o futebol é o criacionismo dos esportes


Jesus é Corintiano.JPEG

Eu não entendo o futebol. Eu não entendo várias coisas, mas de todas as coisas que eu não entendo, a que eu menos entendo é O Futebol. Não que eu não entenda as regras, as motivações que levam o sujeito a praticar o esporte. Isso eu entendo um pouco. Entendo que pessoas queiram jogar futebol para se manterem em forma, sadias, como pessoas que nadam, ou caminham no final da tarde, ou jogam piorrinha. Entendo também que alguns pais incentivem seus filhos a praticar o esporte desde cedo, já que o bom desempenho pode significar altas cifras, ou cifras menores caso o pimpolho acabe no time do Matsubara. A sorte não sorri para todos, embora sorria para jogadores de dentes desalinhados, como o Ronaldinho Gaúcho.

Um dia MV Bill me disse: "meus pais gostavam mais quando eu chegava com uns trocados em casa do que quando tirava notas azuis no colégio. Ganhar dinheiro fácil, sem estudar, é só jogando bola". Entre ser músico de orquestra ou jornalista e jogador de futebol, ora, muito melhor ser jogador de futebol, já que aí é que a gente aparece em "Caras"! Aparece em "Caras", casa com loiras peitudas, corre pelas ruas com potentes carros importados, atropelando criancinhas sem futuro.

Isso, eu entendo.

O que não entendo são as pessoas que torcem, adotam times, choram e sofrem por escudos, idolatram jogadores, endeusam dirigentes, tratam dO Futebol como se houvesse uma hierarquia divina, como se O Time fosse uma entidade não-corpórea que ouvisse e considerasse as súplicas individuais e coletivas dos torcedores, como um Deus criacionista onipresente, onipotente, onisciente, onitorcente.

Aliás, tem coisa mais ridícula que O Torcer?

Torcer é como rezar. O camarada fica lá diante da TV ou no estádio (ah, tudo bem, no estádio existe a identificação coletiva, o espírito de grupo, a catarse de massa) gritando (como se os jogadores pudessem ouvir, ou como se O Time, essa entidade, pudesse entender as súplicas e alterar alguma realidade qualquer), esperneando, se descabelando, se enervando pela... vitória. O similar é o crente em vigília, na corrente pela libertação da Universal, pedindo pro câncer cerebral sumir. É só ter fé, irmão!

A Vitória, num jogo de futebol, é como uma benção concedida, um milagre materializado para um devoto. E é interessante que O Torcedor muitas vezes ache que tem parte no resultado. Especialmente quando O Resultado é A Vitória.

Quando O Time perde, a culpa é de interferências negativas, entidades demoníacas, chamadas O Técnico, O Goleiro ou O Dirigente.
A culpa nunca é dO Torcedor, quando o time perde. Será que ele não torceu pouco? Será que não faltou torcida?
Assim como falta fé & oração quando o milagre não acontece?

Me assusta quando vejo tanta gente inteligente discutindo futebol. Um conhecido meu, razoavelmente inteligente, evangélico, disse que eu não sabia o que era "ter um brasão no peito". Não sei mesmo. Nem roupa que tem marca no peito eu gosto de usar, fico me sentido outdoor ambulante. Acho errado colocarem marcas de roupa do lado de fora da roupa, como se o nosso nome, escrito na tarja, fosse "Levi´s". "Prazer, Lévi´s Biajoni!". Me imagine andar por aí com Palmeiras ou Corinthians ou São Paulo ou Santos no peito - seria extremamente constrangedor para mim.

Aí vejo gente inteligente dizendo que torce para esse time ("ah, me causa tanta infelicidade", diz o masoquista), ou aquele ("ah, só me traz alegria!", diz o animadinho), se empolgando com "a jogada que deu a taça para o Itumbiara em 53" ou "o bicampeonato da Copa Guanabara em 66" ou ainda "a péssima atuação do juiz que impediu que o Nhandeara subisse para a séria B2 em 81" - pfui! - como se falassem de grandes passagens bíblicas, como Moisés abrindo o mar vermelho ou Noé atravessando o Egito com os fiéis.

Ah, não foi Noé que atravessou o Egito? Que diferença faz?

Na plêiade divina dO Futebol, tal qual Jesus, encabeça O Rei Pelé que, mesmo escroque como pessoa, é endeusado como Jogador - mas temos que separar as coisas, lembremos que Céline era nazista, Borges era racista e Guevara comia criancinhas: temos que olhar para A Obra dos sujeitos. Tudo bem, Jesus não era Um Santo, mas esse Pelé, argh!

Só não me dá mais engulhos do que falar de Automobilismo & Airton Senna. Sim, tem gente que acha que Senna foi uma espécie de super-homem. Ele só dirigia um carro rápido, meu Deus! E dirigia mal, tanto que bateu!

Se o futebol é o criacionismo dos esportes, o automobilismo é a cientologia.
E tenho dito!

57 Comments

você = mala

viva o sexo, as drogas, o rock'n roll, o futebol e o Flavio Prada!

Por Tutatis!
Fiquei um dia fora e perdi a evolução do debate... Mas ficou tão bonito que acho melhor nem mexer.
Obrigado e Parabéns!

