setembro 2007 Archives

- Não consegui entrar no chat do Rafael Reinehr ontem. A conversa toda tá aqui, e tem outra marcada.

- Blogosfera tensa por esses dias, em parte por causa do imbróglio das blogueiras que querem ficar peladas. Ian Black resume.

- Enquanto esses debates profundos acontecem, blogs legais continuam a aparecer. O amigo Sérgio Efe coloca suas obras no Gota D´Arte. Veja, clique no quadro e ele se amplia. São todos demais! Serjão está vendendo alguns dos quadros, se houver interesse, manda um e-mail pra ele e comece uma negociação.

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- Falando em vender e comprar, a Fal, a única blogueira que fala o português corretamente em todo Brasil, ainda tem alguns exemplares de seus exemplares e lindos livros para vender. Todos sabem que a Fal perdeu recentemente seu querido marido, o Alexandre. Eu estou na campanha para ajudá-la a vender os livros e você pode ajudar também comprando e divulgando. "Crônicas de Quase Amor" e "O Nome da Cousa" podem ser encomendados no e-mail livrosdafal arroba gmail ponto com. No dia 6 de Outubro acontece um "Jantar Árabe" em Sampa, onde todos poderão também comprar os livros da Falzita. Mais informações, manda e-mail.

- Falando em livros, tem engrossado a estante da OsViraLata. Tem novos livros lançados, vá ver.

- Três posts ótimos em três dos melhores blogs do País, para finalizar.

- Até Segunda, um final de semana lindo para todos.

Ó, a generalização!
:>)

Na era mezzozóica da blogosfera brasileira, houve um chat que marcou época e que serviu para juntar amigos, apontar alguns rumos. O "entrevistado" no chat era o Alex Castro (na época, Alexandre Cruz Almeida), mas acabou virando um grande papo. Na época, eu lançava (enviando apenas por e-mail, num arquivo word) "Sexo Anal". Foi a primeira vez que falei num chat. Eu estava na casa do Brigatti e matamos uma garrafa de vódega durante o papo virtual.

Bons tempos que não voltam mais.

Pois hoje, dois anos e meio depois, Rafael Reinerh chama os blogueiros para um chat, às 22h - acreditando que alguns malucos vão falar seriamente. A pauta sim, sem dúvida, é mais séria.

Vou entrar com a pergunta deste post: se a profissionalização intensifica a chatice.

E vamos ver se alguns medalhões aparecem para papear com pobres mortais.
:>)

Com um pratão feito daqueles em casa fica sonhando com pires!
Toma jeito, peludão!

Alex Castro é um sujeito que pensa. Observa e pensa. E tem idéias próprias e originais sobre as coisas. E é muito difícil gente assim, ainda mais gente assim e que escreva bem. Aqueles que reúnem essas qualidades acabam sendo os melhores cronistas do seu tempo. Alex o é. A coletânea que ele lançou pela OsViraLata ficou obscurecida pelo e-book-reportagem de sua ida a Cuba. Não li o Rebelde Radical Revolucionário ainda, mas acredito que suas maiores qualidades estão ligadas justamente à capacidade crítica, subjetiva e multifacetada do Alex – inclusive de ver e vivenciar coisas que ninguém vê – e de escrever lindamente sobre elas. É assim nas Crônicas do Liberal Libertário Libertino, o livro sobre o qual queria falar.

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O livro não é inteiramente bom. Os 60 textos divididos em 5 partes são, na verdade, bastante irregulares. Esse é o maior problema do livro, mas mesmo os textos fracos ou irrelevantes não são chatos. O fato é que pelo menos 10 desses textos são obras-primas da Internet brasileira e é sempre um prazer ler, reler e mostrar para amigos... Os textos não estão mais no blog do Alex.

Destaco primeiro as duas partes do livro que eu menos gostei: “Vida de Ex-Rico” e “Eu, Oliver e a Katrina”. Na primeira, o que sobra dos textos cheios de detalhes é um certo gosto pelo exibicionismo – em alguns momentos, como em “A Imortalidade dos Ricos”, a exibição se justifica. Na segunda, a novela da ida de Alex a Nova Orleans levando seu cãozinho e encontrando o furacão Katrina, não se sustenta no papel. O episódio renderia um livro, mas parece que Alex não gosta dele. Foi fantástico acompanhar o desenrolar da novela ao vivo nas postagens da época, mas no livro ficou chato.

As outras três partes compensam essas duas e justificam o volume.

