novembro 2007 Archives

camila e bia 2.jpeg

Já estou com saudades do Briga, que se mudou hoje para Porto Alegre. Meu coração chora.

Quem vai me atormentar, tarde da noite, procurando um gole de Macieira e um edredom quente?
Quem vai me oferecer ingressos para o show do Zeca Baleiro?
Quem vai me dar o B-Sides do Sonic Youth?
Quem...

Boa sorte na Zero Hora, negão. Tu merece!
E cuidado com os tubarões nas praias uruguaias.
:>)

Por acaso o Zander cata preta?

Uma verdadeira AVALANCHA de novos títulos neste final de ano, vai dizer?
Confira as novidades novas no novíssimo site da (agora ampla e estabelecida) Editora OsViraLata!
:>)

Segunda-Feira, dia 3, no Bar Genial, Marcos Donizetti lança seu primeiro livro, a coletânea "Meias Vermelhas e Histórias Inteiras" enquanto o dono da bagaça bota na praça o pujante (hehehe) "Incompletos" - compilação de textos de sacanagem que brotam da sua mente doentia.

Uma semana depois, dia 10, no mesmo bar, minha vizinha, Olivia Maia, sai do esquema mainstream para debutar no underground com um pulp de crime: "Operação P-2".

Não sei o motivo de escolherem segundas feiras, às 17h, para o lançamento.
:>P

Na Quinta, dia 6, às 19h, mais sensato, o gordo Valter Ferraz lança o esperado "Capão, Outras Histórias" no tradicional bar de lançamentos blogueiros, o Canto Madalena.

Farei esforços sobre-humanos para estar em todos os lançamentos.
São todos amigos queridos.

Falando em livros & amigos, comunico todos que "Sexo Anal - Uma Novela Marrom" estará disponível para download apenas até do dia 30/11 - próxima sexta. Branco Leone prepara uma edição comemorativa de 10.000 downloads e dois anos do livro que está entrando em processo de roteirização para ser filmado (se tudo correr bem) no início de 2009.

É o underground chegando ao showbiz, fellas.
;>)

No mais, quem estiver por Sampa no final da tarde de sábado e quiser tomar uma cerva rápida, manda um e-mail. Estarei por aí com o velho e bom Shira para encontrarmos com amigos.

Este humilde aparece na lista dos 31 blogs definitivos do Brasil!
Pesquisa grande feita pelo pessoal. Legal estar no meio de amigos...
Embora tenha uns malas no meio. Ué, mas sempre tem.
Vai dizer?
:>)

A convite de Lucas Murtinho, apitei a última semifinal da Copa de Literatura Brasileira. A resenha que confronta os livros "Música Perdida" (Luiz Antonio de Assis Brasil) e "As Sementes de Flowerville" (Sérgio Rodrigues) está aqui.

COPA DE LITERATURA BRASILEIRA 1.JPG

A final, que acontece na próxima semana, será entre "Música Perdida" e "Um Defeito de Cor", de Ana Maria Gonçalves.

Gostei da brincadeira, Lucas.
Obrigado.
:>)

Eu não pegava nenhuma!

donas-de-casa-desesperadas.jpg

Noites de domingo são foda!

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Diferentemente do último disco da PJ Harvey, o novo do Neil Young é de babar de lindo e legal.

Lançado no final do mês passado, "Chrome Dreams II" resgata canções de um disco nunca lançado, o tal "Chrome Dreams", lá dos anos 70.
Mas não só isso: Young retoma parceria com amigos antigos, como o baterista Ralph Molina, do Crazy Horse, inclui naipe de metais, levada R&B... Young também está romântico, deixando modestamente de lado o espírito anti-guerra dos últimos trabalhos.

Mas não deixou de falar dos anseios, frustações, angústias e desejos de pessoas comuns. Nesse sentido, é assustadoramente linda a canção "Ordinary People", em todos os seus épicos 18 minutos.