FM, não se desculpe pelo anonimato. Como disse, gosto do debate e não me importo com isso, penso que as idéias sejam o centro da coisa. Como tenho estabelecidos bons e importantes relacionamentos a partir da rede, a identificação serviria para isso, mas não é condicionante em absoluto.
Eu percebi que voce é meu leitor e isso me deixa contente. Mais um na contabilidade. Já são oito!
O parecer presunçoso se referia a mim mesmo, que estou sim contra corrente. Me expressei mal na frase e reconheço que dei a deixa pra confusão. Quis dizer que pela tua resposta , entendi que minha opinião poderia ser lida como presunção ou arrogância ou sei là.
Concordo com voce que o crédito dos mecanismos de controle não são somente do esporte e da religião. Fiz uma correspondencia entre ambos mas longe de afirmar que se resume a isso. Podemos usar um termo que englobe tudo: a cultura.
Ja citada anteriormente, a cultura tem muitos extratos. Existe sim a cultura pessoal, assim como a regional, a de um pais, a cultura humana. São níveis que representam somatórias de vetores, cada um de nós e cada uma das culturas que interagem. O ponto central desse debate pode ser traduzido também por isso: porque escolhemos cultivar pessoalmente certa coisa e outra não? Isso determina e é determinado pelo resultado da somatória. Quantas coisas fazemos por imitação ou espírito de grupo? Ou porque a realidade nos é insuportável e nos sentimos frágeis e precisamos de conforto espiritual ou um desafogo? Não existe até aqui nada que não seja característico do ser humano. O problema nasce quando se instaura uma indústria que sabe exatamente como funcionam esses mecanismos de adesão e os utiliza como matéria prima. No meu primeiro comentário aqui disse isso, da importância de se saber diferenciar produto indutrial da arte por exemplo. Um escraviza e o outro liberta.
Isso se colega ao liquidismo da cultura pós moderna, onde tudo e o contrário de tudo convivem em simbiose. O relativismo absoluto, filho do liberalismo sem regras que, paradoxo dos paradoxos, é de um poder escravizante absurdo, pois age lá, na cultura, na base, naquilo que as pessoas tem de mais íntimo, os sonhos, os desejos, os projetos, o espirito de pertencimento. Mais paradoxos. Uma ideologia assim forte e prepotente é quase invisível. Dificil reconhecê-la como tal. Parece a mais natural das naturezas, mas é cultura.
Nesse contexto, certas atitudes ou atividades de uma coletividade, se lidas com o filtro da racionalidade, se demonstram absurdas. Claro é que radicalizar a racionalização leva a considerar absurdo qualquer coisa, atè fazer sexo ou ouvir música e nao é esse o caso. Portanto não se trata de demonizar as atitudes irracionais e coletivas, mas sim de clamar pelo seu exercício em modo crítico.
Um exemplo. Existe algo errado em se recusar a comprar a sandália de plástico da moda com marca de personagem de televisão, onde esse personagem leva alguns dos MEUS reais e em alternativa usar os mesmos reais pra comprar o mesmo produto,uma sandália, feita em couro pela minha vizinha? Quais problemas psicológicos de despertencimento minha filha vai ter por isso?
A perspectiva do mundo menos massificado é exatamente poder ser diferente, consumir consciente e se relacionar livremente.
Defender o futebol como remédio social é admitir que existe uma doença. Eu particularmente quando estou mal, tento me livrar das causas do mal e não adorar o remédio, que, se no momento é útil, que nao seja para sempre. Nesse caso, é dependência, que nao combina nada com liberdade.

Olá Tiagón, em primeiro lugar não conhecia o conceito de 'modernidade líquida', e sim 'sociedade liquida'.
E eu não acho que as contradicões sejam uma caracteristica somente desta 'sociedade líquida', muito menos um problema pós-moderno, mas enfim...
Sobre a retribalização, o prefixo 're' já diz tudo... novamente. inclusive dando lucro. Mas concordo numa coisa, lucros para os mesmos.

Caro Flavio, em primeiro lugar Fm é tão irreconhecivel como o é Fernades Marques, Fabio Manccine, Friederic Mansel e etc. Mas decidi proteger a a vida pessoal do Biajoni grafando meu nome apenas com as inicias. Ele, Biajoni, sabe quem sou.
É umas das prerrogativas dos blogs.
Citei-o não por provocação mas por ser seu leitor.
E embora não pareça, meu comentário foi uma opinião. Portanto você pode colocá-la entre seus credos, e assim sendo, dentro da lei. :)
Não, não quiz ser presunçoso e contra corrente, me desqualifico destes adjetivos, mesmo porque, como já disse, não foi uma resposta apenas um comentário, uma opinião.
Mas creditar somente à religião e aos esportes os tais 'mecanismos de proteção', não é coveniente. Pois despreza os mitos da industria da música como elementos comuns aos da religião e do esporte, para citar somente alguns que me ocorre no momento. E acrescento que a industria músical é muito superior a industria do esporte, basta constatar que esta tem um significado importante na balança comercial inglesa. Maior que a do o esporte, e num pais em que o esporte , especificamente o futebol, tem um valor muito grande.
E você não deveria ficar indignado contigo mesmo em relação ao 'tomanocu', já que você só estava repercutindo. E numa sociedade onde as de pessoas estão acostumadas a esta pratica...
Acredito sim que a ' tal imposição' venha sendo feita a séculos, mas os individuos mudaram, e isso mudou muita coisa inclusive a 'tal imposição'.
Concordo, errei, não existem pessoas sem cultura, afirmar o contrário é um preconceito dos diabos. Mas há um porém, ao contrário do que você afirma, cultura é o resultado do que se cultiva, mas em grupo.Qualquer ser humano não tem a sua 'própria cultura', mas sim a do grupo em que vive.
E numa sala sala de espelhos, qualquer coisa é qualquer coisa. Difícil mesmo é ser ser real.
E por fim, se fosse realmente contra debates não deixaria minha opinião aqui.
Mesmo porque se declarar contra debates num debate já é participar e aceita-lo. É uma questão de lógica.

