outubro 2008 Archives

Fosse eu o Bentinho
Deixava de charminho
E chamava o Escobar
Para um ménage-à-trois.

kojak1973.jpg

o reverso?

A Há até pouco tempo, só tinha eu de Biajoni na internet.
O sobrenome da família, na verdade, é Biagioni. Minha grafia foi erro de cartório.
Mas não é que apareceu outro Biajoni?

É mole?

Juro que no primeiro momento eu li "Brasil Aviadado".
Me deu medo.
Depois deu mais.
:>)

mais velho

A maioria das pessoas pensa que fazer aniversário é somar um ano. Eu penso sempre que é um ano a menos.

Ontem fiz 38 - meu Deus, meu Deus, meu Deus! - e, pela correria tamanha, nem rolou o tradicional post de aniversário, olhe, gente, me dêem os parabéns!

Datas assim têm que servir para alguma coisa, além de, no meu caso, o constrangimento do pessoal que vem dar os cumprimentos e eu nunca sei o que dizer. "Obrigado, ér, eu devo ficar feliz por estar mais velho, é isso?".

Já que tem que servir para algo, penso sempre nos últimos anos, tento fazer uma análise dos últimos anos imediatos. Nossa, esses últimos 4 anos foram os mais radicalmente transformadores em toda a minha vida e esse ano aqui, ufa!, nem digo.

Há 4 anos eu estava solteiro mais uma vez, estava escrevendo muito, demais, rotineiramente; descrente do amor, havia enterrado o desejo de ter mais um filho; tinha vestido a túnica da vida modesta, decidido a viver de pequenos bicos, do pequeno talento da minha escrita. Decidido também a perambular um pouco por aí, pelo País, visitando e me aproveitando um pouco das dezenas de amigos que fiz na internet nesses 10 anos virtuais, e não sair de Americana jamais. Eu não tinha idéia, a mínima que fosse, de como minhas resoluções estavam irresolutas.

A liberdade que eu achava que respirava nem de longe era a liberdade que respiro em todos os meus disciplinados compromissos hoje. Com minha mulher, a linda Lia, o Dudu, em nova casa em Limeira, sem a mínima possibilidade de fazer a mais rápida viagem a Sampa para tomar uma cerveja com os amigos.

Se Kant estivesse vivo, meu caso poderia servir para um artigo da antinomia disciplina-liberdade.

E, quando eu vejo todas as mudanças desses 4 anos, quando desejo que as coisas se mantenham assim, uma estabilidade plácida, uma serenidade de lagoa sem vento, uma satisfação quase inócua por não-desejo, uma tranqüilidade budista, algo se agita e aponta para mudanças possíveis e também interessantes mostrando que a dinâmica da vida não admite projeções. Ou, pelo menos, não grandes projeções.

É viver um dia após o outro pois, apesar dos anos não se somarem - mas subtraírem-se -, ao contrário, os dias, para nós, se somam e se multiplicam em mais um paradoxo existencial.

Ficar mais velho me deixa um filósofo do caralho!

Todo mundo já falou da polêmica peça publicitária da campanha da Marta, questionando, ér, se o candidato Kassab era casado, etc. Spot capcioso, fica bem claro que a pergunta não pede uma resposta - aponta, em si, outro questionamento: seria Kassab homossexual?

Idelber Avelar diz, acertadamente, que "não me parece honesto negar que essas perguntas tentavam jogar com a homofobia alheia". O post de Idelber sobre o assunto é ótimo, assim como o de Rafael Galvão, apesar do Paraíba dizer que "A intimidade de uma pessoa pública não interessa a ninguém" - na verdade, a intimidade de uma pessoa pública MOVE boa parte da imprensa, dos jornais, de revistas e talvez o correto fosse: "a intimidade de uma pessoa pública não DEVERIA interessar a ninguém" mas não é assim em lugar nenhum do mundo, nem em qualquer País democrático-ultra-desenvolvido. Veja o que acontece nas eleições americanas.

Tanto Idelber como Rafael tocam num ponto importante, a quantidade de perguntas legítimas feitas ANTES do tal "É casado? Tem filhos?", do final do anúncio. Como a intimidade de uma pessoa pública interessa a todo mundo e vende jornais, foi exatamente esse ponto escolhido pelos jornais para repercussão.