Nas Crônicas propriamente ditas, temos os já clássicos textos “Pessoas que Acreditam em Coisas”, “A Tirania das Bananas” (meu preferido) e “Tentativa de Definição de Arrogância”, em que Alex toma o exemplo da ginasta Daiane dos Santos - que era malhada pela imprensa, à época, por alguma arrogância – para declarar o seu “nojo cada vez maior do mundo”.

Porém, na parte “Homens e Mulheres” estão meus textos preferidos: “Fábrica de Machistas”, “O Miojo não Comido”, “Trago a Pessoa Amada em Três Dias” e “Eu Sou Livre”. Esse último texto é todo Alex Castro, falando diretamente sobre sua vida (o que irrita alguns, algumas vezes até mesmo eu) mas é totalmente real, lindo e inspirador. Pode ter, hoje, em tempos de leitura mais rápida e textos mais curtos o impacto de um “O Apanhador nos Campos de Centeio”.

Ao final, na parte chamada “Antes de Ir Embora”, dois textos que entram nos melhores. Um é um manifesto para que os leitores sejam grandes, aponta um certo indisfarçável messianismo por parte de Alex – mas é um texto foda e também inspirador. O outro é um dos mais engraçados textos já escritos: “Saindo do Armário” que é quando Alex diz que “quando eu era adolescente, meu grande sonho era ser homossexual”. E seguem uma situação imaginada por sua fértil mente e uma consideração sobre as pessoas que realmente são importantes em nossas vidas.

O texto de Alex Castro é assim, ele tem esse poder. Ele faz a gente pensar coisa que nunca imaginamos, algumas que talvez nem gostássemos de pensar. E, ao contrário do que muitos acham, ele não está ali cagando regras: faz isso de maneira natural, quase como sussurrando um exemplo, contando uma história de avó antes de dormir.

E como se não bastassem esses 10 textos clássicos dentro desse livrinho de 130 páginas, ainda temos 50 textos que podemos ler como exemplo e mostra da facilidade narrativa do Alex.

Experimentem.

...

O lançamento do livro do Alex foi simultâneo ao meu, "Virgínia Berlim - Uma Experiência".
Hoje fiquei muito feliz por ver que duas leitoras deste humilde leram e falaram sobre meu livro.

Cris Cerdera, fez um post destacando o lado sensorial, já que a narrativa é levemente esparsa e vem o disquinho junto, a trilha-sonora. Muito legal o post, Cris. Obrigado.

Carol "Mozão" Mendes fez algo que ninguém havia feito até então: comparar "Virgínia Berlim" a "Sexo Anal - Uma Novela Marrom". Não falei sobre isso até hoje, mas, na verdade, "Virgínia Berlim" é o reverso de "Sexo Anal". Diz ela: "Li os livros do Biajoni [...], a mim parecem quase formar uma dicotomia, o sublime e o sujo, o interno e o externo, o riso e pranto, ..., apesar de muitas vezes achar que a maior característica de cada um dos livros é a presença constante do sarcasmo". Interessante. Em breve volto ao tema.

Restam ainda alguns exemplares de VB, compre o seu antes que acabe!





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Miguel Cordeiro pergunta: quem veio primeiro, a maçã dos Beatles ou a banana do Velvet?
Eu adoro perguntas assim.

Os Beatles roubaram a maçã do Magritte. O fã do Magritte MESMO era o Macca, jovem antenado com as artes. Mas o Lennon viu aquelas pinturas surrealistas e pirou - saiu comprando Magrittes a torto e direito. Deixou tudo para a Yoko. O apartamento no Dakota é recheado de Magrittes.

Depois veio a Apple e roubou a maçã dos Beatles.
Esse lance com a maçã já vem de longe, desde que a serpente deu uma para Eva - e olha só onde estamos: no purgatório, trabalhando com o suor de nossos rostos para comer. Ô frutinha amaldiçoada!

Nas minhas vastas pesquisas sobre o assunto frutífero constantei que não há ligação direta entre a criação da banana do Velvet e a maçã beata. A banana de Warhol foi uma idéia conceitual mesmo, numa época em que a arte das capas estava intimamente ligada à, ér, identidade do grupo e do álbum em questão. Um disco não era só bom per se, tinha que haver um "conjunto".

A capa do disco do Velvet era, claro, referência sexual mas também a primeira "interativa". Poucos sabem, mas a tal bananam originalmente era destacável e, embaixo dela, tinha o desenho do fruto, em escandaloso cor-de-rosa, muito mais sexual. Esteticamente, a figura simples e de imediata conotação sexual, remetia à "arte" pois, além de ser o auge da PopArt, levava a assinatura de seu Papa.