Por fim, tudo que disse, não afirmei ser a verdade, são apenas opinões. Mais ainda, são metáforas.
E ainda vejo a poeira sobre os móveis.

caro FM. a leitura que fazes do indivíduo pós-moderno é correta, mas tão correta quanto afirmar que talvez a pós-modernidade jamais ocorra, em sua base teórica consolidada (como de resto já previam alguns de seus autores). nada mais normal neste momento, que alguns (apoiados em Bauman, como eu) chamam de modernidade líquida, que a contradição ocorra. aliás, tantas ocorrem que o sintoma ganhou um nome: mal estar da pós-modernidade.

e não acho seja necessário espaço para a 'nova retribalização'; o espaço já está lá. inclusive dando lucro (empresários, no caso). se não houvesse, seria outra coisa a tomar o lugar :)


Flavio: em tua resposta ao meu comentário, não vejo como discordar de ti. tens a minha admiração. mas também não vejo como poderia ser diferente. quando penso num mundo sem futebol, sinto falta da diversão. deixo pra ti o cargo de pensador distante do fenômeno. podemos editar uma coletânea daqui a uns anos :D

Opa, eu já ia terminar mas fui citado pessoalmente. Respondo a FM que, pena, não me leva à alguém reconhecível. Sustentar uma posição e em particolar modo um tanto “contra corrente” quer dizer quase sempre parecer presunçoso e isso foi o que me transpareceu em tua resposta. Na verdade eu só acredito em opiniões e debates e isso não è pacado nem contra a lei.
Respondo em breve: Não sou líder de absolutamente nada mas sou sonhador solitário. Julgo que os mecanismos de projeção, a tão falada catarse, o uso do mito e muitos outros elementos são sim comuns à religião e ao esporte de massa.
O dia do tomanocu não foi adiante e achei uma pena, não fiquei indignado. Com quem ficaria indignado? Só se fosse comigo mesmo, mas nem essa capacidade eu tive. “A imposição que se faz ao individuo pós-moderno” è a mesma que vem sendo feita há séculos. As abobrinhas, eram uma metáfora.
Faço parte da tribo do software livre, ainda que menos do que deveria. Estamos trabalhando. “As pequenas tribos do mundo digital” não se referem somente ao mundo da informática, mas remetem a um modo não, ou menos massificado de produzir e consumir. Uma trasnformação em curso e que pode terminar como o tomanocu day, o que será uma pena. Mas a terra vai continuar girando.
“Pessoas desprovidas de cultura” não existem. Cultura è o resultado do que se cultiva. E qualquer ser humano, tem a sua, ou suas culturas. A leitura que voce fez da frase nem me passou pela cabeça. Me referi ao absurdo que è drogar gente com muita grana (quando não com dopping de verdade), a fim de que se preste ao papel de atração de circo. Aplicar o comunismo em nós eu não entendi.
Quanto ao xiitismo e o relativismo, são duas entidades que se manifestam sempre juntas em uma sala de espelhos, e se mostram e se revezam, confundindo-se. A cultura pós moderna tem essa característica e não por outra razão que se se entra em debate para se declarar contra debates, por exemplo. Se prega a liberdade mas desde que se concorde comigo e por aí vai.
De minha parte fico contente que se mova a poeira dos móveis.
Um grande abraço.

Se bem entendi, o Biajoni e os leitores sensíveis ao seus argumentos fossem líderes de algo, é bem possível que fossem radicais ortodoxos intransigentes?
Ou então solitários sonhadores.
Falar (esse verbo, essa remisão ao falo!) sobre futebol classificando-o como catarse coletiva de igual valor à religião me parece ser exagerado. No mínimo impróprio.
A imposição que se faz ao individuo pós-moderno é para que ele seja apenas um indivíduo e desconfie de toda e qualquer ação coletiva. A política, neste caso, é enfraquecer.
No entanto li um post do Flavio Prada, indignado com o fracasso da repercusão do 'dia de mandar tomar no cu' ou coisa que o valha, e fico pensando se não faltou a catarse, culpa do individualismo, para que ' a coisa' desse certo, pegasse.
Esse é um dos problemas que vai além de abobrinhas ôrganicas que plantamos ou falamos.
A IBM, e Apple vende computadores, e muitos, obtendo lucros crescentes e imensos em cima das tais 'pequenas tribos do mundo digital'. E as industrias de software. A não ser ser que você faça parte de outra tribo, a da pirataria.
O que na verdade se prega é um tipo de exclusão, tipo 'você não é bom para fazer parte deste grupo'. Você não come abobrinha orgânica.
Dos comentários o que mais gostei foram os do que tentaram relativisar, o post achei xiita, assim como a opinião dos que concordaram.
Eu não vejo espaço para essa nova retribalização, ao menos que ela dê lucro, e ai fará parte de uma outra e nova escala de massificação, ou da mesma.
E não vejo com maus olhos uma pessoa desprovida de cultura ganhar mais que um doutor, assim como não seria anormal, embora impossível, um blogueiro culto ficar milionário.
Seria melhor aplicar o comunismo em nós, e que ninguém precisasse de cortar cana,( e só para lembrar, essa é uma 'tribo' que não tem nada, nem palavra, além de servir de chacota).

