perigo no rio

Pegamos o avião em Viracopos e em 40 minutos estávamos no Galeão, Rio. Eu estava com uma camisa fofa, branca, que me deixa com os pêlos do peito à mostra, com uma grandissíssima cara de guei. Meu companheiro (no sentido social, não sexual), Vicente, precisou passar no caixa eletrônico, sacar dinheiro. Fiquei por ali, quando um cara encostou. Não falou nada mas nos acompanhou até o elevador e entrou. Tinha outras pessoas no elevador e eu decidi fazer uma daquelas piadinhas bestas; virei pro meu amigo e resmunguei que não aguentava mais esse trabalho de cover do Renato Russo, estava estafado. Ele riu, o pessoal olhou meio desconfiado e, bem, esse cara que tinha se encostado na gente lá em cima, também.

Podia ser um pederasta, sei lá... Mas o cara foi chegando, perguntou se queríamos táxi até o centro. "Sim, queremos". "Eu faço mais barato, R$ 50,00". Bem, pensei, o cara é um taxista caçando clientes!

Foi quando ele pegou minha bolsa, "pode deixar que eu levo", e foi em direção às escadas. Fui atrás e, logo atrás de mim, o Vicente. Na descida, observou que os caixas eletrônicos estavam bem vazios naquela manhã - e eu concordei. E perguntou de onde éramos - eu respondi.

Envolvido na conversa quase não reparei no carro quando ele abriu o porta malas e colocou minha mala dentro. Mas reparei que Vicente não estava logo atrás de mim. Olhei para trás e ele estava parado a uns 50 metros... Foi como se tivesse caído a ficha pra mim: aquele cara era um sequestrador. Vicente gritou: "Bia, pega a mala e vem pra cá". E eu fiz isso rapidamente, saímos correndo, subimos as escadas correndo e só pude ouvir o cara ligando o carro lá atrás.

Escapamos.

O carro do cara não tinha identificações de táxi e o Vicente estranhou a consideração sobre o caixa eletrônico... Foi rápido para não se deixar envolver com a conversa mole e corajoso para gritar e me alertar. Se tivéssemos entrado no carro provavelmente teríamos sido assaltados, roubariam nossas bagagens, saques em caixa eletrônicos, sequestro relâmpago, talvez coisa pior.

Deu uma tremedeira depois. Pegamos um táxi de linha e contamos a história para o taxista - ele disse que esse tipo de coisa acontece direto; e não só no aeroporto como em rodoviárias no Rio. A associação dos taxistas sabe, já fez várias denúncias, existem tapes com gravações das ações, com as caras dos marginais, mas... Não pegam ninguém e a ação continua ocorrendo.

Não é de se conjecturar que gente graúda saiba? Gente da própria Infraero? Por conta desse medo, não fizemos uma denúncia formal, um B.O. qualquer.

Acho meu dever contar a história aqui para alertar os parcos leitores - e seria legal se todos divulgassem. Se eu tivesse ouvido algo sobre práticas assim, teria me precavido.

Fica o alerta.

Ah, sim, aconteceram coisas ótimas no Rio, que eu conto assim que passar o trauma.

19 Comments

Essas coisas acontecem em qualquer cidade grande mas eu fico muito triste quando vejo acontecer no meu Rio. Ainda mais com amigos.
Não sei se estou mais escaldada mas o fato é que ando desconfiando até da minha sombra.

Da próxima vez eu te pego no aeroporto.

Eu sai do Rio quando o meu vizinho foi sequestrado dentro da própria casa. O perigo aumenta quando se está na rua. Tenho verdadeira paranóia com o Rio e evito de ir ao máximo.
Já vi reportagens enormes na tv falando sobre isso e os cuidados que se tem que ter, principalmente os turistas estrangeiros.
Bia, estamos "estrangeiros" em nossa própria terra.
Boa semana! Beijus

Puerra!
Agora em abril eu desembarquei no Leonardo da Vinci em Roma, depois da meia-noite e não tinha transporte público algum pro centro da cidade. Dois cariocas de mochilão e veio um espertalhão dizendo que o taxi normal era 60 euros e que um conhecido dele poderia nos levar por 30 até o hotel.
Talvez seja paranóia de quem mora em cidade grande, mas preferimos arriscar o taxi, que não foi tudo aquilo que ele disse (mas muito mais seguro do que ser assaltado e ter o corpo jogado no Aventino :p)

Juro que ia fazer um comentário sério. Mas li a Cláudia e tô rindo aqui....rs
De qq forma: ainda bem que vc sacou a tempo e pulou fora.abç.