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Resumindo: enquanto a maçã dos Beatles era uma apropriação de um artista para a marca do grupo, a banana do Velvet era uma criação específica para um trabalho específico, dentro de um conceito artístico original. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e, nesse caso, aparentemente, não há ligação entre elas.

Não podemos dizer o mesmo sobre o segundo caso envolvendo as duas bandas. Os Beatles lançaram o Álbum Branco (que se chama, na verdade, "The Beatles") e o Velvet lançou o Álbum Negro (que se chama, na verdade, "White Light, White Heat"); ambos em 1968. Essa sim é uma boa discussão.
:>)

Fui convidado para jurado das quartas de final (é isso mesmo?) da Copa de Literatura Brasileira, super iniciativa do Lucas Murtinho. E estou em muito boa companhia!

A idéia é legal: cada jurado lê dois livros, aponta suas qualidades e diz de qual gostou mais. Acho ruim dizer "qual o melhor".

Ainda não sei quais livros lerei, mas estou ansioso.
Acompanhem os jogos.

Creo que soy incapaz de pensamientos próprios. – Borges, Revista Vision, n. 52, 10 de março de 1979 in “Dos Palabras antes de Morir"

Borges não era criativo.
Tá, agora me atirem pedras, crucifiquem-me no palco da intelectualidade.

Me sinto tranquilo para falar de Borges como se sente um amigo a falar de outro, muito próximo, nem que seja para confessar segredos dele, desses que se fala de alguém depois da morte. Eu olho para esses livros, para esses contos, e vejo milhões de informações... Vejo a agulha de costura de Borges criando furos e vagas, passando pela sua cultura para dar forma à idéia que ele queria transmitir naquele momento. Esse era um grande problema para Borges: ele tinha muita informação, era difícil pensar sobre qualquer coisa sem criar uma referência. Se escrevesse hoje, Borges seria craque no hiperlink. Aliás, corria o risco de ser ilegível, tal o número de hiperlinks.

Quando perguntado sobre qual seu conto preferido, indicava sempre “A Intrusa” e “O Sul”, contos baseados em histórias que ouviu, contos bem lineares, quase sem referências. A primeira história, da intrusa, ele ouviu da mãe, e recriou. No prólogo de suas obras completas, quando escreveu sobre a coletânea “Artifícios”, publicada junto com “Ficções”, onde se encontra “O Sul”, ele, chateado por considerar este conto “talvez o meu melhor conto”, previne que é possível “lê-lo como direta narrativa de fatos novelescos e também de outra maneira”. Quase uma besteira. Admirador de Kipling, Borges gostava de narrativas diretas e esses são seus dois contos mais diretos, portanto preferidos. Quando diz que pode ser lido “de outra maneira” só quer colocar a pulga atrás da orelha dos que gostam de caçar referências, ver pêlo em ovo.

Borges queria poder imaginar histórias diretas e puras – mas, malditas informações que rondavam sua mente! Não conseguia escapar da metáfora, do oxímoro, da metafísica, do exemplo, da ironia, do contraste, da alegoria... Se pensasse em retomar uma sugestão de Gurdjieff já pensava num Spinosa, num Voltaire e até talvez num Buda e num Kafka – sim, referências distantes umas das outras que ele via como integrantes do grande véu da REALIDADE LITERÁRIA. Para ele, criado por mãe católica, pai protestante, não existia Deus – mas ele bem o respeitava como grande criação literária.

Assim chegamos à “Loteria de Babilônia”, que se quer analisar. Pode ser uma grande brincadeira de Borges, como Kafka inventando um Deus ex-machina. Não é a toa que se encontra uma “latrina sagrada chamada Qaphqa”.

No prólogo de “Ficções” das suas “Obras Completas”, Borges destaca quase negativamente “A Loteria em Babilônia” dizendo que o conto “não é totalmente isento de simbolismo”. Simbolismos vazam por seus parágrafos, referências que remetem até a Joyce (que ele achava um chato): temos inicialmente a descrição de quem seria o narrador, que já teria sido isso e aquilo e portanto talvez tivesse vivido várias vidas (uma conotação espiritual), temos referencias a símbolos e nomes talvez obscuros (conotação hermética), uma quebra do espaço-tempo contínuo na relembrança de Pitágoras e um avanço ao evocar o “antigamente” (“questão de séculos, de anos?”), vemos uma referência extraterrestre na nau que já vai partir ou mesmo na gerência misteriosa da Companhia... e por aí vai até mesmo ao romper a barreira da metafísica colocando sob responsabilidade (já que o narrador pode estar mentindo ou exagerando) da Companhia talvez os “matizes da ferrugem”. Essa costura de referências não resultou sequer em uma história. Borges deve ter ficado constrangido quando lhe elogiavam “A Loteria em Babilônia”.