Meu, tu quase apanhou com esse papo no boteco lá no Rio, em?

me espanta ver "gente inteligente" (e ô conceito mais sem graça, inteligência racional) que não tem respeito pela fé do próximo ou por paixões irracionais.

futebol é fé. a paixão por um time não faz mal a nimguém. e torcer pode ser uma delícia pra quem não se pré-ocupa em ser gente inteligente.

acho rídicula essa discussão da verdade, porque ela não existe como tal. não tem melhor abobrinha, pq elas estão por aí, nos dizeres de todo mundo. como já dizia um filósofo, a verdade é uma mentira que acreditou em si própria.

continuem debatendo se é imbecil ou não quem gosta de futebol, quem tá certo e quem tá errado. e fico por aqui, achando triste quem se acha superior e no direito de julgar o outro. e mais patético ainda fazer polêmica só pra agredir ou pra parecer diferente.

"Uma vez flamengo, sempre flamengo!"

Tiagón, grande debatedor e não por acaso "El Rey".
Minha crítica é centrada no modo no qual a sociedade administra o poder e o controle social. Se é ultra individualista, esse é somente mais um traço mas que é tangente à questão. Porque reforça determinado tipo de controle que não outro, mas que sempre controle social é. Desde os tempos imemoriais, como já citado. Se são gladiadores, bruxas na fogueira, touradas ou futebol, o que resta é o uso de um sentimento (como voce diz) pra fins de business e/ou ideológicos. Se reafirmei que é utópica a crítica, foi porque sei bem que tudo isso faz parte da paisagem do mundo.
O que quero dizer também é que você pode e deve cultivar os sentimentos de pertencimento, o reconhecimento tribal, mas SEM que isso corresponda a uma imersão na massa anonima e pilotada. Em outras palavras, a abobrinha biológica que eu planto no quintal é infinitamente melhor que a da plantação hidropónica sem gosto e sem cheiro do hipermercado. As duas são abobrinhas, mas são muito diferentes. Eu prego a retribalização, mas biológica e verdadeira, não hidroponica marca rede globo. Essa de tribo provisória não tem sabor. Ao menos pra aqueles que experimentaram as boas.
Veja que no fundo é uma questão de escala. O futebol como se apresenta é muito bom para o ainda presente mundo industrial massificado, mas faz pouco sentido no mundo das pequenas tribos do mundo digital.
Como ultimo argumento, diria que somente quem tem sangue gelado nas veias pode tolerar que um Ronaldo da vida fature em um mês o que você realiza em cinco anos. Comunismo neles! hehehe. Cortar cana das 4 da manhã até 4 da tarde e depois jogar bola! hahaha.
Um grande abraço

"O ponto chave é portanto esse: quem tem vida plena pra que precisa de catarse coletiva? e porque tem tanta gente precisando disso?"


é por aí que eu queria que minhas bobagens fossem :D pra dizer que o futebol não só não é alienígena ao humano, como cumpre uma função social importante. a catarse coletiva é 'necessária' diante dessa ultraindividualização! :D

o ponto que *tu* não discute é *se* pode haver vida plena sem catarse coletiva. a resposta parece ser 'sim' e tu é o exemplo, mas será que isso é verdade pra todos? não sei, pergunto sem julgar. mas lembro da identificação do carioca com o samba - pessoas dançando ao redor da mesa dos músicos, cantando alto e suando pra 'espantar a tristeza'. as tribos ainda não se dissolveram.

(não obstante, o samba foi uma das primeiras coisas que o Getúlio se apossou pra institucionalizar, e utilizar)

não coloquei o avanço rumo ao ultraindividualismo em discussão porque é o princípio da qual parto. mas ó - não é motivo de orgulho, não fiz juízo de valor. só tentei encaixar o futebol num cenário inevitável. não vejo como uma conquista, mas sim um 'estado' da sociedade... onde o futebol surge, inclusive, como "falha", instabilidade desse individualismo que a pós-modernidade (enquanto utópica, o individualismo 100%) provoca. o individualismo exacerbado é também uma faca de dois gumes exatamente pelo aspecto tribal. se a sociedade ruma na direção dele, seccionar todo contato com o sentimento de pertencimento é um golpe muitas vezes difícil demais, ou impossível - o que cria a necessidade, como eu tentei dizer, de se buscar estas ilhas de catarse coletiva temporárias, que são fruíveis desse ponto de vista, mas não invasivas o suficiente para que demandem um contrato, uma ligação maior do que a necessária.

vale dizer que o indivíduo pós-moderno, no papel, talvez seja como tu; não tem nenhum impulso a esse pertencer coletivo. a diferença talvez seja o caminho que tu fizestes, ou tua natureza... pra esse povo que vem chegando desde 75, o pertencer é cada vez menos - a família muitas vezes é uma base instável (ou indesejada), religião se dissolveu, profissão não é garantia de nada, e em número cada vez menor esses grupos fazem algum sentido, ou valem a pena em seus 'contratos'. o futebol é ainda uma ilha de sentimento primal de coletividade que mantêm a porta sempre aberta para ser abandonado, e por isso, confortável.

serva pra todo mundo? não, claro que não. nesse sentido, volta a Karen - pode ser que não te sirva, mas se não servir, não precisa ser descartado, combatido ou escarnecido.

