março 2008 Archives
Lá no outro blog.
Você acha que um post se escreve sozinho? Não, não, alguns posts demoram vinte anos para brotar. Para nascer do senso de percepção de algo que pode ser ligeiramente profundo. Geralmente um post é só um arroto. Mas... Ei, a vida não são só flores.

Espero que gostem do post lá.
no outro blog.
Ah, tua luta preferida é o antológico embate entre Lee e Chuck Norris no Coliseu? Bem, não gosto dessa luta. Tem uma boa dose de demonstração de poder econônico de Lee, que contratou o campeão Norris para apanhar. Tá certo, Norris apareceu depois dessa cena e virou esse ser mitológico que destruiu a tabela periódica, já que só conhece o elemento 'surpresa'.
Mas minha luta preferida é outra, de um filme póstumo de Lee. Vai lá ver.
Belo cartão da Clean Environment Brasil, que tem blog.
Sexta-feira santa. Feriado. Final de semana prolongado. Feriado cristão, num país de maioria cristã. Cristãos, pois sim: loucos por uma praia, cerveja gelada, churrasquinho na laje. Estradas entupidas, postos de beira de estrada que vendem bebidas alcoólicas (cúmplices de centenas de mortes diárias), diferenças entre vizinhos por causa do volume do som tocando pagode.
Em Limeira hoje, teve cinco suicídios. Bom, quatro foram confirmados como suicídio, outro pode ser um homicídio. Não faz muita diferença. Quatro suicídios num único dia é muito até para uma cidade de um milhão de habitantes. Limeira tem pouco mais de 250 mil.
Por que essas pessoas se mataram? Bem, o céu estava cinza, as ruas estavam vazias e elas provavelmente não tivessem a mínima vontade de freqüentar a celebração (não se diz "missa" na Sexta Santa, sabia?) católica - ainda mais num dia de imolação e jejum e padres deitados no chão para relembrar o sofrimento de Cristo - às três horas da tarde. Leio num jornal que a espinheira usada para fazer a coroa de Cristo havia sido importada (naquela época, como diziam?) de algum lugar distante. Era tipo "a espinheira que mais dói entre todos os tipos de espinheira para fazer coroas existentes na região!". Manja?
Essas coisas me incomodam - e bem podiam incomodar esse pessoal que se matou.
Pra quê essa merda de feriado? Alguém me diz?
Se não fosse feriado, esse pessoal ia se matar?
Se eles tivessem que levantar e ir trabalhar, estudar, fazer qualquer merda e não se preocupar por qualquer coisa estúpida, esse pessoal ia botar uma corda no pescoço e pular de cima da árvore?
Esse feriado serve para algum tipo de reflexão sobre a intolerância religiosa que dá o tom das guerras todas, do terror, de uma indústria do medo?
Em muitos lugares - e aqui também! - encenam a paixão de Cristo, fazem a Via Sacra ao ar livre, com a entrada permitida para crianças, aquela coisa deprimente do Cristo sendo crucificado, a garotada com cara de assustada. Fazem, a cada ano, a coisa mais ensangüentada, como fez Mel Gibson. Imagino quantas crianças crescem pensando "bem, disseram que aquele cara, aquele tal Jesus, deixou se matar por mim, então eu devo algo a ele e ao pai dele, Deus" - é um pensamento que todos aqui no Ocidente tiveram ao menos uma vez na vida.
Dawkins fala sobre isso, o massacre psicológico que vem acontecendo ao longo dos tempos nas mentes das crianças. Mas ele não fala, em "Deus - Um Delírio", como a inspiração da educação cristã ocidental pode ter incentivado suicídios.
Jesus, pela história que nos é contada, sabia que ia ser morto. Ele se deixou matar. Fez isso para expiar nosso pecado capital. Na cruz, afirma ao Pai que as pessoas que fazem isso com ele - o matam! - não sabem o que fazem. O que mais pode levar um sujeito ao suicídio que a incompreensão?
Todos esses mortos na Sexta Santa devem tem pensado, ato último, que quem ficava por aqui não sabia o que tinha feito.
Na correria dessa véspera de feriado, saí mais tarde para almoçar e acabei parando numa lanchonete fast-food, pedindo um desses big-double-xis-something.
Eu quase era capaz de ouvir meu anjinho bom da consciência dizendo "ei, não come essa merda, não" e meu anjinho ruinzão cutucando: "ei, come!, milhões comem isso diariamente e ninguém morreu". Comi metade.
Mas o mikshake de ovomaltine eu tomei tu-di-nho!
vou lá ler os comentários desse velho post do paraíba.

