março 2009 Archives

Pois é, vai acontecer entre 18 e 26 de Abril, No dia 19, Domingo, às 16h, faremos uma mesa sobre, ér, literatura independente, internet, essas coisas, eu, Branco e Falzita.

O evento acontece no Centro Cultural Estação Guanabara, local abandonado por mais de 30 anos e agora assumido pela Unicamp.

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As grandes atrações (tirando a gente, é claro) são Fernando Morais, Moacir Scliar e Jorge Coli, além do show de encerramento com Toquinho e Orquestra Sinfônica de Campinas. Acompanhe a programação no blog do evento.

Espero os amigos lá. Depois, é claro, tem Giovanetti.
;>)

EU FUI!

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Mas o final de semana especial não foi só disso.
Começou logo cedo com uma descoberta literáriain-te-res-san-tís-si-ma!

Depois teve show do Maurício Pereira em Campinas, num lugar super legal.
E feirinha do Masp e chopp no Genial com Branco e Fernanda e, bem, os shows.

Ufa.
Coisa pra gente grande, viu?
Em breve o relato.

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Parei de ler gibis lá por, hmmm, 1992. Depois disso só lia algumas coisas esporádicas, encontrei o quadrinho mais elaborado mas confesso que passei à margem até mesmo dos grandes heróis do pessoal da minha idade, mais "maduro". Quase não li Constantine ou Sandman. Às vezes revisito revistas antigas, os "Heróis da TV" que tenho guardado, amarelados aqui.
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Pois nesse final de semana, na casa de minha irmã, vi uma revista do "Homem-Aranha" e levei-a ao banheiro. Na segunda-feira anterior tinha lido a coluna do Álvaro Pereira Jr. no Folhateen, ele achando "Watchmen" cabeça demais, saudoso do gibi pelo gibi, aquelas historinhas passatempo. Pois Álvaro não deve ler quadrinhos faz é muito tempo, assim como eu. O passatempo, agora, parece ser complicação.

Era o número 72 da "Marvel Millenium - Homem-Aranha". A série Millenium é para pessoas mais jovens, uma tentativa de trazer pre-teens para o Universo Marvel. Na primeira página tem um texto resumindo o enredo do que vem acontecendo. Não mudei uma linha, não acrescentei nenhum ponto de exclamação. Olha só o que estava escrito:

A picada de uma aranha geneticamente alterada concedeu ao aluno de colegial Peter Parker incríveis poderes aracnídeos!

Quando um ladrão matou seu amado tio Ben, o pesaroso rapaz jurou usar seus espantosos dons para proteger seus semelhantes. Ele aprendeu uma valiosa lição: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.

Agora o galante herói tenta combinar um currículo pleno de colegial, o trabalho noturno como web-designer no Clarim Diário, seu amizade com a bela Mary Jane Watson e as patrulhas pela cidade como o incompreendido Homem-Aranha!

Preocupado com o perigo que sua vida como combatente do crime representa para MJ, Peter rompe o namoro com a jovem e começa a sair com Kitty Pride, da superequipe de mutantes X-Men.

Mesmo assim, MJ é seqüestrada por um horripilante e disforme clone de Peter. Ele a leva para um laboratório abandonado da Oscorp e jura que encontrou um meio de manter MJ a salvo... Tornando-a um monstro como o Duende Verde!

Enquanto procura por MJ o verdadeiro Peter descobre que sua amiga Gwen Stacy ressucitou. Como se isso não bastasse, o pai do rapaz, Richard, reaparece (após ser dado como morto por anos) e revela que esteve fazendo experimentos secretos de clonagem para a CIA. E o pior de tudo: Peter revela a sua tia May que é o Homem-Aranha!

De repente Nick Fury - líder da força-tarefa super-humana do governo e armado até os dentes com andróides esmaga-aranhas - cerca a casa. A incalculável tensão da situação leva May a ter um ataque cardíaco... Mas a maior supresa se dá quando Gwen se transforma em Carnificina - o monstro que a matou - e ataca Fury e seus homens.