Borges bateu a cabeça numa parede ao subir uma escada e, na seqüência, escreveu uma série de contos que considerou, posteriormente, os melhores. “A Loteria em Babilônia” foi escrita depois de “Tlön, Uqbar, Orbis Tertuis”, “Pierre Menard, autor do Quixote” e “A Biblioteca de Babel” - todos “contos de referências” muito melhor resolvidos, inteligentes, legais. Incomodava Borges a idéia de ter tido tão poucas idéias geniais e de ser mau poeta. Talvez se espantasse de ver pessoas estudando seu continho complicado, etéreo e hermético mais de cinqüenta anos depois. Talvez ele considerasse as suas duas palavras antes de morrer:

- Me arrepiendo de todo lo que he escrito.

Bem, ele não precisava se arrepender de tudo – isso é fato.

*A propósito da discussão no chapa Idelber.

"Noventa por cento dos que saem das faculdades de jornalismo são zumbis, que se encontram depois com os outros zumbis que infestam as redações."
Leia tudo aqui:

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No final de semana fui até Volta Redonda pro aniversário de 15 anos da minha linda filha. Sim, eu dei um jeito e fui correndo lá dar um beijo nela.

E ainda deu tempo de ver dois filminhos. O primeiro, recomendação do Briga, foi "9 Canções", do Winterbottom. Um porre. Pornô-chique para indies. Sequências variadas de sexo variado para gente com iPod e espinhas na cara, fingindo que conhece Michael Nyman. Aliás, os grupos que tocam as 9 canções parecem todos iguais e essa constatação fez com que eu ficasse me sentido um pouco mais velho. Só o Primal Scream me redimiu. Perdi uma hora vendo esse média metragem. Ufs.

Outro que vi e esse sim gostei foi o "Premonições" com a Sandra Bullock. Eu não sou fã da moça e relutei em seguir o conselho do atendente da locadora, mas o cara tem me indicado filmes legais. Botei fé. E não me de decepcionei.

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O filme tem um jeitão de TV que atrapalha um pouco. A Sandra não ajuda, embora tenha que dizer que também não atrapalha. A direção é correta sem grandes elaborações. Esse é um filme de roteiro que, se não tem grande originalidade, pelo menos costura bem as pontas e prende a atenção. É o que se espera de um filme de suspense, não?

Confesso que lá pelo segundo terço do filme eu comecei a rezar para que o final não fosse meloso. Não é. Pelo menos não muito. O filme se resolve muito bem. Dei uma olhada na rede e estranhei que tanta gente tacou o pau no filme, achou fraco, ruim. Será que algo está mudando no meu gosto?

Alguém viu?

tem gente...

Que tem medo de tudo.
Que nunca tem projetos na pauta.
Que não consegue argumentar, parte logo ou pro ataque ou faz posição de coitadinho.

Tem gente que acha que as coisas têm um jeito único de ser.
Que todo mundo tem que pensar igual.
Que a energia da vida é uniforme.

Tem até quem não se informe.
Tem quem ache que comida é só pra matar a fome.
Tem alguns que começam a fazer um post por indignação
e, como se fosse uma melancia,
acabam fazendo poesia.

Eu é que não sou assim.

the renan

And the renan, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!

`[editado]

Muitas vezes a vontade de agradar as pessoas que amamos é inversamente proporcional à compreensão que as pessoas têm da extensão de nossos sacrifícios.

Quinze anos, manja? Ter uma filha com 15 anos não é para iniciantes.

Sim, é hoje, 11 de Setembro. Uma data que será lembrada por muitos até o fim de nossas vidas como O Dia do Terror. Para mim, será sempre, até o final dos meus dias, como O Dia do Amor. O dia em que Isabelle nasceu.