não se trata de ficar feliz com o estado da sociedade, nem de celebrar o individualismo. eu também a acho uma merda (não disse que sou um sociopata em potencial?), e, nossos comerciais, Verbeat é porque a gente acha que pode fazer alguma diferença (mas essa história tu conhece bem). o que questiono é porque alguém que não compreende o futebol precisa necessariamente ter uma postura arrogante e etnocentrista diante dele, como a que o Bia teve, ou ver no futebol como um todo uma força de dominação, como tu diz. falo menos pela paixão ao esporte e mais por discordar destes pontos. a vida é plural e coletiva e o futebol se encaixa nisso tanto quanto qualquer outra coisa (embora eu esteja me apegando a um determinado ponto específico do esporte, que é sua relação com os indivíduos).


perguntinha, que eu acho que tô me repetindo e girando em círculos: futebol é novela das oito?


ps: a parte do comunista não era crítica, só brincadeira :D e, nesse sentido, é pena que as pessoas não percebam que podem usar a mobilização do futebol para outros fins mais nobres, ou relevantes. aliás, tô com minha camiseta com a foice e o martelo, hoje.

Tiagón, querido. Sabe do que gosto em voce? Voce diz tremendas bobagens de uma forma extremamente bela. ;-)
Sem brincadeira, entendo teu ponto de vista mas percebo a pena do apaixonado defendendo o objeto da paixão. Claro que o futebol não é o culpado mas sim o uso que se faz da sua capacidade de promover a catarse coletiva. Assim como se faz com a religião, usa-se de um motor de comunhão forte e com doses de mitificação e sedução se obtêm o momento mágico do êxtase coletivo. Sim, pannis et circensis. A palavra chave de nosso desacordo está na tua premissa que voce não coloca em discussão, ou seja, o ultra-individualismo da sociedade pós moderna. E quem disse que isso é algo pra se orgulhar? Não foi o espírito santo que mandou que fosse assim, a sociedade chegou a isso, empurrada pelas ideologias e pelos interesses. Pareço comunista? Que seja, hehehe. Claro que é utópico um mundo sem pão e circo para o povo e estar fora do esquema de falar de futebol etc, te coloca fora de muitas outras coisas, eu sei. Fazer o que? Estou dizendo, sociedade de merda essa. Ficar contente, é esconder o sol com um dedo.

Quando voce fala do futebol em si, o esporte, as tática, estratégias, força, determinaçao, espirito de equipe, persistência, forma física, etc, fala-se de algo extremamente positivo. Tanto é que meus filhos estão lá. Detalhe não mencionado antes, eles também fazem hoquei, basquete, tenis, arco e flecha, ciclismo e natação. Todos apaixonadamente. A vida é plural e colorida rapazes.
O ponto chave é portanto esse: quem tem vida plena pra que precisa de catarse coletiva? e porque tem tanta gente precisando disso?

zente, que coisa de BLOG GRANDE! :D


Flavio, tu tá muito comunista. :D

o humano vive em bandos. ok?
("eu não", os blogueiros sociopatas (como eu) gritam. mas, etc.)


e então uma leitura contemporânea: à medida em que estamos avançando na direção do individualismo extremado da pós-modernidade, os espetáculos catárticos coletivos ganham ainda maior relevância, por serem ilhas tribais facilmente dissolvíveis e temporárias. teatro, rave, futebol... não arte. arte alimenta a alma. futebol testa os humores, mantêm o sangue circulando e, de tempos em tempos, dentro da sua particular esfera de relacionamento com seus indivíduos, pode alimentar a alma, sim.

aqui no RS as boas campanhas dos times da capital levaram à uma tomada de jovens torcedores nos estádios. é um exemplo recente, mas mais do que isso: como disse um amigo meu para o Brigatti (viu, Bia?) num buteco semana passada, "é feio não torcer pra nenhum time". não falo isso numa regra geral, mas aqui, local; ser gremista ou colorado vem logo depois do sobrenome, e antes da cidade natal, quando alguém se apresenta. não vejo o comportamento de gado que tu te referes (não ignorando o panis et circensis). vejo pessoas com uma paixão compartilhada, um container catártico programado pra agir toda quarta e domingo. e empregos, e blogs, e parceiros sexuais etc.

como isso poderia afetar a constituição de uma pessoa? há sentido nisso, sim. vencer guerras. a adrenalina agradece.

é preciso estar atento e forte? o futebol ensina. táticas, esquemas, desconfiar, espionar, concentrar, treinar, (mal) administrar recursos. perder, vencer. bom, tu reconheces isso, tanto que os teus piás estão jogando bola, e não hóquei. e que tu não te preocupa porque certamente já os educou pra serem críticos em tudo - inclusive se resolverem torcer pra algum time.

porque aí o problema não é o futebol - mas a falta de crítica, de posicionamento diante do mundo. isso sim, precisa ser combatido. (isso e a corrupção no futebol brasileiro.) o que eu acho altamente "gado" é transmissão de futebol da tevê globo. aquilo sim é ideológico. não o futebol - o seu uso (desde a ditadura etc). por aqui, se tu parar alguém na rua e perguntar qual o locutor de futebol favorito *na rádio AM* - vão te responder.


pra fechar - e se gostar de futebol for um traço genético? não um gene herdável, mas uma chavezinha lá ligada a algo dessa ordem, do pertencer catártico. a maneira como tu e o Bia falam parece simplesmente poder ser reduzido a uma frase como "se tu precisa racionalizar, é porque não pode compreender o futebol"; tem uma distância e uma estranheza pra analisá-lo que parece deslocada - não porque não se possa questionar a popularidade do esporte, mas porque os argumentos parecem inadequados diante de algo que é melhor definido como um sentimento.