Baixei no Luiz Young.
:>)

O post do Träsel, repercutido pelo Tiagón, somado ao fim do tradicional blog do Homem-Baile, repercutido pelo Rafael Galvão e mal-entendido pelo Marcos VP fizeram-me pensar por um segundo. Depois abri um vinho. Ma che catzo!

Tinha quatorze, quinze anos, o Daniel Lopes nem era nascido, escrevia coisas na máquina de escrever que meu pai trazia do escritório, xerocava, dava para alguns amigos e parentes. Era meu máximo de público.

Muito tempo depois, quando surgiu a internet, vi que podia criar uma comunidade - ainda que virtual. Sempre fui influencido por essa coisa hippie. Hoje essa idéia passou, eu já tomo banho todos os dias.

Quem escreve quer ser lido - e eu comecei a ser lido, meu livro foi baixado 10.000 vezes, o outro vendeu 200 exemplares sem mídia... "Sexo Anal" deve virar filme, fiz bons amigos pela rede, não cultivei inimizades que apareceram. Não tou nessa pelo dinheiro e tento ser o mais inocente possível. No debate todo que os links acima incentiva, não encontro exemplos de gente com o meu perfil (ou de Alex Castro): gente que bota escritos no blog apenas por uma necessidade de comunicação, por querer ser lido.

Não botei Adsense, alguns links de produtos que levam ao Submarino creditam compras para a conta do Alex - acho que é uma maneira de ajuda-lo com alguma graninha. Não uso qualquer estratégia para garantir acesso, não olho números, quase não checo o Technorati, não saio por aí comentando blogs. Não assino feeds de ninguém, navego de maneira randômica, embora admita ler pelo menos 20 blogs quase diariamente. Mas não VIVO a blogosfera. A maioria dos meus amigos hoje está na blogosfera, mas eu mesmo quase não me sinto como parte dela.

Desanima ver tantos encontros, como os BarCamp, que parecem ter como foco a montização. Entendo o desânimo do Ricardo Montero, Homen-Baile.

Mas, ora, não haverá nesse desânimo um "deixar-se abater pelo outro"? Dane-se a monetização ou as firulas todas, os prêmios todos, a brodagem de linkagem toda! A indústria cultural vai mostrando que o sucesso comercial pode acontecer em pequenos nichos: filmes menores, gravadoras menores, editoras menores, vão dando as caras de que a AUDIÊNCIA não significa mais que EXPOSIÇÃO. Você espera ser conhecido por cinco mil pessoas ou ser amado por 15?

É isso o que penso, quando vejo essas discussões. Ainda mais as apocalípticas. Me animo com semelhantes a mim, como o Idelber e os citados Alex e Rafa. Gente que escreve, adora ser lido, tem seus negócios e suas vidas extra-internet, amigos e inimigos on-line, responde uns e-mails e vive a vida desencanado de futuros problemas internéticos.

Blog não vai acabar, é uma coisa muito legal, eu adoro o meu e de vários outros. Muitos nem sabem que eu os leio e os amo.

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É o novo disco da PJ Harvey, "White Chalk".
O pior, desde "Dance Hall at Louse Point", com o mesmo John Parrish.

A exemplo do último de Lou Reed, o disco é maçante. Chato é mesmo o melhor adjetivo.

Queria conseguir ficar tão empolgado quanto esse cara.

Essa coisa de ser TODO artístico, enche o saco. A PJ se esgoela no piano, pagando de Bjork, apontando o dedo para a Cat Power. Péssimas referências.

O disco ficou em 50 na primeira lista dos melhores do ano. Aliás, não conheço quase nada da lista.

Tou ficando velho.
Deixa eu ir ali escutar de novo meu álbum branco.

Apdeite:

O Carlito escreveu no comentário, como eu posso falar isso de um disco tão lindo.
Ué, o disco é mesmo lindo, mas é chato de doer.

Eu conheço uma garota que é linda e igualmente chata.
Chocolate é bom, mas enjoa.

