Bom, eu não gostei do "Batman Begins", achei esquemático demais, aquela música tocando enquanto Waine era treinado pelo Qui-Gon Jinn tava mais para "Karatê Kid" do que para "o filme que eu esperava do Nolan". Havia ainda a espetacularização da coisa toda, com explosões demais, trama demais, duração demais, personagens demais. Sem contar que o Batman voa e todo mundo sabe que o Batman não voa.
Começo dizendo que não gostei que o segundo filme tenha se apropriado do nome da HQ do Miller, apenas para justificar a fotografia escura, o Coringa Sinistro e alguma tentativa de derrubar maniqueísmos construídos pela série. O filme podia bem chamar "Batman contra Coringa".
O Coringa do Ledger é muito bom, é a grande atração do filme mas... ele aparece menos do que eu esperava... a trama toda com a máfia e o duas caras se arrasta demais, faz o filme ter os mesmos defeitos do primeiro - embora este seja bem menos esquemático, mas ainda assim extremamente linear; parece que Nolan esqueceu tudo o que aplicou em "Amnésia" e, depois desse, passou a fazer filmes totalmente lineares e sem inventividade narrativa.
Muita coisa me incomodou no filme: o batom que o Bale usa como Batman, bem perceptivel já na primeira cena; a voz gutural forçada (o Batman não usa um modificador de voz, vai dizer?); a nova Rachel, Maggie Gyllenhaal, boa atriz mas sem apelo para atrair os protagonistas todos; uma certa canastronice do Gary Oldman e... alguns exageros, como a máquina de rastreamento de celulares para localizar o Coringa, os cabos de aço que derrubam o helicóptero ou mesmo a ação de Batman contra a Swat - um escarcéu que não chama a atenção do Coringa que está no andar de cima.

O filme é bom? Leva o Batman para outro nível no cinema, com discussões interessantes que eu pude ter com minha filha, Isabelle, de 15 anos. Podia ser melhor, se fosse mais curto, se tivesse menos explosões, se os embates entre Batman e Coringa tivessem mais de "Asilo Arkhan" que de "A Piada Mortal", fossem mais verbais...
O Gravataí Merengue escreveu bom post sobre o filme - ele não morreu de amores.
Apdeite:
Boa matéria de Pedro Butcher na Folha, com o título "Realista e extremamente sério, Batman cai na redundância". Trechos:
O slogan do filme, retirado de uma frase do Coringa, se impõe como a pergunta que deve ser feita ao diretor Christopher Nolan: Why so serious??? (por que tanta seriedade???).
[o filme] é um filme-discurso, reiterativo, em que os personagens fazem questão de explicar seu papel. O próprio Coringa é cheio de frases que descrevem sua função dramática.
(Menos maluco e mais dramatúrgico, esse Coringa chega a ser lógico demais)
[...] Coringa se revela uma espécie de roteirista do "Você Decide", criando desfechos francamente demagógicos, como aquele com as duas barcas recheadas de explosivos.
No final, Butcher compara o filme a "Onde os Fracos não Têm Vez", que tem o vilão que atira moedas para decidir o destino de quem cruza seu caminho, como o Duas Caras. O filme dos Coen sim é caótico e assustador. O Coringa é fichinha perto do Javier Barden.