Ao contrário do que pensou Rafael ("dificilmente Kassab tomará a palavra para dizer que é hetero ou homossexual"), Kassab apareceu na capa da Folha, dias atrás, afirmando que tinha "muita mulher querendo namorar comigo", ou algo assim. Não sei se ele respondeu se ELE queria namorar alguma delas.

O fato é que, sim, o eleitorado paulista é mais conservador do que aparenta. A pergunta que me ocorre é, se Kassab for, realmente, homossexual, não deveria aproveitar o episódio e assumir? Essa pergunta tenta jogar com a homofobia íntima.

Sabemos que existem candidatos homossexuais que fazem de sua própria condição, reduto eleitoral. Para o eleitor interessado, pouco importa a orientação sexual do candidato - e, no caso de Kassab, parece estar bem claro que ele conquistou boa parte do eleitorado com sua gestão. Não sou ingênuo de achar que uma declaração de homossexualismo não iria prejudicar o candidato. Porém, ainda que perdesse uns pontos, seria um grande passo para sua própria carreira e para a política brasileira, de maneira geral.

Afinal, todos querem que os EUA tenham um presidente negro, mas não que São Paulo tenha um prefeito guei?

Não estou afirmando que Kassab seja homossexual, mas não ficará ruim se, no futuro, sei lá, daqui 3 ou 4 anos, esse fato vier à tona?

Talvez, caso seja mesmo guei, o fato nunca venha à tona. Talvez Kassab se case e tenha filhos. Para júbilo do Serra que já declarou, mais de uma vez, que não curte gueis.
Agora, não sendo homossexual, é estranho que esses paparazzis todos que vivem na cola das figuras públicas nunca tenham flagrado o homem com uma dessas beldades globais alpinistas sociais. Não é?

Ah, ou falta personalidade ou testosterona ao Kassab. Disso eu não tenho dúvida.

soylent green

SOYLENT_SIMPSONS.JPEG

Texto meu no OPS!

Em duas partes.
Tem coisa que só o Biajoni faz pra você!

Quarta-feira da semana passada peguei avião e fui conhecer Balneário Camboriú. O convite partiu da Semana de Comunicação da Univali, a Universidade do Vale do Iatajaí. Dei entrevista na rádio experimental da universidade, falei para uma grande platéia, fiz novos amigos, caminhei na praia de manhã, coisa que não fazia há muito. Foi ótimo.

Nem bem voltei, tive que finalizar toda estruturação da transmissão da eleição municipal. Como nem tudo o que é programado sai como queremos, a transmissão, que começou às 16h se arrastou até quase uma hora da manhã: fiquei mais de 8 horas no ar, ao vivo, acho que bati algum tipo de recorde. Foi um programa histórico, demos os resultados em primeiríssima mão de toda região, das capitais, das principais cidades do País. Nada como ter boas fontes e bons relacionamentos. Tem quem ache que fazer televisão é ter acesso ao MSN, acredite vocês.

Falando em eleições, parabéns paraíba!

Depois de alguns dias sem ler jornais (adoro ler jornais) pego a Folha, matéria sobre o novo filme de Guy Ritchie com Robert Downey Jr. sobre Sherlock Holmes, a jornalista começa dizendo sobre o famoso charuto (!!!) do detetive. Eu me desanimo desses jornalistas, vai dizer?

(Meu garoto, aqui do lado, lembra que a Folha escreveu, a respeito dos 50 anos de Madonna, que a cantora completava "meia década" (!!!) - a matéria falava de idade mental?)

No instante em que meu livreco, "Sexo Anal", acaba e vai entrando novamente para download gratuito, vejo uma super entrevista de Fal Azevedo na Revista Amálgama. A Fal me cita, fico todo bobo, e prometo publicamente ler e resenhar (estou ansioso!) seu último novo livro, "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite".

(Fal cita também o Dahmer, pô, daria um dedo para fazer algo com o Dahmer!)

Também na Amálgama, texto meu sobre Serge Gainsbourg

(E no OPS!, um texto sobre "A História do Olho", do Bataille)

Agora, tou flanando. Já volto.

O Rafael Galvão fez um post comentando a discografia solo do McCartney. Sugeriu que eu podia fazer o mesmo com Lou Reed, pós-Velvet. Em tempos em que você pode achar & baixar tudo na internet, vai aqui o que vale a pena - com as devidas considerações sobre tal extensa discografia.