Baladas experimentalistas e gargantísticas da PJ âs vezes são legais.
Em "Stories from the City, Stories from the Sea" tem as faixas 6 e 11, mas são duas faixas em 12.
Um disco só disso, como é o caso desse, é de doer nos grãos.
Mesmo sendo mesmo lindo.

amazonkindle.jpg

A Amazon lançou hoje o Kindle.

O Governo Federal instituiu 20 de Novembro o "Dia da Consciência Negra".
Para ser feriado, depende de lei municipal.
Cerca de 200 cidades do País fizeram leis e o dia virou feriado - o terceiro feriado de Novembro.
Precisa ser feriado?
Ou era melhor, até para não alimentarmos uma idéia racista, que fosse um dia normal de trabalho?

sábado...

Tem birinaites em casa.
Comemoramos a ida do padawan para PoA.
Aproveitamos a presença da minha linda Polenta, que também vai se mudar, vai para os EUA dia 29/12, completar os estudos por lá, perto da mãe.

Os amigos estão convidados.
:>)

Ainda vou fazer um grande post sobre nomes de livros - taí a primeira e precoce resolução para 2008.

Fico constrangido de ter escrito um livro chamado "Sexo Anal", mas quem leu sabe que o título não é gratuito e nem o livro é, ér, "pornô" - palavra estranha "pornô", parece do século passado, mesmo sendo título de livro do Irvane Welsh.

Mas ficaria mais constrangido ainda se tivesse dado um título como "Lula é minha Anta" a um livro. Acho Mainardi importante dentro da imprensa, é legal ter alguém tão sujamente contra, tão claramente odiado. Seu livro pode ser legal, vale como documento de uma parte da história política recente. Mas o título é uma bosta, mesmo que ele explique aqui e ali que a palavra "anta" é substantivo, não adjetivo.

Sim, isso demonstra um rasgo de condescendência do Diogo. Mas anta, no sentido adjetivo da palavra, foi ele que não pensou num título melhor.

boa diagramação em título besta.JPEG

Comprei um laptop com gravador de cd e dvd e estou como moleque bobo com brinquedo novo... Quase nem passeio mais por blogs nos parcos momentos livres da minha ensandecida vida. Só faço brincar com Lia e procurar coisas interessantes pra baixar. É!, me rendi à prática criminosa.

O mais recente disquinho encontrado foi o novo do Pato Fu. Não é tão super quanto o último, "Toda Cura Para Todo Mal". Aliás, se clicarem nesses links, vão ver os preços... Como tá caindo o preço do CD, né? É assim que se combate a pirataria: com preço decente. Se o novo do Pato emplacar nos meus ouvidos, prometo que compro um original.

novo do pato fu.JPEG

A primeria música do Pato que eu gostei foi "Sobre o Tempo", ode em que adolescentes ansiosos demonstram compreensão para com o implacável tempo: "Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei / Pra você correr macio / Como zune um novo sedã". Ei, Ina, esses são versos que podem inspirar os mais autênticos Virunduns, vai dizer?

Fernanda Takai teve um bebê e muitas das canções continuam a tratar do tempo, mas sob outros olhares, alguns mais enganosamente ingênuos, como os de "Mamã Papá": "Conte sua história / Pois sua memória /
Pode um dia se apagar". A idéia de sumir do mapa, ir de encontro ao criador, sempre bate quando um bebê nasce...

Falando em Tempo e já que citei o Ina, ele entrou nesse meme dos cinco minutos. É um meme que é a cara do Ina, que é um romântico, um verdadeiro Wando da nossa blogosfera. Não sei o que faria com esse tempo a mais no dia, mas assim que li o post do amigo japaraguaio, lembrei das palavras de um belo poema de Fernando Pessoa, de 1921:

PESSOA 2.jpeg


Quando era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,
E nada conseguido ou intentado!

Mais velho, digo, com igual enfado:
Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção!

Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido:
Um dia virá o dia em que já não
Direi mais nada.