massa o debate :)

Thiago, prazer e dor andam de mãos dadas, mas dizer que tudo é humano não é argumento que serve a discriminar alhos de bugalhos. Vamos dar nomes aos bois. Eu sou tão liberal que chego a estar na posição oposta dos neo-liberias. Falo sem ironias.
Pra não ficar na retórica, te dou exemplos concretos. Eu torço para um time. Acho que todos devem torcer pra um time assim como deve fazer quase tudo na vida. O meu time é aquele onde meus filhos jogam. O time do bairro aqui onde moro e vou ver as partidas dos pequenos. E nunca assiti uma partida na TV ou de times etc. Simplesmente porque depois de pensar dois segundos um se diz: mas que cazzo tem a ver comigo um time de milionários que jogam em arenas onde outros milionários controlam tudo e milhares de pobres se descabelam? O sentido de tribo do qual o futebol é uma das mais potentes metáforas eu nunca neguei e não critico. Eu não nego nada, veja bem. Só estou atento a discriminar o que faz sentido e o que é loucura de massa. Se vamos pregar tudo e ao mesmo tempo o contrário de tudo a vida vira um suco no liquidificador. Ou seja, eu amo o futebol que é palpável, tribal, que, como já disse alimente a alma. Comportamento de gado eu não penso que seja o máximo que o ser humano possa almejar. Por isso, que não se elimine nenhuma distraçao, sexo em primeiro lugar, mas que se busque também algum sentido em tudo. Nem sempre é necessário procurar, mas absolutamente sempre é bom encontrá-lo.

Valter. Prazer em conhecê-lo. Eu também discordo de voce e de quase todo mundo, o que nos coloca em condição de igualdade. Aliás, é brochante a falta de tensão e debate. E se ninguém mexe com mamãe, tá valendo tudo.
Abraços a voces.

Flávio, discordo totalmente de voce, mas isso não quer dizer grande coisa, pois discordo de quase todo mundo mesmo.
Bom, se não me conhecia talvez agora já tenhamos rompido uma barreira. É ou não é?
Forte abraço

Flávio,
Espera, estamos aqui fazendo um juízo de valor do futebol como esporte? Ou seja, o problema reside no fato de que as pessoas escolhem (são condicionadas a) torcer para times de futebol, e não por exemplo, para uma equipe de revezamento 4X100?
"Homo homini Lupus": Acho que além de afirmar que o homem oprime ao seu próximo, essa expressão diz que o homem oprime a si mesmo. Torcer por um time, fazer penitência para "alcançar uma benção", correr uma maratona, ou mesmo amar, tudo isso é humano. Prazer e dor costumam andar perigosamente juntos não?
É possível para o ser humano eliminar todas essas "distrações" e dedicar-se única e exclusivamente à sua elevação cultural e intelectual, e se fosse possível será que realmente o faríamos?
Abraços e obrigado também!

Eu fico com o Doni. E tenho a impressão que Nélson Rodrigues também não concordaria com esse texto. COmo se diz por aí, "futebol não é tudo: é muito mais do que isso"...:-)

Valeu por linkar o blog! :)

Olà Thiago, voce pergunta:"Quer dizer que quem torce para um time está apenas se deixando alienar pelas forças opressoras?" A resposta é sim. Voce raciocina em modo parecido ao da Karen e Valter quando diz que alguns escolhem isso e outros aquilo e depois pergunta "qual o problema se essa identificação não partir de "uma escolha racional, ponderada"?" Te digo qual é problema. O mundo tenta nos levar na onda em modo muito forte. Já é extremamente difícil navegar por esse mar de interesses que são os dos outros e não os nossos se temos consciência disso e buscamos a lucidez, imagine se nos deixamos levar sem mais nem menos. Até porque não posso aceitar a comparação de coisas não comparáveis. Existe esporte e esporte, música e música, diferentes tipos de arte. Se confunde sempre o que é produto de industria cultural com arte. Ou seja, existe o esporte, a arte, a música, a religião que te libertam e te deixam acordado e existe o contrário disso. Existe o alimento da mente e da alma e existe a anestesia e a hipnose. Não estou inventando nada disso, isso é sabido. Essa distinção penso que esteja na base do que escreveu o Bia e ao menos na dos meus comentários. Posso te garantir portanto que existe um esporte libertador e um esporte escravizador. Fazer essa distinção é fundamental sim. O pior liberalismo é o que finge não ver o escravo e ainda o chama de cidadão livre.
Outra coisa. O espetáculo dos gladiadores e o comportamento dos expectadores da Roma do ano 80 tem pouquíssima diferença com o que ocorre hoje em um estádio. Talvez o futebol moderno tenha menos sangue, mas o boxe e a luta vale-tudo estão aí pra gente ter todas as escolhas ponderadas possíveis.
Finalizando, te digo que tudo nos é permitido, mas atento se isso não nos afasta de tudo aquilo que podemos ser. Um abraço e obrigado pelo debate.

Há inúmeros motivos para se torcer para um time. Mas os puristas, os puritanos, os mastigadores de cultura enlatada, aha! como são chatos! Futebol é só mais uma forma de tornar a vida menos desgraçada. O esporte não tem nada que ver com cartolas e fanatismo. Marcar um gol ou ver o time do coração marcar são situações sublimes. Tanto quanto ver um filme de sei lá quem.

