Miguel Cordeiro pergunta: quem veio primeiro, a maçã dos Beatles ou a banana do Velvet?
Eu adoro perguntas assim.
Os Beatles roubaram a maçã do Magritte. O fã do Magritte MESMO era o Macca, jovem antenado com as artes. Mas o Lennon viu aquelas pinturas surrealistas e pirou - saiu comprando Magrittes a torto e direito. Deixou tudo para a Yoko. O apartamento no Dakota é recheado de Magrittes.
Depois veio a Apple e roubou a maçã dos Beatles.
Esse lance com a maçã já vem de longe, desde que a serpente deu uma para Eva - e olha só onde estamos: no purgatório, trabalhando com o suor de nossos rostos para comer. Ô frutinha amaldiçoada!
Nas minhas vastas pesquisas sobre o assunto frutífero constantei que não há ligação direta entre a criação da banana do Velvet e a maçã beata. A banana de Warhol foi uma idéia conceitual mesmo, numa época em que a arte das capas estava intimamente ligada à, ér, identidade do grupo e do álbum em questão. Um disco não era só bom per se, tinha que haver um "conjunto".
A capa do disco do Velvet era, claro, referência sexual mas também a primeira "interativa". Poucos sabem, mas a tal bananam originalmente era destacável e, embaixo dela, tinha o desenho do fruto, em escandaloso cor-de-rosa, muito mais sexual. Esteticamente, a figura simples e de imediata conotação sexual, remetia à "arte" pois, além de ser o auge da PopArt, levava a assinatura de seu Papa.

Resumindo: enquanto a maçã dos Beatles era uma apropriação de um artista para a marca do grupo, a banana do Velvet era uma criação específica para um trabalho específico, dentro de um conceito artístico original. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e, nesse caso, aparentemente, não há ligação entre elas.
Não podemos dizer o mesmo sobre o segundo caso envolvendo as duas bandas. Os Beatles lançaram o Álbum Branco (que se chama, na verdade, "The Beatles") e o Velvet lançou o Álbum Negro (que se chama, na verdade, "White Light, White Heat"); ambos em 1968. Essa sim é uma boa discussão.
:>)
Bia, deixa eu fazer um adendo - acho que quem passou a mão primeiro na maçã do Magritte foi o Jeff Beck, na capa do "Beck-Ola'... preciso checar as datas de lançamento do álbum e da fundação da Apple...
aliás, discaço esse do Beck; tenho uma edição dupla com Truth. Rod Stewart cantando como nunca, e o futuro Stone e ex-faces Ron Wood no baixo. Deus meu.
Clássico, heim Bia?
Biajone, boas informações...
mas acho lindo a apple que fica no pc lep top da minha filha, adoro a big - aplle, e achei interessante a história da banana....
bjos
ps: vou ler sua novela.
A Aninha me mandou pela net...
Ah, eu que tô meio bêbado agora, não vou entrar em debate algum. Ficarei aqui com Peaches, dos President of United States of America.
Um beijo, gay.
Deixa eu te contar uma curiosidade, Bia:
Você mencionou que a maçã é a fruta proibida... Na verdade, não existe nenhuma referência à isso na Bíblia. O fruto proibido era só o fruto proibido, e sua natureza era meio incógnita. A maçã só passou a ser identificada com o pomo em questão de uns séculos para cá, provavelmente em parte por causa da tradição anglo-saxã de ver a maçã como símbolo do sexo... o que também deu origem ao apelido, originalmente nada lisonjeiro, de Nova York, "Big Apple".
Agora a a parte mais legal: durante a Renascença a fruta que acreditava-se ser o fruto proibido era a... banana. Além des eu formato fálico-lúdico, a banana era uma fruta típica do Novo Mundo... e o pessoal da época estava crente que a América era o próprio Paraíso Perdido. Logo, nada fazia mais sentido do que atribuir à pobre banana a responsabilidade de ter privado a humanidade da ignorância sobre o bem e o mal.
O interessante é que, por muito tempo, aqui no Brasil, muita gente (inclusvie eu) ficou pensando que os Stones, que já tinham embarcado na dos Beatles no que se refere às capas do "Sgt, Pepper's" e do "Their Satanics..."(ambos de 67), também tinham feito a mesma coisa com o seu "Banquete dos Mendigos", já que a capa saiu branca, como a dos "Álbum Branco" dos Beatles (ambos de 68) Na verdade, o capa original do Banquete, que era uma privada de bar com a parede toda cheia de grafites, foi censurada aqui (tiempos de la dita dura). Outro dia o Jack White, do White Stripes, comentou esse lance dos discos de vinil e de suas capas, afirmando, como a Patti Smith já tinha feito antes, que a geração download nunca vai saber a emoção de pegar, ver e ouvir um daqueles LPs pretos com um furo no meio.
O Jay-Z também tem um álbum chamado Black Album.
Em 2004, Danger Mouse, produtor do Gorillaz e participante do Gnarls Barkely, lançou o Grey">http://en.wikipedia.org/wiki/Grey_Album">Grey Album, misturando samplers do Álbum Branco com o Black Album do Jay-Z.
Parece bizarro (e ruim) à primeira vista, mas até eu, que não gosto de hip hop e adoro Beatles, achei bastante bom.