Quem nada foi nem é não dirá nada.



Podia bem ser chamado de "Poema da Procrastinação", né Marmota?
:>)

Espero que possamos ao menos, dentro do tempo que temos, fazer o pouco que nos cabe de BOM. E que consigamos driblar o inexorável destino, como fez o grande Flávio Prada recentemente.

Fica bem, Flavito. Deixa os salames e os gorgonzolas pra lá por uns dias.
:>*

Agora me deêm licença, vou procurar o último do Lou Reed para baixar.

novo do lou reed.jpg

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Falando com o Rafa hoje, sobre a morte de Norman Mailer...

Ele não era tão Jornalsta quanto Gay Talese, não tinha a verve cômica de Tom Wolfe, não era tão maluco quanto Hunter Thompson, não era conciso como Joseph Mitchell, não era obsessivo com detalhes como Truman Capote... Mas era melhor que todos eles.

Seu maior pecado talvez tenha sido escrever muito, cometendo muitas obras menores. Acho quase toda ficção dele bem fraca; os melhores são os livros que partem de histórias e personagens reais. Eu e Rafa concordamos (o que é raro!) em um ponto: o livro-reportagem dele sobre a luta Ali Versus Foreman no Congo é uma obra-prima.

Sobre escrever, ele dizia que ficava cada vez mais fácil:
"Os bons escritores têm medo de não ser tão bons quanto pensam".

Tinha fama de brigão. Capote dizia que não gostava de ficar a sós com Mailer.
Foi uma grande perda.

Começa hoje na Cinemateca e no CCBB, em Sampa, a maior e mais completa retrospectiva do cineasta José Mojica Marins. São 25 filmes, incluindo um inédito, recuperado depois de 27 anos, "A Praga". Haja coragem para encarar os pornôs e faroestes vagabundos que ele, ér, "dirigiu". Mas os filmes de terror, especialmente os "Filmes do Zé do Caixão", são um primor de criatividade, primitivismo, força bruta latente. Acho que foi o Carlão Reichenbach que disse que o Zé é um "animal de cinema". É!

zé.jpg
Estive algums vezes com o Zé. A primeira vez foi interessante, ali por 1993. O Zé aplicava um golpezinho inocente - e talvez ele até acreditasse nisso!: visitava cidades do interior procurando locações para uma superprodução chamada "O Portal do Olho do Inferno", ou algo assim. O filme nunca saiu do papel. Nessas visitas ele era sempre paparicado pelas autoridades (especialmente secretários municipais de cultura), pela imprensa e por fãs. Ficava graciosamente hospedado em bons hotéis, comia em bons restaurantes e, possivelmente, ainda levava alguma graninha...

Por volta desse ano, 93 (minha memória está cada dia pior), ele veio a Americana meio para que para fazer as pazes com a cidade. Na década de 70 o diretor tentou rodar uma de suas "cenas de cemitério" de maneira furtiva, na calada da noite, no cemitério da cidade. O muro era bem baixo, a equipe pulou para dentro e começou a rodar rapidamente, quando alguém descobriu e ligou para a polícia. A equipe profana teve que sair correndo, alguns equipamentos foram destruídos pela liga das senhoras católicas!

Americana é uma cidade violenta.

Então a volta de Zé tinha um sabor de conciliação - embora boa parte das boas velhinhas da liga das senhoras católicas já tivessem ido ao encontro do Criador.

E alguém marcou uma entrevista especial com ele na emissora de TV onde eu trabalhava. A entrevista, de uma hora, seria conduzida pelo jornalista (e meu mestre) Walter Bartels. A gravação seria às quatro da tarde. Lá pelas duas caiu a maior chuva, o carro do Walter quebrou, ele não chegaria a tempo. Tínhamos que arrumar outro entrevistador. Os poucos que estavam na casa não se julgavam preparados para a entrevista. Ninguém, exceto eu, tinha visto um só filme do cara! Sobrou pra mim!