Por 10 votos, meu livro não entrou na lista dos concorrentes para a Copa deste ano.
Fiquei muito, muito contente, pelos maravilhosos 56 votos, agradeço de coração a todos os que votaram.
Fiquei muito, muito triste por não participar como jurado.
Desta vez, na Copa, vou participar como telespectador.
:>)
Assinem o feed, comentem os jogos, participem da Copa. Uma das mais legais iniciativas da nossa blogosfera tupinambá.
*Um post da Blogagem Inédita.
;^)

Tenho gostado cada vez mais de filmecos que achei que fosse detestar. O último deles foi "Planet Terror", do Robert Rodriguez. Muita gente falou mal, fiquei com a impressão de um trashismo asséptico nos trailers, achei que o banho de efeitos especiais ia tirar a aura B do filme. Mas, na verdade, "Planet Terror" é muito legal no que se propõe verdadeiramente: uma homenagem aos filmes de terror B - especialmente os filmes de zumbis - usando de muito bom-humor. Ei ri muito no filme - ainda mais quando aparece o letreiro dizendo que "sumiu o rolo, a gerência de desculpa", e o filme dá um salto.
Aliás, extremamente cool e bem utilizados os efeitinhos que dão ar de película velha ao filme.
Os atores estão também canastrônicamente bem, com destaque para a participação especial de Bruce Willis como "o homem que matou Bin Laden".
Creio que muita gente esperava mais de "Grindhouse", o projeto que ia unir Rodriguez e Tarantino (que fez "À Prova de Morte", que ainda não vi). Ambos os filmes parecem ser uma clara e cara brincadeira e... a gente deve se deixar divertir de vez em quando, né?
petá petá pe ruge, petá petá pe ruge, pel-trim!
O que faz de um grande filme baseado em um best-seller, com um super roteiro, um diretor famoso e grandes atores ser tão não-citado, não-visto, não-lembrado?
No outro blog.
A primeira coisa a ser dita sobre os textos do Doni é que eles são sensíveis.
Não aquela sensibilidade piegas: uma hipersensibilidade que muitas vezes incomoda; não raro, emociona. Uma sensibilidade que extrapola palavras; parte de cenas, gestos, sons, imagens.
Uma mulher se olhando num espelho, as costas admiradas pelo recente parceiro no sexo. Um carro que cruza um temporal ao som de Sonic Youth. Uma garota de cabelos desgrenhados vestindo meias vermelhas. Gestos, sons, imagens. Com uma telúrica sensibilidade; o olhar de quem emoldura, congela, eterniza, bota em palavras a cena. Embora as palavras, devo dizer, importem pouco.
Parece que os textos de Doni não são feitos de palavras.
São como pinturas - e não retratos, pois não são fiéis demais, não são realísticos demais -, trazem traços mais profundos, claro-escuros, tons pastéis, cores que saltam em momentos especiais.
Isso (o trabalho com imagens estáticas que o Doni transforma em textos) gerou uma insegurança grande nele, autor.
Vejo Doni pensando: "o que foi isso que escrevi? É realmente bom?". Dúvidas de quem escreve, em geral. Mas no caso dele a dúvida se amplia, já que seus textos talvez não sejam contos, não delineiam histórias, não procuram enredos. Snapshots de uma realidade específica - a que fala bem ao universo feminino e às angústias da juventude contemporânea. Especialmente à realidade do sexo - como forma de comunicação e de não-comunicação. É isso "Meias Vermelhas & Verdades Inteiras".

A insegurança do autor entretanto, não é defeito - como bem poderia ser se ele trabalhasse com enredos intrincados. Não: a insegurança forma uma sombra sobre a fotografia que o Doni descreve tornando-a mais interessante, como numa pintura-foto desses novos hiperrealistas, como Ralph Goings.
Sim, Doni não trabalha com o surreal, com o irreal, com o imaginário e, até que ele mesmo diga o contrário, com imagens dos arcanos mentais. O objeto do Doni é o ser-humano, a realidade, a rua, as sensações comuns, os desejos que encaminham destinos para o sexo.
E por tudo isso, ele se destaca no cenário de contistas atuais, tão preocupados com metáforas, hipérboles narrativas, malabarismos verbais desnecessários ou mesmo em construir mundos surreais, enredos intrincados cheios de "pegadinhas".
A "pegadinha" do Doni é nos chamar a atenção para a realidade. Ou melhor: para partes da realidade que muitas vezes passam despercebidas quando olhamos o todo, superficialmente como fazemos sempre, por conta da massacrante rotina do Mundo.
E inventa uma galeria de emitentes de borrachudos.
:>)
Novo do Shyamalan... Hmmm... trailerzinho fraco:
Novo Batman. Dark Knight? Não vi nada da HQ do Miller:
Speed Racer. Podia ser um bom filme de ação... Mas ficou parecendo videogame ruim:

O post de um ídolo, com desenho e elogiosas palavras ao meu "Sexo Anal".
Obrigado, Flávio.

Acho que Nicole Kidman é a atriz mais linda do cinema atual. É quase impossível tirar os olhos dela.
Mas sua beleza não impediu que ela realizasse um dos piores filmes que já vi.
Lá no outro blog.
Como tou sempre atrasado, acho que todo mundo já viu, né?
Muito engraçado, pena que não tive a idéia antes.
:^)
Fiz grandes amigos na rede, um dos mais incríveis é o carioca Bruno Freitas.
Cabra corajoso, um doce de pessoa, o Bruno me deu uma alegria ímpar quando leu meu "Sexo Anal - Uma Novela Marrom". Confesso, porém, que achei que ele não fosse gostar de "Virgínia Berlim - Uma Experiência". Não é um livro tão agitado ou cinematográfico quanto o primeiro... E tem uma trilha-sonora que - eu já sabia! - não ia agradá-lo. VB é um recorte intimista, com alguma ousadia na linguagem, chego a pensar que é pretensioso...
Mas o 'doce viking' leu e fez um post. E eu gostei mais ainda.
Grande abraço, caro cara.
E força sempre!