Quando o Quarteto Fantástico chega para ajudar Peter, Carnificina é derrotada e May levada ao hospital - acompanhada do pai de Peter e de Sue Storm, do Quarteto. Peter é resgatado por outro clone de si mesmo - neste caso, uma garota!

Ela o leva ao laboratório da Oscorp onde o rapaz encontra MJ alterada e um verdadeiro exército de clones. Mas a maior surpresa se dá quando surge a mente por trás do que está acontecendo: o Dr. Octopus com Fury e o Quarteto Fantástico ao seu lado!

Negritos meus.

Não é incrível? Como puderam retorcer tanto assim a história de um herói? Como meu sobrinho de 9 anos vai se identificar com algo assim? Como chegaram a isso, Rafa? Como poderão, no futuro, adaptar algo tão fantasticamente rocambolesco para o cinema?

Fui ver o quadrinhos. A arte é ótima, a diagramação é impressionante: o gibi ganhou em estrutura narrativa. Mas perdeu em imaginação e bons roteiros, pelo visto. Falo do gibizão comercial, claro. Mas o papel e a impressão me parecem ainda inferiores aos da minha época.

Para confirmar o choque que tive com o resumo da epopéia aracnídea, fui checar outras partes do gibi e encontrei absurdos também nas histórias dos X-Men e do Quarteto Fantástico.

Acho que parei de ler gibis na hora certa.

"Watchmen - O Filme" é a melhor adaptação de uma HQ para as telonas. É um grande, grande filme.

Há mais de 20 anos esperamos a adaptação da série criada por Moore/Gibbons e já ficamos empolgados com a possibilidade de Terry Gilliam abraçar o projeto, mas a espera valeu a pena e o über-nerd Zack Snyder fez a coisa certa. A coisa certa, no caso, é ter sido o mais fiel possível com os quadrinhos, mas sem se render à veneração, ao literatismo e tomando uma liberdade que - creio - foi difícil, mas era necessária: mudar o final.

Não é uma grande mudança, mas suprimiu toda parte do navio, do seqüestro das pessoas, do mega-monstro que se materializa em Nova Iorque. O monstro, que funciona bem nos quadrinhos, seria um item fantástico demais no filme, já que o tom usado por Snyder é de realismo.

O mais genial neste realismo do filme é que ele se passa numa realidade alternativa; Nixon está em seu terceiro mandato e os EUA venceram a guerra do Vietnã. A Guerra Fria com a União Soviética ameaça mandar o mundo pelos ares, os super-heróis tiveram uma aposentadoria forçada por conta de uma lei, o mundo dos anos 80 são piores do que realmente foram - imagine isso!

Colocar dentro desse universo paralelo um bando de homens fantasiados de super-heróis é uma missão complicada, e muitos juraram que qualquer tentativa de fazer um filme como esse resultaria em pastelão. Mas os personagens são muito bem construídos por Moore - e Snyder respeitou isso. Sentimos a angústia, a confusão e até o constrangimento dos personagens e algumas situações.

A abertura do filme, com a morte do Comediante, e a sequência dos créditos já mostram que é filme de gente grande. Nesses poucos minutos, em outra liberdade do roteiro, entramos na realidade paralela do roteiro, ficamos sabendo sobre Nixon através do aparelho de TV que o Comediante assiste, temos a sequência dos créditos que faz a transição entre os anos 40 e os anos 60 e entra pelos anos 70 até chegar nos 80 quando a ação se desenvolve. Vemos os Minutemen, equipe de justiceiros de rua, e ficamos sabendo sobre como surgiram e desapareceram os Watchmen - sabemos um pouco mais sobre isso lá pelo meio do filme. Toca "Times They're A Changing" do Dylan, na abertura. É uma música acertada para a abertura. Mas a música é o grande erro do filme, falo adiante sobre isso.