Com 23 anos e uma gripe ferrada, aceitei gravar "no pau" (sem possibilidade de edição), a entrevista com o temido Zé do Caixão, aquele estranho homem que assustava minhas noites de sexta-feria na TV Record com seu programa de contos de terror.

Ele chegou no horário, vestido do personagem, unhas enormes.
Tinha um negão de segurança e uma loira baranga metida num vestidinho a tiracolo.
Fiquei com mais medo da loira.

Simpaticíssimo e fumava Minister. Serrei um cigarro dele.
Baixinho, mais baixo que eu, um sujeito quase de meter dó.
Rolou uma empatia e a entrevista foi ótima, um sucesso, toda cidade viu.
E todo mundo veio falar da minha voz fanhosa, nariz entupido por causa da gripe.

Não passou muito tempo eu estava trabalhando em Limeira e ele apareceu lá com a mesma conversa de Americana. Lembrou da entrevista. Repetimos a dose, desta vez uma entrevista menor e que, aparentemente, era entre dois amigos. Não era, mas fluiu legal. O Zé tem uma qualidade especial para entrevistados: ele acredita piamente no que diz, até quando diz uma barbaridade. É péssimo entrevistar alguém em dúvida.

É bacana entrevistar o Zé, mesmo com os "praticamente". De cada três palavras que o Zé fala, uma é "praticamente".

No Caderno 2 de hoje o Ignácio de Loyola Brandão fala sobre o Zé e destaca uma cena de "À Meia Noite Levarei Sua Alma", uma das minhas cenas preferidas e que sempre cito em meus cursos para ilustrar como os tempos mudaram. É a tenebrosa cena em que o Zé aparece comendo uma costela de porco em plena Sexta-Feira Santa. Aquilo era arrepiante para a época, hoje é pra dar risada.
:^)

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O aniversário de 15 anos da minha filha linda, Isabelita Polentita, foi um baile de máscaras. Abaixo, eu com ela; depois ela com minha irmã, Jennifer Aniston; dançando funk com o avô; eu, minha mãe e minha irmã e Isabelle entre o pai e a mãe. Festão, sô (patrocinada pela mãe, já que o pai é um escritor duro).

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Lia posou para uma matéria do jornal TodoDia sobre alimentação infantil. Algumas das fotos feitas pela ótima Lilian.

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Dudu e meu sobrinho Théo, onde mais gostam.

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uau!

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Passeando pelos blogs hoje, deparei-me com um anúncio que chamou atenção.
Não era pra chamar?
:>)

lendo jornais

Eu adoro ler jornais. Adoro. Muito antes de entrar nessa coisa de jornalismo, lia compulsivamente jornais. Minha parte preferida, na infância, era o resumo dos filmes da TV. Acho que aprendi escrever lendo aquilo. Se é que aprendi.

Não compro jornal no domingo. Quando chega segunda, não vejo a hora de pegar os jornalões do domingo, que permanecem intocados na TV (jornalista não gosta de ler jornal, eles ficam fechados até eu chegar). Devoro-os.

O Caderno de Cultura do Estadão de ontem, por exemplo, faz a felicidade de alguém como eu. Como o Daniel Piza dando a entender que o Paulo Lins e o Rubem Fonseca escrevem mal e que o bom mesmo é o Marcel Proust. Ah, eu me divirto!

Tem coisa legal, como as entrevistas com os autores da última biografia do Gilberto Freyre e com os escritores Orhan Pamuk e Carlos Fuentes. Esses dois últimos divergem entre si e eu quase divirjo (ui!) dos dois. Em breve post sobre isso: a política nos romances.

O caderno tem ainda uma matéria bacana sobre "O Dilema do Onívoro", livro que eu tou devendo pra Karen.