Flávio,
Quer dizer que quem torce para um time está apenas se deixando alienar pelas forças opressoras? Futebol (na verdade qualquer esporte) é escapismo, mas no fundo música, cinema e literatura também são. Pode parecer loucura, até pra mim, que não consigo imaginar um mundo sem arte, mas conheço gente que não dá muita bola pra música, e muitos amigos assistiram "As Branquelas" e acharam divertidíssimo, ou seja, arte para essas pessoas não é algo essencial, assim como o futebol não o é para o Bia! Futebol, ou qualquer esporte, pode gerar uma identificação nos indivíduos, e qual o problema se essa identificação não partir de "uma escolha racional, ponderada"? Até concordo contigo que "Não somos todos livres, inteligentes e completamente informados para fazermos nossas escolhas pessoais", mas certamente vivemos num mundo muito mais livre e com informação ao nosso dispor, para que nossas escolhas se aproximem cada vez mais desse ideal que você falou, do que os romanos que se acotovelavam no coliseu para ver os gladiadores, bem, se degladiando...
Esporte, Arte, Religião, são manifestações de nossa humanidade, ou não? Não conheço ninguém que não se identifique com pelo menos uma delas... Abraços

Flávio,
Quer dizer que quem torce para um time está apenas se deixando alienar pelas forças opressoras? Futebol (na verdade qualquer esporte) é escapismo, mas no fundo música, cinema e literatura também são. Pode parecer loucura, até pra mim, que não consigo imaginar um mundo sem arte, mas conheço gente que não dá muita bola pra música, e muitos amigos assistiram "As Branquelas" e acharam divertidíssimo, ou seja, arte para essas pessoas não é algo essencial, assim como o futebol não o é para o Bia! Futebol, ou qualquer esporte, pode gerar uma identificação nos indivíduos, e qual o problema se essa identificação não partir de "uma escolha racional, ponderada"? Até concordo contigo que "Não somos todos livres, inteligentes e completamente informados para fazermos nossas escolhas pessoais", mas certamente vivemos num mundo muito mais livre e com informação ao nosso dispor, para que nossas escolhas se aproximem cada vez mais desse ideal que você falou, do que os romanos que se acotovelavam no coliseu para ver os gladiadores, bem, se degladiando...
Esporte, Arte, Religião, são manifestações de nossa humanidade, ou não? Não conheço ninguém que não se identifique com pelo menos uma delas... Abraços

Torcer é o mesmo que idolatrar o Lou Reed ou o Nick Cave, não tem explicação...!

Discordo só sobre a Airton. A culpada foi sua audição. Ele bateu porque somente via Deus. Se tb escutasse, faria a curva.
"-Olha a curva, mané!!!!"

Karen, querida frsca e Valter, que não conheço. Desculpe mas a tese de voces se baseia em uma idéia e não em algo real. Voces pressupõe que todos somos absolutamente livres, inteligentes e completamente informados para fazermos nossas escolhas pessoais, o que não é verdade. O ser humano age por instinto, imitação, coveniencia, bobeira, interreses e muitos mais motivos. Quase nunca é por uma escolha racional, ponderada.
Depois, não dá pra relativizar tudo absolutamente. Existe sim, bom e mau gosto, vamos deixar de tapar o sol com a peneira pra não desagradar os pobres de espírito. Existe sim manipulação e controle social através das manifestações onde o mito é o motor. Os romanos não contruiram o Coliseu só para nos deixar um belo cartão postal. Eles sabiam já há dois mil anos que anestesiar a mente do povo é mais barato que ter que reprimir subversivos. Além de ser muito mais excitante. Eu me preocuparia se estivesse pensando como um torcedor romano do Coliseu de 2000 anos atrás e ainda achasse que isso é liberdade. Um abraço aos dois e beijos à Karen.

Valter, vc é lindo! Obrigada querido por concordar comigo em tudo, hahaha!
Cara, queríamos muito ir, mas vc viu, né...
Meu marido tá lá no Rio, e eu tou aqui, no blog dele matando saudade...
Beijos.

Biajoni, não sei por que masou obrigado a concordar em tudo com a Karen. Não uso roupas de grife, por que meu dinheiro não dá para tanto, ao final acabo gastando mais, pois acabam em menor tempo. Também não curto futebol, mas não acho o cara que torce um imbecil. Cada qual com seu cada qual, é ou não é? Afinal, um sujeito passar horas em frente ao PC, falando com um monte de gente que ele nunca viu na vida, é algo meio "anormal", né não?
Abraço forte
ps: vcs fizeram falta lá!

Menino, e a Mangueira entrando?

Esqueci: o título do post - filosoficamente falando - é válido e verdadeiro!
Abraços.

Eu não poderia ganhar melhor presente de Natal seu q esse texto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

:))))))

Lindo. Obrigada, querido.

Quando vier à Volta Redonda, faça contato...mais do que nunca, precisamos tomar umas..
"...por isso bateu." é ótimo...

...a parte do Senna é perfeita...essa idolatria é ridícula..." ..."tanto que bateu..." é ótimo.
Em relação ao futebol, você conbtribui - a essa altura do campeonato (rs...rs...) - para me libertar de vez dessa "coisa" de torcer...obrigado!
Quando vier a Volta Redonda - ou passar por aqui - comunique, para que possamos degustar umas...

que nada, futebol é muito é massa. logo agora que o flamenfo faz a melhor campanha dos últimos mil anos, vem tu com essa conversa.