O primeiro disco solo de Reed levou seu nome mas, felizmente, sua imagem não estava na capa. Ele chamou Tom Adams, artista que fazia capas de livros policial e de mistério, de Agatha Christie a Raymond Chandler, para desenhar uma jóia num ovo falso, no meio da rua, entre beija-flores, prédios e um pintinho sinistro. O nome de Reed aparecia com flores vermelhas, meio fúnebre - uma capa esquisita para um primeiro disco. Havia ali uma pretensão artística. O disco não é bom: as faixas que se salvam são rescaldos do Velvet, incluindo a melhor: "Love Makes You Feel". Reed parecia querer enterrar um passado, sem saber que rumo novo (o ovo) tomar.

O segundo disco é o histórico "Transformer" (1972), produzido e co-engrendrado por David Bowie em Londres, um clássico lindo, quase perfeito, que Reed nunca conseguiu superar ou igualar.
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O terceiro é "Berlim" (1973), também clássico, mas por um motivo específico. Foi um dos primeiros discos conceituais da história do rock. E ia além no "contar da história": misturava referências pessoais de Reed, citava de viés John Cale, Nico, Andy Warhol, e, principal, contava de maneira vagarosa uma história de amor, dor e morte que não parecia ter saído do mesmo cérebro que havia acabado de fazer "Transformer". Reed estava taciturno, amargo e sombrio. É um dos grandes discos de todos os tempos, que permite uma primeira experiência exasperante na audição e as reouvidas são difíceis e dolorosas.

Nesse clima foi gravado "Sally Can't Dance", de 1974, que pretendia ser um "Transformer II"- mas não colou. Apesar de contar com a antológica e sempre citada (mas longe de estar entre as minhas preferidas) "Kill Your Sons", o disco é fraco.

Teve aí um disco ao vivo, o bom "Rock'n'Roll Animal", com solos de guitarra . E nem podemos falar do disco seguinte, "Metal Machine Music", álbum duplo cheio de chiados, já eleito e reeleito o pior disco já gravado.

Chegamos ao que pode ser considerado seu quinto disco, "Coney Island Baby", despretensioso e gay ao ponto de poder, sim, ser considerado um sucessor de "Transformer". Mas não havia ali a mão de Bowie e os arranjos das músicas são pobres, salvando apenas a faixa título; uma música de recordação e memória que remete a James Joyce.

Na seqüencia, mais um disco ao vivo, celebrado como um dos melhores já gravados, mas que eu acho bem ruinzinho.

Reed, em 76, estava meio inebriado pelo fusion, pelo novo jazz de Miles Davis, tentou fazer um disco com metais e cometeu "Rock'n'Roll Heart".O próprio nome do disco parece querer dizer que ali não tinha jazz, não tinha blues, não tinha experiência. Mas o disco é só um equívoco geral de tentativas. Salvam-se a faixa título e a climática "You wear it so well", estranhamente uma das minhas músicas preferidas de Reed.

Nesse momento, alguém diz a Reed que o negócio dele é falar das ruas, é ser mesmo O marginal e ele faz "Street Hassler" (1978), um disco que é sempre colocado entre os seus melhores mas do qual eu não sou capaz de pinçar uma só música sequer.

Vai daí, grava "The Bells", um disco fraco que tem a pior música já gravada por Reed (tirando as do disco MMM), "Disco Mystic". Ao menos "The Bells" tem "Stupid Man" e "City Lights"- duas pequenas grandes canções dentro de um álbum sofrível.

E Reed cruza então os anos 80 com um bom disco, "Growing Up In Public", em que pelo menos metade das canções se salvam - especialmente o humor de "Power of Positive Drinking". Um disco despretensioso, como deveria ser todo bom disco de rock.
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Reed comete então o seu terceiro grande disco: "The Blue Mask" (1982). Ele havia acabado de romper com o travesti Rachel e encontrava seu lado viril, erudito e poeta - embora possa haver uma grande contradição entre esses três termos. "The Blue Mask" tem sua mais radical experiência narrativa até então ("The Gun"), trazia à baila a questão das drogas ("Waves of Fear") e fazia a crônica de seu tempo ("The Day John Kennedy Died"). A "mulher" também aparecia como musa - e não só era evocada como (a)clamada ("Heavenly Arms").