O trabalho com as cores no filme é maravilhoso, a quantidade de informações por quadro é fantástica, cheguei a pensar em Peter Greenaway enquanto assistia. E nos quadrinhos, claro. O ritmo respeitou os flashbacks e alguns personagens e seus destinos foram suprimidos, creio, pela duração final: 163 minutos. Embora eu tenha certeza que ninguém ia reclamar se o filme tivesse uns 10 minutos a mais e nós pudéssemos ficar sabendo o que aconteceu ao Coruja original ou o que o Jornal New Frontiersman fazia. O velho Coruja aparece apenas ocasionalmente e não sabemos qual o seu fim. O New Frontiersman aparece só no final, ninguém sabe nada sobre o jornal - mas, não sei se todos sabem, o jornal existe na internet.

O trabalho dos atores também é magnífico, todos estão muito bem em seus papéis, muito parecidos com os personagens da HQ - exceto Veidt, que no gibi é mais bonito, imponente, ganha cara de fuinha no filme, sujeitinho apático.

Os destaques são, claro, o Comediante e Rorscharch, vividos com intensidade por Jeffrey Dean Morgan e Jackie Earle Haley. Já estão aventando a possibilidade de matarem Jackie Earle Haley para ver se ele ganha um Oscar.
:>)

Billy Cudrup foi boa decisão para o Dr. Manhantan e ele fica andando pra lá e pra cá sem roupas e eu bem quero ver quando o filme sair em DVD e a garotada fã do Homem de Ferro tirar o filme achando que é algo como A Liga da Justiça e dar de cara com o pau daquele cara azul... Entra a mãe na sala:
- Que isso, filha?
- É um super herói, ele tem super poderes!
- Tou vendo!
:>)

Ah, sim, Malin Akerman está uma maravilha, onde é que essa garota estava?

A Malin protagoniza a cena de sexo do filme, onde, pelo que me lembro, devia tocar Billie Holyday, mas toca Cohen, "Hallelluiah". Ficou feio. Ficou satírico, não funcionou. Assim como não funcionou "Sound of Silence" no enterro do Comediante. E muito menos a "Cavalgada das Valquírias" na cena do Dr. Manhatan no Vietnã - referência evidente demais à "Apocalipse Now", do Coppola.

Sim, a trilha é sofrível, "All Along the Watchtower" com o Hendrix está no lugar errado, Janis Joplin não tem nada a dizer ali... Zack Snyder não é Tarantino, tem só cultura nerd, o que exclui música. Tarantino é um nerd de antes da internet, colecionava discos. A trilha é tão sofrível que está recebendo uma ou duas estrelinhas na Amazon.

Mas não atrapalha o geral: o que a HQ conta, está ali. O espírito está ali, a história (única HQ a figurar na lista dos 100 melhores romances do século da Revista Time) está ali, todo potencial do cinema contemporâneo está ali. Não há mais barreiras, Hollywood só precisa mesmo de boas histórias, histórias interessantes.

Watchmen é uma das melhores já escritas e, agora, já filmadas.

Ao longo dos últimos anos, empresas vêm investindo em ações e programas de responsabilidade social e ambiental - e usando isso como marketing, o que é justo.

Consultorias de recursos humanos passaram a ter papel cada vez mais importante nas corporações, a figura do trabalhador foi ganhando mais atenção, os sindicatos se profissionalizaram e a maioria dos líderes sindicais não se encaixa no protótipo clichê do socialista empertigado anti-patrão. Tudo ia bem, parecia que uma melhora progressiva da sociedade acontecia. Aí apareceu a crise.

Com ela (a crise) caíram algumas máscaras. Empresas socialmente responsáveis podem demitir alegando pura e simplesmente queda no faturamento? Empresas que se dizem ambientalmente responsáveis podem demitir alegando que o mais importante é manter a meta de crescimento mínimo? Demissões não são, ambientalmente falando, mais preocupante que o extermínio de alguma espécie?