Bia o assunto é discutível. Tem gente que acha um cara que lê um milhão de livros um imbecil.
Tem gente que acha que ficar no msn, ter um blog, ficar na frente do compu o dia inteiro é maluquice. Roqueiro acha pagodeiro ignorante, pagodeiro acha roqueiro nojento, o peão se acha machão. São só valores e gostos diferentes.
Agora o lance da roupa: comprei roupas da Brooksfield há 5 anos e estão novas, e compro roupas de 15,00 que duram 2 meses. O mesmo acontece com algumas marcas de sapatos, vc paga por qualidade ALGUMAS vezes. Isso vc não pode negar.
O fanatismo é ruim em qualquer situação.

O curioso, é que conheço muita gente que trocou de religião, mas não conheço ninguém, em idade adulta, que tenha trocado de clube.
Não há mesmo nenhum motivo racional para alguém torcer para um determinado time. Torço para o Corinthians, e quando isso começou (eh eh eh) esse time não ganhava campeonatos a muitos anos. Não me prometeram vida eterna e mesmo assim me tornei um fiel torcedor eh eh eh.
Pelo menos o futebol é mais solidário que a religião. Quando um time ganha uma partida os torcedores dizem 'ganhamos', quando as pessoas alcançam uma graça divina (?) dizem 'recebi' uma graça.

Contra a ideologia dos homem-bomba realmente não.
Mais contra a atitude sim.

Não sei se concordo. Eu por exemplo não sou nada inteligente e nunca falo de futebol.

Nossa, Bia, falou TUDO.

Eu também não consigo entender essa coisa doentia que brasileiro tem por futebol. De vez em quando ligo a tv e tá passando um jogo, então eu vejo gente do time que está perdendo CHORANDO como se a mãe estivesse na UTI.
Sempre desejei que a arquibancada caísse e eles... ops, aconteceu! o.O

Piadinhas à parte, pense pelo lado bom: pelo menos o futebol não arranca tanto dinehiro quanto a igreja, das pessoas.

não se pode brincar com religião, vai dizer?

Futebol: um delírio.
Afinal, em relação ao deus Futebol você é ateu ou agnóstico? Ou seria panteísta?

Já tá na veia, mas tem gente que não entende! Futebol é como a fé: inexplicável. É simples: quando o Santos ganha, fico alegre. Quando perde, fico triste. Futebol, cerveja e mulher: grande receita para um bom fim de semana. Torcer para o Nova Itália: compartilhar os melhores sentimentos. O futebol basta. Fora a literatura, o cinema e todas as bobagens criadas para dar aura de importante para o ser humano. Só o futebol constrói. É tarde para você entender. Mais do que entender: sentir. Nunca apreciou um drible de Pelé? Que pena... Tenho pena de você, Biajoni...

Tiagón e Guto falaram melhor do que eu sobre essa coisa toda... Futebol não é uma questão de vida ou morte, é muito mais do que isso hahaha (assim como música, literatura... que mais?)

pedro augusto, então você não pode ser contra homens-bomba.

Biajoni, apesar deu ser fanático com futebol, e torçer loucamente pelo meu time, concordo com você.
Acaba que é uma coisa tão boba, que acaba em 1hr e Meia, e dai depois vem os prograsmas de esporte, e durante a semana os treinos do time.
Poxa...
que coisa mais besta....
mais mesmo assim
EU GOSTO
ADORO
LOUVO.

E concordo que idolatrar jogadores é foda. Mas Roberto Dinamite é mais foda ainda!

É o Dawkins dos esportes! hehehe E também tenho engulhos com o Senna. Sempre torci para o Piquet.

É incríííível como eu concordo contigo, cara!!!!!!! vc falou por mim, falou e disse, disse tudo! o negócio das marcas das roupas, putz, eu penso ingualzinho. Nunca pensei que alguém tb concordasse que é como parecer um out-door ambulante, putz, parabéns!

Pra você ver... li o texto no blog do Alex primeiro, e pensei que fosse dele!

Até pq uma vez eu perguntei se tinha o visto na rua com uma camisa escrito tal coisa e ele respondeu "não, não sou outdoor"

Concordo com tudo... e *jogar* futebol é legal :D

Você tem argumentos bons... Mas só há um problema, que é na verdade o que derruba esse tipo de debate. Gostar de futebol, ou do Senna, ou de bolinhas de gude... São questões afetivas. O torcedor sente pelo time uma forma de amor, e não há qualquer forma de racionalizar isso, de encontrar um "sentido". Já falei sobre isso faz pouco tempo: http://www.interney.net/blogs/hedonismos/2007/10/24/futebol_baseball_e_os_idiotas_da_objetiv/

[ ]s.

quero ser chato nao, mas vc nunca vai receber elogio maior que o da claudia :)

Rapaz. Muito Bom.

Gostei, pq não gosto de futebol...
mas porra, O Porquinho comparado à Jesus é sacanagem.

Mas, foda-se. Pode falar que eu cago.
Não gostei, mas eu gostei.

abraço

Deus do céu, Bia!!! Tão bom que eu até acreditei que era do Alex Castro!!! HAUhUAHuHAUhauahauahUHAUAHAU... sacanagem... mas tu matou a pau mesmo!!!

rs Ih, Bia, vc vai ouvir um monte de coisas agora... rs

Maravilhoso o texto. Parabéns.

Você é maluco: Senna dirigia mal?
Tá, quem dirige bem sou eu!

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Esta página contém um post de Biajoni publicado em dezembro 7, 2007 10:34 AM.

para levar na bunda é a postagem anterior.

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