Em bom momento, aparece o "disco de motociclistas" de Reed: "Legendary Hearts". Creio que seja um dos discos menos citados do compositor e um dos menos resenhados de sua longa discografia. Mas eu o considero entre os melhores. A faixa título, "Pow Wow" e a pequena "Rooftop Garden" estão entre as-minhas-preferidas-de-todos-os-tempos de Reed.

Estamos em 84, ele lança mais um disco fraco ao vivo, da Itália e "New Sensations", um disco que parece melhor que é, com faixas que funcionam melhor ao vivo, como lançamentos futuros fizeram crer. A faixa título é presença quase constante nos shows de Reed; uma música que permite pegada & improviso. Deste disco, para mim, a melhor faixa é "Doin the Things That We Want To".

As coisas estavam aparentemente bem, quando um dos seus piores discos é lançado: "Mistrial" (1986). Lamentável. Esperamos 3 anos para que Reed, em 1989, nos entregasse sua quarta obra-prima, "New York": outro disco conceitual - que usa a premissa de Tolstói, que diz que "basta você falar de sua aldeia para falar do mundo". Reed fala de sua aldeia, a globalizada Nova Iorque, para falar do mundo todo. Um disco que só não é perfeito para mim porque tem "Last American Whale", música que eu acho um grande porre.
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John Cale se reaproxima de Reed durante a morte de Warhol; pensam em um musical temático,surge "Songs for Drella", lindo, mas creio que não palatável para neófitos.

Os efeitos negativos das drogas fáceis nos anos70 e 80 começam a ceifar vidas nos anos 90 e Reed fala da morte de seus amigos em mais um disco temático, "Magic and Loss", bom, acima da média, mas que, como "Berlim", não é para ser ouvido a todo momento e em qualquer lugar. "What's Good" e"Sword of Damocles" são as minhas preferidas.

O próximo disco é uma reunião de canções esparsas, sem tema definido, "Set the Twilight Reeling", disco muito acima da média em que se destacam "NYC Man", "Trade In" e o humor de "Hookywooky". Sua musa agora é Laurie Anderson, a nova mulher.

A crítica adora odiar "Ecstasy", de 2000, citando a pílula usada em festas. A capa e encarte do disco mostram que Lou Reed está falando de outro tipo de tesão. Fazendo uma referência a um filme antigo de Warhol, ele aparece com a cara retorcida em diversas fotos como se estivesse, bem..., tendo um orgasmo, recebendo um boquete.
ecstasy.jpg
Ele faz isso no disco: goza da sua boa vida, das ocasiões fortuitas, ri das desgraças, bota um toque sardônico na questão conjugal e arrisca uma guitarra rollingstoniana no meio - talvez para afirmar que ainda é rock'n'roll e gosta disso.
Para mim, "Ecstasy" é a quinta obra-prima de Reed.

Depois veio o fraco projeto "The Raven", relendo Allan Poe e "River Hudson Meditations" que é o "Metal Machine Music" dos neo-vegans. Tomara que não demore mais dois anos para Reed lançar mais um bom disco de rock.

O problema da alta produtividade acaba sendo esse: entre cinco ou seis obras-primas choram 20 discos medianos. Pelo menos a gente tem do que se ocupar e escrever. Vai dizer?

*40 melhores músicas dos 20 discos oficiais de Reed - fora "ao vivos" e coletâneas - em ordem cronológica:

1 - Love Makes You Feel
2 - Walk On The Wild Side
3 - Satellite of Love
4 - Perfect Day
5 - Berlin
6 - The Kids
7 - Sad Song
8 - Ennui
9 - Sally Can't Dance
10 - You Wear It So Well
11 - Rock'N'Roll Heart
12 - Coney Island Baby
13 - Stupid Man
14 - City Lights
15 - My Old Man
16 - The Power of Positive Drinking
17 - The Gun
18 - Waves of Fear
19 - Heavenly Arms
20 - Legendary Hearts
21 - Pow Wow
22 - Rooftop Garden
23 - I Love You Suzanne
24 - Doin The Things That We Want To
25 - New Sensations
26 - Romeo Had Juliette
27 - Dirty Blvd
28 - Sick of You
29 - Strawnman
30 - Faces and Names
31 - I Believe
32 - What's Good
33 - Sword of Damocles
34 - NYC Man
35 - Trade In
36 - HookyWooky
37 - Modern Dance
38 - Tatters
39 - Baton Rouge
40 - Edgar Allan Poe

*Bonus Track: Hop Frog

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