de "24 Horas". Mantive a dúzia de personagens, esquentei a ação para 3 dias e tive um livro 25% menor que SA, mais ágil, mais vibrante. E, incrivelmente, com muito menos sexo que SA.

Esse é o livro que lançamos na FILC e está a venda n'OsViraLata, com prefácio de Pedro Doria - obrigado, Pedrucho.

Tenho que agradecer ao Rafael, ao Alex (que fez um domingo feliz, me ligando no meio da tarde, para dizer que tinha gostado do livro), ao Renmero, ao Pedro Novaes e ao Thiago Berlim que leram antes e deram importantes dicas e toques. E ao Branco, claro, que acredita e confia no que escrevo - e fez uma edição super legal, pequena, cool, do livro.

filc com lia ao fundo - shiraga.jpg

filc.jpg

Um obrigado especial ao Doni, ao Marmota, à Pat Carvoeiro, à Juju - que se abalaram de Sampa para o lançamento em Campinas - e à Fal e sua simpática senhora mamã and falmigas e ao público presente no debate da FILC, no lançamento. A Vivien Morgato que apareceu com i filhão. E sem esquecer e já esquecendo - talvez por já ser irmão, do Fábio Shiraga que fez fotos e levou equipe de vídeo de Paulínia para registrar o evento. Luv ya gueis!

E a todos que lêem esse blog ou não lêem e estão no twitter ou não estão, amigos online ou offline, povo que me apóia ou pelo menos não me atrapalha, gente que sabe que continuamos amigos mesmo eu estando tão ausente, trabalhando tanto, tão fora das coisas todas da rede. Não achei que fosse botar um terceiro livro na praça, em quatro anos. É uma boa média, vai dizer?

E um beijo pra Karen, que me apóia nessas maluquices todas (menos nos nomes dos livros).
;>)

Pô, comprem o livro. Acho que pode ser bem divertido.

Fui entrevistado pela loiraça-belzebu Juliana Dacoregio para o Amálgama. A entrevista ficou bacana e dá pra ler um trechinho de "Buceta" lá.

Três ou quatro amigos leram o livro antes da edição final. Um deles foi Pedro Novaes, que escreveu sobre o livro em seu blog. Obrigado, Pedrão.

O livro será lançado neste Domingo, na FILC - Festival Internacional de Leitura de Campinas. O evento acontece na antiga estação ferroviária de Campinas, fácil de chegar. Estaremos lá a partir das 15h e será um prazer encontrar os amigos.

Apdeite: Amigão Nababu também fez post. Obrigado, nêgo!

Vai ser mesmo dia 19, domingo, às 15h, durante a FILC, em Campinas. Na mesa, durante o lançamento, falando sobre literatura independente, livros, ér, livros e livros estarão Falzita e Branquito.

O livro novo tem o singelo título de "Buceta - Uma Novela Cor-de-Rosa" e, para não constranger os pudicos, o volume terá uma estilosa sobrecapa apenas com o subtítulo. (Não convenci o Branco de colocar um título falso na sobrecapa, algo como "O Tunelzinho da Princesa")

Não, não é uma continuação de "Sexo Anal - Uma Novela Marrom". O livro aproveita alguns personagens, a linguagem e o ritmo, o tom policial. E só. É mais divertido, algumas das poucas pessoas que leram acharam mais quente, rápido e fechado que "Sexo Anal".

Falo mais sobre o livro em breve. E espero todos em Campinas, dia 19.

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Quais os melhores filmes dos fatídicos e nada nostálgicos anos 80?

As listas que encontramos por aí são sempre encabeçadas por Spielberg com "Os Caçadores da Arca Perdida" e "ET - O Extra-Terrestre". Adoro os dois filmes, vi "ET" na estréia em minha primeira ida ao Rio de Janeiro. Também não dá pra não reconhecer a importância de "Caçadores" que trouxe de volta para o cinema o filme de ação bem feito e descompromissado depois da cínica e pessimista década de 70.

Os anos 80, porém, reverberam os anos 70 em seus cinco principais filmes: "Touro Indomável" (Scorsese), "O Iluminado" (Kubrick), "Era Uma Vez na América" (Leone), "Platoon" (Stone) e "Scarface" (DePalma). A lista inconteste das melhores produções da década sugerem inovações de roteiro e temas, antecipam tendências para a década seguinte: "Blade Runner" (Scott), "Veludo Azul" (Lynch), "Faça a Coisa Certa" (Lee), "sexo, mentiras e videotape" (Soderbergh) e "Laços de Ternura", Brooks.

No cinema mais, hmmm, internacional, para uma lista de melhores da década, deveriam constar "Ran" (Kurosawa), "Cinema Paradiso" (Tornatore) e "Asas do Desejo" (Wenders). Esses 13 filmes, somados aos dois do Spielberg, seriam suficientes para salvar a década: 15 grandes filmes; excepcionais.

Mas foi na década de 80 que eu comecei a ver filmes de verdade, foi ali que eu me interessei por cinema, foi freqüentando locadoras que eu vi que existiam mais coisas do que passava nas madrugadas da TV - só havia TV aberta, quatro ou cinco canais. Foi retirando filmes e vendo e revendo que encontrei alguns dos filmes da minha vida e embora adore todos esses 15 aí de cima, tenho minha lista pessoal de melhores filmes dos anos 80 e aí vai ela:

1 - Coração Satânico, Parker
2 - Memórias, Allen
3 - Conan - O Bárbaro, Millius
4 - Um Tiro na Noite, DePalma
5 - Fuga à Meia Noite, Brest
6 - O Enigma do Outro Mundo, Carpenter
7 - Zelig, Allen
8 - Videodrome, Cronenberg
9 - Os Intocáveis, DePalma
10 - Pink Floyd - The Wall, Parker

É claro que "De Volta para o Futuro", os filmes das séries "Sexta Feira 13" e "A Hora do Pesadelo" e "Porky's" e "Um Peixe Chamado Wanda" e "Harry & Sally" além de "Top Gun" e as continuações de "Guerra nas Estrelas" e "Curtindo a Vida Adoidado" e "O Exterminador do Futuro" e "Mad Max" e "Os Caça-Fantasmas" e o "Batman" do Tim Burton e "Flashdance" & "Footloose" & "Purple Rain" e "Rambo" e, especialmente, "Conta Comigo", fizeram de todos nós, adolescentes nos 80, pessoas melhores.
Embora a música fosse ruim e a gente usasse roupas horríveis, bons filmes salvam a década.

Viu, Rafa? Nem tudo foi uma grande merda nos 80.

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