Empresas que vêm crescendo e faturando alto ao longo de anos, décadas, podem demitir por conta da queda do faturamento em alguns meses? Hmmm, a crise começou em Novembro, estamos em Março, cinco meses? Cinco mesezinhos?

Para mim - que não sou especialista em gestão empresarial - é claro que as grandes empresas (como as montadoras, que alegam quedas estratosféricas nos lucros) têm liquidez para pagar os funcionários com cotas de ações. Para mim, é claro que essas empresas vêm faturando horrores ao longo dos anos e têm bens e commodities suficientes para agüentar um ou dois anos de algum prejuízo. Essas seriam reais contrapartidas sociais.

Mas quem quer se preocupar com aparências em época de crise, pois não?

De outro lado, dividem-se os líderes sindicais. Alguns acham que reduzir salário para manter empregos é uma prática irreversível e já está sendo usada por empresas que nem estão sofrendo tanto com a crise, aproveitadoras da situação. Outros, mais radicais, acham que o momento é de lutar para manter o salário e, se possível, até lutar por aumentos já que o sistema capitalista está sucumbindo graças à ganância histórica do patronato. "Tá na hora de dividir, de pegarmos a nossa parte!".

Nenhum patrão, claro, quer descer um degrau na escada social por causa da crise. É melhor cortar gastos (o trabalhador) e deixar o dinheiro aplicado esperando para ver o que vai acontecer. O trabalhador que desça vários degraus! - e o patrão fica bravo quando um moleque qualquer lhe aponta um canivete no farol e exige o rolex de ouro comprado na Suíça.

É hora de um passo atrás, de todos. Mas como fazer isso depois da desmoralização do socialismo?

Talvez a solução esteja na transparência real - não aquela alardeada pelos bancos que publicam balanços duvidosos nos jornais. As empresas têm que escancarar as contas, reduzir custos (inclusive com almoços e jantares de negócios & viagens & presentinhos) e buscar soluções criativas para não demitir, procurando a sugestão do funcionário. Encurtar a distância entre o patrão e o empregado pode ser o início do caminho.

Mas o patrão vai querer apertar a mão suja de graxa do empregado?

(Depois desse post escrito, vejo o Chomski no Estadão de Domingo: "A socialização dos custos e dos riscos com a privatização dos lucros é uma característica básica da economia capitalista". Como reverter isso, nessa altura do campeonato?)

Apdeite: Ainda sobre crise e arredores, acompanhe a sensacional série sobre economia doméstica do Alex Castro.

Na retomada do Brain Eaters.

Vão .

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Aproveito o post para saudar o aniversário dos Verbeats - e dizer que a expansão está LINDA!

Dar os parabéns também para o irmãozão Alex Castro, 6 anos de blog.

E dizer que tou com Idelber até debaixo d'água! Ditabranda é o caralho!

Apdeite: E parabéns também ao Roger pelo lançamento do seu livro!!!

Chomsky estava na escola secundária e ficou "todo entusiasmado com o time de futebol da escola". Mas, em algum momento de sua trajetória na escola, teve uma revelação sobre os eventos esportivos do secundário e sobre aqueles que se envolviam neles:


"Lembro-me bem no secundário de, subitamente, me fazer o seguinte tipo de pergunta: por que estou torcendo para o time de futebol da minha escola? Não conheço nenhuma dessas pessoas. Elas não me conhecem. Não ligo para elas. Detesto o secundário. Por que estou torcendo para o time de futebol de minha escola? Bem, esse é o tipo de coisa que você faz, é treinado a fazer. Está entranhando. E isso leva ao nacionalismo, à subordinação e assim por diante."

A noção de torcer para o time certo é uma das que geralmente enervam Chomsky e, mesmo nesse ponto inicial da sua vida, ele não tinha medo de percorrê-la sozinho.

Noam Chomsky, Robert F. Barsky - A Vida de um Dissidente (Conrad Editora).

Joseph Campbell em mais um texto meu na Amálgama.


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