Eu tinha 21 anos. Sério: não estava preparado para ser pai. Ainda não estou, creio. Ninguém está. Quando nascemos não nos dão o Manual da Vida, então não aprendi as regras do Ser Pai. Procurei por aí em alguns livros, tentei sempre tratá-la como gostaria de ser tratado... Algumas coisas dificultaram nossa relação como o fato de Isabelle morar sempre tão longe, primeiro em Volta Redonda depois nos Estados Unidos, agora de novo em VR. Procurei sempre tratar essa relação distância-amor-saudade de uma maneira totalmente religiosa. Sim, religiosa no sentido mais literal da palavra: acreditando que eu e ela temos uma ligação que transcende tempo e espaço e quaisquer outras coisas bobas como, por exemplo, a negatividade dos outros que dizem: "ah, você vê sua filha apenas duas vezes por ano?" - como se o contato físico fosse tão mais importante que o contato mental e sentimental e amoroso que temos desde sempre.

Eu não vejo minha filha apenas duas vezes por ano, eu vivo com minha filha diariamente. Aqui, ó.

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Tudo que eu vejo e ouço e leio e respiro, eu penso: "Pô, Isabelle". Só isso.

E acho que ela também funciona assim, já que sempre que nos falamos por telefone ela diz que viu algo e pensou em mim e vice-versa. E também por gostarmos quase das mesmas coisas, de nos ligarmos quase sempre nos mesmos assuntos. E é estranho, pois não há que se falar em "influência", já que, bem, não estivemos muito tempo juntos, não é?

Minha ligação com Isabelle é MISTERIOSA.

Ela acha que eu não sei e eu acho que ela não sabe das coisas todas que sabemos. Por exemplo: eu sei que ela me ama e que, é claro, gostaria de poder ficar mais comigo, especialmente no dolce far niente de piqueniques (só fizemos um em toda nossa vida!) ou de shows de rock (já vimos alguns, um dos melhores foi da Legião Urbana Cover) ou de cafés da manhã intermináveis quando eu lhe faço pão-de-milho frito com mel e canela em pó (ela a-do-ra!) ou em idas ao cinema quando eu grito muito por empolgação do filme e ela se envergonha (especialmente em filmes de ação) ou em releituras de contos de terror do Allan Poe (especialmente "O Gato Preto") ou em sessões contínuas de filmes, quando escolhemos um diretor e dissecamos (o último foi Stanley Kubrick) ou quando colocamos um cd no carro e saímos cantando (especialmente The Cure e Pato Fu) ou...

É claro que eu também a amo e amaria poder fazer tudo isso continuamente e SEMPRE - mas que sempre que fazemos, ainda que em intervalos longos, é sempre tão bo-ni-to e MARCANTE!

E talvez essas atividades sazonais é que façam com que sempre seja tudo tão LINDO.

Ai, ai...

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O fato é que estou aqui escrevendo, são dez e meia da manhã, ela deve estar no colégio recebendo cumprimentos dos amigos no intervalo. Mas sem que ela saiba de fato, eu estou lá do lado dela dando um beijo no rosto bochechudo dela.

E na Sexta-Feira vai ter uma festa (uma festa de 15 anos, veja!) e não vai dar pra eu ir. Não estarei lá presentemente, mas dançarei, no intervalo entre um funk e uma disco, dançarei escondido, dançarei rodopiante com Isabelle, uma valsinha secreta de amor e de sen-si-bi-li-da-de. Dançarei com ela a dança espiral da UNIÃO.

E o tempo cruel que passa rápido vai nos ajudar e logo dia 28 vai chegar. No dia 28 estaremos todos, eu, Karen, Lia e Dudu em Volta Redonda para passarmos um final de semana bem juntinhos. Bem juntinhos. E escutaremos música e jogaremos bilhar e vamos colocar a Lia pela primeira vez em uma piscina. Será bonito e marcante - como tudo que eu faço ao lado dela.

Parabéns, filha linda. Papai sempre vai te amar.

Rafael Reinehr e Beatriz Costa leram e fizeram posts sobre "Virgínia Berlim - Uma Experiência".

Rafael disse que o livro "pode ser visto por uns como um romance policial mas, antes disto, é uma experiência constituída de sentimentos confusos e intensos". Interessante, já que muita gente acha que "Sexo Anal - Uma Novela Marrom" também é um romance policial. Nunca pensei em nenhum dos dois como livros policiais...