Mais um paulista histérico com o Rio. :)

Quer dizer que se um cara esquisitão parasse do seu lado na saída de Cumbica e te oferecesse uma corrida baratinha num carro que não é taxi tudo bem, né? Em São Paulo nada demais acontece com turistas.

Olha, há um tempo atrás tinha uma quadrilha especializada em roubar laptops de viajantes a trabalho em Congonhas. Eles miravam quem saía do aeroporto com uma maleta de laptop, iam atrás do táxi de moto e assaltavam o passageiro no engarrafamento (sempre tem um engarrafamento em São Paulo saindo do aeroporto).

Malandro tem em todo canto, o problema é que o viajante fica bobo e esquece os códigos.

caro luiz...Bom dia1
Minha primeira visita a seu blog, e estou aqui graças a Aninha ( mineirasuai) que me emprestou seu livro pra que eu pudesse ler e ouvir.
gostei muito, e estou passando para dar um parabéns pela ideia, leitura e musiica, é genial, e tb , "off course", para ler seus causos...rsss
Gostei e espero ser bem vinda na sua casa!
Um abração, bom domingo!!!

Bia, pensei que a lição dessa cena de suspense era que não se podia ir ao Rio com ar guei. Afinal pode. O que não pode é aceitar carona, porque vau lá estar um, guei ara te sequestrar. Muito difícil compreender esses códigos todos do Rio. Melhor é fazer um guia explicando tudo o que pode e não pode e nunca ninguém explicou.
Abração
Francis

Vivendo e aprendendo... Se tem coisa que me amedronta é a abordagem 'inocente' de estranhos. No Rio e SP, então, meu chapa, funciono como autista: não respondo, não rio, não olho, não vejo... Mundo doido (ou doído).

Putz, q ingenuidade.

Não dá para cair numa dessas nem em Zurique, quanto menos no Rio de Janeiro.

Que bom que não aconteceu nada!

Sei não... acho que o moço ficou enfeitiçado pelos seus pelos do peito à mostra e iria te sequestrar até o próximo motel.

tô com a Yvonne. desculpa, mas isso aí poderia ter acontecido em qualquer lugar. não se pode pegar táxi desconhecido em lugar nenhum do mundo. que isso sirva de lição, seu bia. bj

Bia, desculpa, mas vocês foram muito ingênuos. Cidade grande é flórida. Beijocas

Nossa Bia que absurdo! Você deveria contar esse causo até no programa de tv que você faz em Limeira...

Voce como escritor não deveria ter medo de novas experiências e nem ouvir a opinião dos outros. Na proxima vê se embarca e nos conta algo mais emocionante.

Em Congonhas, eu cheguei a pegar muitos taxis que me eram oferecidos no portão do desembarque. Eu tinha que seguir o cara até uma saida menor do aeroporto e pegar o taxi no meio da rua. Nunca me aconteceu nada de ruim. Era apenas um problema entre os taxistas, quem não é da quadri.., ou melhor, da associação dos taxistas do aeroporto não pode pegar passageiros - só deixar.

É, amigo, minha cidade é assim :)

Que bom mesmo que dessa vez não houve nada, e vou espalhar pro pessoal que eu conheço...

Porra, Biajoni! e tú ia cair numa dessas!
Te cuida, rapá! o bagulho é doido. Não se pode aceitar ofertas, assim de grátis.
Desculpe-me, parece que estou querendo ensinar o padre nosso ao vigário, mas a tua mãe deve ter te alertado para não aceitar balinhas de estranhos, né não?
esse mundo anda perigoso, chapa!
Ainda bem que foi só um susto.
Abraço grande

porra!

que quando eu tava chegando, final de julho, no Rio, aconteceu parecido. mas o cara me abordou logo na saída do desembarque. perguntou se eu queria táxi; disse que sim. seguimos até o estacionamento do aeroporto, e ali eu estranhei; porque o carro não estava na rua, como todos os outros? era um Astra prata, como os outros táxis executivos (até então eu não sabia, se não teria buscado os amarelinhos antes). quando vi que o carro não tinha identificação, parei e apontei isso pra ele. perguntei se ele tinha algum documento de taxista e ele tirou uma carteirinha toda amassada, mal plastificada e feita no Word. aí agradeci o tempo dele e voltei pelo mesmo caminho.

na hora, não suspeitei de nada pior do que um espertalhão fazendo bicos de taxista.

mas, pqp!

Leave a comment


Type the characters you see in the picture above.

Este post

Esta página contém um post de Biajoni publicado em agosto 24, 2007 4:37 PM.

interessante... é a postagem anterior.

fotas no rio é a próxima postagem.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

  • luiz biajoni
    é jornalista e escritor
    ma non troppito


    e-mail e msn:
    luizbiajoni
    arromba
    hotmail
    ponto
    com

    :^)
  • assine o feed