Mas o que me chama a atenção MESMO é a matéria sobre os últimos romances de João Paulo Cuenca e d Chico Mattoso: "O Dia Mastroianni" e "Longe de Ramiro", respectivamente. A manchete é "A noite de uma geração alienada" - ai, ai, ai. Que geração mesmo, cara pálida? Como se não bastasse, Fabrício Carpinejar faz a resenha, com chamada: "Em livros sobre nada, autores tematizam o desapego". Porra, será que tudo tem que ser metáfora? Que saco! Vou me dar o trabalho de guardar o jornal e ler essas porras de livro para ver do que estão falando.

Passando do Cultura para a Ilustrada de hoje, o medo se intensifica. Mônica Bergamo (que eu a-do-ro!) fala com Delfim Netto (meu amigão!) sobre ele fazer parte do Conselho da TV Pública. Vale a pena ler a curta entrevista. Cláudio Lembo e Boni estão no conselho. Delfim diz que é encrenqueiro e não vai dizer o governo fazer propaganda na TV Pública. Ai, Jisuis!

Na sequência, ficamos sabendo, em matéria da Janaína Lage, que o BNDES vai financiar co-produções de TV. Pô. Pô! TV tem dinheiro! Não tem que financiar porra nenhuma de co-produção para a TV não!

Meus sais!

Bem, bem, mas não tem só motivos para nervos na Ilustrada: Chris Anderson, editor da Wired e autor de "A Cauda Longa" está no Brasil e diz que baixar música de graça não é igual pirataria. O status-quo parece não gostar de Anderson e isso é muito bom. Ele está na ponta dos "receptores de informações mais quentes do mundo", sendo amigo pessoal de Steve Jobs e Bill Gates dentre vários outros bam-bam-bans do Vale do Silício e arredores.

Mas o mais bacana mesmo é que um dos projetos especiais do camarada é um lance chamado BookTour. Parece um lance que o Branco faria se fosse milionário: acreditar em escritores que têm potencial para serem campeões de venda. Vai longe esse careca.

anderson.jpg

Bom, essa entrevista com o Anderson salvou meu dia.
Isso numa segunda em que o Álvaro Pereira Júnior elogiou (!!!) Joe Strummer.

...o povo inventou de fazer um lance diferente em casa. Eu só fui comunicado hoje.
Sou sempre o último a saber.
:>)

Shiraga fará um tempurá.
A Fresca irá cuidar de um yakisoba vegetariano e das iscas de pescada.
Vivien ficará incumbida de fatiar o salmão fresco.
Eu vou fazer as saquerinhas.

Sérgio Efe e família devem pintar.
Reza a lenda que amigos de Sampa vão se abalar pra essas bandas, mas isso eu duvido.
:>)

Quem estiver a fim, manda um mail.

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Tudo o que tenho lido sobre o novo disco do Radiohead fala da revolucionária maneira que a banda encontrou para divulgar e vender o álbum digitalmente. Isso você tá careca de saber. Mas pouca gente falou da música do virtual disco que, até onde sei, nem capa definitiva ainda tem. Vi em algum lugar que os caras mudaram de gravadora por esses dias, abraçando uma independente. Onde isso vai parar? Não sei.

O disco é muito, muito bom. Melhor que os três últimos discos da banda, quase no nível de "Ok Computer", embora muito mais... SOUL. Isso mesmo: soul. Disseram que o último disco do Wilco é soul e não é nada, eu e Doni concordamos sobre isso. Mas "In Rainbows" sim é soul, mesmo tendo os barulhinhos experimentais já característicos da banda. Em alguns momentos, sob paredes de violinos, dá até pra ver Thom Yorke de fraque, liderando uma banda classuda, como crooner. E Yorke, cantando melhor que nunca, está ainda mais romântico, sussurando que 'ela é tudo o que ele precisa', essas coisas bonitinhas que ficam muito bem em música pop.

Eu falo, é claro, do disco 1, já que o disco físico, duplo, será lançado em dezembro.
Não gostei da faixa de abertura nem da aclamada "Nude".
E também não ouvi, não sei porque, o disco solo do Yorke, "The Eraser".

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