Já Bia Costa chama a atenção, com razão, para as semelhanças entre "Virgínia Berlim" e "Até o Dia em que o Cão Morreu", do Daniel Galera. Meu livro começou a ser escrito em 1996, muito antes do livro do Galera. A idéia de "Virgínia Berlim" não me saía da cabeça. Então eu li o livro do Galera, quando saiu pela Livros do Mal - e desisti do meu livro; eles eram mesmo MUITO parecidos. Aí então o Galera ficou famosão, lançou seu "Mãos de Cavalo" (que ainda não li), o tempo passou, surgiu o Branco na minha vida e... decidi mexer e lançar o VB. E não é que meu livro sai e o do Galera é reeditado e filmado!? Incrível.

No site do filme, o Galera diz sobre seu livro, que relutava em lançar: "quase tudo que eu pretendia expressar estava ali, às vezes toscamente resolvido, às vezes excessivamente cifrado". Poxa, isso serve perfeitamente para mim em relação ao VB.

Posso dizer que acho que os dois livros são irmãos.
:>)

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"Depois que eu comecei a ler esse 'Deus' do Dawkins tudo começou a dar errado na minha vida!"

- Monetização dos blogs virou meme, vai dizer? Quem esperava? Legal!

- Branco Leone inaugura seu blog de culinária. Jesus!

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- Bom, é claro que não posso falar em "blog de culinária" sem falar do blog da patroa. Visite!

- Restam poucos exemplares de "Virgínia Berlim - Uma Experiência", meu livro pela OsViraLata. Sim, a edição de 200 está acabando. Sobre esse negócio de, ér, editar livros, tem post novo da Olivia. Agora estou pensando em lançar "Sexo Anal - Uma Novela Marrom" no papel. Será que tem quem compre, depois de quase 10 mil downloads? Você compraria?

- Já que falei da Olivia, ela fez post falando sobre algumas mudanças aqui na Verbeat... Peço desculpa aos parcos leitores, já que alguns comentários sumiram, coisas estranhas aconteceram... É temporário. Tenham fé!

- Enquanto isso Mestre Idelba volta com tudo, falando incrusive do "segundo maior assunto do momento na blogosfera", que é a incrivelmente burra campanha publicitária do Estadão, aquela que chama blogueiros de "macacos" (sic). Bem, prefiro ser macaco que ser foca!
:>)

Entrei por acaso na Blockbuster do Pacaembu e constatei algo que suspeitava há era: estou anos-luz extremamente pra caralho defasado com filmes. Não vi quase nada do que foi lançado nos últimos dois anos!

Resolvi começar a tirar o atraso, então aluguei o comentado "Sunshine", do Danny Boyle, e "A Última Noite", do Altman. Quanta diferença!

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Na boa: um saco esse "Sunshine". A gente percebe negativamente a mão do Boyle o tempo todo. Ele QUER fazer algo diferente, como sempre quis fazer. No final, na desesperada tentativa de fugir dos clichês, cai no grande clichê resultante da, ér, fuga desesperada dos clichês. O filme até caminha bem na primeira hora mas... (aqui vai spoiler:) aparecer um, ér, "ente" fode com tudo. Sem contar o happy-end anticlímax e mais supercurto da história. Uma dica: não assista ao fime, vá direto aos letreiros finais. Do lado dos letreiros, num quadradinho, passa uma versão compacta do filme com todas as cenas interessantes! Nunca tinha visto algo assim: o filme acaba e eles dizem: "se fosse um curta, seria assim". Esqueça.

Ah, mas que beleza ver um filme bem dirigido, vai dizer? Altman deixa sua câmera fluir "pela história" e não "para" ela. Ele não quer fugir de clichês, ele não quer nada além do que contar a história de maneira, ér, natural. "Sunshine" é um filme de diretor que se resolve na edição... "A Última Noite" tem também uma montagem bárbara, mas dá a impressão que seria sempre um lindo filme APESAR da montagem. É bonito em cada cena, ainda que banal. Que suave, que feeling!

É claro que não quero comparar Boyle à lenda Altman, mas só queria ressaltar essa diferença que senti, e que deve desagradar totalmente ao Rafa. Paciência. Ele diz que eu sou uma pessoa fácil de agradar e resolvi ao menos falar mal de um filme - coisa que também não faço há muuuuito tempo.
:>)

Apdeite: Coincidentemente, Rafael republicou dois posts sobre filme de autor. A discussão é boa. Aqui tem minha réplica aos dois posts dele.

P.S. - Nada mais fica do jeito que eu quero nesse blog... Um post ontem entrou duplicado, depois sumiu. Agora a figura deste post ficou desse jeito... Inabilidade minha, eu sei. Paciência aos estetas mais atentos.

"Merda de Movable Type novo!"

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  • luiz biajoni
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