Alex Castro é um sujeito que pensa. Observa e pensa. E tem idéias próprias e originais sobre as coisas. E é muito difícil gente assim, ainda mais gente assim e que escreva bem. Aqueles que reúnem essas qualidades acabam sendo os melhores cronistas do seu tempo. Alex o é. A coletânea que ele lançou pela OsViraLata ficou obscurecida pelo e-book-reportagem de sua ida a Cuba. Não li o Rebelde Radical Revolucionário ainda, mas acredito que suas maiores qualidades estão ligadas justamente à capacidade crítica, subjetiva e multifacetada do Alex – inclusive de ver e vivenciar coisas que ninguém vê – e de escrever lindamente sobre elas. É assim nas Crônicas do Liberal Libertário Libertino, o livro sobre o qual queria falar.

O livro não é inteiramente bom. Os 60 textos divididos em 5 partes são, na verdade, bastante irregulares. Esse é o maior problema do livro, mas mesmo os textos fracos ou irrelevantes não são chatos. O fato é que pelo menos 10 desses textos são obras-primas da Internet brasileira e é sempre um prazer ler, reler e mostrar para amigos... Os textos não estão mais no blog do Alex.
Destaco primeiro as duas partes do livro que eu menos gostei: “Vida de Ex-Rico” e “Eu, Oliver e a Katrina”. Na primeira, o que sobra dos textos cheios de detalhes é um certo gosto pelo exibicionismo – em alguns momentos, como em “A Imortalidade dos Ricos”, a exibição se justifica. Na segunda, a novela da ida de Alex a Nova Orleans levando seu cãozinho e encontrando o furacão Katrina, não se sustenta no papel. O episódio renderia um livro, mas parece que Alex não gosta dele. Foi fantástico acompanhar o desenrolar da novela ao vivo nas postagens da época, mas no livro ficou chato.
As outras três partes compensam essas duas e justificam o volume.
Nas Crônicas propriamente ditas, temos os já clássicos textos “Pessoas que Acreditam em Coisas”, “A Tirania das Bananas” (meu preferido) e “Tentativa de Definição de Arrogância”, em que Alex toma o exemplo da ginasta Daiane dos Santos - que era malhada pela imprensa, à época, por alguma arrogância – para declarar o seu “nojo cada vez maior do mundo”.
Porém, na parte “Homens e Mulheres” estão meus textos preferidos: “Fábrica de Machistas”, “O Miojo não Comido”, “Trago a Pessoa Amada em Três Dias” e “Eu Sou Livre”. Esse último texto é todo Alex Castro, falando diretamente sobre sua vida (o que irrita alguns, algumas vezes até mesmo eu) mas é totalmente real, lindo e inspirador. Pode ter, hoje, em tempos de leitura mais rápida e textos mais curtos o impacto de um “O Apanhador nos Campos de Centeio”.
Ao final, na parte chamada “Antes de Ir Embora”, dois textos que entram nos melhores. Um é um manifesto para que os leitores sejam grandes, aponta um certo indisfarçável messianismo por parte de Alex – mas é um texto foda e também inspirador. O outro é um dos mais engraçados textos já escritos: “Saindo do Armário” que é quando Alex diz que “quando eu era adolescente, meu grande sonho era ser homossexual”. E seguem uma situação imaginada por sua fértil mente e uma consideração sobre as pessoas que realmente são importantes em nossas vidas.
O texto de Alex Castro é assim, ele tem esse poder. Ele faz a gente pensar coisa que nunca imaginamos, algumas que talvez nem gostássemos de pensar. E, ao contrário do que muitos acham, ele não está ali cagando regras: faz isso de maneira natural, quase como sussurrando um exemplo, contando uma história de avó antes de dormir.
E como se não bastassem esses 10 textos clássicos dentro desse livrinho de 130 páginas, ainda temos 50 textos que podemos ler como exemplo e mostra da facilidade narrativa do Alex.
Experimentem.
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O lançamento do livro do Alex foi simultâneo ao meu, "Virgínia Berlim - Uma Experiência".
Hoje fiquei muito feliz por ver que duas leitoras deste humilde leram e falaram sobre meu livro.
Cris Cerdera, fez um post destacando o lado sensorial, já que a narrativa é levemente esparsa e vem o disquinho junto, a trilha-sonora. Muito legal o post, Cris. Obrigado.
Carol "Mozão" Mendes fez algo que ninguém havia feito até então: comparar "Virgínia Berlim" a "Sexo Anal - Uma Novela Marrom". Não falei sobre isso até hoje, mas, na verdade, "Virgínia Berlim" é o reverso de "Sexo Anal". Diz ela: "Li os livros do Biajoni [...], a mim parecem quase formar uma dicotomia, o sublime e o sujo, o interno e o externo, o riso e pranto, ..., apesar de muitas vezes achar que a maior característica de cada um dos livros é a presença constante do sarcasmo". Interessante. Em breve volto ao tema.
Restam ainda alguns exemplares de VB, compre o seu antes que acabe!